O sobrenome de sua mãe era Holmes

Por @meire_md

“Demorou mais de um século após a rua Morgue’ de Poe e meio século após Sherlock Holmes para que a análise de perfis comportamentais saltasse das páginas da literatura para o mundo real” (John Douglas)

John Douglas, aposentado depois de mais de vinte anos dedicados à análise e confecção de perfis de serial killers, é um aclamado expert em crimes violentos e responsável direto pela criação da Unidade de Ciência Comportamental do FBI, fundada em 1980.

Ele é uma figura tão importante na história da caça aos serial killers americanos que inspirou o Jack Crawford do filme ‘O Silêncio dos Inocentes‘, os personagens David Rossi e Jason Gideon da série ‘Criminal Minds‘ e o conjunto de seus estudos deu origem à impactante série ‘Mindhunter‘.

Se você gosta de criminologia indico fortemente a leitura de ‘MINDHUNTER O primeiro caçador de serial killers americano‘ e ‘DE FRENTE COM O SERIAL KILLER Novos Casos de Mindhunter’ que, na minha opinião, deveriam ser leitura obrigatória não só para Médicos e Psicólogos como para Advogados, Juízes, Procuradores e Promotores.

Mindhunter

O primeiro livro foi escrito em meados da década de 90 e começa com o angustiante relato do período em que Jonh esteve internado em UTI em razão de uma encefalite viral sofrida em 1983.

A história segue introduzindo, em meio aos casos reportados, dados autobiográficos e de sua jornada enquanto Agente Especial e de como sua equipe sistematizou métodos para entrevistar serial killers e extrair deles o conhecimento necessário para entender a mente criminosa.

O Agente descreve como dava suporte técnico à Polícia, fazendo questão de reforçar que ela é a verdadeira responsável por desvendar os tão incompreensíveis quanto inacreditáveis crimes em série que deixam o mundo inteiro perplexo.

Durante a pesquisa John entrevistou nada mais nada menos que monstros como Ed Kemper, Charles Manson, Richard Speck, Jerry Brudos, David Berkowitz, Ed Gein e outros.

Bastante significativa é a merecida crítica voltada a psiquiatras, obviamente não todos, que pelo extremo desleixo que caracteriza aqueles que pouco se esforçam para o bem da coletividade, deixam-se enganar pelo tal ‘bom comportamento’ e formulam pareceres favoráveis aos desejos dos serial killers quando não se debruçaram minimamente nem nos detalhes e circunstâncias que levam os criminosos a matar, tampouco na quantidade de mal que fizeram às vítimas e famílias.

Essa irresponsabilidade que permite que predadores sejam soltos continua ceifando muitas vidas inocentes.

De Frente com o Serial Killer

“Em 1981, John Hinckley Jr planejou impressionar a atriz Jodie Foster com seu amor por ela assassinando o Presidente Ronald Reagan”

O segundo livro é uma continuação do primeiro e foca-se em quatro criminosos, porém é enriquecido com relatos de casos similares a cada um deles e resume as principais conclusões que o Agente acumulou ao longo de sua trajetória.

“Houve vítimas no meio do caminho”

Os casos começam com a história da breve vida da pequena Joan D’Alessandro, que graças ao heroísmo de sua incansável mãe, uma mulher que embora tomada pela Miastenia Gravis nunca desistiu de exigir Justiça, a menina foi transformada em um símbolo na luta contra predadores de crianças.

A Lei de Joan alterou o Código Penal de Nova Jersey e em 1998 o Presidente Bill Clinton assinou sua versão federal, que determina que nos casos de assassinato de menores de 14 anos com agravante de abuso sexual a pena é de prisão perpétua sem possibilidade de condicional.

O segundo caso relata os crimes do covarde e desleal Joseph Robert Kondro, que perpetrava graves ofensas desde jovem porém foi repetidas vezes solto sob pagamento de fiança.

O terceiro caso é de um típico Anjo da Morte, o auxiliar de enfermagem e homicida de pseudomisericórdia Donald Harvey, que matou mais de 80 pessoas, 15 delas quando ainda não havia completado 19 anos.

O quarto caso é do serial killer Todd Kohlhepp, uma figura bastante complexa e tão contraditória que parece mostrar desejo de se compreender e quebrar o ciclo de destruição. Percebe-se que para Jonh Douglas a evolução de Kohlhepp foi diferente de tudo que ele já havia visto.

A certeza da impunidade é realmente uma forma bastante eficiente de gerar mais e mais vítimas. Meu sonho é que um dia o Brasil aprenda a nos livrar desse tipo de fera.

Meire

*créditos da imagem

📍Curiosidade

O personagem Bufalo Bill de “O Silêncio dos Inocentes” foi construído a partir de características de três serial killers: Ed Gein, Ted Bundy e Gary Heidnick.

 

 

 

 

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As armadilhas do cérebro são implacáveis

Por @meire_md

“As pessoas encontram razões para continuar apoiando os candidatos políticos de sua preferência mesmo quando eles são acusados de graves e comprovados deslizes; mas acreditam em comentários de terceira mão sobre qualquer ilegalidade como prova de que o candidato do outro partido deveria ser banido da política de uma vez para sempre” (Leonard Mlodinow)

Há alguns anos atendi um moço que sofreu uma grave injúria física que resultou em paraplegia (paralisia das duas pernas). Enquanto ele estava no Hospital, foi preso por ter sido apontado como sendo responsável por um certo crime.

Assim, passou imediatamente a ser tratado como se fosse culpado. Foi algemado na maca, conduzido sem delongas e encarcerado em cela comum.

Mesmo negando ser a pessoa que afirmaram, mesmo com os depoimentos de toda sua família, do seu chefe e apesar de estar paraplégico e cheio de escaras, permaneceu preso por quase um ano até ser libertado.

Ele era inocente.

Estudos de psicologia experimental sugerem que quando pessoas são colocadas em frente a um grupo de suspeitos tendem sempre a apontar um, mesmo que o culpado não esteja ali. A imagem de quem a pessoa apontou ocupa em sua mente o lugar do rosto que ela realmente viu ou pensou ver.

O livro Subliminar, de Leonard Mlodinow é um mini tratado sobre armadilhas cerebrais que podem ser tão nocivas ao ponto de criar uma situação como a sofrida por aquele rapaz.

Lapidando o pensamento

Leonard Mlodinow é doutor em Física e vem fazendo um grande trabalho como divulgador científico.

Seu livro mais conhecido é ‘O Andar do Bêbado’, que nos ensina de modo muito estimulante como a aleatoriedade está por toda parte e o quanto interfere em nossas vidas, mas gosto ainda mais de ‘Subliminar‘.

Coloquei ‘Elástico’ em minha lista de leitura porque temo que meu eu do futuro – um dos meus planos é viver na companhia do meu marido por muitos e muitos anos, ehehe – acabe como boa parte das pessoas idosas, com um modo de pensar acomodado, rígido e resistente ao novo.

Planejo manter meu pensamento flexível e certamente consumirei toda literatura neurocientífica que puder me apoiar nessa jornada contra o pensamento engessado.

Sobre Subliminar

Disponível em capa comum, Kindle ou edição de bolso.

Subliminar não traz tanta novidade para quem já tem uma boa base teórica sobre o funcionamento da mente ou para quem entende bastante sobre evolução humana.

Isso porque Leonard não é pesquisador nas áreas, nem criador de nenhum conceito que o livro carrega. O autor tratou de compilar de modo bastante acessível para leigos (nós) boa parte do que a ciência da mente, surgida na década de 90, vem nos mostrando  — e como teorias caducas estão sendo abandonadas graças à psicologia experimental.

O livro conta com muitos exemplos úteis para publicitários e também resume alguns estudos interessantes que ilustram as formas com as quais o inconsciente se manifesta diariamente em nossas vidas.

Uma parte melhor que a outra

Na primeira metade do livro Leonard discorre sobre o novo inconsciente e cita como captamos informações nas entrelinhas, como presumimos informações, como usamos nosso ‘sexto sentido’.

Também dala de como nossa visão e audição preenchem informações ao resgatarmos um evento e reporta de forma bem simples a construção das nossas memórias e a importância que nosso cérebro dá à socialização, sem a qual podemos adoecer física e mentalmente.

Na segunda parte do livro o autor tece explicações sobre a Teoria da Mente, que exercitamos desde a tenra infância sem nos darmos conta.

Como o autor não se aprofunda no tema (não cita os neurônios-espelho nem as grandes variações individuais), sugiro que você complemente a Subliminar com ‘O que o cérebro tem para contar: Desvendando os mistérios da natureza humana’, do Ramachandran.

‘Eu vejo a sua aura’

O escritor segue mostrando como julgamos pessoas por uma ‘aura’ de características diversas que em conjunto nos levam a alguma conclusão que pode ser socialmente útil (ou bem errada em alguns casos) e como e por quais motivos tendemos a rotular as pessoas.

Como costumo falar, ninguém consegue (nem deveria tentar) negar a existência das preconcepções porque elas são tão naturais à espécie humana quanto são os nossos mais primitivos instintos. Nossa mente é basicamente uma máquina de fabricar preconceitos.

O que precisamos entender é que nossas preconcepções, que são praticamente automáticas e generalizadoras, sejam questionadas pela nossa racionalidade e quebradas sempre que se mostram nocivas.

Leonard  fala que  ‘Podemos todos lutar contra os vieses inconscientes, pois as pesquisas tem mostrado que nossa tendência a categorizar as pessoas pode ser influenciada por nossos objetivos inconscientes. Se estivermos cônscios de nossos vieses e motivados para superá-los, conseguiremos fazer isso’.

No capítulo 8 o livro expõe a dinâmica dos grupos sociais que naturalmente se formam desde dentro de uma pré-escola (meninos X meninas) ou no país como um todo (esquerda X direita) e como cada pessoa do grupo se vê, como vê uma pessoa qualquer do mesmo grupo e como vê uma pessoa qualquer do outro grupo.

Os capítulos 9 e 10 se centram nas nossas emoções e na nossa autoimagem, de como nos vemos melhores do que realmente somos e do bom efeito de se acreditar em si mesmo.

Enfim, Subliminar é um livro bastante interessante.

Um beijo,

Meire

 

 

 

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Os dentes também envelhecem

Woo hoo : o tempo ideal para uma escovação dentária saudável

Por @meire_md

Sou acompanhada pela mesma dentista há muito tempo e até encontrá-la, mesmo tendo sido uma criatura que passou parte da vida indo mensalmente a outro dentista para ajustar o aparelho ortodôntico, mantinha o péssimo hábito de escovar os dentes usando muita força.

Eu sabia que não era certo, mas fazia mesmo assim.

Sabe o tipo de gente que escova os dentes na força do ódio? Eu era essa pessoa. Eu me distraia e quando percebia o ato já estava consumado.

As cerdas das minhas escovas de dentes rapidamente assumiam um aspecto de folhas de samambaia, tamanha a violência com a qual eram usadas.

Acredito que eu fazia isso porque a brutalidade dos movimentos parecia ser mais eficiente para manter os dentes livres das placas bacterianas, porém o método mais eficiente e mais seguro envolve justamente o contrário: realizarmos uma escovação demorada – dois minutos em média – e suave.

É possível que se eu tivesse continuado a escovar os dentes como quem lixa concreto já estaria precisando de algum tratamento reparador.

Não há esmalte dentário que aguente.

Envelhecimento Bucal

Com o passar dos anos a nossa produção de saliva tende a reduzir, o esmalte dentário vai acumulando desgaste, nossas gengivas vão afinando e de um modo geral os nossos dentes tendem a ficar mais suscetíveis a cáries.

Não sei o quanto a genética influencia no envelhecimento da boca, mas os fatores ambientais exercem um papel exuberante. É sabido, por exemplo, que o consumo de cigarros agrava todo o prognóstico da boca e está relacionado fortemente ao surgimento de câncer e que o consumo de alimentos doces é bastante deletério para dentes e gengivas.

Além de procurar manter o corpo bem hidratado, evitar alimentos açucarados e realizar uma higiene bucal correta, é importante que as visitas indicadas pelo dentista sejam realmente regulares.

Visitar o dentista vai além da estética, pois a boca pode ser porta de entrada de doenças tão sérias quanto endocardite infecciosa.

Minha rotina de Saúde Bucal

Atualmente prefiro usar Escova de Dentes Elétrica.

A que uso ainda é a primeira que comprei para testar se me habituaria, a Oral-B Pro-Saúde Power. Ela é super simples, barata e funciona com duas pilhas.

A minha próxima, salvo se aparecer outra opção mais interessante, será a Oral-B Vitality 100, que é recarregável, tem um temporizador, não é tão mais cara que a Pro-Saúde Power e é bem mais barata que os modelos mais sofisticados.

Da mesma forma que precisamos trocar a escova de dentes a cada três meses, o fabricante indica que troquemos a cabeça da elétrica quatro vezes por ano, daí prefiro usar um refil mais econômico, o Oral-B Pro-Saúde Precision Clean, que vem com quatro unidades.

Tenho curiosidade de testar também o refil Oral-B Flossaction, que parece ter cerdas que se insinuam melhor entre os dentes, mas vou esperar meu estoque de refil reduzir.

Dentes super juntinhos

Como meus dentes são bem próximos uns dos outros  não posso dispensar o uso de fio dental, mas prefiro usar fita porque tenho a impressão que ela é mais eficiente para o meu caso.

Uso há vários anos a mesma, a Fita Dental Expansion Plus Johnson & Johnson.

Confesso que eu deveria usar a fita pelo menos duas vezes ao dia, mas só uso após a última refeição do dia (inclusive isso me ajuda a não assaltar a geladeira, porque a preguiça de passá-la de novo é sempre maior que a fome).

Em busca do Creme Dental perfeito sem defeitos

Escolher meu creme dental favorito da vida foi uma verdadeira saga porque alguns me davam aftas, outros ressecavam meus lábios, alguns me davam alergia.

Até descobrir que eu tinha Doença Celíaca quase tudo me dava alergia.

Por muitos anos eu só conseguia usar o Creme Dental Philips, o Sensodyne Rápido Alívio ou o Crest Complete, até que percebi que comecei a ficar menos alérgica e resolvi testar os Colgate Total 12 e deu certo.

Hoje meu creme dental favorito ainda é o Sensodyne Rápido Alívio, mas tenho comprado bastante o Colgate Total 12 Professional Gengiva Saudável (porque não tem corante) ou qualquer um que não seja o Whitening.

Flúor em enxaguante bucal? Converse com seu dentista

Após as escovações uso Enxaguante Bucal regularmente, já vou no automático e bochecho por 30 segundos.

O engraçado é que não consigo usar a quantidade recomendada, a boca fica muito cheia. Acho que uso tipo dois terços ou metade.

Gosto tanto do Colgate Plax Soft Mint quanto o Colgate Total 12 Clean Mint e do Colgate Total 12 Anti Tartar, então escolho o mais barato dentre os que estão com marca da Amazon Prime (para não pagar frete).

Um beijo!

Meire

 

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É possível viver de renda (FIIs)?

Por @meire_md

‘Por melhor que seja um FII, nunca valerá a pena pagar qualquer preço por ele’ (Marcelo Fayh)

Muita gente da minha faixa etária passou pela divertidíssima experiência de comprar um imóvel na planta e se ferrar com todas as honras possíveis.

Nós não somos exceção.

Há alguns anos o Igor foi contemplado com um perfeito e belíssimo calote de uma Construtora famosinha.

Hoje estamos, junto com um grupo de vítimas tão esperançosas quanto abnegadas, aguardando estoicamente a Justiça fazer alguma coisa.

No nosso caso o processo está andando, porém para trás. Alguém se apossou do local para explorá-lo comercialmente e já construiu um empreendimento lindo por lá. Belíssimo, lucrativo e agradável.

Se um processo por questões imobiliárias movido pela Princesa Isabel levou 125 anos para ser julgado, como esperar que o de Igor seja resolvido enquanto nossos felizes e roliços corpos habitam (vivos) o Planeta Terra?

Pelos poderes de Grayskull

Dou o caso por morto e enterrado; nossa preocupação atual é um total de vários nadas.

O lado bom é que a patinada serviu de experiência: quem não tem uma história de perda para contar certamente não investiu por tempo suficiente para que a sua apareça.

Não perca dinheiro” é uma regra completamente utópica porque parte de um princípio que temos absoluto controle sobre tudo. Investir é e sempre será uma caixinha de surpresas.

Empresas quebram, gestores de fundos são presos, dinossauros são extintos, ações despencam, prédios pegam fogo, bolhas explodem, sociedades se desfazem, governos aumentam impostos.

Perder algum dinheiro ao longo da nossa trajetória é algo inexorável.

Enquanto estamos em fase de acumulação, que para os pobres mortais como a maioria de nós leva anos, tudo pode acontecer.

Olhar para frente de modo míope e só enxergar ‘a segurança de quem investe para o longo prazo’ é perigoso.

Planeje-se considerando a chance de que as coisas mais lucrativas podem dar erradas, porque isso fará com que você se previna investindo também em coisas que não rendem tanto, mas podem ser menos variáveis e mais seguras.

Tudo tem risco. Tudo, mesmo. Não precisa ir longe, basta ler os regulamentos de qualquer investimento pretendido.

Leia as letras miúdas e seja ligeiramente pessimista que as coisas tendem a dar mais certo.

Chá de sumiço

Quando bem nova tomei calote de uma empresa de Previdência Privada que foi contratada por vários colegas médicos. Ela realmente parecia tão segura quanto parecem seguras várias empresas jovens da atualidade.

Os donos se desintegraram e viraram poeira estelar, o sumiço foi tão completo que nem o nome da empresa lembro mais.

É possível viver de renda?

Fácil não é, mas é possível.

Existem muitos caminhos para se viver de renda de forma lícita, mas nenhum deles elimina o trabalho árduo por anos a fio.

A única coisa que peço a você é que, ao ler algum livro sobre investimentos, ver vídeos, participar de palestras ou fazer cursos, não feche a mente caso um ou outro educador exprima repulsa por algum tipo de investimento ou empreendimento. Varie sempre as fontes de consulta, nunca decida algo de modo impulsivo.

O que é péssimo para mim pode ser exatamente o melhor meio para você e sua família. Há muitas pessoas que formam um bom patrimônio com imóveis, inclusive aquelas que possuem imóveis nos quais nós investimos em formas de cotas.

Se todo mundo resolvesse parar de construir? Se todo mundo resolvesse parar de fazer trade? Se todo mundo resolvesse vender tudo que tem para investir na Bolsa?

Há perfis distintos neste mundo de investimentos. Encontre o seu.

O escritor Marcelo Fayh Paulitsch, autor de ‘Método Fayh: Descubra Como Escolher os Melhores Fundos Imobiliários do Mercado e Viva de Renda’, reporta em seu livro que uma experiência negativa com imóveis na planta o impulsionou para o mundo dos Fundos Imobiliários, uma das formas menos complicadas de gerar renda passiva.

Método Fayh

‘Agora que já sabe bem como são e funcionam as taxas de administração e performance, uma dúvida deve ter surgido: Quais são as taxas ideais em um FII?’

Método Fayh é um compêndio teórico-prático contendo 342 páginas onde você aprende a investir em Fundos Imobiliários conhecendo exatamente em que tipo de terreno você está pisando.

Não é um livro para quem pergunta a quem mal conhece ‘qual o melhor fundo?’ e compra sem pestanejar nem para quem acredita que Buy and Forget é a melhor escolha. Ou melhor, é… Essas pessoas podem ser bastante beneficiadas pela leitura.

Não digo que eu tenha concordado 100% com o autor nem que tenha achado o livro tão elegantemente escrito e primorosamente revisado quanto os do Cerbasi, porém já li muito material sobre Fundos Imobiliários e posso afirmar que ‘Método Fayh: Descubra Como Escolher os Melhores Fundos Imobiliários do Mercado e Viva de Renda’ é de longe o mais generoso.

Não tenho outro adjetivo para dar ao livro.

