
Essas coisas me revoltam !!!
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Atendi na quinta-feira passada um moço de 30 e poucos anos. Relatou que tem Epilepsia desde os 15 anos, mas que vinha sob controle há anos com o mesmo medicamento.
Há alguns meses a epilepsia descompensou. Ele foi orientado pelo Pastor da Igreja que frequenta a suspender a medicação, porque ele estaria possuído pelo Demônio e seria curado em nome de Jesus.
Um moço que já é pobre, marginalizado pela sociedade porque não estudou, limitado a apanhar trabalhos que quem teve oportunidade de estudar não admite fazer, marcado por uma doença ainda estigmatizada pela truculência da ignorância e portanto vítima fácil deste tipo de ave de rapina, ainda se vê na situação de pagar 10% do seu dinheiro suado para financiar ternos bem passados, carros do ano, viagens e perfume importado para seu Pastor espiritual. Ninguém noticia sua convulsão. Para o pastor, simplesmente ele não mereceu a cura que Jesus pode dar. O demônio continua no moço, que precisa ter mais fé.
Ocorre que em muitos casos a Epilepsia sob controle há anos passa meses sem produzir novas crises (ou até nunca mais produz) depois que o medicamento é interrompido. É assim que esses Pastores produzem milagres que enchem suas contas bancárias às custas do sofrimento e boa fé do povo.
Se este moço não tivesse caído da cama pela madrugada e acordado machucado depois de uma queda provocada por convulsão, provavelmente estaria dando seu testemunho de cura. Como não se curou, como no seu caso a Epilepsia ainda estava ativa, ele cala. Ele não vai ao púlpito dizer que Jesus não o curou. Nem ele vai, nem tantos moços e moças que suspendem seus tratamentos e voltam devastados física e emocionalmente para seus médicos vão.
Se nós vivêssemos num país decente, isto seria crime. Sou muito, mas muito calma. Mas este tipo de coisa realmente me deixa irritadíssima. Roubar pessoas pobres, usar sua boa fé, sua inocência, é uma forma de estupro psicológico e às vezes me sinto muito só com esse pensamento.
Acho urgente que alguém que tenha poder para mudar isso olhe para estas pessoas.
Meire

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por Meire Gomes
A cada 40 segundos uma pessoa se suicida em alguma parte do mundo. Isso equivale, conforme dados da Organização Mundial de Saúde, a mais ou menos 1 milhão de mortes por mês. Os principais fatores de risco reportados são doenças psiquiátricas, sobretudo depressão e abuso de bebidas alcoólicas, anorexia nervosa, perdas familiares e privações financeiras, desilusões amorosas, história de abuso sexual na infância e outras formas de violência física oupsicológica, além de fatores culturais e sociais diversos.
O entendimento que se dá ao suicídio varia muito de país para país, conforme seu momento histórico, sua política, sua religião… Em virtude do estigma derivado da crença de que o suicida já selou o seu destino e sua alma irá para o inferno, até pouco tempo no Brasil e em muitos países religiosos era comum a divulgação de outra causa mortis, pois se a causa oficial fosse suicídio, a pessoa não teria direito a um cerimonial e enterro dignos. Para os espíritas, o suicida vai para um lugar tenebroso chamado Umbral depois e precisa passar por um longo processo de crescimento ou ‘evolução’ – eles entendem o suicida como um espírito menos evoluído. Por outro lado, matar-se em nome de uma causa, seja política ou uma ideologia qualquer, tem um ar de heroísmo para aqueles que comungam do mesmo ideal, como ocorre em países do Islã. Como o homem, outros animais também se suicidam, como o pequeno Lemingue* que ilustra este artigo.
