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Monique Gomes é um ser pensante, jornalista certificada em marketing de conteúdo, feminista, cinéfila e livre de glúten. CoMonique-se por e-mail: monique.gomes@gmail.com

Uma breve história das mentiras fascistas

Por @blogdamnq

Os líderes fascistas do século XX consideravam mentiras como verdades encarnadas por eles. Esse era o ponto central das noções que tinham do poder e da soberania popular.

Um universo alternativo digno das críticas sociais de Star Wars, só que, aqui, ficção e realidade não podem ser separadas, pois se baseiam na lógica do mito. No fascismo, a verdade mítica substituiu a verdade factual. 

Uma Breve História das Mentiras Fascistas

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Mentir é uma ferramenta muito utilizada em governos totalitários. Alunos do ensino médio em todo o mundo absorvem essa informação por meio das obras de George Orwell

Mas os mentirosos acreditam em suas próprias mentiras? Como as justificam? Qual a relação entre a mentira descarada, a oportunista e a ideológica? Em Uma breve história das mentiras fascistas, o historiador argentino Federico Finchelstein examina essas questões dentro do fascismo. 

O resultado é um exame lúcido de como o fascismo não apenas    abraça as mentiras, mas as coloca em uma estrutura irracional de “verdade” que serve a fins políticos. 

Na essência do livro está a compreensão de Finchelstein de como os fascistas historicamente definiram a verdade. Para eles, o que era “verdade” não era algo verificável. Em vez disso, “o fascismo propôs a noção de verdade que transcendeu a razão e foi encarnada no mito do líder“, como cita o autor.

Ele diz que: “No fascismo, a verdade era considerada real porque estava enraizada nas emanações emocionais da alma, imagens e ações que os fascistas identificavam com a ideologia política”.

Assim, para os fascistas, ‘mentiras’ não eram tanto negações da verdade, mas rejeições do ‘mundo real’ em favor de um idealizado que se encaixava em suas crenças espirituais sobre o que deveria ser. Eram declarações de fé em uma “verdade” mais profunda.

Finchelstein dedica um capítulo à reação fascista à psicanálise. Os fascistas recuaram diante da ideia de examinar racionalmente o subconsciente ou a personalidade; “o fascismo renunciou à autoconsciência e colocou em seu lugar uma verdade divina supostamente emanando de um eu purificado”.

Fascismo X Masculinidade Tóxica

Em entrevista à TV 247, Finchelstein disse que “o fascismo está ligado à masculinidade tóxica. “[O fascismo] é uma forma particular de masculinidade, não é a masculinidade, mas uma masculinidade chauvinista e machista”, afirmou.

Quem é Federico Finchelstein?

Professor de história na New School, em Nova York, doutor pela la Cornell University, lecionou na Brown University. Autor de obras sobre fascismo, populismo, o Holocausto e ditaduras.

Em seu livro anterior, Do Fascismo ao Populismo na História, traçou a transição do primeiro para o último. O fascismo propôs uma ‘verdadeira democracia’ por meio de uma comunhão espiritual entre o povo, o estado e o líder em uma ordem autoritária. 

📍 Você pode gostar de:

❌ O Guia Contra Mentiras, por @meire_md

❌Precisamos Falar Sobre Masculinidade Tóxica, por @blogdamnq

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Esta história é um combo de opressão, misoginia, fundamentalismo e hipocrisia

Por @blogdamnq

Você consegue imaginar um mundo onde as mulheres são obrigadas a praticar sexo com estranhos para gerar um filho deles porque suas esposas são inférteis?

Pense nelas sendo proibidas de participar de reuniões em que há qualquer tipo de tomada de decisão. Pense em homossexuais sendo massacrados como “traidores de gênero”.

Isso soa um pouco familiar, hein? Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. Neste post, conheça a história bizarra que saiu da cabecinha da escritora Margaret Atwood e ganhou uma série de TV.

The Handmaid’s Tale,
ou O Conto de Aia

The Handmaid’s Tale, ou O Conto de Aia é um romance distópico de 1985 ambientado na região da Nova Inglaterra nos EUA, conhecida como República de Gilead. Nessa sociedade, o antigo governo foi derrubado e substituído pela ditadura militar. 

Nesse cenário, o novo regime rapidamente expande o poder e controla tudo: desde os direitos das pessoas até os estudos religiosos. Uma queda misteriosa na fertilidade causou a impossibilidade de muitas mulheres terem filhos. 

Então, as mulheres férteis são cercadas e forçadas a servir como criadas – escravas sexuais / mães substitutas para os ricos e poderosos.

Offred, uma serva (mulher fértil cujo papel é fornecer filhos para homens de alta posição), narra a história, assim como suas experiências pessoais como Aia.

É uma distopia, sem dúvidas

Para que um romance distópico e futurista funcione, os leitores devem estar convencidos, pelo menos até certo ponto, de que existe a possibilidade de aquilo realmente acontecer. E, sem dúvidas, Margaret Atwood faz isso muito bem.

Por exemplo, os princípios fundamentais de Gileade vêm de uma leitura do Antigo Testamento. Existem diversas referências a personagens e mensagens da  Bíblia.