Ele é generosíssimo. É coloquial e simples como um agradável bate-papo em mesa de bar porém suficientemente detalhado e interessante para prender a atenção de um leitor experiente, exigente e chato como eu.

‘Quando vender um FII de sua carteira?’

O autor demonstra uma preocupação genuína em explicar cada ponto teórico sem cair na pomposidade de descrever irrelevâncias para o público-alvo do livro (nós) ou maquiar o livro com chavões do meio e teatralidades de autoajuda para completar o número de páginas exigidas pelo editor.

O esqueleto do livro é organizado e didático, o que revela bastante respeito pelo leitor e reflete a mente do autor, que parece ser bem sistemática.

O livro não foi, a exemplo de muitos voltados à Educação Financeira, feito para o autor rechear seu currículo registrando que escreveu um livro ou para exibir conhecimento de pouca aplicabilidade prática.

É um livro que ensina do básico ao avançado.

Um abraço,

Meire

Inexperiente com Investimentos e quer saber mais? Leia também:

Saúde Financeira & Onde Estudar

Baixa Renda & Saúde Financeira

Educação Financeira Infantil

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“Tô ótimo”

Por @meire_md

O amplo histórico de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) da minha família paterna chegou ao meu conhecimento muito cedo.

Quando criança ouvi entristecida a história de um tio-avô que estava acamado em razão de um acidente vascular encefálico e na adolescência vi alguns tios receberem o diagnóstico de hipertensão.

O tempo passou e chegou a vez dos primos.

A HAS até pode caracterizar fortemente um certo clã, mas ela é tão prevalente no Brasil que chega a ser difícil encontrar uma família que não tenha pelo menos um caso.

Além da herdabilidade ser alta, há muitos fatores que contribuem para que um ser humano se torne hipertenso, inclusive o mero fato de sobreviver: um dos principais fatores de risco é a idade.

A doença pode ser tanto deflagrada quanto intensificada por fatores ambientais ordinários, como aumento de peso, estresse, tabagismo, uso de bebidas alcoólicas, condições socioeconômicas desfavoráveis e sedentarismo.

O diagnóstico e o tratamento são quase que invariavelmente bem simples, mas em boa parte dos casos a condição cursa de modo silencioso e dá as caras somente quando órgãos-alvo como o coração, os rins, os membros inferiores, a retina ou o cérebro já estão afetados.

Diagnosticar antes de complicar é muito, mas muito importante.

A fila anda

Até 2008 eu tinha vários empregos, fazia consultório, acompanhava pacientes em hospitais, vivia bem estressada, mas a Hipertensão não veio.

‘Será que vou escapar?’, pensava.

Por volta de 2010, alguns primos mais novos já estavam hipertensos e nessa época eu já desfrutava das estabilidades profissional, financeira e emocional galgadas com muito esforço e às custas de muitas renúncias.

Eu havia finalizado uma segunda pós-graduação e vinha trabalhando num ritmo menor, mas em virtude do histórico familiar  mantive-me atenta para evitar que o diagnóstico passasse batido.

Nesse período eu estava com a doença celíaca controlada e, se não fosse pela Asma, poderia dizer que estava com ótima saúde até que numa manhã de agosto de 2013 meu nariz começou a sangrar subitamente.

Em 48 horas eu já estava com diagnóstico formal de HAS e desde então uso medicação diariamente.

A primeira semana de tratamento foi bem tranquila, mas na segunda comecei a sentir tonturas e perder o equilíbrio, então transferi o medicamento para o horário noturno e todo o desconforto desapareceu.

Sete anos se passaram, continuo com a mesma estratégia medicamentosa e embora eu tenha uma alteração (boba) em uma das válvulas cardíacas e já tenha descompensado algumas vezes, sigo sem complicações.

Como faço o controle?

Para evitar esquecer de tomar o medicamento ou de tomá-lo duas vezes, anoto os dias do mês na parte lisa do blister usando um marcador permanente e peço para a Alexa me lembrar diariamente às 21:00h.

Vou ao cardiologista periodicamente, mas faço a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) com tensiômetro de pulso mais ou menos a cada quinze dias.

A minha pressão não sobe durante o exercício, então não costumo verificar a pressão enquanto estou me exercitando.

Durante o dia escolhido para a MRPA verifico a pressão várias vezes. Se eu detectar algum problema, retorno ao cardiologista.

“Tô ótimo!”

Como vocês sabem, de um modo geral as mulheres se cuidam mais que os homens.

No começo desse mês meu irmão mais novo apresentou uma síndrome gripal e eu quis aproveitar o momento para que ele começasse a fazer um seguimento médico mais regular, visando diagnosticar a Hipertensão o mais precocemente possível.

Felizmente ele melhorou rápido e não precisou de assistência médica, porém ficou claro que não buscaria nenhuma consulta preventiva.

A conversa no WhatsApp foi exatamente assim:

– Mande seu endereço atual que vou comprar um ‘aparelho de pressão’ para você controlar sua pressão também.

– Mas nunca tive problemas com a pressão, não.

– Quando viu a última vez?

– Eu não meço não… Mas a gente sente quando o corpo não está bem.

– Mas a pressão pode ficar alta sem a gente sentir nada… Na família da gente tem muitos casos.

Ele deu um joinha, passou o endereço e mandou um emoji de beijinho.

No dia 18/01/2021 comprei o tensiômetro para uso pessoal, mandei a Amazon entregar no endereço dele e no dia 26/01/2021 fomos surpreendidos pelo que já era, de certa forma, esperado.

Fizemos as medições de controle e elas foram confirmadas junto a um profissional de saúde.

Agora ele está usando dois medicamentos e partiu para controle ambulatorial com cardiologista.

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Monitorização Residencial da Pressão Arterial

O Monitor de Pressão Arterial de Pulso não é o ideal para se fazer a monitorização residencial da pressão arterial, porém é fácil de usar – principalmente se a pessoa mora sozinha – e serve como parâmetro para acompanhar a evolução do tratamento em casa.

Como paciente eu prefiro sua praticidade a usar um esfigmomanômetro profissional que, embora seja muito mais preciso, descalibra facilmente.

Quando o ‘aparelho de pressão caseiro’ é utilizado com a técnica correta tem resultados até bem consistentes com a realidade – às vezes um pouco mais baixos ou um pouco mais altos – e tem a vantagem de estimular a pessoa a buscar assistência médica e melhorar a adesão ao tratamento.

Para utilizar adequadamente o Monitor de Pressão Arterial de Pulso (nunca compre os que não sejam validados) você deve certificar-se de que não bebeu, comeu nem fumou nos últimos 30 minutos nem se exercitou na última hora, que não está com bexiga cheia ou sentindo dores, e deve repousar por uns 3 a 5 minutos antes de fazer a medição. E uma vez feita, aguarde dois minutos e meça novamente.

Siga corretamente as  instruções do fabricante e remova as pilhas quando o aparelho não estiver em uso.

O meu é da Omron, o do meu irmão é da G-Tech. 

O que é HAS?

Trocando em miúdos e falando de modo muito simplificado, a pressão arterial sistêmica reflete a ‘força’ que o nosso sangue exerce sobre a parede das artérias, que são vasos que entregam o sangue oxigenado ao nosso corpo.

Quando a pressão fica alta de um modo persistente – o processo patológico pode levar anos – ela tende a promover lesões no coração e nas artérias de várias partes do nosso corpo.

A Hipertensão Arterial Sistêmica é caracterizada por um valor persistente da pressão arterial em níveis maiores que 140 X 90 mmHg em duas medições distintas (desde que feitas com a técnica correta e siga os demais parâmetros estabelecidos pela Medicina Especializada).

O diagnóstico formal cabe apenas ao médico: um diagnóstico impreciso pode levar tanto a um tratamento desnecessário quanto ao atraso do tratamento.

Se você é uma pessoa saudável e não tem histórico de hipertensão na família, procure fazer o controle no mínimo uma vez ao ano, bem como a cada vez que precisar ir a um médico por estar se sentindo doente.

Caso você seja  classificado como pré-hipertenso (130 a 139 X 85 a 89 mmHg), será preciso fazer um controle mais rigoroso porque a taxa de progressão para HAS é muito alta.

Os pré-hipertensos têm um risco cardiovascular maior do que o da população com níveis pressóricos de 120 a 129 X 80 a 84 mmHg.

O médico irá estratificar o seu risco e escolher o tipo de abordagem necessária.

Jamais copie receita de parentes ou vizinhos, cada caso é um caso.

Cuidados não medicamentosos #partiuperder5kg

O tratamento da “pressão alta” inclui medidas não medicamentosas e elas são tão impactantes que mudam significativamente o risco da pessoa apresentar complicações futuras.

Essas medidas são:

Controle da Obesidade

Conforme metanálise citada nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão publicadas ano passado, a perda de 5.1 kg pode reduzir significativamente a pressão arterial.

A obesidade é uma condição que exige tratamento multidisciplinar.

Redução do consumo de sódio (‘sal’) e dieta rica em potássio:

Procure um nutricionista, mas se isso não for possível, pesquise sobre a DASH Diet, que é uma dieta voltada a pessoas com doenças cardiovasculares.

Alimentos ricos em potássio:

Damasco, abacate, melão, leite desnatado, iogurte desnatado, folhas verdes, peixes (linguado e atum), feijão, laranja, ervilha, ameixa, espinafre, tomate e uva-passa.

Atividade Física X Exercício Físico

Atividade Física é qualquer coisa que faça seu corpo se mexer, como realizar a faxina da casa, podar o jardim, dançar, caminhar no shopping, trabalhar ou fazer ginástica em casa meio de qualquer jeito.

Já o Exercício Físico é uma atividade sistematizada e cuja execução é controlada por um profissional habilitado.

Tanto a atividade física como o exercício físico trazem mais benefícios à saúde cardiovascular que o sedentarismo.

A atividade física ‘genérica’ pode e deve ser orientada pelo médico, já a prescrição de exercícios físicos é da alçada do Profissional de Educação Física.

O educador físico não está desobrigado de seguir as melhores evidências quando prescreve exercícios para populações não sadias, então escolha bem o profissional antes de contratá-lo.

Ao final do post* reproduzo o Quadro 8.3 das DBHA/2020:  atente para a importância do exercício aeróbico, coisa bem defendida em ‘O Segredo Está nos Telômeros’.

Atenção: É importante saber que se sua pressão estiver acima de 160 X 105 mmHg você não deve iniciar o exercício físico. No caso da prática aeróbica, é indicado reduzir a intensidade se, durante o exercício, sua pressão estiver acima de 180 X 105 mmHg.

Meditação:

Uma revisão sistemática sugeriu que a meditação transcendental – aquela realizada com mantras – reduz tanto a pressão sistólica (‘máxima’) como a diastólica (‘mínima’).

Embora os estudos tenham importantes limitações e consequentemente as evidências não sejam tão fortes, a relação risco-benefício é suficientemente favorável para que a prática seja citada pelas revistas secundárias.

📔 Leia também: Meditação para céticos ansiosos

Casos de Família

Que tal abordar este tema com sua família e fazer um mutirão para diagnosticar a Hipertensão Arterial Sistêmica, cujo tratamento adequado irá prolongar a nossa vida e trazer-lhe melhor qualidade?

Conhecer os antecedentes patológicos da família pode nos poupar muito sofrimento, gerar diagnósticos mais precoces e até salvar vidas.

Um abraço,

Meire

*Recomendações de prática de atividade física e exercício físico das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial Sistêmica/2020:

 

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O Demônio do Meio-Dia & Outros

Por @meire_md

“Esse livro se esforça para abarcar a extensão do alcance temporal e geográfico da depressão”

Andrew Solomon é um escritor americano formado em inglês e literatura pela Universidade de Yale.

Como pessoa que convive com a Depressão, resolveu mergulhar na abundância caótica do material disponível e findou por produzir uma obra extensa que demorou incríveis cinco anos para ser concluída.

O Demônio do Meio-Dia, que tem quase 600 páginas, ultrapassa as expectativas colocadas em um escritor leigo no assunto. Não acho que isso seria possível se não houvesse um motor tão forte quanto a motivação pessoal de quem sofre com a doença, muitas vezes invisível e, embora quase sempre passível de controle, potencialmente incurável.

Os trechos relativos à história da Depressão e evolução do tratamento são particularmente densos, contam com referências a autores de diversas áreas do conhecimento e estimulam a ‘mente aberta’ aos meios não ortodoxos de abordagem clínica.

Na riqueza e na pobreza

A pesquisa do autor foi além da depressão na sua faixa etária  e condição sócioeconômica: ele aborda a depressão na pobreza, na velhice e em diversas populações.

Senti-me impulsionada a ler O Demônio do Meio-Dia porque não sou psiquiatra, até então não havia tido nenhuma experiência com depressão na família, tudo que sabia sobre a Doença vinha de materiais técnicos e frequentemente – pelo fato de ser médica – atendo pessoas com Depressão.

O livro me provou que eu precisava ver a doença através dos olhos de uma pessoa afetada e que soubesse expressá-la de um modo amplo.

A obra é dividida em 12 capítulos e com registro da extensa biografia consultada durante os cinco anos dedicados à sua confecção.

Andrew Solomon  foi muito expressivo ao compartilhar detalhadamente as suas próprias crises e ao mostrar, na prática, a importância do suporte de familiares e da manutenção de uma vida produtiva.

O livro deixa bem claro que se o trabalho é importante para todos, para as pessoas com Depressão é mais ainda.

Se fosse para resumir ‘O Demônio do meio-dia‘ em poucas palavras ou dar-lhe um novo nome, eu o chamaria de Biografia da Depressão, porque a doença é o personagem retratado desde os primórdios de sua existência conhecida.

Não há quem não saia mais rico depois da imersão em um livro assim.

📔 O Demônio do meio-dia | capa comum

📔 O Demônio do meio-dia | livro Kindle

Outros livros de divulgação médica em Psiquiatria

Gosto muito da abordagem dos livros educativos da Dra Ana Beatriz Silva . Não compartilho com ela certas crenças em elementos desgarrados da Medicina,  tipo ‘horóscopo X personalidade’ – mas ninguém precisa concordar 100% com ninguém.

A Dra. Ana Beatriz escreve de um modo claro e consegue tratar as condições com suavidade e esperança. Isso é muito, mas muito importante por ser exatamente o que as pessoas com doenças crônicas precisam. 

Lembram do que falei no post Premonições Falsas etc sobre a nocividade da supervalorização que nós e as pessoas próximas a nós damos à doença, colocando-a como algo mais importante que a própria pessoa?

Isso mesmo.

Educar-se para viver com uma doença é, basicamente, manter o tratamento de modo regular, adaptar-se ao que não pode ser mudado e buscar as melhores qualidade de vida e trabalho possíveis.

Li oito livros de Ana Beatriz, mas só tenho sete aqui comigo porque emprestei o Mentes Inquietas.

Vamos a eles:

📔 ‘Mentes Inquietas’ | capa comum ou Kindle

Na minha opinião esse livro deveria ser lido por todas as pessoas que tem déficit de atenção e hiperatividade (e suas famílias). Ele foi muito importante na reconstrução da minha autoestima.

📔Mentes Depressivas| capa comum ou Kindle

Neste livro, a autora explica a diferença de depressão e tristeza, fala sobre suicídio, sobre as diversas apresentações da depressão incluindo a verificada entre crianças e na terceira idade e sobre sua experiência como médica.

Ela cita a espiritualidade como um coadjuvante para pessoas que sofrem desta patologia tão complexa e tão comum. Lembrem que espiritualidade é um termo mais amplo que religiosidade.

A meditação de atenção plena exercitada por céticos, por exemplo, poderia ser encaixada aqui.

📔 Mentes Ansiosas’| capa comum ou Kindle

Conforme a autora, esse livro surgiu de sua interação com pessoas em redes sociais. O seu olhar sensível estimula a pessoa ansiosa a transformar a própria doença em algo produtivo, coisa que faço intuitivamente desde criança.

Não posso dizer que minha ansiedade tenha alguma vez se comportado de modo realmente patológico, mas se sinto necessidade de controlá-la, não deve ser de todo saudável.

📔 ‘Mentes Consumistas | capa comum ou Kindle

Este livro presta um apoio muito gentil às pessoas com compulsão por compras, ensina de maneira acessível toda a malícia do neuromarketing, apresenta um teste cognitivo comportamental bem útil e sugere tratamentos possíveis.

Se você esconde as compras do seu companheiro ou companheira, se se arrepende da compra em pouco tempo, se chegou à conclusão que tem que parar de comprar mas continua comprando e se pessoas previdentes já perceberam que você está comprometendo o seu futuro, é bem provável que você seja compulsivo. Cuide-se.

📔 ‘Mentes que amam demais’ | capa comum ou Kindle

Antes de ser revisto, foi publicado como ‘Corações Descontrolados’. A versão que li (a primeira) parece, em princípio, um pouco leniente e maternalista com a pessoa borderline, mas essa impressão se desfaz rapidamente quando  a autora mastiga as informações e estratifica o problema.

A médica não  deixar de informar que as pessoas fronteiriças são conscientes de seus atos e podem escolher, por exemplo, não destruir patrimônios ou agredir pessoas.

📔 Mentes Insaciáveis| capa comum

Neste livro, a psiquiatra enfoca a Anorexia, a Bulimia e a Compulsão Alimentar que leva à obesidade.

Ele é mais denso e tem linguagem ligeiramente mais técnica que os demais, mas ainda assim muito acessível e suave. Por lidar contra o sobrepeso, separei este livro para reler em 2021.

📔 Mentes e Manias| capa comum ou Kindle

Este é direcionado a pessoas sistemáticas, obsessivas e compulsivas e discrimina bem o que é de fato mania (no sentido patológico da palavra).

Muita gente diz ‘tenho TOC‘ quando tem algum hábito repetitivo. Isso banaliza a condição e precisamos nos educar para evitar isso. Usar as palavras corretamente sempre foi importante.

📔Mentes Perigosas| capa comum ou Kindle

Aqui, a autora aborda a mente de pessoas com transtorno de personalidade antissocial (‘psicopatas’) e o único dos oito livros citados que não é capaz – porque é impossível mesmo – deixar uma mensagem de esperança.

Tudo que nos resta a fazer é saber reconhecer esse tipo ‘demoníaco’ de personalidade e tentar encontrar meios de proteção.

É um livro muito importante para abrir olhos de pessoas que sofrem nas mãos de parentes e amigos sem saber exatamente os motivos,  pois o senso comum trata o psicopata como se fosse um personagem de cinema…

Eles estão por toda parte e a maioria é formada por parasitas comunitários.

Leia também:
Os psicopatas do nosso dia a dia
7 dicas para você ser um leitor assíduo

 

 

 





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Sem as Partes Chatas?

Por @meire_md

Dave Rear, autor de ‘Britain: The Unauthorised Biography: From the Big Bang to Brexit‘, é formado em História na Sidney Sussex College e atualmente dá aulas de inglês, história e ciências sociais na Chuo University (Tóquio).

O título original do livro de nossa resenha de hoje não éHistória do Mundo sem as partes chatas’.

Não consigo entender essa cultura brasileira de fazer alterações significativas em títulos … Sempre imagino que a equipe designada pela Editora é proibida de ler o livro para garantir que a mudança transforme a obra em algo mais vendável sem que as pessoas se sintam culpadas pela deturpação que acabaram de fazer.

O título brasileiro dá entender que o autor deliberadamente suprimiu fatos históricos porque são ‘chatos’. Na minha opinião isso é bem desrespeitoso.

Historiador que é historiador não suprime fatos por serem chatos

O título real do livro é ‘A less boring History of the World – From de Big Bang to Today‘‘, algo como “Uma História do Mundo menos Chata – Do Big Bang aos dias de hoje”.

O título, portanto, sugere que o autor objetivou narrar fatos históricos de uma forma menos entediante (e talvez até tivesse conseguido se não tentasse ser artificialmente engraçado).