A estatística do êxito sugere que a maior parte ou pelo menos boa parte das pessoas que pratica a tentativa de suicídio não parece ter a intenção de conseguir morrer, mas talvez de chamar a atenção para si, o que não deixa de ser um forte sinalizador de que a pessoa não está bem. Mulheres tentam mais suicídio do que homens; eles tentam menos, mas morrem muito mais. Se um homem tentou várias vezes suicídio, é possível que exista outro objetivo por trás, mas o risco dele tentar novamente e conseguir pode ser maior do que outra pessoa que nunca tentou suicídio. De cada 10 pessoas que tentam se matar, só uma chega ao fim.
Um dado curioso é que em países ricos e com problemas sociais mínimos como a Noruega, e nas áreas mais ricas de outros países, como o Rio Grande do Sul aqui no Brasil, o índice de suicídio é mais alto do que nos locais com menos recursos e com mais desigualdade social, mas os indíces variam muito dentro de grupos específicos. Entre as pessoas com deficiência, os índices são maiores nos surdo-mudos do que nas pessoas com cegueira, e entre profissionais de saúde, médicos se suicidam mais do que farmacêuticos. Nestes dois exemplos parece ficar claro o peso do estresse emocional.
Há quem pense o ato suicida como uma covardia, há quem julgue ser um ato de extrema coragem. É algo muito, mas muito contrário ao que esperamos da natureza humana, pois biologicamente, como todos os outros animais, somos totalmente predispostos à luta pela vida. Não sei se anti-natural seria a palavra certa, mas não encontro outra que possa sozinha caracterizar melhor o ato. Se por um lado o fenômeno suicida é algo maior do que a nossa compreensão parece capaz de alcançar, por outro lado precisamos aprender como preveni-lo mesmo sem entendê-lo claramente.
Uma das estratégias mais úteis para se prevenir o suicídio é falar abertamente sobre ele, buscando meios de detectar de maneira precoce a ideação suicida, ou seja, o pensamento ou planejamento, ofertando à pessoa alguma oportunidade de tratamento o mais rápido possível. Pensando nisso, a OMS vem debatendo diversas estratégias e fixou o dia 10 de setembro como Dia da Prevenção do Suicídio.
Em Medicina já foi um tabu se perguntar diretamente ao paciente: ‘Você já pensou em se matar?’, sob a justificativa de que falar sobre suicídio seria algo como dar uma idéia mórbida à pessoa já em dificuldades. Hoje sabemos que não. O correto é perguntar. Perguntar se a pessoa pensa em suicídio, se já planejou algo do tipo, se já tentou.
Cada país deve criar sua estratégia, porque o suicídio depende muito do acesso aos meios letais. Então passarelas devem ser cobertas, pontes devem ter proteção alta o suficiente para evitar que pessoas subam e pulem; onde há muito acesso a pesticidas ou armas de fogo, deve existir o devido controle. Além de tudo isso, a OMS indica que os países providenciem treinamento para detecção precoce de Depressão destinado aos trabalhadores da saúde, professores e policiais.
Para saber mais:
PodCast da World Health Organization, de onde foram retirados alguns dados para a elaboração deste breve artigo.
* O leitor ‘Simon’ escreveu afirmando que o suicídio dos Lemingues é um mito. Explicou que o que ocorre de fato é que os animaizinhos se jogam na água durante a migração para diferentes ilhas. Obrigada pela correção, Simon.
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Revi ‘The Machinist’ ontem, e certamente assistirei de novo e de novo. O filme foi dirigido por Brad Anderson e é estrelado ao extremo pelo Christian Bale. Ao extremo porque Bale praticamente deu a própria vida para encarnar no personagem – ele não encarna o personagem, ele encarna no, e só isso, sem contar todo o resto que é genial, já torna o filme único. Aquilo não é computação gráfica, a desnutrição grave foi fruto do esforço do ator. A desnutrição movida pela culpa é a verdadeira protagonista da película e sem essa quase morte, o filme não seria o mesmo.