A autora trouxe um quê de julgamento das Bruxas de Salem que torna a história muito mais provável. São detalhes que revelam a hierarquia e a moral que tomou conta da cidade. 

Outra coisa incrível é como a autora usa cores para descrever os papéis de diferentes mulheres em Gilead. As servas vestem vermelho; as esposas, azul; as Marthas, verde; as tias, marrom e as economistas vestem listras vermelhas, azuis e verdes. 

A obra mais recente dela, Os Testamentos, nasceu das perguntas dos leitores após o monstruoso sucesso de The Handmaid’s Tale .

Atwood descreve os eventos que levaram à queda de Gilead por meio de três narradores: a vingativa tia Lydia, a jovem Agnes e Daisy, uma adolescente explosiva.

O romance continua na tradição do antecessor, apresentando alguns dos temas mais icônicos da autora, como: identidade, religião, mudança climática e política de poder.

The Handmaid’s Tale é um experimento mental: uma ditadura com elementos repressivos que já estão presentes no seio da sociedade. 

E, por falar em repressão, se você ainda não leu, aproveite para ler também a resenha da  Meire sobre Fanrenheit 451. 

 

 

 

 

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Narcisismo Perverso, a patologia emocional que habita entre nós

Por blogdamonique 🐦

Não é fácil identificar alguém com transtorno de personalidade — principalmente se você é uma vítima dessa pessoa (ou a própria!).  Acontece que, independentemente de ser diagnosticado ou não, o portador da patologia sofre e, ao mesmo tempo, faz o inferno na vida do parceiro.

Isso pode trazer consequências graves para quem convive com ele, como: depressão, crises de ansiedade, síndrome do pânico ou, em casos mais extremos, suicídio.

Narcisistas são Sequestradores de Almas

No livro Sequestradores de Almas, da psicóloga Silvia Malamud, ela  conta que o narcisista “opera por meio de condutas altamente opressoras, que são tidas pela psicologia como um dos piores casos de perversão”.

A principal característica do portador é cultivar a grandiosidade a qualquer custo, seja na profissão, vida social ou pessoal. Para que esse objetivo se concretize ao infinito e além, ele ativa tudo o que julgar necessário sem dor ou culpa alguma. 

O narcisista age de forma sutil e constante por meio de ciclos: planta armadilhas que manipulam o outro emocionalmente sem que suas intenções sejam percebidas.

A boa imagem que conquista permite o abuso emocional camuflado. Sendo assim, a vítima vive uma constante montanha-russa de emoções.

Afinal, ele quer que ela foque nos problemas para deixá-la ansiosa, triste, com medo e também para que o comportamento duvidoso dele passe despercebido.

O que se passa na mente do narcisista?

De acordo com a psicóloga, o narcisista sobrevive quando consegue “quebrar” alguém, diminuindo quem está à sua volta, e, como é perverso, faz o impossível para que a vítima se corrompa no que acredita como sagrado e correto.

Ele exige a gratificação crescente de suas realizações com o passar do tempo. Ou seja, quando está no relacionamento, a situação vai se agravando cada vez mais, chegando a ter consequências insuportáveis para quem convive no mesmo teto. 

As relações interpessoais também são prejudicadas devido à falta de empatia, ao desrespeito aos outros, à exploração, ao sentimento de direito a tudo e à constante necessidade de atenção e bajulação. 

O narcisista está atento a tudo o tempo todo: é hipervigilante. No entanto, não está conectado com a realidade. Esconde a própria paranoia como pode e não confia em ninguém, pois acha que as pessoas fazem o mesmo.

É expert em machucar o outro e se proteger do mal que acredita que o outro poderia causar.

Quando seu ego frágil é ferido, é capaz das piores grosserias, mas depois encontra uma justificativa para se explicar. Então, o ciclo abusivo de conquista, ferimento emocional e reconquista se repete…

Existe tratamento para narcisistas?

Ainda de acordo com a autora de Sequestradores de Almas, não é possível tratar terapeuticamente essas pessoas por várias razões. A primeira de todas é que, na verdade, elas não estão buscando ajuda.

“Os narcisistas têm orgulho do que são e não reconhecem que há um problema. Os seus sistemas de crenças também estão bloqueados para enfrentar quaisquer tipos de críticas. Mesmo que, a princípio, pareçam aceitar, estão apenas dissimulando”, relata. 

Não funcionam bem em terapia porque têm dificuldade para assumir sua parcela de responsabilidade. Continuam atuando como manipuladores, o que resulta num material totalmente distorcido. Quando vão à terapia, só o fazem para dar aos parceiros a ilusão de que vão mudar. 

É por essas e por outras que Sequestradores de Almas vale a leitura. É um guia de sobrevivência com alertas, como: reconhecer se você é vítima, manipulação de verdades expostas por narcisistas, leis que devem ser assimiladas pelas vítimas etc.

Se você gostou deste artigo, leia também: A verdade sobre o serial killer na nova série Netflix e Psicopatas do nosso dia a dia.

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