Toda belicosa, ela

O autor formula muitas piadas que poderiam até arrancar risadas quando contadas por pessoas engraçadinhas em mesa de bar.

Zeus, como aborrecem. E olhem que sou o tipo de pessoa que ri facilmente.

As piadinhas se dividem religiosamente entre as deselegantes e as de mau gosto. O humor britânico que tanto apreciamos e que eu esperava encontrar no livro passou longe, não mandou lembranças e está sofrendo com vergonha alheia até hoje.

O segundo problema do livro é o primeiro capítulo inteiro, que vai da página 15 até a 38.

Todinho, mesmo.

Eu poderia dizer que você não leia o primeiro capítulo, mas suas impressões podem ser completamente diferentes das minhas. Só não diga que não avisei.

A  tentativa de deixar o Big Bang engraçado beira o insuportável e a impressão de que o autor fez uma pesquisa muito superficial para falar sobre a Evolução Humana  (e olha que não sou bióloga nem tenho propriedade para falar algo assim de modo tão categórico).

O primeiro capítulo só não me fez largar a leitura porque tenho com livros a mesma obsessão/hábito que tenho com filmes: quero ir até o final e  só não chego até o fim do livro se lá pela metade eu já estiver clamando por eutanásia.

O terceiro e grande problema é o fato do livro não ter apresentado a Bibliografia consultada, mas isso não tem sido raro em livros que simplificam assuntos complexos e até relevo (mais ou menos) por ser um desleixo até bem comum.

Peraí, mas você sempre diz que só resenha livros que gosta!

Sim.  Pronto, parei.

Não faço resenhas de livros que eu não gostaria que as pessoas comprassem por um motivo que pode parecer tolo.

Acho que qualquer resenha pode promover uma compra pois algo que deixa um leitor indignado – como um livro sobre investimentos ser todo contaminado por misticismo ou um livro supostamente escrito para estimular o pensamento crítico partir de premissas pseudocientíficas – pode ser exatamente o que outro procura.

Eu não me sentiria confortável colaborando com a disseminação de informações que para mim (para mim, repito) são nocivas.

Em 2020, por exemplo, devolvi três livros e eles nunca serão citados por mim.

Excluindo as piadas sem graça e todo o primeiro capítulo – sou mestre em ignorar trechos quando o conteúdo parece ser, em sua grande parte, bom – a releitura atendeu ao meu objetivo, que era apenas revisar pontos-chave da cronologia da História do Mundo para me preparar para ler três dos livros que estão na minha lista para 2021:

📔 História Ilustrada do Mundo Antigo (Dominic Rathbone),

📔 O Livro de Ouro da História do Mundo (J M Roberts) e

📔 Uma História do Mundo em Doze Mapas (J. Brotton).

A leitura, portanto, foi satisfatória.

‘História do Mundo Sem as Partes Chatas’

É um livro para leigos que não gostavam de História no colégio e que querem obter uma visão ampla/resumida e extrair algumas curiosidades sobre a complexa e multifacetada História do Mundo.

O autor tem uma capacidade incrível de síntese.

O livro conta com um esqueleto confortavelmente didático, cita coisas bem interessantes cuja dimensão pode ter sido subvalorizada quando estávamos no colégio, como, por exemplo, o fato do Brasil ter conseguido se libertar de Portugal de modo relativamente pacífico.

(Tudo bem que possivelmente isso ocorreu porque a Europa já havia nos espoliado o suficiente, estava renascida e havia perdido o interesse na até hoje quase paleolítica América Latina).

O livro é dividido em 10 capítulos e cada  um tem marcadores temporais bem definidos.

Embora eu tenha desprezado todo o capítulo 1, peneirei as piadas tolas, extraí o miolo dos outros 9 capítulos e a experiência findou boa.

Livros pequenos assim – esse tem 264 páginas mas é facilmente lido em poucas horas – tem a vantagem de nos mostrar padrões que se repetem ao longo do tempo.

A chamada Seta da História fica muito clara e só isso faz a leitura valer.

Outra coisa que fica bem fácil perceber em livros pequenos é que ao longo de toda nossa história temos nos alternado entre opressores e oprimidos e que sem governo voltamos à selvageria.

Já o futuro, é impossível prever. A História não é determinista e o grande peso do acaso e da imprevisibilidade são basicamente regra.

Somos todos uma ‘raça’ só

Nunca existiu paz sem governo, sempre estivemos em guerra, sempre querendo mais, sempre provocando aqueles que são diferentes de nós e explorando nossos iguais.

Estudar um pouco de história nos mostra que o Homem já nasceu autodestrutivo e genocida: tribos diferentes de índios tentando eliminar tribos de índios, tribos de brancos tentando eliminar tribos de brancos, tribos de negros tentando eliminar tribos de negros, chineses, mongóis e japoneses se matando, terras sendo dominadas, o mais forte do momento se impondo sobre o mais fraco da ocasião,  brancos espoliando pretos, pretos espoliando pretos.

Os conchavos com inimigos para promover o extermínio de um inimigo em comum só mudaram de nome. Continuam acontecendo. O bom selvagem nunca existiu, enfim. Somos todos uma raça só.

Estudar história extrai nossa inocência. Quando o oprimido chega ao poder, passa a ser o opressor.  Não tem bonzinho e mauzinho, enquanto espécie somos gregários, mas também bélicos.

A nossa história se repete desde a Savana e não é a toa que o romance ‘A Revolução dos Bichos‘, de George Orwell nunca ficará datado.

As diferenças que temos não são coletivas. São individuais. Podemos ser psicológica e moralmente mais diferentes do nosso vizinho com mesma cor de olhos, pele e cabelo do que somos de um morador do outro lado do Planeta.

Quem julga que seres humanos de etnia A são moralmente superiores aos seres humanos de etnia B não passa de um grande defensor de que não somos seres inacabados que compartilham a mesma ancestralidade.

Precisamos de moderação

E o interessante que reler ‘História do Mundo sem as partes chatas’ me transportou para um livro que já separei aqui para resenhar para vocês, ‘O Nazista e o Psiquiatra‘, de Jack El-Hai.

Estudar história só reforça o quanto precisamos de pessoas moderadas em todas as esferas do poder para garantir paz e prosperidade, que quando a população se vê enfraquecida o país fica propenso a ser dominado por ditadores e que as Guerras precisam ser evitadas a todo custo.

Se eu fosse alguém na fila do pão diria que nunca mais ninguém votasse em pessoas que se localizam muito à esquerda ou muito à direita do espectro político.

Não deem poder aos extremistas

A História nos mostra também que tipos de regimes políticos e econômicos trouxeram devastações e que tipos aumentaram prosperidade e qualidade de vida.

Tome suas conclusões.

Com estes aspectos em mente, ler História do Mundo sem as partes chatas pode ser um excelente passatempo introdutório.

Obs.Para saber sobre a Evolução da nossa espécie sob o olhar de um historiador, nada melhor do que ler Sapiens, de Yuval Noah Harari, sobretudo a primeira e a segunda partes (Revolução Cognitiva e Revolução Agrícola).

Leia também:

[Resenha] Sapiens: uma breve história da humanidade

Abraço,

Meire.

 

 

 

 

 

 

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Aqui Jaz um Pecador

Por @meire_md

“Diante de resultados decepcionantes onde padres não conheciam a história de suas igrejas, estudantes de Artes que nunca ouviram falar em nossos grandes artistas, pessoas que sempre viveram em Salvador e nunca entraram em igrejas como a Catedral Basílica e a Igreja de São Francisco, sentimos uma necessidade de revelar as preciosidades do acervo baiano.” (Helenita Hollanda & Biaggio Talento)

Nunca fui uma pessoa que ama viajar.

Por muito tempo minhas viagens foram basicamente aquelas destinadas aos congressos de Medicina ou a visitar a família. Só viajo mais do que gostaria porque ainda não existe tecnologia que mimetize a experiência encantadora de visitar um Museu ao vivo.

Não nego que viajar gere experiências interessantes e que a exposição a outras culturas e costumes nos ajude a ampliar a visão sobre o mundo, mas isso não muda o fato de achá-las exaustivas.

Acredito que isso tenha relação com meu forte apego a viajar através de bons livros, documentários, filmes, séries, músicas e dos intermináveis debates comigo mesma, com Igor, com amigos e com a família.

Embora eu possa afirmar que os maiores insights e melhores memórias que tenho acumulados ao longo da vida envolvem alguma coisa simples, rotineira ou imersiva, quero compartilhar com vocês uma significativa experiência de viagem ocorrida na hora em que eu mais precisava.

No berço do Brasil

“Monumento exemplar da determinação de um povo oprimido pela escravatura, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos levou quase cem anos para ser construída e foi partícipe do grande esforço que os negros realizaram no território brasileiro, primeiro, para sobreviver numa terra desconhecida, procurando preservar seus valores espirituais dentro de uma religião estranha; depois, objetivando inserir-se numa sociedade dominada pelos brancos.”(Helenita Hollanda & Biaggio Talento)

Pois bem.

Era uma tarde de um verão soteropolitano qualquer e minha vida estava uma merda.

Alguns meses antes minha saúde física havia começado a desestabilizar. Eu estava muito magra em razão de uma esmeraldite de apresentação confusa que subverteu meu padrão habitual de felicidade.

Sem ver beleza em nada e torcendo para que aquela caminhada pelas adjacências da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos chegasse ao fim, meus olhos pararam em um senhor possivelmente menos preto e menos velho do que minha mente insiste em apontar.

Deitado no chão quente, emoldurado por moedas e notas surradas de poucos reais, maltrapilho, com dentes tão raros quanto deteriorados e exibindo uma extensa lesão ulcerada em uma das pernas, lançou-me um olhar cheio de ternura e um sorriso tão feliz e inocente que me senti invadida por uma vergonha profunda.

Profunda e transformadora

Se uma pessoa em condição de penúria aparentava paz de espírito e tamanha felicidade, por que eu estava me sentindo tão mal?

Eu imagino que a epifania religiosa descrita por quem se vê convertido a algum credo seja similar ao que senti ali.

Naquele dia sudorético e lacrimoso a cidade de Salvador não me trouxe apenas a esperada dor nas panturrilhas mal condicionadas e pouco nutridas, concedeu-me um belo tapa na cara.

O que se seguiu dentro do meu palácio mental foi algo terapêutico e bom, bastante bom.

Essa experiência me veio imediatamente à mente quando eu soube que o jornalista Biaggio Talento e a médica e pesquisadora Helenita Hollanda relançaram ‘BASÍLICAS E CAPELINHAS : Um estudo sobre a história, arquitetura e arte das igrejas de Salvador’.

Basílicas e Capelinhas

“Não menos geniais são os artistas baianos e, acreditamos, até mais numerosos. Assim é que escultores como O Cabra, Frei Agostinho da Piedade, Manuel Inácio da Costa e pintores do quilate de José Joaquim da Rocha e José Theófilo de Jesus, entre outros, não podem permanecer nos porões da História (…)”

Em uma extensa pesquisa que levou seis anos, os autores fizeram uma compilação histórica de quarenta e três igrejas e o livro as apresenta de modo organizado – doze delas construídas no século XVI, cinco no século XVII, vinte e quatro no século XVIII e duas no século XIX.

O livro reproduz detalhes sobre a sociedade e resgata a propriedade intelectual de muitas das obras ainda presentes nos templos ou transferidas para o Museu de Arte Sacra, administrado pela UFBA.

Além de muito bem nos localizar no tempo, os autores incluíram um capítulo com preços de produtos, serviços e salários praticados na Salvador dos séculos XVI a XIX para que possamos nos orientar quanto ao valor das obras e construções.

Muitas das Igrejas retratadas foram demolidas e reconstruídas, outras sofreram desabamentos, incêndios, pilhagem e vandalismo, outras passaram por reformas ao longo do tempo e algumas estão necessitando de reparos.

É uma história mais interessante que outra. Que riqueza!

Peco, pago quando puder

‘BASÍLICAS E CAPELINHAS : Um estudo sobre a história, arquitetura e arte das igrejas de Salvador’ descreve o interessante e demorado processo de construção de cada Igreja, muitas das quais erigidas com materiais vindos de Portugal e outras tantas com pedras carregadas pelos membros das diversas irmandades.

Os autores mostram como a busca do pecador por uma passagem mais rápida do purgatório ao céu garantiu a beleza das edificações, cujo custeio que somava verdadeiras fortunas foi em parte garantido por doações de traficantes de pessoas africanas, membros da elite, exploradores, genocidas e agiotas.

Durante a leitura me reportei várias vezes à Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Fatos Pitorescos

“O Convento da Lapa será sempre lembrado na História da Bahia pelo martírio de Madre Joana Angélica de Jesus, morta ao tentar impedir a invasão do local por soldados portugueses, em 20 de fevereiro de 1822”

O livro apresenta muitas curiosidades que poderiam ser pinçadas e transformadas em um outro livro, como o fato de pinturas da Igreja de Nossa Senhora da Graça retratarem a vida de Caramuru e da índia Catarina Paraguaçu. Ela deixou vultosa doação para os monges beneditinos de Salvador.

Fiquei bem impressionada ao saber que a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia foi pré-fabricada em Portugal envolvendo três gerações de artesãos.

E o safadinho do Gregório de Matos? Esse livro precisa ser transformado em mais um livro.

Assim como são as pessoas, são as criaturas

Para melhorar mais ainda a sua experiência de leitura, sugiro duas coisas. Primeira: que ela seja feita por celular ou tablet para que você visualize melhor as fotos.

Segunda: que após a leitura da apresentação escrita  pelo jornalista Carlos Navarro, você pule para o capítulo que lista os interessantíssimos personagens envolvidos e só depois retorne para o fluxo normal.

Na lista de personagens, encontramos o Padre Manuel da Nóbrega, o genocida Mem de Sá, o humanista Padre Antônio Vieira, diversos escultores, carpinteiros , pintores e o aventureiro Gabriel Soares de Souza, cuja inscrição na lápide dá nome a este post.

Dai graças a Gabriel, o pecador

Conforme Helenita e Biaggio nos contam, Gabriel Soares de Souza desembarcou na Bahia em 1570 e é o autor de uma importante obra colonial, o  ‘Tratado Descritivo do Brasil’.

Segundo a editora Hedra, os textos foram recuperados no século XIX pelo historiador  Francisco Adolfo de Varnhagen e reúnem temas como botânica, geografia, história,  antropologia e descreve os povos nativos, engenhos e outras particularidades dos primórdios da nossa história.

Compramos a edição mais recente compilada por Fernanda Trindade Luciani & Ieda Lebensztayn, publicada em agosto de 2020, mas há opções de edições com menor preço.

Gabriel morreu em 1591 e seu corpo está sepultado na porta da Capela do Capítulo do Mosteiro de São Bento.

Ele doou parte de sua fortuna para os Beneditinos em troca de missas pela sua alma, que são rezadas pelos Frades até hoje.

Privilégio

Os autores arrolaram toda a bibliografia consultada, incluindo 111 livros e uma extensa lista de arquivos oficiais, jornais, revistas e textos disponíveis na internet.

É um privilégio poder sentar e desfrutar horas de leitura graças à generosidade dos pesquisadores que sintetizaram um conhecimento acumulado por anos em 248 páginas agradáveis e bem escritas.

Para quem já ama o tema, nem preciso indicar.

Recomendo BASÍLICAS E CAPELINHAS : Um estudo sobre a história, arquitetura e arte das igrejas de Salvador’ também para todos que odiavam História no colégio e para quem quiser saber mais sobre o Brasil Colônia.

Os autores do livro são responsáveis pelo Canal Cultura Popular Brasileira,  que divulga histórias populares que poderiam se perder ao longo do tempo.

Enfim… estudar História é uma ótima forma de viajar!

Um abraço,

Meire

 

 

 

 

 

 

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Os ‘psicopatas’ do nosso dia a dia

Por @meire_md

“O temperamento é herdado geneticamente e regulado biologicamente. Já o caráter está ligado à relação do temperamento com tudo o que vivenciamos e aprendemos na relação com o mundo exterior. Portanto, a personalidade é considerada uma organização dinâmica, resultante de fatores de ordem biopsicossocial” (Katia Mecler)

Comecei a me interessar por estudar diferentes tipos de personalidade no terceiro ano de medicina. Foi algo tão novo e fabulosamente curioso que não só me fascina até hoje como dita minhas preferências em livros, séries e filmes.

Peguei gosto pela complexidade humana.

Penso que isso ocorreu porque até entrar no curso de medicina o meu contato com diferentes personalidades havia sido muito restrito.

Na minha família as pessoas são muito estáveis, cresci sem ouvir um só grito dentro de casa, meus pais, padrinhos e avós resolviam as coisas com educação e respeito.

Por um lado isso foi bom, mas por outro fez com que eu demorasse a amadurecer e a perceber o lado oculto das pessoas.

Aos 20 e tantos anos/quase 30 ainda era enganada por gente que certamente não teria  poder nenhum sobre mim hoje. Fui muito idiota mesmo, mas isso me equipou com desconfiômetro até bom.

Essas poucas pessoas – ainda bem – fizeram parte do meu processo de amadurecimento.

A vida não é justa. Os chicotes são inevitáveis por muitos  motivos que eu não sou capaz de  especificar, mas certamente um deles reside no fato de que uma parte considerável das pessoas é manipuladora ou perturbada o suficiente para transformar a vida dos outros em um inferno.

Precisamos aprender a identificar pessoas nocivas. Se você vem de uma família pacífica e amorosa, é uma vítima mais fácil ainda.

Conhecer mais sobre a variedade de personalidades – cada pessoa parece vir equipada com um kit – não vai nos livrar de armadilhas, mas poderá prevenir sofrimentos além dos que a vida já nos oferece naturalmente ou até nos ensinar a conviver melhor com essas pessoas, se for o caso.

Se você tem algum transtorno específico de personalidade e sofre com as consequências negativas dele, é possível que a terapia cognitivo comportamental traga algum tipo de auxílio. Procure ajuda.

Psicopatas do Cotidiano

Katia Mecler é doutora em psiquiatria e especialista em psiquiatria forense.

Psicopatas do Cotidiano‘ é mais um excelente livro de divulgação científica feito por especialista que sabe mastigar a informação e devolvê-la ao leigo de modo simples.

Porém, amplo o suficiente para torná-lo interessante e útil também para profissionais que atuam em mesma área e afins.

O termo ‘psicopata’ é colocado no livro com seu sentido puro, etimológico. A palavra vem do grego psykhé (mente) e pathos (doença/sofrimento).

🟣 Saiba como fazer a Alexa ler um livro para você!

O ‘psicopata de filme’ é, na verdade, a pessoa com transtorno de personalidade antissocial.  Não gosto de usar o termo psicopata para citar outros transtornos mentais por causa desse estigma, acho bem esquisito, não casa.

Prefiro usar o termo Transtorno de Personalidade ou Tipos de Personalidade. Cada um é o que é, e pode ou não estar doente e precisar de tratamento.

Fora do espectro do que é considerado transtorno temos traços que podem ser encontrados em pessoas ‘comuns’ (‘normais’). Cada um de nós tem algum traço de um transtorno de personalidade formalmente descrito, mas que não chega a causar um sofrimento patológico. Se houver algo doentio envolvido, a palavra transtorno se encaixa.


“A partir do fim da adolescência os indivíduos com essa natureza apresentam um jeito de ser caracterizado por um padrão de comportamento inflexível e repetitivo que causa prejuízo significativo na maneira como se relacionam afetivamente, em sociedade, no trabalho ou na família”


A autora se utiliza de personagens fictícios e de citações de filmes, músicas e livros para ilustrar as características de dez dos doze transtornos de personalidade* contidos na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V)**.

Ela coloca ainda um resumo dos critérios que formalizam cada um dos transtornos e dá pistas de como podemos alcançar uma convivência menos turbulenta com pessoas ‘difíceis’.