‘The Machinist’ é um drama que qualquer um de nós poderia passar e mostra como a mente humana pode reagir frente a uma situação de stress agudo: ela pode nos aniquilar enquanto tenta nos proteger. Ele foi um dos únicos filmes que me deu um impacto tão forte quanto as obras de Bergman, aquela impressão de que o roteiro foi escrito por um psiquiatra com P maiúsculo.
Só psicopatas estão livres de sofrer o que Trevor sofreu.
Assistam, e depois me escrevam. Adoro o retorno de todos – posso demorar, mas respondo a todos os e-mails.
Beijos
Meire G

por Meire Gomes
Abraço !
Meire Gomes

Para cada colega espalhado por este Brasilzão, para cada um que pena nos plantões em Hospitais sem recursos, para os estudantes de medicina, para todos os que sacrificam momentos imperdíveis de sua vida em nome do trabalho, para meus amigos de turma, meus amigos do trabalho, para todos os médicos que já cuidaram de mim, para todos aqueles que já receberam os meus cuidados, para todos os clínicos, cirurgiões, para os médicos aposentados, para os médicos que mudaram de profissão, para todos, um Feliz Dia do Médico !!!
Muitos beijos

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Por Meire Gomes
Em um semáforo que fica na rota do meu dia a dia vira e mexe aparece uma senhora pedindo esmolas. Veste a mesma roupa limpinha e surrada, tem as unhas bem aparadas e os cabelos prateados estão habitualmente penteados em um coque improvisado. Ela é ativa, anda com agilidade entre os carros, parece estar bem nutrida e não há sinais deterioração do estado mental. Na segunda vez que a vi, entabulei uma conversa e descobri que ela recebe seu salariozinho todo mês. Ela deu com os ombros quando perguntei por qual motivo fica na rua, se já tem sua casinha e seu dinheirinho certo. Ela me lembrou um senhor forte, já bem idoso, que pedia esmola no sinal da Hermes da Fonseca com a Antônio Basílio. Ele era aposentado e tinha algumas casas alugadas num cortiço. Nenhum dos dois alegaram maus-tratos, mas muitos idosos na rua podem ser vítimas de seus próprios parentes.
Não dê esmolas a idosos, se quer ajudar faça mais por ele. Verifique sua idade e questione se já recebe sua ‘aposentadoria’. Se notar sinais de que a pessoa idosa está sendo explorada pela família, denuncie usando o telefone 0800-0841021 (este é o Disque Idoso para a cidade de Natal) dando todas as características físicas possíveis, nome, e local onde ela fica habitualmente. Se conseguir o endereço domiciliar, melhor ainda.
Se o idoso não recebe provento algum pode estar em situação de privação importante. Muitas famílias ficam com o idoso justamente para compartilhar sua renda. É triste, mas é menos pior do que o completo abandono. Se a resposta dele for não, e ele já tiver 65 anos ou mais, oriente que procure uma das Agências da Previdência Social (há na zona norte, na rua Apodi, no bairro Nazaré e muitas outras espalhadas pela cidade e pelo interior) para que busque o benefício de amparo social, que é mais ou menos como uma aposentadoria, e tem o valor de 01 salário mínimo mensal.
Não existe um só idoso no Brasil que seja carente de recursos e não receba o benefício rapidamente, isto é uma garantia constitucional e funciona. O nome deste benefício é Benefício de Prestação Continuada (BPC) da Lei Orgânica da Assistência Social e sua percepção independe de qualquer contribuição prévia.
Idosos que estão em asilos ou internados também podem ser beneficiados, enfim, qualquer pessoa com 65 anos de idade ou mais, mesmo que esteja saudável, desde que seja pobre para o efeito da Lei, ou seja, que dentro do seu núcleo familiar a renda mensal não ultrapasse 1/4 de salário mínimo por pessoa. Se em uma família pobre há 2 idosos, os dois podem receber o benefício.