É preciso dizer que ‘Psicopatas do Cotidiano’ não é um livro técnico. Ele não mergulha em epidemiologia ou outras especificidades, é um livro acessível que pode ser um suporte valioso para quem se acha estranho ou inadequado e queira tentar se triar/diagnosticar (não é o caminho ideal, mas é algo possível) como para quem convive com pessoas que tenham algum transtorno de personalidade.

Outra coisa muito importante: os transtornos de personalidade não são doença per se, são parte daquilo que a pessoa é, mas podem se associar a doenças mentais.

Concordo com a autora quando defende que nossa personalidade não muda com nenhum tratamento, mas em alguns casos os psicotrópicos podem ajudar a minimizar sintomas depressivos, ansiedade ou instabilidade de humor ou até controlar a agressividade.

Pessoas que lidam com atendimento ao público, quer sejam atendentes de telemarketing, vendedores de loja, advogados, médicos ou psicólogos ou simplesmente pessoas que nutrem curiosidade sobre os padrões de comportamento humano podem gostar de Psicopatas do Cotidiano.

 

Meire

*Tipos de personalidade citados no livro: Esquizoide (frieza emocional, isolamento social), Esquizotípica (excentricidade, misticismo exacerbado, ideias delirantes), Paranoide (indivíduos ciumentos, desconfiados), Antissocial (popular ‘psicopata’), Borderline (gente explosiva, que vive no 8 ou 80, com altos e baixos, ‘no limite’), Histriônica (pessoa ciumenta, que exige ser o centro das atenções), Narcisista (pessoa egoísta, excessivamente vaidosa, que toma para si ideias dos outros e coloca culpa nos outros por seus erros), Dependente (pessoa que não decide seus problemas sozinha, insegura, susceptível a sofrer abusos morais), Evitativa (timidez patológica) e Anancástica (obsessivo-compulsiva, personalidade perfeccionista, com excesso de metodismo e organização)

** O DSM V não tenciona transformar o diagnóstico psiquiátrico num mero somatório de pontos, tampouco a reduzi-lo ao modelo puramente biomédico, já há muito ultrapassado. Há décadas já sabemos que basicamente não só toda condição médica como também nosso comportamento resulta em maior ou menor grau da interação da nossa carga genética com o meio em que vivemos. O Manual estabelece critérios sim – e qual seria mesmo o problema de se estabelecer critérios? -, e coloca também características associadas que podem apoiar os diagnósticos como as questões sócio-econômicas e as relativas à cultura na qual o paciente está inserido. O Manual deixa deixa bastante claro que só há doença onde existe um quadro persistente de má adaptação ou inaptidão que leve a prejuízo ou sofrimento.

 

 

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Luxo Democrático [ou: Um Post para Ana]

Por @meire_md

Post dedicado à querida maquiadora Ana Cândida

 

‘My ultimate dream is that anyone who reads this book will never look at their makeup bag in the same way again and might even look at the history of women from a new perspective’ (Lisa Eldridge)

 

Desde pequena acho fascinante saber de onde as coisas vieram, como surgiram e como se comportam ao longo do tempo.  E quando o tema central é algo que gosto, a curiosidade é maior ainda.

Tenho melasma há 14 anos. Quando ele apareceu os protetores solares disponíveis  tinham uma cosmética muito ruim, então a maquiagem – que comecei a usar para camuflar as manchas – acabou substituindo minha proteção solar primária por muito tempo.

Maquiagem não substitui proteção solar, mas certamente o uso regular de base e pó com filtros solares evitou que meu melasma piorasse mais enquanto eu descobria protetores líquidos que permitissem um uso correto (três camadas) – coisa que só ocorreu há uns onze anos – e me adaptava ao uso de chapéu, sombrinha e roupas com proteção UV.

Hoje em dia uso protetor solar em bastão [8 passadas por área a ser protegida] e finalizo a proteção com maquiagem, pois é possível que a luz visível promova escurecimento do melasma.

As bases de maquiagem e outros produtos que contenham óxidos de ferro – como blush e corretivos, por exemplo – agem como se fossem um quebra luz de abajur: a opacidade produzida pela cor + cobertura minimiza a quantidade de luz visível (‘claridade’) que atinge a nossa pele.

Esse fenômeno é chamado de Efeito Pantalha.

Graças ao bem que a maquiagem me fez e faz, sua História passou a ser um tema do meu interesse.

História da Maquiagem

O pouco que eu sabia sobre História da Maquiagem havia visto de modo picotado pela internet, por isso adquiri ‘Face Paint’ na mesma hora que soube de sua existência.

Lisa Eldridge  é uma ‘make-up artist’ mundialmente conhecida por seu estilo de maquiagem elegante e ‘limpa’.

Ela aparenta ser tão culta e tão acima da média que não tive dúvidas de que seu livro seria particularmente interessante.

Comprei primeiro a versão para Kindle, porém fiquei tão encantada com as imagens e o conteúdo que acabei comprando a versão capa dura, que à época só estava disponível no Book Depository  (hoje já pode ser encontrado na Amazon Brasil.)

Ao referenciar estudos antropológicos e exibir a história, a ciência e a tecnologia que estão  por trás da maquiagem, Lisa eleva o patamar do ato que maquiar-se e o sedimenta como um modo de expressão resiliente ao tempo.

Face Paint

‘The natural world provided everything needed for the ancient makeup bag. Ingredients like chalk, manganese dioxide, carbon, lapis lazuli, copper ore, and red and yellow ochre were used to embellish in every corner of the globe – from de aboriginal and tribes of Papua New Guinea to the earliest civilizations of Mesopotamia and Egypt (…)’

 

O livro tem duas seções principais, The Ancient Palette e The Business of Beauty.

A autora  descreve como a maquiagem facial e corporal de tribos africanas e dos antigos povos foi confeccionada e trata da toxicidade de muitos ingredientes largamente adotados.

Lisa reporta que a intensidade da maquiagem e a paleta de cores tem flutuado nos diferentes tempos e lugares tanto de acordo com os padrões de beleza da época em questão como por intromissões religiosas e até políticas.

Um dos pontos altos do livro é a rica discussão da relação entre a maquiagem e autonomia feminina.

Pele clara e rosada

Retrato de Madame de Pompadour (1758), amante de Luís XV.

Segundo sua pesquisa, o blush começou a ser comercializado nas  perfumarias francesas em 1780 e à época as mulheres menos abastadas o aplicavam de modo sutil, enquanto a aristocracia o usava de modo bem marcado.

Essa interessante diferença de estilo foi mantida até a Revolução Francesa.

A obsessão pela pele clara levou ao uso de pigmentos brancos e ao abuso de despigmentantes caseiros, incluindo os a base de arsênico, mercúrio e chumbo, que foram populares por séculos.

A saga da maquiagem

‘Democratized and empowered, young woman used makeup to express themselves and set themselves apart from their mothers and grandmothers for whom makeup had been frowned upon’

Os caminhos pelos quais a maquiagem passou – em uma fase histórica tida como algo a ser usado apenas por mulheres ‘pouco respeitáveis’ – até atingir o status de aceitação social se misturaram com a história da imprensa, da fotografia, da I Guerra Mundial, dos movimentos feministas, da desmarginalização do teatro, da ascensão das divas de Hollywood – Greta Garbo fabricava seu delineador com carvão e vaselina e sua sombra misturando vaselina com pó facial –  da televisão, do jornalismo, da publicidade…

As minibiografias de rainhas, princesas, atrizes e outras musas da maquiagem que com seu estilo nos influenciaram e continuam nos influenciando torna o livro ainda mais interessante.

Primórdios da Indústria da Maquiagem

‘Hazel Bishop was the inventor of the first truly long lasting lipstick, which was heavily advertised on live TV throughout the 1950s’

Os capítulos sobre alguns dos pioneiros da indústria da maquiagem no século XIX também são repletos de informações interessantes.

Neles são incluídos os primeiros maquiadores profissionais com um destaque para a saga do judeu polonês Max Factor, que participou ativamente do desenvolvimento de maquiagens que atendiam as necessidades dos filmes da época, quando a luz das filmagens gerava sombras nas faces dos atores e não evidenciava o tom vermelho dos pigmentos.

Max Factor* que introduziu na indústria o princípio de harmonia das cores (1918), foi também o primeiro maquiador a ser contratado para trabalhar como parte da equipe de um filme.

Estratégias desonestas

‘Elizabeth Arden even created a makeup kit for the American Marine Corps Women’s Reserve with a red lipstick that matched elements os their uniforms’ (a maquiagem foi importante para as mulheres lidarem com as perdas, a crise em seus países e os novos desafios trazidos pelas duas grandes Guerras Mundiais).

Lisa registrou as desonestidades de muitos empresários – inclusive a espionagem cosmética – para criar e glamourizar seus produtos, como as artimanhas de Helena Rubinstein, que não só mentiu sobre os ingredientes de seu primeiro creme como inventou um nome para um suposto químico responsável, que nunca existiu.

O creme que fez HR acumular uma fortuna e foi vendido por um preço exorbitante por mais de 50 anos era uma simples mistura de vaselina + óleo vegetal + lanolina. A empresa alegava que o creme contava com miraculosas ervas extraídas de montanhas do leste europeu.

Não menos fascinante, porém muito mais honesta, é a história de Estée Lauder, que morreu em 2004 deixando um Império que hoje alberga mais de 25 empresas, incluindo a MAC. Foi ela quem introduziu no mercado americano/europeu a cultura de fornecer amostras grátis.

Muitos outros criadores que seguiram o rastro dos pioneiros ou inovaram em cores, embalagens e texturas aparecem no livro.

História dos truques de contorno e iluminação

Para quem acha que os truques de luz e sombra foram criados pelo maquiador da Kim Kardashian, a seção relativa aos truques relacionados ao jogo de luzes e sombras é bem interessante.

Para produzir uma pele iluminada, Marilyn Monroe aplicava vaselina como primer e criava sua base fazendo uma mistura de duas cores de bases da Max Factor com uma gota de base branca.

 História da nossas necessaires

‘In many ways makeup was the most democratic of all “luxury” goods (…) making it available to women beyond just the middle and upper classes.’

Por volta da metade do livro somos presenteados com a interessantíssima ‘History in Your Handbag’.

Você sabe como foram as primeiras máscaras de cílios? Quais foram os primeiros “must-haves”? Por que as sombras coloridas se popularizaram ou desde quando e como unhas são pintadas?

Quem foi o cara que inventou o glitter? Em que circunstâncias a maquiagem para as pernas foi criada? Quais eram os produtos usados por Amy Winehouse?

Você sabia que o criador da Bourjois era de uma trupe de teatro e para começar a produzir e vender seus cosméticos foi financiado por Alexandre Dumas, autor de ‘Os três Mosqueteiros‘ , ‘O Conde de Monte Cristo‘ e ‘A Rainha Margot‘?

Maquiagem masculina e evolução tecnológica

Lisa presta algumas notas históricas sobre a maquiagem masculina e discorre sobre a influência científica e tecnológica que permitem substituir materiais instáveis por equivalentes sintéticos melhor controlados e faz comentários sobre a tecnologia japonesa, que tem produzido excelentes texturas.

Maquiagem e Saúde Mental

No capítulo ‘I Want to Look Like You’ de ‘Face Paint’ a autora expressa a mesma preocupação que muitos psicólogos e outros estudiosos vêm manifestando acerca do crescimento do número de pessoas que não se buscam nas imagens perfeitas de editoriais de revistas, fotos e vídeos publicados na internet e por esse motivo perseguem um ideal de perfeição inatingível.

Cinco anos depois da publicação do livro, encontramos a materialização dessa preocupação estampada em rostos super preenchidos ou fabricados em série.

O desafio de nossas trisavós era poder usar maquiagem sem sofrer agressões por isso. Para elas a maquiagem foi um direito a ser conquistado.

Hoje a maquiagem é o luxo mais democrático que existe e temos toda liberdade de usá-la (ou não usá-la). Dispomos de um arsenal gigantesco de produtos acessíveis para todos os bolsos e gostos.

O nosso desafio é muito menor que o delas: é apenas não sucumbir ao consumo desenfreado.

Beijos,

Meire

 

*Em 1938 ele morreu, porém, seu filho manteve a empresa, que foi vendida para a Procter & Gamble em 1991.

 

📙 Face Paint: The Story of Makeup (Inglês) Capa dura – Ilustrado

📙 A mulher que inventou a beleza: A vida de Helena Rubinstein eBook Kindle

📙 Estée Lauder:: Businesswoman and Cosmetics Pioneer (Inglês) Encadernação para biblioteca – Ilustrado

📙 Fragmentos. Poemas, Anotações Íntimas, Cartas (Português) Capa dura

📙 Max Factor – O homem que mudou as faces do mundo

📙 Amy, minha filha (Português) Capa comum

📙 Kim Kardashian (English Edition) eBook Kindle

📙Mulheres, cultura e política (Português) Capa comum 

📙 Greta Garbo: Divine Star (Inglês) Capa dura

 

 

 

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[Post Longo] Erros Sistemáticos & Falácias de Discurso

Post dedicado às pessoas curiosas e aos estudantes de todas as áreas de saúde

“Comece pelo começo, vá até o fim e então, pare” (Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas)

Por @meire_md

Por mais inacreditável que isso pareça para você que é novinho ou novinha e gosta de tudo que é ligado a pensamento crítico, estudar erros sistemáticos e falácias de discurso foi uma das primeiras manias de algumas pessoas que batiam boca na internet antigamente.

A gente batia boca por e-mail ou por chats primitivos.

Você se imagina chegando em casa à noite e indo debater temas polêmicos através da troca de longos e-mail? Não, né.

Tentei deixar o post menor, porém o tema é muito extenso. As doze laudas que estão aqui não podem ser chamadas nem de introdução, são apenas um aperitivo para atiçar sua curiosidade.

Conhecer possíveis erros sistemáticos e falácias de discurso antes de mergulhar no estudo das evidências científicas das terapêuticas praticadas pela profissão que você escolheu abraçar – seja fisioterapia, enfermagem, nutrição, medicina, odontologia, medicina veterinária ou outras – não é só necessário ou importante: é um ato de responsabilidade e respeito pela vida humana e animal.

As falácias de discurso são resumidamente um raciocínio degenerado que teima em parecer correto e os erros sistemáticos – conhecido como viéses – são os desvios introduzidos ou que surgem em pesquisas científicas.

Quando você conhece argumentos falaciosos e aprende a detectar vieses, começa a perceber ocorrências em todos os lugares, do grupo de WhatsApp da família ao ambiente acadêmico.

Pensar criticamente não é sinônimo de reclamar de tudo ou de encontrar erro em todo lugar, é uma espécie de proteção contra embustes.

De nada adianta você defender o pensamento crítico se usa argumentos falaciosos.

Neste post vou colocar algumas falácias e alguns vieses comuns no dia a dia dos médicos e uma pequena lista de livros que podem auxiliar você neste estudo.

Pensamento Crítico

Estimular o pensamento crítico deve ser um exercício diário por dois motivos: porque a nossa mente nos prega peças continuamente e porque o contraconhecimento se espalha mais rápido que o conhecimento.

A coisa está ficando séria.

Se você não gosta de ser enganado precisa manter uma pulga atrás da orelha em estado de constante alerta e entender que duvidar de si mesmo é um grande exercício de honestidade.

Nenhum de nós está livre de cometer falácias ou de ser engabelado por vieses porque somos seres humanos com um cérebro tão imenso quanto lotado de subprodutos evolutivos.

Meta isso na sua cabecinha: nós sabemos muito menos do que acreditamos saber.

Raciocínio perfeito?

Quando analisamos discursos e estudos científicos a pressa é arqui-inimiga da perfeição.

E a perfeição é um ideal inatingível.

Como muito bem explicado por Siddhartha Mukherjee, não existe nenhum estudo científico sem vieses.

Nenhum.

A sistematização melhora o resultado mas não elimina riscos porque Medicina (Saúde) não é matemática.

Se não existe nenhum estudo sem vieses, mastigar o artigo demoradamente e lê-lo com atenção é mais importante ainda.

Não sejam leitores apressados.

O que é um argumento?

Um argumento é algo estruturado que parte de afirmações, cujas premissas dão suporte à conclusão.

Se o argumento for direcionado para defender ou afastar algo que seja da alçada da ciência, suas proposições precisam ser falseáveis, ou seja, passíveis de refutação por meio da observação ou de um experimento. A frase que acabei de escrever é um exemplo de argumento.

Ser falseável é, resumindo, a qualidade de permitir ser questionado dentro do espectro do mundo natural.

Um segundo ponto importante é que o ônus da prova é daquele que afirma.

Se eu afirmo que existe um ser humano com vinte e uma cabeças não posso exigir que você prove que isso não existe. Eu que devo demonstrar que existe.

Um exemplo clássico de argumento não falseável é o do Dragão na Garagem, descrito por Carl Sagan em ‘O Mundo Assombrado pelos Demônios’.

A ciência tem um escopo limitado. Mas ela é como um forno autolimpante, corrige-se o tempo todo.

Qualidade da metodologia

A qualidade do desenho de todo o estudo – desde a alocação da amostra até a discussão dos resultados – vai fazer toda a diferença nos resultados e a capacidade do leitor/avaliador do estudo determinará o quão adequada será a aplicação prática do conhecimento obtido.

Um bom estudo pode ser severamente desviado se lido e aplicado por um mau leitor, bem como um estudo de ciência básica sem quaisquer indícios de relevância clínica pode fazer um fármaco qualquer ser visto como panaceia. Isso é particularmente preocupante porque abre margem para a venda de curas milagrosas.

Quando você já tiver lido muitos estudos e estiver avançando na prática, irá reconhecer o que conta ou não com relevância clínica porque a aplicação do aprendizado não é automática.

O fato de existirem evidências favoráveis a um tratamento não indica que ele seja o ideal para um paciente em particular porque o manejo clínico é resultado de um raciocínio mais complexo que envolve custo-benefício e a vontade do paciente e de sua família, por exemplo.

O estudante da área da saúde precisa ser um bom Sherlock Holmes e um bom leitor.

Hoje vamos brincar com isso

Quando você entende bem a estrutura de um pensamento organizado e lógico você consegue encontrar vieses e falácias mesmo que não entenda tanto assim sobre o assunto que está sendo discutido.

Deixe sua mente pipocar de perguntas.

Tipos de vieses

Viés de encaminhamento

Ocorre quando, em razão da origem do encaminhamento, as características de um grupo de pacientes que estão sendo estudados diferem muito daquelas do outro grupo.

Por exemplo, um grupo foi encaminhado de um consultório privado e o outro é formado por pessoas internadas em um hospital público com poucos recursos. Se o estudo não for muito bem delineado isso pode comprometer bastante a confiabilidade dos resultados.

Viés do entrevistador

Ocorre quando uma pesquisa é feita por vários entrevistadores, o que tende a fornecer erros sistemáticos comuns. Um deles pode sondar mais informações, fazer perguntas de modo mais eficiente ou um mesmo entrevistador pode obter mais ou menos informações de diferentes pacientes por questões culturais, por exemplo.

Viés de publicação

Ocorre porque os pesquisadores tendem a submeter mais trabalhos quando os resultados são positivos do que quando são negativos e/ou porque as revistas selecionam mais estudos com resultados positivos do que com resultados negativos. Se você quiser parecer muito mais culto, pode chamá-lo de viés de notificação seletiva de desfechos.

Viés de preferência social

Quando os participantes do estudo respondem conforme o que se espera deles. Você precisa ficar atento porque isso não ocorre só em pesquisas, ocorre na prática diária.

Por exemplo, uma pessoa que fuma maconha ou consome cocaína pode omitir isso para não se sentir constrangido ou pode dar respostas que façam com que pareça mais adequado às convenções sociais.

Esse viés poderia ser reduzido com ajuda da tecnologia, mas as pessoas tendem a mentir mesmo quando acreditam que as respostas serão enviadas ao pesquisador de modo anônimo. Para saber mais sobre isso, você pode ler ‘Todo Mundo Mente’, de Seth Stephens-Davidowitz.