Para pessoas abaixo de 65 anos, este benefício só pode ser concedido se houver alguma deficiência, seja física, mental, sensorial, múltipla ou decorrente de alguma doença, e desde que a deficiência incapacite a pessoa para prover o sustento, ou no caso de crianças, que a deficiência tenha um impacto sobre sua função e limite sua capacidade futura de trabalho. Nesse caso, o processo para obtenção é um pouco diferente, e posso falar dele em outra oportunidade.
Qualquer dúvida, podem me escrever

Hei babies,
Para minha surpresa, um dos posts mais movimentados desse espacinho é justamente um que eu nem pensei que fosse escrever, o Futilidades. Eu disse que poderia escrever sobre maquiagem também, se desse na telha. Deu.
Vai ser outro Jabá, porque vou citar o nome dos produtos que adoro.
Eu uso poucos produtos, só tenho um batom. Mas uso alguns produtos especificamente para maquiagem do dia, e outros se vou para um casamento ou alguma ocasião que exija algo menos desleixado. Se saio à noite, como não precisa de filtro solar, normalmente saio sem maquiagem nenhuma, porque meu marido prefere.
Alguns filtros solares deixam você com aspecto de múmia, então mesmo espalhando o filtro bem, fica estranho e é por isso que precisa passar pelo menos um pó por cima. Eu testei vários fitros, e só me adaptei com o Minesol Actif, que uso todos os dias após lavar o rosto com o Effaclar. Ele não tem o efeito múmia, mas muda um pouco o padrão da pele, como todo filtro.
Pro dia uso um pouco da base em pó da Contém 1g, que é 100% mineral, quase não tem cor, não tem cheiro, nem dá aquele aspecto grosso de base, prestando-se bem para devolver a cor da pele roubada pela brancura do filtro. E por cima uso o pó mineral da mesma marca, que tem um brilhinho leve, como se fosse a pele da gente sem nada. Esses produtos são muito bons, e podem ser usados por pessoas com pele mista ou oleosa porque são totalmente oil-free. Na verdade eu me surpreendi com a qualidade.
Nos cílios uma camada leve da máscara non stop, boa, barata e anti-borrões, além de ser discreta e sair fácil quando a gente lava o rosto. E na boca ou não uso nada, ou uso o Epidrat Lábios que é hidratante, ou o Acqua Fusion da Lancôme, que é transparente e tem cheirinho de melão (esse produto sumiu, não sei se saiu de linha).
Eu não uso sombra nem blush, só se for pra algum evento muito especial. Eu não gosto. Mas as vezes uso delineador nos olhos, na raiz dos cílios na parte superior e/ou lápis preto na parte inferior. Depois de testar algumas marcas, o melhor delineador considerando preço e qualidade é o do Boticário, e o lápis, o da Lancôme, que é um pouco caro mas dura a vida inteira da pessoa, praticamente, rs. Só vale a pena comprar um produto mais caro se for algo durável e se não tiver outra opção quase tão boa e bem mais em conta.
Se eu quiser ficar parecendo maquiada de dia, uso o delineador um pouco mais grossinho e passo batom, o meu filho único, um do Boticário que não lembro o nome – estou com ele na fotinho que está pelo meio do post Futilidades. No dia que comprei o pó da Contém, comprei também um gloss muito lindinho, mas é inviável usar, porque meu cabelo vive solto e fica grudando, odiei.
Se for preciso me maquiar à noite, passo gelo no rosto, depois uso a base Teint Idole, da Lancôme. Espalho bem, com os dedos mesmo (mas Karininha, minha amiga linda, descobriu que passar com pincel dá um efeito bem melhor, depois eu faço um teste), até ela desaparecer quase por completo. Depois passo o pó Pureness, da Shiseido, dois produtos que uso há muitos anos. Esse pó é levíssimo, mas esses dois produtos só ficam bem se a pessoa não tem manchas na pele, ambos são bem transparentes. Nos olhos uso uma linha de delineador bem feita, e algumas camadas da máscara de cílios. Ai vem o meu único batom, mas para noite eu passo um contorno, depois passo hidratante para a boca, e dou uma espalhada no contorno misturando porque acho deselegante contorno aparecendo, na verdade acho brega em último grau, tão brega quanto blush exagerado, tem que ficar discreto. Só depois dessa espalhada ponho o batom, e pronto.