Viés da Integridade dos Dados

Quando os grupos de participantes registram seus dados de modo diferente. Vamos supor que um alguns tenham acesso a um aplicativo de celular para registrar todos os sintomas tão logo apareçam e outros não usem o aplicativo, prefiram usar papel e caneta ou deixem para reportar os sintomas pessoalmente, numa próxima consulta. A diferença pode ser gigantesca.

Viés de Expectativa

O entrevistador pode ter, por características e experiências pessoais ou por estar há mais tempo no grupo de pesquisa, acesso a informações que influenciam suas expectativas.

É por isso que, às vezes, o próprio médico encaminha o paciente para uma segunda opinião, ou seja, para conseguir um olhar “fresco” sobre o caso e eu costumava fazer isso quando fazia consultório e me deparava com um caso sem solução aparente.

Costumo dizer que quando o paciente está em uma fase onde o tratamento parece não surtir qualquer efeito, é importante que o médico ‘passe a régua’ e colete a história toda do começo de novo. Nós erramos frequentemente e os pacientes mentem frequentemente, mesmo que não façam isso conscientemente.

Viés do observador técnico

As observações técnicas de um pesquisador ou outro podem diferir significativamente, sobretudo em questões que envolvem subjetividade.

Não é maldade afirmar que um mesmo paciente pode passar com três psiquiatras diferentes e sair com três diagnósticos diferentes. Imaginem um estudo feito apenas com pacientes esquizofrênicos. Pergunte-se: como o diagnóstico foi feito?

Viés de Memória

Ocorre porque os pacientes que tiveram efeitos colaterais tendem a se lembrar dos eventos favoráveis de um modo diferente dos pacientes que não tiveram efeitos colaterais. A nossa memória, na verdade, é uma fábrica de falsas lembranças.

Viés de Vigilância

Acontece pela tendência que temos, como médicos, de procurar eventos de modo mais detalhado em um grupo em particular. Imagine que sua pesquisa ou seu ambulatório tenha um grupo de pessoas com diabetes e um grupo sem diabetes.

A sua tendência será valorizar e esmiuçar mais as queixas das pessoas diabéticas do que as queixas das pessoas saudáveis. Se você não conhecesse esse viés, seria mais fácil se deixar levar por ele. Lute contra o viés de vigilância que você já estará a um passo de ser um profissional melhor que a maioria.

Esse viés pode prejudicar bastante as pessoas hipocondríacas. O médico tende a baixar a vigilância e deixar passar um câncer, por exemplo.

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Falácias

Generalização Precipitada

Quando se chega a uma conclusão sobre um fato complexo com base em uma amostra não representativa. Isso é muito comum na vida real, inclusive.

Uma pessoa que não tem parentes e amigos advogados ou médicos e tem uma experiência ruim com um ou dois tende a considerar que todos os médicos e advogados são ruins, por exemplo.

Post Hoc, Ergo Propter Hoc (depois disso, logo por causa disso)

Ocorre quando a pessoa interpreta que a correlação sugere causalidade. Por ser uma falha comum, fiz um post no Instagram para ilustrar isso usando como exemplo a falsa correlação entre uso de talco e o câncer de ovário. Um não causa o outro, embora estejam correlacionados, ou seja, a hipótese nula nunca foi refutada.

Cum Hoc, Ergo Propter Hoc (com isso, logo por causa disso)

Quando dois eventos que ocorrem ao mesmo tempo são considerados causa e consequência. Por exemplo, uma lâmpada da casa queimou na mesma hora em que a pessoa teve diarreia e ela conclui que o evento elétrico mexeu com sua fisiologia corporal. Vocês vão ver isso muito na prática clínica. O paciente comeu uma coxinha na rua e adoeceu no mesmo dia, então jura de pés juntos que a coxinha causou a apendicite.

Falácia de Origem ou Falácia Genética

Quando o argumento é valorizado ou desvalorizado de acordo com sua origem, sem que o conteúdo da proposição seja avaliado. Essa falácia é muito comum na internet, você a vê o tempo todo.

Se a pessoa não gosta dos EUA, tudo que vem de lá é automaticamente visto como inadequado. Se a pessoa é de esquerda, tudo que vier da direita é inadequado. É uma forma lamentavelmente preguiçosa de raciocinar.

Argumento ‘ad hominem’

Uma das falácias de discurso mais comuns e adotada por pessoas despreparadas e/ou desonestas intelectualmente. O argumentador tece ataques à pessoa e não às ideias que estão sendo discutidas.

O objetivo é desqualificar e desestabilizar emocionalmente o oponente. Ele se associa frequentemente com a Falácia do Espantalho.

Falácia do Espantalho

Ocorre quando a pessoa deturpa ou simplifica demais o argumento da outra pessoa para depois atacá-lo. É uma falácia extremamente usada na internet, minha paciência para quem usa este tipo de falácia é um total de vários zeros porque a experiência já me mostrou que as pessoas que fazem isso são puramente desonestas, fazem de propósito.

Quem é macaco velho em argumentação não prolonga muito a conversa. Não vale a pena, saia de fininho e deixe o desonesto falando sozinho ou use meios socráticos: não acrescente nenhuma informação nova, só faça perguntas.

Raciocínio Circular

Quando a conclusão volta para a premissa. Eu costumo chamar isso de argumento de quinta série. Exemplo: ‘Você está redondamente errado porque o que você falou não está certo’. É o ‘porque sim’ do discurso.

Perseverança de Crença

Quando o argumentador tem forte apego a um ponto vista e o transforma em crença (crença=algo que dispensa evidências), resistindo de modo impermeável às evidências que demonstrem o contrário de modo muito claro.

É possível que essa falha de raciocínio piore com o avanço da idade, porque o cérebro parece ficar mais resistente às novas ideias com o passar do tempo, então é preciso manter o treino em dias.

Um exemplo clássico de Perseverança de Crença é a defesa da Terra Plana, mas você vai ver isso em pessoas que defendem práticas alternativas de tratamento já consistentemente refutadas, por exemplo.

Culpa por Associação

Quando o argumentador desacredita a ideia/característica de um indivíduo em particular porque tem alguma similaridade a ideia/característica de um grupo mal visto socialmente.

Um bom exemplo é você concluir que uma pessoa tatuada é criminosa porque há muitos criminosos tatuados. Esse argumento é também uma forma de transformar toda e qualquer característica de um grupo em algo essencialmente mau.

Apelo à Popularidade

Quando a pessoa argumenta que a prova que algo é verdadeiro reside no fato de que muita gente acredita nele. Também é uma forma preguiçosa de raciocinar.

É aqui onde muitos paradigmas podem ser quebrados caso você se faça perguntas simples: como esse conhecimento foi produzido? de onde isso saiu? é plausível?

Apelo à Ignorância

A pessoa argumenta que algo é verdadeiro só porque não foi provado como falso. É uma espécie de inversão do ônus da prova, quando a ausência de prova é transformada em prova por ausência.

É um argumento muito comum entre pessoas que não compreendem como o conhecimento científico é produzido. Você vai se deparar muito com isso junto aos colegas que escolhem trilhar por práticas ‘alternativas’.

Reductio at Hitlerum ou Uso da Carta do Nazismo

Sem entrar no mérito de que seu uso ofende fortemente a memória do povo Judeu, uma das variações dessa falácia começou a aparecer pouco tempo depois da II Guerra Mundial e é comumente utilizada por pessoas que já estão sem argumentos ou que usam todo o conjunto de crueldades executadas pelo III Reich para validar a importância de um outro evento, colocando-os em pé de similaridade.

Se você se interessa por um discurso honesto e limpo, saiba que usar este tipo de falácia não é só um mero deslize de discurso, é deselegante e denota falta de sensibilidade, mesmo que a pessoa tenha feito isso apenas por ignorância.

Falácia do Equívoco

Ocorre quando o argumentador explora a ambiguidade de certas palavras para fazer o outro parecer dissonante. É um modo comum de atacar ateus. “Você diz que não tem fé, mas tem fé no seu marido” (a pessoa esquece o que tem em Hebreus, 11:01 só na hora de formular o ataque).

Falso dilema

Quando o argumentador apresenta apenas duas possibilidades de escolha dentre as inúmeras possíveis e conclui que se pessoa não aceita uma, consequentemente segue a outra.

Para essas pessoas, se você critica um político imediatamente passa a ser visto como defensor do outro porque elas não têm capacidade de entender que você pode criticar alguém que também defende, nem que você pode preferir um terceiro, nenhum dos três ou ver aspectos favoráveis em um, dois ou três deles.

Se alguém critica a política de cotas é tratado imediatamente como racista, mesmo que seja preto e tenha argumentos sólidos para sustentar suas proposições. Essa falácia também é conhecida como pensamento preto no branco e como falsa dicotomia.

Geralmente é usada por pessoas extremistas. Antigamente eu achava que era desonestidade pura e simples, mas hoje vejo que é uma falha lógica que não foi adequadamente trabalhada na Escola.

Tu quoque (Você Também)

Essa é a cara do finado Orkut e hoje poderia ser chamada de ‘enfim, a hipocrisia’. Basicamente consiste em rebater um argumento com uma acusação, visando desviar o assunto.

Falácia de apelo ao medo

Usada por pessoas que querem vender ideias, cursos ou determinados produtos, por exemplo. Elas deturpam fatos e propagam contraconhecimento para implantar medo e fazer com que as pessoas façam outras escolhas de compra. Essa falácia é muito usada no período eleitoral e atualmente tem sido usada pela indústria de cosméticos naturais.

Bola de Neve

Falácia na qual o argumentador alega que uma proposta irá gerar uma cadeia gigante de eventos. Foi muito usada na época em que se discutia mais generalizadamente o casamento gay. Algumas pessoas diziam que todo mundo iria virar gay ou que ser hétero ia acabar sendo proibido.

Falácia do Escocês (Nenhum Escocês de Verdade)

Em vez de contestar a evidência, o argumentador refaz o critério para que alguém pertença a um grupo. A pessoa fala que pessoas criativas têm insônia.

Outra contra-argumenta, reportando que fulano é muito criativo mas não tem insônia. E a primeira conclui que Fulano não é criativo de verdade, pois se fosse teria insônia.

Falácia de Divisão

Quando a pessoa infere que cada uma das partes deve ter a característica significativa da parte inteira, seja ela real ou não. Por exemplo: Uma pessoa afirma, dando os seus motivos, que a Universidade X tem um viés ‘esquerdista’.

A pessoa com raciocínio enviesado conclui que todos os universitários daquela Universidade fazem parte do espectro político de esquerda. Ou pode concluir, por exemplo, que todos os muçulmanos são terroristas porque um grupo Y deles é formado por terroristas.

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Lista de Livros que podem contribuir para sua caminhada

O Guia Contra Mentiras’, de Daniel Levitin

É um livro que compila muita coisa interessante para qualquer pessoa que tenciona treinar o pensamento crítico. Leia e releia.

Tenho a versão para Kindle e a de papel; acho mais interessante a de papel porque você pode utilizá-la como um caderno para complementar os textos com anotações vindas de outras fontes.

Usar papel e caneta pode, aparentemente, reforçar o aprendizado.

  • Resenha sobre ele, aqui.

O Mundo Assombrado pelos Demônios‘, de Carl Sagan

Fiz resenha dele nos stories do Instagram há uns quatro anos. É um livro que dispensa apresentações e mesmo sendo antigo, é eternamente relevante porque foi todo montado dentro de preceitos que continuam clássicos.

O Livro Ilustrado dos Maus Argumentos‘, de Ali Almossawi

  • Notinhas sobre ele, aqui.

Subliminar‘, de Leonard Mlodinow

Livro essencial para livres pensadores e para pessoas que gostam de saber mais sobre as armadilhas da mente humana.

‘As Leis da Medicina’, de Siddartha Mukherjee

Resenha sobre ele, aqui. É um livro delicado que mais parece uma palestra ministrada por um grande médico. Vale muito a pena, inclusive para médicos experientes.

‘Todo Mundo Mente’, de Seth Stephens-Davidowitz

É um livro mais divertido e curioso do que propriamente útil para estudantes da área da saúde, porém pode abrir um leque para profissionais que se interessam em pesquisa.

Como Mentir com Estatística‘, de Darrell Huff

É um livro miudinho, bem básico e de leitura rápida. Se você é estudante de Medicina e já tem o do Gordon Guyatt, ele é dispensável, mas se você é estudante do ensino médio ou recém entrou na Universidade, a leitura vai ser bastante proveitosa. É um dos livros favoritos de Daniel Levitin.

Diretrizes para Utilização da Literatura Médica‘, 2ª Edição, Gordon Guyatt & Cols

Livro escritos por pioneiros da Medicina Baseada em Evidências (contém 15 capítulos).

User’s Guides to The Medical Literature, 3rd Edition, Gordon Guyatt & Cols

(Atualizado; contém 29 capítulos)’: A terceira edição do Diretrizes tem 14 capítulos a mais que a 2ª Edição porque inclui tópicos avançados sobre o mesmo tema.

Se você não pretende ser pesquisador e não quer gastar muito com livros paradidáticos, pode comprar a segunda edição mesmo porque ela não está ultrapassada. Eu tenho as três edições e vez por outra faço comparações.

Só mais um

Gostaria de acrescentar aqui um livro de História da Medicina que pode interessar quem tiver interesse de enveredar pela pesquisa científica: ‘O Imperador de Todos os Males’.

Fiz resenha sobre ele, hoje um dos meus livros favoritos de História da Medicina. Imagino que seja uma excelente leitura para estudantes de Biomedicina.

Recadinhos para estudantes da área de saúde

O Erro Sistemático (ou viés) é muito diferente do erro aleatório, que de fato é um agente do acaso, algo imprevisível e não produzido, mas que precisa ser considerado fortemente na análise dos resultados.

O acaso é tão poderoso que está por trás do desenvolvimento de coisas tão diversas quanto a pólvora – que foi descoberta por alquimistas taoístas que estavam tentando encontrar o elixir da vida – ou um quimioterápico.

O Acaso age a favor da morte e a favor da vida o tempo todo e se infiltra em basicamente todas as pesquisas em saúde humana.

Como se chegou a um resultado tal? Ele é plausível? Há correlação de uma coisa com outra? O resultado terá sido uma mera obra do Sr. Acaso?

Desprezar o poder do acaso é um dos erros mais comuns entre pessoas que interpretam literatura médica.

#somostodosignorantes

A real busca pelo conhecimento admite a ignorância.

Nem sempre temos ou encontramos explicação para tudo, portanto seja um eterno estudante. Não permita que a crença numa suposta superioridade intelectual – por ser estudante da área de saúde – subverta esse princípio básico.

Estudar nos permite saber que não sabemos. Profissionais que não sabem que não sabem de alguma coisa podem ser perigosos. Eles podem ser bem prepotentes e apegados ao conhecimento passado, inclusive.

Admitir ignorância, buscar aperfeiçoamento contínuo e pedir uma segunda opinião são grandes virtudes.

Outro aspecto importante: lembre que ciência é feita por homens e para homens.

A Ciência não deve ser vista como religião tampouco como algo que prescinda de imposição de limites.

Ela não tem respostas para tudo pelo simples fato de ter alçada limitada. E pode ser usada também para o mal.

Foi o suporte de cientistas quer permitiu, por exemplo, a criação da bomba atômica.

Toda pesquisa deve ser cerceada por limites éticos e você precisa ler sobre isso para não sair por aí distribuindo desconhecimento sobre como a ciência funciona ou tratando-a de modo dogmático.

O fato de possuir conhecimento não nos dá carta branca para fazer o que quisermos

A ciência é uma ferramenta para produção de conhecimento, deve ser usada para mitigação de decisões danosas para nossos pacientes e jamais ser usada como desculpa para vender falsas promessas.

Conflitos de interesses

Basicamente todas as pesquisas vão ter algum interesse comercial, ideológico, político ou até religioso.

Ciência não se faz sem dinheiro. Sempre haverá financiamento da parte de alguém.

Procurar consultar literatura médica de modo mais cético, rigoroso e objetivo possível é a decisão mais correta, sempre.

Nunca, jamais, concorde com algo apenas pelo fato de ser a esquerda ou a direita que defende. Mantenha-se aos fatos, forme as suas opiniões e as defenda com moderação e humildade, pois elas podem cair tão logo melhores evidências surjam.

O poder do conhecimento básico

Tenha paciência.

Quando você avançar nos estudos vai aprender vários conceitos, como por exemplo o de hipótese nula, que nada mais é que um marco que parte do princípio de que uma coisa não tem relação com a outra (que um remédio não cura uma doença, por exemplo).

A hipótese nula será refutada através de evidências que sugiram que o resultado encontrado não poderia ser, em princípio, atribuído ao acaso. Quando falamos de relevância estatística estamos falando sobre isso, sobre um valor-p pequeno, que rejeita a hipótese nula.

Saber que o intervalo de confiança é uma faixa onde podemos encontrar a resposta certa para uma pergunta só passará a ser importante quando você souber detalhadamente quais são os três princípios básicos da Medicina Baseada em Evidências, por exemplo, e estiver capacitado a fechar um diagnóstico correto.

Procurar pular etapas antes de treinar seu pensamento crítico e conhecer falácias e vieses pode fazer como que você adquira vícios difíceis de remover depois.

Por que?

Porque quem aprende o avançado desprezando o básico não só erra mais como engrossa o corpo das pessoas presas à persistência no erro.

Quem pula o básico tem pressa. Pessoas apressadas não tem a obstinação que caracteriza os detalhistas, que serão os profissional de excelência, focados no paciente, atentos, ligeiramente obsessivos e que erram menos.

Foque fortemente no básico e vá crescendo. Não há como ser um bom profissional de saúde buscando atalhos.

Leia e releia. Faça anotações. E vá subindo. Além de fixar mais e errar menos, o conhecimento complexo será aprendido mais rapidamente.

Você pode ser o melhor leitor de literatura médica do mundo, mas se não souber semiologia médica nem interpretar exames de laboratório, vai partir de um erro crasso e seu paciente perderá a chance de alcançar o melhor desfecho.

E, por fim, quando o assunto é tratamento, é melhor ter um arsenal terapêutico menor e dominá-lo com destreza do que sair atirando para todo lado com armas que você não conhece.

Extra

Em novembro de 2019 fiz um pequeno post no meu Instagram para explicar o Dragão na Garagem e vou reproduzi-lo aqui, pois meu perfil é fechado:
– Um Dragão que cospe fogo pelo nariz vive bem aqui na minha garagem.

– Ué, mas eu não tô vendo Dragão nenhum.

– Ah, esqueci de dizer! Ele é invisível.

– Massa, então vamos jogar farinha no chão, daí dará para ver as marcas das pegadas.

– Humm, não vai funcionar… meu Dragão só flutua.

– Então vou pegar aqui meu sensor de infravermelho, dará de boas para captar a presença do bicho ou a do fogo.

– Não vai dar… tudo nele é atérmico.

– Bom, então vou borrifar tinta em toda a garagem, será bem fácil ver o contorno do corpo do Dragão.

– Mais uma má ideia sua, é lógico que a tinta não vai aderir, ele é incorpóreo.

Essa alegoria é muito popular entre divulgadores científicos e foi publicada por Carl Sagan em ‘O Mundo Assombrado pelos Demônios’.
Se a conversa continuasse, o dono do Dragão seguiria formulando outras desculpas para validar sua alegação extraordinária até começar a dizer que está sendo vítima de um complô dos donos de zoológico, que não querem que as pessoas descubram que não precisariam pagar por visitações porque já possuem animais exóticos em casa.

É assim que as pseudociências fogem do escrutínio científico: elas buscam alegações imunes aos testes e apelam para a inocência das pessoas colocando-se como uma solução simples para problemas complexos e como vítimas da indústria, do capitalismo ou de qualquer outra coisa fácil de demonizar, levando as pessoas a acreditarem que certas evidências não existem ou não são aceitas por desinteresse dos malvados cientistas, que só pensam em torturar animais e trabalhar a serviço da indústria farmacêutica.

Se eu sumisse do Instagram hoje e apenas essa mensagem, só essa, de que alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias, ficasse na cabeça de vocês e evitasse que parassem de acreditar em certas soluções fáceis para problemas complexos, eu já me recolheria satisfeita.

Beijos,

Meire

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Sabonetes Líquidos e em Barra

Por @meire_md

Ainda uso sabonetes líquidos, no entanto os em barra têm sido os meus favoritos não só porque ocupam menos espaço, são fáceis de carregar em viagens e geram menos lixo, mas porque tenho uma relação afetiva com os sabonetes Dove Original em barra e Baby Johnson ‘s original em barra.

Amo a experiência sensorial proporcionada por eles e a proteção que conferem à minha pele corporal, que tem começado a ressecar com mais facilidade – coisa que não ocorria quando eu era novinha.

Gosto bastante de produtos que me entregam várias vantagens e quando eles são baratos, melhor ainda.

Um inconveniente dos sabonetes em barra é ‘derreter’ na área do banho, daí nunca os deixo em áreas molhadas.

Gosto de acomodá-los na área seca do banheiro, sempre em cima de um pedacinho de bucha natural.

Para o rosto usei por um bom tempo a ‘Dove Espuma de Limpeza Facial Nutrium Moisture’, que é excelente, densa e super gostosa de usar, mas acabei não recomprando. Ela lembra bem as espumas de limpeza facial asiáticas.

Abaixo a lista dos sabonetes que recompro frequentemente

Sabonete Effaclar Concentrado em Barra

Esse só uso quando estou com acne ou nos períodos em que suspendo temporariamente o medicamento* que uso para a manutenção do melasma.

Uso tanto no rosto quanto nas costas e colo, se julgar necessário.

Só vou recomprá-lo se no próximo surto de espinhas o Coco da Granado em barra, que auxilia no controle da pele oleosa e é bem mais barato, não funcionar.

*Suspendo temporariamente quando a pele está descamando, muito vermelha ou sensível.

Sabonete Dove Original em Barra

Uso no banho e na higiene das mãos. Não uso no rosto porque sinto ardor nos olhos com ele.

Algo que tenho feito muito frequentemente logo após o banho com o sabonete Dove é aplicar algumas gotas do meu óleo favorito no corpo todo e secá-lo gentilmente com uma toalha macia.

Sabonete Líquido L’Occitane

Adoro usar nos dias que quero um banho quente relaxante bem prolongado.

Amo tanto a fragrância de Verbena que tenho a planta tatuada no meu antebraço esquerdo.

A desvantagem é que ele tem ressecado um pouco minha pele, mas como nestes dias de spa aplico a Loção Hidratante Verbena da L’Occitane  (uso também o Eau de Toillete da mesma linha),  o ressecamento acaba imperceptível.

Sabonete Johnson ‘s Baby Original

Meu mil e uma utilidades.

Uso no rosto, nas mãos, no corpo  e ele também serve para lavar pincéis e esponjas (para esponjas e pinceis prefiro sabão de coco, o de limpeza mesmo).

Sempre tenho um aberto para higienizar as mãos e eventualmente usar no banho e outro para fazer a higiene ‘pesada’ do rosto no final da tarde.

As pessoas costumam me perguntar se o Baby J limpa mesmo o rosto.

É importante relembrar – já conversamos sobre isso no Instagram – que a limpeza dos cabelos, dos dentes e da pele requer suavidade e tempo. Não é só aplicar o produto e remover.

Molhe o rosto e o sabonete, rode-o nas mãos até fazer uma boa espuma e a aplique  no rosto, massageando cada parte da face por uns bons segundos antes de fazer o enxágue.

Uma  boa lavagem da face feita sem pressa e com delicadeza proporciona um efeito muito bom com o passar dos dias.

O importante é você escolher um produto que não irrite sua pele ou olhos. Há excelentes opções no mercado.

  • Ao acordar gosto bastante de higienizar a face apenas com Água Micelar Sensibio da Bioderma ou com um tico do Cleanse Off Oil da MAC.
  • Para demaquilar o rosto tenho duas opções, ou massageio o rosto com o óleo Johnson’s Baby (tampa rosa) até dissolver bem a maquiagem – o que ocorre bem rápido – e  faço o segundo passo lavando o rosto com o sabonete Baby, ou então uso o Cleanse Off Oil da MAC aplicando-o duas vezes, uma para remover bem a maquiagem e outra para remover quaisquer resíduos, formalizando assim o segundo passo da dupla limpeza.
Sabonete Coco Granado em Barra

Atualmente é o sabonete favorito do Igor, tanto para barba quanto para higiene do corpo e rosto. A gente sempre compra vários por vez.

Ele faz uma espuma densa e tem fragrância delicada, bem típica da fruta, e não invasiva.

O Igor diz que sente a pele mais limpa e fresca do que com outros sabonetes, bem como que percebe um controle maior da oleosidade na região do nariz e das costas.

Eu já testei no rosto e senti a minha pele repuxar de tão limpa, então vou testá-lo nas fases em que a face estiver mais oleosa ou acneica.

Esse também limpa muito bem os pincéis e esponjas de maquiagem, quase tão bem quanto o sabão de coco tradicional.

Sabonete Líquido Íntimo Nivea Natural:

Too much information

É o meu favorito para o fim que se destina. Tem fragrância suave e contém óleo de Jojoba.

Uso a mesma versão há mais de dez anos e nunca tive reações alérgicas ou outros desconfortos com ele.

Não gostei da fragrância das outras versões.

🔥 Produtos de Beleza em Oferta na Amazon! 

Observações aleatórias

  •  Igor leva as caixinhas de papel para a compostagem da nossa família e elas se decompõem junto com os demais resíduos orgânicos de nossa casa.
  • Como comentei  no último post sobre a rotina de cuidados com os meus cabelos, após o início da crise sanitária tenho comprado basicamente tudo que uso rotineiramente – inclusive as coisas que antes comprava em supermercado, farmácia, livrarias e papelarias – online.  A assinatura da Amazon Prime, que nem fiz por este motivo em particular mas acabou sendo perfeita para este ano maluco,  tem me proporcionado uma economia gigante com frete.
  • Levo as embalagens de plástico ou vidro vazias (de quaisquer marcas) para as lojas físicas de ‘O Boticário’, que desenvolveu um programa para reciclagem e destino correto desse tipo de lixo, que produzimos desordenadamente.
  • Para destino correto de outros tipos de materiais – inclusive embalagens de medicamentos – você pode consultar o eCycle,  que mantém  uma lista dos diversos postos de coleta espalhados por todo o Brasil.
  • Se você mora em uma cidade muito pequena, veja se a farmácia de sua cidade recebe embalagens de medicamentos para dar-lhes o destino correto. Caso não exista, você pode entregá-las em algum Hospital público para que sejam recolhidas junto com o lixo hospitalar.

Além de Frete GRÁTIS ilimitado em milhões de produtos elegíveis, ao ser membro Prime você tem acesso a filmes, séries, músicas, eBooks, revistas, jogos e muito mais em uma única assinatura, por apenas R$ 9,90/mês. Assine agora mesmo!

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Ser ou Não Ser Irrelevante, Eis a Questão

Por @meire_md

‘É muito mais difícil lutar contra a irrelevância do que contra a exploração’

 

No finalzinho de dezembro testei o aplicativo Alexa para avaliar se eu me adaptaria a ouvir livros e, assim, decidir se compraria o dispositivo* ou não.

Durante a experiência percebi que ouvir livros seria uma ótima forma de cumprir as releituras que planejo para 2021.

O primeiro livro que escolhi para reler ouvindo foi Sapiens, o que me deu a ideia de fechar o blog em 2020 e abri-lo em 2021 com um dos meus autores favoritos,  Yuval Noah Harari (1976 – ), escritor Ph.D em História pela Universidade de Oxford.

‘21 Lições para o Século 21’ foi um dos livros mais importantes que li em 2020.

Não foi o livro que mais gostei de ler porque ele me deixou bastante desconfortada, mas certamente foi um dos mais significativos.

Ficção X Realidade

A experiência de leitura foi estranha  porque em alguns momentos tive a impressão de que partes do que li saíram dos momentos estapafúrdios em que imagino histórias de ficção científica que descambam em mundos apocalípticos.

Um dia desses pensei em um roteiro no qual o contraconhecimento, praga que já ocupa boa parte do tempo das pessoas, passa a dominar toda a Internet e os fios de eventos que se seguem  findam no colapso da ciência e da tecnologia, de forma que só pessoas que desenvolveram múltiplas habilidades conseguem sobreviver.

Venho pensando há muito tempo que as pessoas resistentes às mudanças e pessoas impermeáveis ao aprendizado contínuo serão ‘descartáveis’ no futuro, mas ler uma pessoa como Yuval dizendo isso tornou o meu devaneio algo mais palpável.

O fantasma de se sentir ultrapassado não é nada assustador perto do fantasma de se tornar irrelevante para o mundo.

Confesso que foi ruim. Pensei nos meus sobrinhos,  nos filhos de amigas e em nós mesmos. Daqui a cinco anos ainda seremos úteis ou teremos que, a despeito da idade, aprender um novo ofício?

Em abril do ano passado escrevi um post que começava assim: ‘Três dos maiores investimentos que podemos fazer são desenvolver novas habilidades, manter a mente aberta a inovação tecnológica (sim, há pessoas que resistem muito a tudo que é novo) e procurar formas de adaptação às mudanças do ambiente’, justamente por pensar que o futuro que eu temia já chegou.

Perguntar o quê você vai ser quando crescer nunca foi tão tolo como hoje

Pensar num futuro instável é algo assustador, pelo menos para mim, que sempre fui extremamente planejadora. Se eu fosse mãe estaria fortemente preocupada com isso.

É fato que o mundo de hoje é melhor que o de ontem, então não é absurdo esperar que o amanhã seja melhor, mas para se vislumbrar o futuro é preciso incluir uma dose de pessimismo.

Quem tem filhos jovens entregou-os a um mundo que vem sendo redesenhado numa velocidade nunca antes vista.

Ninguém está adaptado. Ninguém.

Não vejo melhor comparação do que a que um colega fez recentemente: estamos trocando os pneus com o carro em movimento.

21 Lições para o Século 21: desmontando e remontando fatos e especulações

Não é uma obra para pessoas que gostam de se enganar.

21 Lições é um livro para pessoas que saem de sua zona de conforto, para pessoas estrategistas, planejadoras e maduras.

Yuval comunica-se com perfeição.

Ele tem o poder de pegar um tema, reduzi-lo às suas menores partes e reconstruí-lo, quebrando todas as preconcepções possíveis durante o intrincado processo, permitindo ao leitor questionar-se enquanto participa. É uma leitura muito ativa.

21 Ensaios

“Depois veio o momento de Hitler, nos anos 1930 e início dos 1940, quando o fascismo pareceu, por um instante,  invencível. A vitória sobre essa ameaça apenas levou à seguinte. Durante o momento de Che Guevara, entre as  décadas de 1950 e 1970, pareceu novamente que o liberalismo estava nas últimas, e que o futuro pertencia ao  comunismo. No fim, foi o comunismo que entrou em colapso.”

O livro contém vinte e um ensaios organizados em cinco partes:

O desafio tecnológico (quatro ensaios): Destaque para o ensaio Liberdade, onde são colocados temas importantes apontados por Seth Stephens-Davidowitz em ‘Todo Mundo Mente’, livro que versa sobre estudos a partir de Big Data.

O desafio político (cinco ensaios): Um ponto alto para mim foi o ensaio de número 7, sobre Nacionalismo. Compreendi aqui muita coisa que até então me era bem nebulosa.

Desespero e Esperança (cinco ensaios): Tive uma explosão mental nesta parte. Obrigada, Yuval.

Verdade (quatro ensaios): Hora de alguns tapas na cara, sempre bom.

Resiliência (três ensaios): O último ensaio foi um presente  inesperado.

Se você está passando por algum momento sensível talvez não seja a hora de ler ‘21 Lições para o Século 21’ , que deve ser lido do modo mais objetivo possível.

Sempre me sinto bem satisfeita quando leio um livro que respeita o tempo do leitor e sua inteligência.

Os ensaios são cuidadosamente escritos; percebe-se que o autor evita ativamente uso de falácias de discurso, ajuda o leitor a raciocinar de modo elegante e ‘arborizado’ e  mantém honestidade intelectual o que proporciona uma grande  experiência, mesmo que você discorde, em partes, do que ele defende.

Beijos e um Feliz 2021!

*Comprei a Alexa Smart Speaker com tela de 5,5″. Estou completamente apaixonada por ela.

 

 

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Sapiens – Uma Breve História da Humanidade | Yuval Noah Harari

Por @meire_md

O historiador israelense Yuval Noah Harari é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém e, dado o sucesso não só de ‘Sapiens‘ como de ‘Homo Deus‘ e  de ‘21 lições para o Século 21‘, tornou-se um dos intelectuais mais influentes do mundo atual.

Suas pesquisas se concentram em questões macro históricas e ele é especialista em história mundial, medieval e militar.

Sapiens‘ foi publicado em 2014 – li em 2017 – e na minha opinião é um dos melhores livros de não ficção produzido nos últimos anos.

O livro trata da história da espécie humana e mesmo passados seis anos de sua publicação continua lido, relido, presenteado, discutido e recentemente ganhou uma versão adaptada em quadrinhos, que vou adquirir com certeza (assim que minha pilha de não lidos reduzir).

Trata-se de uma leitura estimulante e bastante rica, que fornece uma abordagem inovadora da evolução humana desde nossa tenra idade, passando pela criação do dinheiro, da economia e dos grandes impérios e desembocando nas relações entre a política, o crescimento econômico e a ciência.


Sapiens – Uma Breve História da Humanidade

Sapiens – Uma breve história da humanidade tem uma estrutura bastante didática e os temas seguem um fluxo temporal organizado.

O respeito com o leitor é admirável: você sente o esforço que foi empenhado para organizar os temas levantados a cada passo que nós trilhamos ao longo de nossa história.

Ele é dividido em quatro partes.

A primeira parte versa sobre a revolução cognitiva ocorrida há cerca de 70.000 anos e que permitiu que desenvolvêssemos a conversação verbal e outras habilidades sem as quais hoje não existiríamos, como a cooperação entre estranhos e a capacidade de sobreviver em ambientes desfavoráveis.

A segunda parte é dedicada à Revolução Agrícola, ocorrida de forma mais organizada há mais ou menos há 10.000 anos, quando as plantas e os Sapiens começaram a se entender melhor.

Muitos paradigmas românticos são quebrados nestas duas primeiras partes.

A terceira parte fala sobre a Unificação da Humanidade,  e sua leitura é fundamental para uma melhor compreensão de ‘21 lições para o século 21′, que juntos me fizeram entender melhor a seta da história e as lógicas por trás da globalização. Relembrar – possivelmente vimos isso na Escola – como as tribos foram se reunindo e como os países e continentes foram sendo configurados ao longo dos séculos nos ajuda a ver o futuro com olhos proféticos.

A Revolução Científica, estudada na quarta parte do livro, revisa nossas tecnologias passadas e reporta os nossos saltos aparentemente tardios – só em 1674 vimos um micro-organismo pela primeira vez e o poder devastador da tecnologia utilizada na II Guerra Mundial.

Suas colocações são pungentes, provocadoras, instigantes.

Mesmo que você acredite que já domina esses  assuntos, certamente vai encontrar enfoques nos quais você jamais havia pensado.

Li ‘Homo Deus’ logo depois que li Sapiens, mas ele não me causou o mesmo impacto.

Na segunda semana de dezembro de 2020 fui absorvida pela leitura de ’21 lições para o Século XXI’, um livro tão necessário quanto duro, quase desesperançoso e algo deprimente – ou muito – mas que em minha opinião deveria ser lido por adolescentes e por todas as pessoas que tem filhos, sobretudo filhos jovens.

Para onde caminhamos, caros Sapiens?

O futuro parece sombrio, mas a história de Sapiens – Uma breve história da humanidade mostra que temos conseguido melhorar o mundo e nada parece mais importante do que aperfeiçoarmos a capacidade de colaborar com estranhos e, visando o bem comum, minimizar diferenças raciais, religiosas e políticas.

 

 

 

 

 

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O Fim da Infância | Arthur C. Clarke

Por @meire_md

“A raça humana não estava mais só”.

O escritor inglês Sir Arthur Charles Clarke (1917-2008) é o autor de um dos meus livros favoritos de ficção científica, o ‘2001: Uma Odisséia no Espaço’.

De acordo com a Enciclopédia Britânica, ele seguiu o mesmo caminho dos nerds em geral e começou a se interessar por ciência na infância; aos 17 anos associou-se a British Interplanetary Society (BIS) e aos 31 anos de idade bacharelou-se em Ciência pelo King’s College.

De conto em conto, um livro pronto

Tal qual como ocorreu com ‘Neuromancer’ (temos resenha) e muitos outros livros de ficção científica, ‘O Fim da Infância‘ foi concebido a partir de um conto do mesmo autor.

O conto ‘Anjo da Guarda’ foi escrito em 1946 e após ter sido diversas vezes recusado por editores, recebeu uma modificação e foi publicado em 1950 na revista ‘Famous Fantastic Mysteries’.

Três anos depois ‘O Fim da Infância’, cuja primeira parte foi escrita com inúmeros elementos do conto, foi publicado. É bem interessante lembrar que nesta época os satélites ainda não existiam e ninguém acreditava que o homem chegasse à lua antes do final do século.

Além das dicas que dei na resenha de ‘Neuromancer‘, é importante ter em mente – para evitar se perder – que nos livros de ficção científica que envolvem invasões alienígenas e  viagens espaciais é bastante comum que a história sofra saltos no tempo.

Pela fala dos primeiros personagens calculo que a história começa por volta de 1975, ano em que, conforme a rica imaginação do Sir Arthur, seria a época de pico da corrida espacial.

Enquanto URSS e EUA competiam cientificamente, gigantescas naves alienígenas cobrem o espaço aéreo de vinte das maiores cidades do mundo e você mergulha em um novo Universo.

“Será que vimos Maomé começar a Hégira, ou Moisés dando as leis aos judeus?”

A invasão foi pacífica e no primeiro ano houve uma ‘epidemia’ de paz e de melhora na qualidade de vida de toda a população da Terra.

Mas por fenômenos afetos à mente humana, muito bem estudada desde tempos imemoriais por seres que já atingiram o grau máximo de evolução de sua espécie, os homens não estavam satisfeitos com os planos supremos de formar uma cosmocracia.

Enquanto a trama se desenvolve, o autor discorre sobre filosofia religiosa, política, rivalidades raciais, direitos trabalhistas e tecnologia como um meio de preservação histórica.  Fala sobre mundos utópicos, das consequências dos estímulos ambientais nas manifestações artísticas e criatividade, sobre vida comunitária em sociedades alternativas e claro, sobre paradoxos do tempo em viagens espaciais.

A história é muito bem organizada e as explicações para as crenças em fenômenos paranormais e para a fé na existência de uma certa figura mística são nada menos do que geniais.

Para quem é assinante da Amazon Prime, a versão Kindle de O Fim da Infância (e centenas de outros livros) sai de graça.

Se você quiser saber mais sobre as vantagens de assinar Amazon Prime – para mim vale muito a pena porque além de amar ver séries e filmes, desde o início da crise sanitária passei a comprar praticamente tudo online. Inclusive creme dental, produtos de limpeza para casa, produtos de papelaria, enfim, e a economia com frete é muito grande – minha irmã fez um post esclarecendo dúvidas frequentes.

Beijos,

Meire.