Ter um batom só dá certo para tudo. Se você quiser dar só uma corzinha no lábio, basta espalhar uma pequena quantidade com os dedos. Se quiser cor, usa normalmente. E se quiser que aboca fique mais bonita, basta usar o contorno como falei.
Se você quiser ter só uma base e só um pó escolha Lancôme e Shiseido, porque a textura e a fixação são espetaculares, mas se for algo para usar todo dia, é melhor usar produtos nacionais.
Era isso. Como sombras e blushs não são minha praia, nem sei indicar.
Beijos com batom ou sem batom, girls. And boys, né. Muitos meninos também usam maquiagem.
Meire
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Imagem extraída de http://images.inmagine.com/img/photoalto/paa209/paa209000006.jpg

Obs.: Este pequeno texto não tem a pretensão de afirmar que vacinas são 100% seguras, nenhum medicamento é
. Ele serve para reforçar que a doenças matam, mutilam, deixam sequelas, e que as doenças são mais perigosas do que quaisquer vacinas. Vamos detalhar.
Crianças, adultos e animais sempre estarão expostos a riscos, nunca estaremos 100% seguros de tudo porque não vivemos em uma bolha. Mas as pessoas e animais vacinados apresentam chance muito menor de apresentar complicações sérias em sua saúde. As encefalopatias por exemplo, são freqüentes por vírus e raríssimas por vacinas, e basicamente ocorrem com a antiga DPT(a de células inteiras), e com a vacina do sarampo; ainda assim a frequência estimada nem de perto chega à frequência com a qual os próprios vírus desencadeiam a doença.
Qualquer criança corre mais risco de ter uma doença neurológica grave se deixar de se vacinar do que se for vacinada, justamente porque as causas mais frequentes da encefalopatia são os vírus, muitos deles infectam principalmente as crianças. Só para termos uma idéia, de cada 2000 (duas mil) crianças que pegavam o vírus do sarampo, uma desenvolvia encefalopatia, e quando existia epidemia, isso era uma tragédia. Hoje em dia isso não acontece mais, e depois da vacina só se verifica cerca de 1 caso para cada 3.000.000 (3 milhões) de crianças vacinadas , isso significa dizer que nos países onde ainda existe Sarampo é 1500 (mil e quinhentas) vezes mais fácil uma criança desenvolver uma deficiência após encefalopatia sem se vacinar do que se vacinando. Se as pessoas pararem de se vacinar contra o sarampo e o vírus voltar, o número de encefalopatias vai começar a subir de novo, como foi no passado. Os números são claros.
Hoje erradicamos a Paralisia Infantil, graças à gotinha, uma vacina barata e que salva muitas vidas. Milhares de crianças ficaram com deficiência física, e hoje não existem mais novos casos no Brasil. Mesmo que a vacina cause algumas reações, e até chegue uma reação séria entre milhões de doses , nem de perto a vacina terá o poder de fazer o que o vírus fez às pessoas. As que sobreviveram e chegaram à idade adulta agora sofrem a violência da síndrome pós-poliomielite.
Peço desculpas caso eu tenha ferido as pessoas que são contra as vacinas, mas não há realidade mais clara do que esta. Opiniões diferem, cada um defende a sua, e está no seu pleno direito. Eu prefiro o Brasil sem Paralisia Infantil, e sem as tantas e tantas Encefalopatias provocadas pelo Sarampo, sem a surdez provocada pela Rubéola, e prefiro um país sem tanto câncer de fígado e por ai vai. Se há crianças doentes hoje, e se ficaram doentes mesmo se vacinando ou ficaram doentes porque se vacinaram, isso é muito triste, muito mesmo, mas no passado era muito pior, as doenças imperavam sem controle e prejudicavam muito mais crianças. Nunca teremos um mundo totalmente sem doenças, mas sempre buscaremos um com menos doenças.
Um abraço,
Meire
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Vacinar ou não vacinar, eis a questão
Por Meire Gomes
Entre ricos e famosos nos Estados Unidos estão pessoas que curiosamente fazem campanha anti-vacinação e há algumas pessoas no Brasil contaminadas com o mesmo entendimento que deveria ter ficado nas páginas da história do início do século passado. Os argumentos são tão bizarros que não vou me dar nem ao trabalho de rebatê-los, basta afirmar apenas que a vacinação foi um grande avanço para a saúde humana e animal, é responsável por uma queda considerável na mortalidade infantil em todo o mundo, e lembrar que a alegação espalhafatosa de que a vacinas são causa de autismo é totalmente descabida.
Eu recebi de presente de um amigo a edição mais nova do Manual de Imunizações do Hospital Israelita Albert Einsten, e folheando-o nesta manhã ensolarada de sábado, pensei em escrever sobre situações que aparentemente contra-indicariam a vacinação, mas que de fato não impedem que a pessoa seja vacinada. Isso é bastante importante porque os mitos são comuns, inclusive entre profissionais da saúde.
1. Meu filho é prematuro, por isso não deve se vacinar.
Nananinanão. Toda criança prematura deve acompanhar o mesmo calendário vacinal de outras crianças, salvo se o bebê tiver menos de 2kg. Nesse caso a vacinação é apenas adiada até o pequeno engordar mais um pouquinho.
2. Eu estou usando antibióticos, então vou adiar a vacina.
Não. Os antibióticos não interferem com a ação das vacinas, e vice-versa.
3. Pessoas desnutridas correm risco de reações graves e não devem ser vacinadas.
Falso. As pessoas com desnutrição não só podem como precisam muito manter seu calendário vacinal atualizado.
4. Estou amamentando, então não posso me vacinar.
Pode sim. As vacinas usadas hoje em dia não interferem com a produção de leite nem prejudicam o nenê.
5. Meu filho tem asma e usa bombinha com corticóide, e li que quem usa corticóides não pode se vacinar.
O uso de corticóides só contra-indica a vacinação quando é administrado por via oral ou injetável em doses elevadas ou por tempo superior a 2 semanas. Quem faz uso de doses baixas por curto período ou quem usa corticóides por via inalatória pode se vacinar normalmente.
6. Eu já tive Rubéola, então não vou me vacinar.
Ah, vai. Um relato de que houve doença no passado é incerto, porque algumas doenças se parecem com outras. Muita gente que acha que teve rubéola pode ter tido inúmeras outras viroses que cursam com exantema, e pode achar que teve catapora quando o quadro foi apenas de infecções na pele por picadas de inseto, por exemplo. Até uma gripe pode dar manchinhas na pele que desaparecem espontaneamente. Se a pessoa tem em mãos um exame que comprova que teve a doença e que já está imunizada, ai a sim vacina pode ser considerada desnecessária.
7. Meu filho tem Paralisia Cerebral, e pessoas com doença neurológica não podem se vacinar.
Pessoas com doença neurológica estável devem se vacinar sem restrições. As pessoas com Paralisia Cerebral, sobretudo as que apresentam redução severa de movimentos, necessitam inclusive de ampliação de sua vacinação.
8. Meu pai teve morte súbita, por isso não vou vacinar meus filhos.
Tal mito não encontra suporte científico. Não existe aumento de eventos vacinais fatais em pessoas com história de morte súbita na família.
Em caso de dúvidas, consulte sempre o seu médico.
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Imagem extraída de http://studentservices.brevard.k12.fl.us/images/health1.gif

Oi gente !!!
O Salada Médica deve entrar num período de vacas magras, aliás vacas anoréxicas, magérrimas. Vou continuar escrevendo, é craro, mas numa frequência {agora é sem trema} um pouco menor.