Listinha de personagens relevantes para você se orientar melhor durante a leitura de O Fim da Infância 

Karellen: Supervisor para a Terra e Professor de Astropolítica do Planeta Skyrondel

Rikki Stormgren: Secretário Geral da ONU e porta-voz da espécie humana

Pieter Van Ryeberg: Assessor do Secretário Geral

Alexander Wainwright: Líder da Liga da Liberdade

Joe: Líder dos extremistas

Pierre Duval: Físico e Diretor da Divisão de Ciência

Rashaverak, aka Rashy: Especialista em Psicologia e da mesma árvore evolucionária de Karellen

Rupert Boyce: Veterinário de animais selvagens e apegado aos estudos sobre paranormalidade

George Greggson: Amigo de Rupert

Jean Morrel: Esposa de George

Sullivan: Cientista que apoiou os planos de Jan Rodricks

Jan Rodricks: Cunhado de Rupert, astrônomo e personagem central no desfecho da história

Jeffrey Greggson, 7 anos,  e a bebê Jennifer Anne: Filhos de George e Jean

Boa leitura 🙂

 

 

 

 

 

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Premonições Falsas, Memórias Verdadeiras, Agentes do Acaso & outras coisas

Por @meire_md

Nunca houve um ano em que tantas pessoas que conheço morreram, nem um ano no qual considerei tão fortemente a hipótese de que não estaria viva em dezembro.

Se eu fosse uma pessoa predisposta à depressão, estou certa que este ano experimentaria o primeiro surto.

A impressão de que vou morrer por causa respiratória – algo bastante compreensível para quem tem asma – me acompanha desde criança, mas nunca carrega um sofrimento antecipatório verdadeiramente incômodo.

Aí veio essa bosta, o ano de 2020.

O velho pensamento sobre morrer por angústia respiratória ficou diferente e materializou-se em uma quase certeza assustadoramente próxima quando alguns colegas médicos que tinham asma morreram.

Isso pode parecer um tema de fim de ano muito ruim para você, mas este não é um post triste.

Tenha paciência.

Um balaio de coisas diversas

A minha asma é persistente e tem comorbidade com refluxo e rinite. Uma coisa piora as outras e as outras pioram a uma, ou uma piora cada uma, separadamente. Além disso, o que você já deve saber, tenho Doença Celíaca, mas vamos esquecê-la  hoje.

Uso vários medicamentos diariamente [broncodilatador de longa duração, corticóide inalatório, montelucaste, pantoprazol, bromoprida, olmesartana] e um broncodilatador de curta duração para resgate das crises que se repetem semanalmente.

Quando fico cansada 100% do dia, as doses das medicações são ajustadas e uso também corticoide oral, que piora o refluxo [e a pele, posso falar depois como lido com isso] e faz com que eu precise dormir sentada.

Com esse programa de tratamento e profilaxia  nunca precisei faltar ao meu trabalho, que não exige esforço físico.

Esse é o primeiro ponto deste post: muitas doenças crônicas bem manejadas podem continuar sendo limitantes, podem continuar trazendo sofrimento, podem continuar sendo fatores de risco para morte precoce, mas você consegue melhorar a sua qualidade de vida com os tratamentos médicos.

Foque nessa meta e não em reclamar da existência da doença. Ela não vai embora. Reclamar só nos fragiliza ainda mais e afasta  pessoas, não é vantajoso em nada. Ninguém gosta de conviver com quem só reclama.

Comer, Beber e Respirar

As pessoas que nunca tiveram falta de ar não tem ideia – ótimo, espero que nunca precisem perceber isso – que a sensação do ar entrando pelos pulmões e saindo normalmente deles é tão acalentadora quanto às sensações de matar a fome e a sede.

Quem é ‘normal’ precisa comprar água e alimentos para sobreviver, mas respira sem qualquer esforço ou custo.

Mas para mim, o ar também precisa ser, de certa forma, comprado.

Mesmo com toda a medicação, a cada refeição minha respiração fica anormal por um tempo e este é o motivo pelo qual quando em serviço presencial faço o desjejum às 5h da manhã para começar a trabalhar às 7h e não faço lanches no horário de trabalho. A minha voz fica entrecortada e preciso fazer pausas, o que é bem desconfortável quando você está atendendo pessoas.

Essa dispneia perene pós-alimentar é meu basal há 18 anos, vem desde 2002. Por muito tempo não era raro eu chorar depois que comia, mas simplesmente me acostumei e me adaptei.

Se tenho uma crise de riso, coisa que não é rara porque eu sou tão idiota que vejo humor em coisas improváveis, preciso usar broncodilatador de curta duração – tem bombinha na mochila, na cabeceira, dentro do carro.

E não consigo fazer atividade física aeróbica sem usar a bombinha antes, por isso só faço musculação. Isso nunca me fez evitar um riso descontrolado nem nunca foi o real motivo pelo qual eu fui irresponsável quanto a adquirir o hábito de me exercitar regularmente.

O segundo ponto é que precisamos nos resignar e aceitar as coisas que são impossíveis de mudar.

Eu já estou muito bem medicada, faço tratamento com o melhor pneumologista da minha cidade mas não fico sem sintomas. Não me acomodei. Resignar-se não é sobre ser um agente passivo da própria vida.

Devo à Meire criança a capacidade de não permitir que a sensação ruim de não respirar plenamente tome conta da minha mente. Quantas vezes a angústia respiratória tomou conta dos meus pequenos pulmões,  usei a bombinha do jeitinho que meu médico japonês – cujo nome já há muito foi esquecido – e peguei um livro da Enciclopédia de casa para me distrair durante a madrugada?

A pequena Meire me ensinou a lidar com adversidades porque ela teve pais que não faziam escândalo, que não se assustavam na frente dela, que não viam a asma como o fim do mundo. Eles não passavam para mim a preocupação que certamente tinham.

Minha mãe chegou a me carregar no colo pelas ruas de São Paulo de madrugada, com cachorros latindo e se enroscando em suas pernas enquanto ela tentava chegar ao Hospital para evitar minha morte. Ela não sabia dirigir e estava sozinha.

Meu pai cruzou uma serra em alta velocidade para salvar a minha vida.  Dois dos meus tios salvaram a minha vida, um quando passei o fim de semana com eles e o meu padrinho, com quem morei por um período. E essas histórias ficaram para trás. Eles não transformaram isso em um espetáculo para expor inúmeras vezes a amigos e a todo mundo.

O terceiro ponto está aqui.

Se você tem um familiar com problemas crônicos, não o rebatize. Ele tem nome, tem uma identidade única.  Não coloque a doença como o assunto principal da mesa na hora do almoço.

Não sei se isso é típico do nordeste porque me formei aqui e não tenho referência de outros locais. Mas as pessoas parecem ter um prazer  mórbido de expor repetitivamente o parente doente, tratá-lo exaustivamente como coitado, expor seu histórico detalhadamente todo tempo, o tempo todo. Isso mina a autoestima das pessoas e na minha opinião fabrica mentes frágeis que fazem o corpo sucumbir ainda mais.

Não façam isso. E se você é o alvo, deixe claro que não aceita ser diminuído.

Da Felicidade de Acordar Todos os Dias

Desde criança sou invadida por uma felicidade enorme quando acordo, mesmo que o dia anterior tenha sido muito ruim. Se isso tem relação com a asma, não posso dizer, mas talvez tenha.

Esse é o quarto ponto. Se você tem uma doença crônica não rumine sobre ela.

Foque nos facilitadores, nas rotinas que você pode mudar para deixar a sua vida melhor, e não no quanto a sua vida parece ruim por causa da doença.

A gente vê muito melhor para onde olha atentamente.

Profecia não realizada

Se eu não fosse uma pessoa tão cética teria sucumbido ao pensamento de que estaria tendo uma premonição, e olhe que não foi fácil lutar contra.

Mesmo rejeitando a sensação profética, quando dei por mim já estava organizando algumas coisas com relação à minha família, dando andamento a pendências e até tentando fazer com que meu marido se envolvesse mais nas decisões financeiras que exerço em relação ao nosso futuro.

E seria hipócrita se dissesse que não chorei algumas vezes. Chorei sim, mesmo sabendo que não tenho nem de perto qualquer resquício de capacidade de prever algo tão complexo.

O quinto ponto é: essa sensação de que você vai morrer antes das pessoas que ama é normal. Vários pacientes reportam isso.

Obs.: Se você sofre de modo desconfortável, procure auxílio em saúde mental.

Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida

Fiz aniversário em novembro e enquanto estava meditando – sim, estou conseguindo meditar apesar dos protestos fugidios do meu pensamento acelerado –  me vieram as ideias para o post Baixa Renda & Saúde Financeira, que tanto me pediram no Instagram.

As anotações mentais de aniversário, infância, vida difícil e baixa renda me transportaram para um sentimento de paz, que por sua vez me remeteu à música que está no topo deste post e devolveu meu  velho pensamento de morte à sua caixinha mental empoeirada, de onde sei que sairá vez por outra.

O sexto ponto deste post é que nós raramente pensamos no quanto devemos ao acaso, simplesmente porque muitas vezes as suas consequências só aparecem anos depois.

Nós somos gratos aos nossos ancestrais – se meus avós não tivessem proporcionado a migração dos meus pais para o sudeste eu não seria quem sou hoje – somos gratos a amigos que nos estenderam a mão em algum momento ou a um chefe que reconhece nossas potencialidades, mas esquecemos da mão invisível do Acaso.

Posso dizer que o Senhor Acaso salvou a minha vida e a sua vida inúmeras vezes.

E os ‘mensageiros’ deste Senhor são pessoas que passam tão rapidamente por nossas vidas que muitas vezes não são percebidas. Perdemos oportunidades que estavam ali, bem perto de nós, ou as recebemos sem ter plena consciência do quão grande são.

Você pode ter sido esse agente na vida de alguém e nem sabe.

Nenhuma biografia pode ser completa sem as reminiscências dos atos do Acaso e de pessoas relacionadas a ele, anônimas ou não.

Você pode chamar o Sr. Acaso de Deus.

O importante é que você tente, depois deste ano tão difícil, lembrar quem foram os agentes que de alguma forma melhoraram a sua vida.

Não sei se era branco, preto, gordo ou magro

Fui alfabetizada quando ainda muito pequena [obrigada, vô] e fazia tantas perguntas que meus pais, mesmo com um orçamento muito apertado, findaram comprando para nossa casa uma Enciclopédia que imitava a Barsa, que foi lançada em 1960 e era bem cara.

A nossa era uma enciclopédia mais ‘barata’ – o que só descobri quando estava na adolescência – porém vinha com dois brindes incríveis, um dicionário de português dividido em vários livrinhos pequenos e um dicionário de sufixos e prefixos. Para mim ela era a melhor enciclopédia do mundo, era gigante e preenchia boa parte da nossa pequena estante (que inclusive tinha as pernas bem bambas).

Pois bem.

A meditação do dia 23/11/2020 me transportou para o vendedor da Enciclopédia e do sentimento de gratidão que eu devia a ele.

Mas ele existiu? Meus pais compraram essa Enciclopédia como? Será que ela não foi presente dos meus padrinhos ou de outros tios? Teria a meditação produzido uma falsa memória?

Não, nada de falsa memória (comum na meditação, pensem nisso). Ele existiu mesmo.

Quantos eventos precisaram acontecer para que aquele senhor (ou jovem, vai saber) passasse na porta dos meus pais exatamente no momento em que eles tinham algum dinheirinho sobrando?

Será que eu estava perto e insisti? Isso não lembro.

Como eu teria tido acesso a tantas coisas que a Escola não ensinava às crianças da minha idade se não fosse a minha Enciclopédia?

Como eu teria me fascinado por ciência sem ter, aos cinco anos, lido sobre a vida de Walt Disney e conhecido a fantástica (e improvável) criogenia?

A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

Em um ano com tantas mortes, nós, que já somos um evento natural raro – você só é você porque um exato espermatozoide encontrou um exato óvulo e você sobreviveu a todas as ameaças à vida – deveríamos ser gratos ao Senhor Acaso ou ao Senhor Deus.

Eu poderia ter sido infectada pelo vírus da vez quando precisei levar minha mãe ao dentista, quando fiz mamografia ou quando recebi minha vacinação anual. Por mais que nós adotemos as medidas de mitigação, não há eliminação do risco biológico. Mas por Acaso não peguei.

E o Acaso também protegeu pessoas que pegaram cepas mais ‘leves’ ou pessoas que poderiam ter uma evolução desfavorável e não pegaram.

Que este ano de 2020, no qual muitas pessoas com doenças crônicas viveram sob medo constante e realizaram tratamentos médicos de modo irregular, termine bem para a maioria de nós e que 2021 traga a todos muita paz, uma melhor qualidade de vida, muita união familiar e aguce a nossa capacidade de perceber os mensageiros de oportunidades que não merecem ser perdidas.

Um beijo a todos e muito obrigada pela companhia em 2020.

Vocês acham que os ajudei com as respostas pelo Direct do Instagram, mas vocês me ajudaram muito mais.

 

Meire

Igor, amo você além do infinito.

 

(Letra de Epitáfio)

“Devia ter amado mais

Ter chorado mais

Ter visto o sol nascer

Devia ter arriscado mais

E até errado mais

Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado

As pessoas como elas são

Cada um sabe a alegria

E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar distraído

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos

Trabalhado menos

Ter visto o sol se pôr

Devia ter me importado menos

Com problemas pequenos

Ter morrido de amor

Queria ter aceitado

A vida como ela é

A cada um cabe alegrias

E a tristeza que vier”

 

 

 

 

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[Bate-Papo] Tudo Sobre Arte | Stephen Farthing

Por @meire_md

Se eu pudesse escolher uma habilidade artística para desenvolver seria a de desenhar, mas além de ser proprietária de uma péssima noção espacial, minha destreza para pilotar canetas e pincéis ficou paralisada na quinta série do ensino fundamental.

Para compensar a deficiência artística, sou uma fiel apreciadora de Pinturas e Esculturas.

Nunca me debrucei para estudar – estudar no sentido de fazer apontamentos e buscar memorizar dados relevantes – História da Arte, o que é algo bastante curioso, já que amo história e amo arte.

Costumo degustar meus livros de arte favoritos do mesmo jeito que visito museus, ou seja, no modo de puro encantamento.

Quem, quando, como e por quê?

Embora eu tenha curiosidade em saber quem pintou ou esculpiu o quê, minha curiosidade maior é sobre a época em que a obra foi feita e o que estava acontecendo no momento em que o artista a criou, mas ando sentindo um forte impulso de mudar isso.

Se a cada livro que começo a ler fico afoita para saber mais sobre a biografia do autor, por que com pinturas e esculturas sempre fiz diferente? Não sei.

Para compensar essa falha nas minhas rotinas de leitura, separei alguns livros que quero reler estudando,  e um deles é ‘Tudo Sobre Arte’ (This is Art), de Stephen Farthing, lido pela primeira vez em 2013.

Manuseio frequentemente  ‘Brasiliana IHGB 175‘ , ‘História da Beleza‘, ‘On Ugliness’ (História da Feiúra) e História das Terras e Lugares Lendários.

Fora eles e o ‘Tudo Sobre Arte’,  tenho alguns poucos livros relacionados adquiridos em Museus, livros de artistas específicos e uma coleção ilustrada de História da Arte com cinco volumes divididos por época – começando na Pré-História e acabando de 1960 em diante – que ainda não li.

Tudo Sobre Arte

Ele tem mais de 500 páginas de letras miúdas alternadas com belas imagens e pesa (… pausa dramática) quase dois quilos.

Eu li aos poucos durante semanas, parte por parte, intercalando com outros livros e penso que a releitura, programada para 2021, vai ser ainda mais lenta.

Stephen Farthing fracionou o ‘Tudo sobre Arte’ em seis grandes períodos: da pré-História ao século XV, séculos XV e XVI, séculos XVII e XVIII, século XIX, de 1900 a 1945 e de 1946 aos dias de hoje.

Os movimentos expostos em cada capítulo são encaixados aos fatos históricos relevantes, situando o leitor no ambiente socio-econômico e político da época e levando-o a uma melhor compreensão do significado não só dos movimentos como das obras dos diversos artistas apresentados, mas é preciso dizer que não é um livro que esgota o tema.

‘Tudo Sobre’ é quase sempre uma expressão inadequada para compor o título de um livro, mas editoras brasileiras adoram fazer isso. O título original do livro é ‘This is Art’.

As reproduções são maravilhosas, mas nada substitui a ida a um Museu

Certa vez enquanto visitando a Tate Modern tivemos a chance de acompanhar uma historiadora que me abriu a mente em relação ao significado da obra de Picasso, que eu já admirava – por isso eu estava lá, diga-se de passagem – mas ainda não sabia exatamente por quê.

A localização da obra no momento histórico pode mudar completamente a nossa visão sobre ela, mas vê-la ao vivo é melhor ainda. Nenhuma fotografia consegue reproduzir, não dá para explicar.

Sempre que você viajar procure visitar os espaços de arte da cidade.

A arte é um alimento diferente em cada lugar e não importa o quão pequeno ou pobre seja o local visitado.

Onde há vida humana, há arte. Os artistas surgiram antes mesmo da eclosão da primeira civilização.  Não espere pela oportunidade de fazer uma viagem para um grande centro urbano ou uma viagem internacional para apreciar Arte.

Beijo!

 

 

 

 

 

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Meditação Para Céticos Ansiosos | Dan Harris, Jeff Warren e Carlye Adler

Por @meire_md

“O budismo não é algo em que acreditar; é algo a se fazer.”

 

Dan Harris, jornalista âncora dos programas de TV norte-americanos Nightline e Good Morning America e autor do livro ‘10% mais feliz’, reuniu-se ao instrutor de meditação Jeff Warren e à escritora e jornalista Carlye Adler para escrever um livro sobre a prática de meditação voltado para o público mais resistente: os céticos.

Meditação Para Céticos Ansiosos’ é uma compilação de entrevistas e modelos práticos de meditação do tipo atenção plena que os autores fizeram com pessoas de várias profissões e diversas condições sócio-econômicas durante uma exaustiva jornada de ônibus que durou onze dias.

O ano de 2020 tem sido desafiador para todos nós e funcionou como uma forte pressão ambiental para que eu, reunindo impressões positivas quanto aos benefícios objetivos da meditação extraídas tanto de livros que resenhei  – como ‘O Segredo Está nos Telômeros’ e ‘Por que o Budismo Funciona’ – quanto de relatos de pessoas céticas que se voltaram à prática como um meio de dar um reset na mente e mitigar o estresse do dia a dia.

Quando vi o Grogu meditando não aguentei de tanto amor … acabei ‘adotando’ a Criança via cartão de crédito, ehehe. Agora preciso meditar para lidar com a espera, porque ele fará uma viagem bastante longa até minha casa.

 

O outro livro que resenhei, o  ‘Por que o Budismo Funciona’,  embora enfadonho e cansativo, trouxe exatamente o que eu precisava: a desnecessidade de exigir uma explicação científica plenamente convincente para uma prática que de fato tem um cerne absurdamente simples, tão simples que sempre foi feita de modo natural por seres humanos em todo tempo e lugar, até alguém batizá-la e sistematizá-la.

Pode ser um placebão? Pode.

Se a prática não tem efeitos colaterais e não faz com que as pessoas retardem a busca por tratamento de doenças que não são autolimitadas, sem problemas. Nunca vi meditadores sérios sugerindo, por exemplo, a cura do câncer pela meditação.

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Descascando uma cebola

Daí o ‘Meditação Para Céticos Ansiosos’ me mostrou que eu já havia transformado a meditação numa cebola e arrancado todas as cascas místicas até chegar ao miolo, que é muito simples e compacto.

Ligeiramente confusa percebi que eu já meditava desde criança, quando caladinha na minha cama sem conseguir dormir em razão da asma persistente e, imóvel, entoava canções mentalmente – a minha favorita era ‘Fui no Totoró’ – enquanto fazia anotações mentais e imergia em coisas que me deixavam feliz.