Estou lotadíssima de trabalho e além disso terminando outra pós-graduação, com menos de 6 meses para entregar meu trabalho de pesquisa, que por sinal mudou completamente de ontem para hoje
E ainda por cima sou dona de casa, ai já viu. Amanhã é dia de supermercado
Mas não deixem de dar uma passada ou de me escrever, olhem posts antigos, usem a pesquisa do Blog, enfim …
Beijos,
Meire

por Meire Gomes, para a Diginet – artigo publicado em 22/08/2009
A Depressão é um problema com múltiplas causas e talvez seja das doenças potencialmente incapacitantes a mais complexa e de evolução mais imprevisível. Ela é impalpável e sua mensuração é fortemente subjetiva: como podemos medir um sofrimento?
Uma depressão grave pode se dissolver em poucas semanas enquanto um quadro leve a moderado pode prolongar-se ao ponto de esgotar a pessoa emocionalmente com o passar dos anos. Se a depressão ocorre em reação a um fato pontual – como uma separação conjugal ou a morte de alguém querido -, ela pode passar em algumas semanas, mas a pessoa pode ficar depressiva por meses e até nunca mais sair do quadro, tornando-se doente crônica com episódios recorrentes mesmo que o fato gerador há muito tenha perdido sua importância.
O fato é que a Depressão, independente de ter uma causa bem definida ou não, é um problema de saúde pública. Ela começa cada vez mais cedo, acomete as pessoas em todas as faixas de idade, está espalhada pela música, pelo cinema e pelas artes plásticas, não escolhe etnia, credo, sexo nem condição sócio-econômica e pode ser devastadora, sobretudo quando a pessoa explode por dentro num esforço de deixar transparecer que está tudo bem em vez de buscar tratamento. Algumas pessoas tornam-se agressivas, são fatalistas ou vivem de mau humor e por esses motivos se isolam ou são excluídas de seu grupo, enquanto muitas outras mergulham na doença e se deixam levar pela sua voracidade. A depressão não é uma doença, é um espectro; é como uma aranha venenosa, tem várias pernas e pode matar. Mas há tratamento.
A ocorrência da depressão, como a de basicamente toda doença, parece ter uma certa predisposição individual. Há pessoas que a despeito de toda carga emocional a qual são expostas permanecem mentalmente saudáveis e produtivas, enquanto muitas tornam-se depressivas por motivos que para outras seriam banais ou contornáveis. As nossas personalidades diferem muito, algumas pessoas possuem a natureza ansiosa, outras têm baixa tolerância às frustrações e muitas são pouco resilientes*.
Muitas pessoas com depressão são de fato pessoas com transtorno bipolar ou com transtorno de personalidade. Excluindo-se as depressões que apresentam um forte componente não-ambiental, os demais quadros podem variar muito de acordo com o meio no qual a pessoa vive, o apoio da família, a sua situação econômica, a estabilidade das relações amorosas e as relações com o seu trabalho. As pessoas em situação de abandono ou penúria econômica parecem estar mais predispostas à doença que pessoas em c0ndições ambientais mais confortáveis.
É preciso haver atenção para o diagnóstico e tratamento precoces: muitas pessoas resistem à consulta com um pssicólogo ou psiquiatra pelo estigma que isso representa e prolongam assim o seu sofrimento e o sofrimento de quem as cerca.
Quais são os sintomas da Depressão?