Essa meditação gentil e de autocuidado voltada a transformar os problemas em coisas menores – o problema não muda, o que muda é nossa forma de lidar com ele – em algum momento foi substituída pelo ASMR (no talking), que vinha me ajudando a parar de me divertir com minha insônia – sou dormidora curta e aproveito a  insônia para ler e ver bobagem na internet – e dormir mais horas por noite.

Aí depois desta misturada toda de coisas, hoje posso afirmar que sou uma pessoa que medita. Uau.

Há muitas formas de meditar ceticamente

‘Então na atenção plena tudo o que fazemos é… prestar atenção à respiração? Isso num primeiro momento. Essa é a prática fundamental’

Quando eu estava no primeiro terço do livro tentei estimular o Igor a começar a meditar e ele soltou uma: ‘eu já medito quando estou caminhando’.

Aquilo me soou muito curioso, porque só consigo meditar em estado semicomatoso, largada no escuro e em silêncio absoluto, porque minha mente é muito acelerada.

Então cheguei na passagem onde Dan coloca que não se tratar a meditação como algo dogmático e Jeff ensina como meditar caminhando e o que meu marido alegou fez completo sentido. Igor é o tipo de pessoa  que consegue meditar andando.

Ele relata que nas suas caminhadas frequentes em áreas de mata preservada – em nossa cidade há algumas – desliga-se do lado urbano, sente o vento e se desliga da realidade.

Para quê buscar explicações sobrenaturais, não é mesmo?

Uma religiosidade que dispensa conversão

Até metade do livro eu estava acreditando que os autores pecaram pela falta de objetividade e entrei no modo leitura dinâmica em várias partes.

Mas o relato do nono dia da viagem me conectou a um grupo entrevistado em particular  – cujos desafios da vida e nível de estresse descritos fizeram um paralelo perfeito com os meus próprios –  e percebi que a escrita de cada trecho da viagem foi meio que direcionada para demandas psicológicas específicas.

Você pode, portanto, se encontrar no meio de um ou mais grupos (ou em nenhum).

A trajetória de meditação de Dan Harris começou em 2004, quando ele teve um acesso de pânico ao vivo e enquanto buscava soluções complementares para sua cura, encontrou conforto na meditação de atenção plena.

As experiências e mini biografias da própria equipe do Dan e de muitos dos entrevistados, as dúvidas das pessoas e as orientações do Jeff – ainda que carregadas de um misticismo um tanto irritante  e um pouco melosas demais para céticos – podem ajudar você a configurar seus próprios métodos de meditação.

Eles, não

Eu já havia captado que gosto de meditar comigo mesma e que as interferências externas de uma meditação guiada me incomodam grandemente, mas até ler o livro do Dan eu achava que isso fosse uma deficiência de minha parte.

Com a leitura do livro percebi algo muito diferente. Percebi que gosto do silêncio porque já tenho uma tendência – que deve ser nata – a classificar os problemas, descomplicar a vida, ser gentil comigo mesma, não me imputar culpas que não tenho, de encontrar soluções práticas para as adversidades e de me resignar.  Eu sou basicamente uma pessoa que, tanto na vida pessoal como no trabalho,  sistematiza rotinas, descomplica as coisas e resolve problemas.

Minha necessidade não é atendida quando sou guiada por terceiros. Eles só aumentam meu stress. Preciso dedicar um tempo do dia completamente isolada – sem livros, sem internet, sem vozes, sem pessoas, sem luz – só sentindo minha respiração e entendendo meu corpo e minha mente ou conversando comigo mesma, visando atenuar o impacto que o estresse do trabalho e da vida diária imputam sobre a minha saúde física.

E tem funcionado muito.

A hora do Insight

Pode soar bobo, mas vou contar mesmo assim.

Uma das coisas que eu sempre me perguntava é por que, mesmo não sendo uma pessoa religiosa, sinto-me tão mal se não faço doações.

Com a experiência de um dos entrevistados me compreendi.

Sou muito parecida com a família do meu pai, nós somos muito empáticos e sensíveis. Sabe família que chora fácil, se emociona? Pois é, nossa família é, o que se pode dizer, cheia de gente fofinha.

As doações regulares me dão a liberdade de sentir compaixão pelas pessoas sem ter a sensação de que não estou fazendo nada pelo mundo, ou seja, posso exercitar minha empatia sem me sentir uma impostora.

O entrevistado mencionou que pessoas que são empáticas mas não fazem doações tendem a vestir uma falsa máscara de insensibilidade porque não se julgam no direito de sentir a compaixão, pois uma vez sentindo, deveriam fazer alguma coisa pelas pessoas em condições desfavoráveis.

Não sei se fez sentido para você, mas para mim foi uma espécie de iluminação. Até nos momentos de desprendimento somos, essencialmente, egoístas. Doar faz bem ao receptor, mas traz mais felicidade ainda a quem doa.

Espero que com a leitura de Meditação Para Céticos Ansiosos, apesar das partes que não venham a fazer sentido algum para você e mais pareçam um pequeno manual de autoajuda, você encontre algumas raízes para as suas ansiedades e gere um bom método de lidar com elas.

Se você quer se aprofundar no tema ou até começar a trabalhar e produzir conteúdo sobre meditação – acho que será algo que vai se expandir nos próximos anos – deixo a lista dos livros favoritos do Dan e do Jeff:

LISTA DE LIVROS FAVORITOS DO DAN HARRIS

📔 Por que o budismo funciona, de Robert Wright (Sextante, 2018)

📔 Despertar, de Sam Harris (Companhia das Letras, 2015)

📔 Budismo sem crenças (Palas Athena, 2005), de Stephen Batchelor

📔 Confissões de um ateu budista (Pensamento, 2012), de Stephen Batchelor

📔 A real felicidade – o poder da meditação (Magnitude, 2012), de Sharon Salzberg

📔 Real Love, de Sharon Salzberg

📔 Quando tudo se desfaz – orientação para tempos difíceis (Gryphus, 2012), de Pema Chödrön

📔A ciência da meditação: como transformar o cérebro, a mente e o corpo (Objetiva, 2017), de Daniel Goleman e Richard J. Davidson

📔 The Trauma of Everyday Life, de Mark Epstein

📔 Conselho não se dá – um guia para superar a si mesmo (Alta Books, 2018), de Mark Epstein

📔 Dharma: o caminho da libertação (Bertrand Brasil, 2004), de Joseph Goldstein

📔 Mindfulness, de Joseph Goldstein

📔 On Having No Head, de Douglas E. Harding

📔 Evolving Dharma, de Jay Michaelson

LISTA DE LIVROS FAVORITOS DO JEFF WARREN:

📔 As variedades da experiência religiosa (Cultrix, 2017), de William James

📔 Coming Home, de Lex Hixon

📔 Um caminho com o coração (Cultrix, 2012), de Jack Kornfield

📔 Depois do êxtase, lave a roupa suja (Cultrix, 2002), de Jack Kornfield

📔 The Science of Enlightment, de Shinzen Young

📔 Além do materialismo espiritual (Lúcida Letra, 2016), de Chögyam Trungpa

📔 The Making of Buddhist Modernism, de David L. McMahan

📔 The Progress of Insight, de Mahasi Sayadaw

📔 Mastering the Core Teachings of the Buddha, de Daniel M. Ingram

📔 Seja como você é: os ensinamentos de Sri Ramana Maharshi (Satsang, 2017), de David Godman

📔 O despertar do tigre: curando o trauma (Summus, 1999), de Peter A. Levine

📔 Como lidar com emoções destrutivas (Elsevier, 2003), do Dalai Lama, narrado por Daniel Goleman

📔 Waking, Dreaming, Being, de Evan Thompson

📔 Radical Dharma, de Angel Kyodo Williams, Lama Rod Owens e Jasmine Syedullah

📔 The Mind Illuminated, de Culadasa (John Yates)

📔 Nonduality, de David Loy

📔 Misticismo (AMORC, 2002), de Evelyn Underhill

📔 For the Time Being, de Annie Dillard

Edição em 02/01/2021

A série Headspace Guide to Meditation [Headspace Meditação Guiada] estreou na Netflix em 01/01/2021.

É uma animação gentil narrada por Andy Puddicombe, monge budista professor de meditação do tipo atenção plena.

Para quem que como eu não se adaptou à meditação guiada, a série é bem interessante para captar técnicas diferentes para depois aplicá-las sozinho. Já vi três capítulos e recomendo.

Para quem nunca meditou tudo parece bem inocente. Mas é mesmo, algo inocente e primitivo.

Para produzir melhor precisamos de pausas. A meditação nos fornece isso.

Beijos,

Meire

Feliz 2021

 

 

 

 

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[Bate-papo] Conheça Queen Rita Marley

Rita, com Cedella e Ziggy Marley

 

“Quando eu tinha cinco anos, minha mãe, Cynthia “Beda” Jarrett, abandonou meu pai, meu irmão Wesley e eu para começar uma nova família com outro homem (levou com ela meu outro irmão, Donovan, que tinha a pele mais clara)”.

 

Por @meire_md

Descendente de cubanos,  criada em um gueto jamaicano e proprietária de uma voz ansiolítica, a cantora Alpharita Constantia Anderson (1946 – ) começou sua carreira antes de conhecer o jovem Robert Marley, com quem se casou em 1966.

Na época ela estava com 20 anos, já era mãe e sonhava em ser enfermeira, profissão que eventualmente exerceu nos EUA por um curto período no início da década de 70.

Queen Rita Marley


Rita co-escreveu e deu suporte vocal a várias canções de Bob Marley, bem como o acompanhou no abraço ao Rastafari, movimento religioso-social nascido volta dos anos 30.

Conforme Mircea Eliade [O Dicionário das Religiões, verbete 1.5.1], os Rasta são milenaristas, então não é por acaso que encontramos muitos elementos judaico-cristãos na música de Bob Marley, artista honrado com festivais em Israel há décadas.

Parte dos adeptos do Rastafari acredita que a Etiópia é a Terra Prometida dos afro-jamaicanos e possivelmente foi este um dos motivos pelos quais Rita adotou trinta e cinco crianças etíopes.

Sim, um amor, um coração. Essa incrível e dulcíssima mulher que hoje está com 74 anos de idade, vive em Gana e dedica a sua vida à caridade, adotou trinta e cinco crianças.

Viúva aos 35 anos, hoje cuida do legado do marido e é considerada não só a Rainha do Reggae, como a sua fortaleza. Bob morreu de câncer quando estava com apenas 36 anos de idade.

A Fundação Rita Marley, criada e comandada por ela, é mantida por doadores e foca sua atenção nas populações pobres de países em desenvolvimento.

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No Woman No Cry – Minha Vida com Bob Marley

Costumo ouvir Reggae quando estou trabalhando em casa porque a cadência das músicas me ajuda a não me distrair com outras coisas – quem tem mente inquieta sabe bem como é – e focar no serviço.

Dia desses me toquei que tudo que sei sobre Bob Marley & Rita vi de passagem na internet e que nunca li nenhum livro sobre eles, aí numa rápida pesquisa descobri que a Editora Belas-Letras lançou ‘No Woman No Cry – Minha Vida com Bob Marley’, livro escrito por Rita Marley e Hettie Jones.

Como tenho bastante resenhas já escritas e agendadas, a resenha de ‘No Woman No Cry’ só deve reaparecer por aqui em 2021.

Se você quiser conhecer a música de Rita, fica com a playlist que fiz: Não Chore, Rita.

 

Referências:

Rita Marley Fondation

Rita Marley Biography in All Music

Rita Marley in Encyclopedia.Com

Bob Marley Museum












 

 

 

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As Peripécias Multifuncionais da Nossa Máquina de Lavar Louças

Por @meire_md, com a colaboração de Igor

“Antes de perguntar qual botão você aperta na sua lava-louças para usar esse programa ou quanto de água sanitária é 10%, leia o manual de instruções da sua máquina. Caso essas informações não estejam no manual, você acha que eu saberia?   Resumindo: não me pergunte.”

Igor, colaborador do post, ser humano localmente conhecido por dar voadoras memoráveis nos seus melhores amigos 😂

 

Desde que casamos, eu e Igor cuidamos da maior parte das demandas do Lar sem auxílio de empregados ou prestadores de serviços [eventualmente utilizamos algum serviço de faxina geral].

Por esse motivo, transformamos um dos quartos do apartamento em uma oficina, onde temos:

Como boa parte dos engenheiros, Igor encontra soluções práticas para inúmeros problemas usando apenas um clip de papel, um pedaço de cordão ou uma ligação direta, o que sempre é muito engraçado.

As experiências mais legais daqui de casa são as que resultam em aumento de eficácia com economia de tempo e, preferencialmente, de recursos também.

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Máquina de Lavar Louças

Lava-Louças Electrolux LV10B Branca 10 Serviços – 220V

Muita gente que poderia comprar uma máquina de lavar louças acha que o uso é muito complicado ou que a adoção não economiza tempo.

Aí na minha cabeça vem aquele meme da Nazaré confusa e me pergunto se essas pessoas largam os pratos e panelas com restos de comida na pia porque acham que o simples ato de retirar resíduos antes de lavá-los seja um trabalho hercúleo ou que essa remoção mecânica do alimento realmente seja boa parte do serviço.

As louças precisam ser bem higienizadas e lavá-las à mão corretamente leva tempo.

Louças lavadas na pia não consomem apenas o nosso tempo, ressecam as mãos e ainda induzem um alto consumo de água.

Então, se você tem condições financeiras para adquirir uma e quer saber a minha opinião, eu acho que louças só deveriam ser rotineiramente lavadas à mão por pessoas que não contam com outra alternativa (ou por quem ama lavar louças à mão, é raro mas acontece muito).

Para que você tenha uma ideia, a nossa máquina gasta 15 litros por lavagem normal, enquanto uma torneira aberta gasta 12 litros de água em um único minuto. 💦

É super fácil de usar

Atualmente a nossa é a de 10 serviços da Electrolux.

Antes de colocar as louças/panelas na máquina, basta passar um talher para remover os restinhos de comida da mesma forma que você faria antes de lavá-las na pia.

O detergente específico deve ser colocado no reservatório a cada lavagem e o secante para lava-louças só precisa ser reposto depois de várias lavagens (a nossa máquina avisa).

Algumas pessoas nem usam secante. Igor já testou vários detergentes e secantes e disse que escolhe a marca pelo melhor preço porque não vê diferença significativa nos resultados.

Daí a máquina trabalha sozinha e, querendo, você nem precisa guardar os pratos, copos, talheres, recipientes de plástico ou  vidro, panelas e demais itens limpos: pode deixá-los dentro dela e ir removendo cada item quando for usá-lo de novo.

Igor costuma lavar os recipientes plásticos à máquina separadamente, pois gosta de desinfectá-los com água sanitária, já que são usados para guardar alimentos na geladeira ou congelador.

Tudo pode ir para a máquina?

A maioria das peças (aço, vidro, plástico, cerâmica, louça etc) pode, desde que o fabricante não imponha restrições, mas não há eletrodoméstico perfeito.  Não é recomendado que panelas de alumínio sejam lavadas à máquina porque tendem a escurecer.

Acrescentamos que é melhor que a maior parte dos utensílios de madeira seja higienizada à mão e que você tenha cuidado com louças pintadas à mão.

As nossas panelas são em sua maioria em aço inox e ferro, mas temos panelas em alumínio também e por entendermos que o escurecimento do alumínio não seja um problema meramente estético – por ora acreditamos que os óxidos podem se transferir para os alimentos -, preferimos lavar nossa panela de pressão manualmente.

📍Outra dica do Igor: quando talheres ou panelas estão sujos com queijo derretido seco é melhor lavá-los de maneira tradicional, pois a máquina não remove esse tipo de resíduo adequadamente.

Higienizando frutas, vegetais e ovos com Máquina de Lavar Louças ✔

Esta parte foi escrita pelo Igor especialmente para quem me segue no Instagram. Não esqueci o pedido de vocês!

Nada entra na minha geladeira sujo. 

 Latas e garrafas de bebidas, embalagens de condimentos, pacotes de laticínios em geral e até potes de sorvete só são refrigerados após terem sido lavados com água e sabão. 

Tudo que está exposto ao público deve ser considerado extremamente sujo, visto que foi potencialmente manuseado por centenas de pessoas cuja disciplina de higiene é tão inexistente que tivemos que passar pela vergonha alheia de ver inúmeros vídeos ensinando adultos a lavarem as mãos para diminuir o alastro de uma Pandemia evitável.

Isso e o fato de que, segundo estudos, até 80% da população do país pode estar infectada por H. pylori, uma bactéria de transmissão fecal-oral.

 Antes da lava-louças eu lavava tudo manualmente, incluindo cada ovo, tomate, uva e limão, com o mesmo água-e-sabão de todo o resto. 

 O que, além de consumir muito tempo e a textura lisa dos meus dedos, era razoavelmente ineficiente, visto que é bem difícil passar a bucha nas reentrâncias de um pimentão, totalmente desaconselhável passar sabão em crucíferas e praticamente impossível não destruir um morango maduro na base da fricção.

 Hoje, tudo vai para dentro da máquina com a adição de 10%* de água sanitária no ciclo pré-lavagem (que usa apenas água fria por mais ou menos cinco minutos, ou seja, não acrescente detergente). 

Após o primeiro ciclo eu reinicio a máquina mais duas vezes no mesmo programa para retirar o grosso do resíduo do hipoclorito.

Depois disso, abro a máquina e deixo a água evaporar naturalmente, levando consigo o resto do produto, e só então guardo na geladeira em sacos estéreis (todo saco que vem em rolo é, por consequência do processo de extrusão na produção, estéril).

Coisas mais frágeis como pinhas, morangos ou outros produtos muito maduros ou macios*, ficam em peneiras que amortizam a força dos jatos. 

Já tive tomates comprados maduros que duraram três meses na gaveta da geladeira com esse método. Cebolas e alhos, que não se guardam em geladeira, eu só lavo quando do uso cru, após descascá-los.

* Menos banana. Eu não guardo banana em geladeira nem tenho o costume de comer-lhe as cascas.

PS.: Antes de perguntar qual botão você aperta na sua lava-louças para usar esse programa ou quanto de água sanitária é 10%, leia o manual de instruções da sua máquina. Caso essas informações não estejam no manual, você acha que eu saberia?  

Resumindo: não me pergunte.”

Mas podem me perguntar, ehehe.

Vou dar um exemplo prático

Você vai descobrir (no manual) o volume de água que sua máquina gasta no ciclo de pré-lavagem para saber quanto de água sanitária você deve colocar dentro da máquina.

Parece muito sim, porém preste bem atenção: depois do primeiro ciclo de pré-lavagem com água sanitária você vai passar as comidinhas SÓ COM ÁGUA em mais dois ciclos de pré-lavagem .

Repetindo: A água sanitária só entra no primeiro ciclo.

Os dois ciclos  seguintes são, portanto, o enxague abundante que você faria manualmente se não usasse a máquina.

O cálculo não precisa ser corretíssimo, mas deve estar dentro dos parâmetros do CDC, que adotamos para higienizar os alimentos .

O cálculo facilitador é o seguinte: você pega o volume em mL que a máquina jogará de água no primeiro ciclo de pré-lavagem e divide por 10.

Prontinho! Esse é o volume de água sanitária que será diluído na água do primeiro ciclo.

Nossa máquina consome 3,5mL  por ciclo de pré-lavagem. Isso equivale a 3.500mL, que dividido por 10 dá 350.

Então para um ciclo de  3.500 mL de água usamos 350mL de água sanitária.

E nos dois outros ciclos, nada. Por fim, a porta da máquina deve ficar aberta para que os resíduos do produto evaporem com a água.

Uma coisa importante: no ciclo de pré-lavagem a máquina não libera o secante. E o detergente? Você não coloca.

Dica de química: o resíduo do Hipoclorito evapora mais rápido que a água.

Esperamos que você tenha gostado.

Se restou alguma dúvida, deixe aqui ou no Instagram, tá?

Um beijo (com distanciamento social e mãos super limpas: a Pandemia ainda não acabou).

 

 

 

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