Para começar, a depressão não é sinônimo de tristeza. A tristeza é um sentimento que faz parte das reações humanas, mas não deve nos paralisar nem afetar várias esferas da nossa vida a todo tempo. Precisamos entender que os problemas acontecem para todos, entes queridos morrem, pessoas se separam, temos problemas financeiros, problemas domésticos e no trabalho ou conflitos com aqueles que amamos. Você pode estar triste, mas deve manter sua autoestima, não se culpar por coisas que não são sua responsabilidade e ser capaz de enfrentar o problema de frente para a retomadas da sua vida. Para uma pessoa com estado de saúde mental normal, a tristeza passa. A vida é um vai e vem de sofrimentos e alegrias e precisamos aprender a tolerar as frustrações. Sem isso, uma das pernas da depressão um dia nos chuta mais facilmente pro fundo do poço. Parar um pouco e pensar na sua vida, respirar fundo e encher-se de coragem para enfrentar as dificuldades é única forma de se proteger: e ninguém pode fazer isso por você.
A pessoa depressiva apresenta um rebaixamento do seu estado de humor, tem menos disposição, cansa-se fácil e tem a capacidade de concentração diminuída. Pode ter transtornos no sono e na qualidade do apetite e ter o desejo sexual reduzido ou até abolido. O sentimento de ser alguém inútil e um desprezo por si mesmo são condições comuns, podendo levar a pessoa até ao suicídio.
A Depressão pode ter episódios leves, moderados ou graves. Nos episódios leves, a pessoa sofre e tende a se punir por muitas coisas, mas tanto permanece capaz de desempenhar suas atividades como deve permanecer em atividade. Nos quadros moderados a pessoa pode ter redução de seu desempenho até nas atividades de casa, mas muitas permanecem com um intenso sofrimento sem demonstrar aos outros, e as crises de choro e insônia são comuns. Tanto na depressão leve quanto na moderada a pessoa pode pensar em se matar, sair correndo, jogar tudo pro alto ’sumir’, dependendo do tempo que seus sintomas a afligem e de muitos outros fatores, mas isso não é um pensamento recorrente ou que caracterize fortemente esses quadros. Essas pessoas precisam ser estimuladas a um tratamento urgente, podem ser afastadas do trabalho por um curto período e devem voltar a ser produtivas o mais rápido possível. Profissionais que estimulam essas pessoas à retomada de sua vida devem ser valorizados. Uma grande falha do profissional é superproteger a pessoa depressiva, tornando-a mais inválida do que a doença conseguiu tornar. É preciso individualizar os limites de cada pessoa e extrair o seu potencial.
Na depressão grave, tanto o sentimento de ser alguém inútil e que não serve mais para nada quanto a ideação suicida são marcantes. O corpo da pessoa fica ‘fraco’, ela tem dores, pode sentir-se doente e com vários sintomas, como engasgos, dormências pelo corpo e sensação de que vai morrer. A angústia é muito forte e o estado de humor muito rebaixado, ao ponto da pessoa perder o interesse por tudo, isolar-se, ficar ‘largada’ em um cômodo da casa. A apatia é tanta que essas pessoas não tem forças nem para chorar, desejam se matar mas nem isso conseguem fazer. Quando o quadro piora mais ainda, podem passar a apresentar sintomas psicóticos, como alucinações, surtos de agressividade e atos insanos, tipo sair andando a esmo, arrancar as roupas em público, tocar fogo na casa e perpetrar atos violentos contra si e contra outras pessoas, inclusive seus filhos pequenos.
Da mesma forma que os diabéticos e hipertensos, é possível que os pacientes depressivos precisem usar remédios pro resto de suas vidas, mas muitos podem ter controle por muito tempo sem medicamentos. Cada caso é um caso.
Se você tem sintomas depressivos não cometa o erro gravíssimo de ter medo ou vergonha de procurar um psicólogo e um psiquiatra, porque o prejuízo dessa doença não é só seu, se estende aos seus filhos, seu cônjuge, seus pais, irmãos, amigos. E é um prejuízo de toda a sociedade, que arca com as despesas da invalidez que a doença pode provocar, excluindo da vida produtiva tantas e tantas pessoas que poderiam estar contribuindo para o crescimento do nosso país.
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Foto: ’Mulher Chorando’ -1937, por Pablo Picasso.
* Michelle Brito explica o que é Resiliência aqui.