[Resenha] As Cavernas de Aço | Isaac Asimov (1954)

Por @meire_md

O bioquímico russo Isaac Asimov [1920-1992] foi um dos escritores mais produtivos do século XX.

Ele escreveu livros de ficção e não ficção envolvendo diversas áreas do conhecimento, como matemática, religião, astronomia e biologia.

O termo ‘robô‘ apareceu pela primeira vez no ano de 1921, quando Isaac ainda era bebê.

Nessa época, pouco tempo após o término da I Guerra Mundial, o mundo estava horrorizado com o poder mortífero das máquinas criadas pelo homem e os robôs eram vistos basicamente como potenciais destruidores da humanidade.

Ele começou a se interessar por histórias de robô por volta de 1939. Em idos de 1940 ele e Campbell – um de seus editores – criaram as ‘Três Leis da Robótica’ e elas começaram a figurar em histórias de robô a partir de 1942, período em que se iniciou o boom das revistas de ficção científica.

As Cavernas de Aço

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‘As Cavernas de Aço’ (The Caves of Stell, 1953) é primeiro romance da série de robôs de Asimov e foi seguido por ‘Os Robôs’ ou ‘O Sol Desvelado’ (The Naked Sun, 1955), ‘Os Robôs do Amanhecer‘ ou ‘Os Robôs da Alvorada’ (The Robots of Dawn, 1983) e ‘Os Robôs e o Império’ (Robots and Empire, 1985).

Entre os romances da década de 50 e os da década de 80 muita água rolou em mais de 400 livros, inclusive o Universo independente de ‘A Fundação’, o nosso box é esse aqui.

Isaac Asimov contraiu HIV durante uma transfusão sanguínea e morreu de AIDS aos 72 anos de idade, deixando dois filhos e cerca de 500 livros publicados.

A minha edição do Cavernas é essa aqui da Aleph. A partir desse ponto há spoilers, ok?

Só para localizar vocês – costumo procurar entender o contexto no qual os livros foram escritos e as experiências do escritor – vou começar com algo que parece meio nada a ver, mas que é interessante pontuar para entender o Universo de As Cavernas de Aço.

O economista Thomas Malthus (falecido em 1834) fez vários estudos sobre o impacto do crescimento populacional e sua teoria mais famosa foi adotada nas décadas seguintes por seus seguidores e reforçada por novos teóricos.

Em suma, ela reza que o excesso populacional é um grande obstáculo para o desenvolvimento mundial por induzir o esgotamento de recursos naturais, já que ele previu que a população cresceria proporcionalmente muito mais rápido do que cresceria a produção de alimentos.

Hoje isso pode parecer muito bobo mas a teoria malthusiana surgiu numa época em que todo mundo pensava que ter mais e mais filhos seria muito ótimo.

Graças aos estudos de Malthus e seguidores surgiram propostas de controle populacional como o planejamento familiar e… muitas inspirações para histórias de ficção científica.

Quando a história de ‘As Cavernas de Aço’ começou a ser escrita a população mundial era de 3 bilhões de pessoas. Milhões e milhões de pessoas morriam de fome no mundo (muito mais que hoje, parece que não mas o mundo melhorou). Fácil pensar como um escritor esperaria a situação da Terra quando chegasse a 8 bilhões de habitantes, não é mesmo?

A história se passa num futuro distante onde o Planeta Terra está lidando com escassez de espaço e recursos e albergando 8 bilhões de pessoas mesmo tendo enviado, nos séculos anteriores, missões ao Espaço.

Os descendentes destes humanos que saíram da Terra para povoar outros Planetas são chamados de Siderais, são mais de 5 bilhões de pessoas mas vivem distribuídos em 50 colônias espaçosas, com tecnologia mais avançada e convivendo pacificamente com robôs.

Enquanto isso as cidades da Terra passaram a ser fechadas em alas subterrâneas, a população teme perder seus empregos para os robôs, as casas tem espaços diminutos e as cozinhas e banheiros são comunitários.

A não aceitação terrena dos robôs, que já trabalham como vendedores ou como secretários, por exemplo, incita a formação de grupos conservadores chamados de mediavelistas

Em razão do tempo fora da Terra, os descendentes siderais desenvolveram deficiência imunológica e seu contato com os humanos originais é bastante problemático, então embora sejam da mesma espécie, permanecem com modo de vida distintos e em razão das medidas sanitárias e do avanço técnico-científico contam com uma expectativa de vida de 350 anos.

O objetivo dos siderais é que mais humanos sejam encaminhados a espaços extraterrestres ainda não explorados para que no futuro a humanidade povoe tais mundos e seja servida pelos robôs (esperam um mundo C/Fe, ou seja, carbono e Ferro, orgânico e inorgânico), cada vez mais sofisticados.

Já o objetivo dos medievalistas é deixar as coisas como estão e banir os robôs. Eles são tipo os ‘tiozão de whatsapp’ que vêem conspirações em qualquer tentativa de progresso.

A capacidade imaginativa de Isaac Asimov é tão sensacional que você vai encontrar descrições que equivalem à Netflix, a fechaduras magnéticas com cartão, esteiras elétricas que aumentam a velocidade de deslocamento a pé, bronzeamento artificial, teleconferências, ressonância magnética funcional, uma espécie de Google e coisas que ainda não existem (quem sabe existirão um dia?) como um cosmetokit no qual baforadas de produto fazem uma maquiagem completa em 15 segundos. Não me impressionaria se a ideia de tratar e estocar a água dos oceanos no Espaço para produzir mais terreno habitável na Terra virasse realidade um dia.

Batley é um investigador policial impulsivo, ansioso, atrapalhado e pouco detalhista (tipo um detetive noir) que é recrutado pelo seu chefe Julius Enderly para investigar um assassinato de um cientista sideral, o Dr Sarton.

Surpreendido pela obrigação de trabalhar com Daneel, que de fato é um robô com características físicas idênticas a de um ser humano e turbinado com uma capacidade de raciocínio investigativo, recebe a promessa de subir de categoria e poder gozar de mais privilégios sociais.

A investigação se desenrola tanto na Vila Sideral, onde se pode respirar ar ambiente através de filtros nasais e se tem acesso a comida natural, quanto na Cidade (Nova Iorque, uma das Cavernas de Aço), onde toda a população vive enfurnada, e envolve Jessie, a esposa de Baley, uma suposta conspiração dos medievalistas e os conflitos do comissário Enderly.

Depois de duas teorias patéticas, coisa bem típica dos romances noir, o crime é solucionado e se abre o mote para o segundo livro.

Beijos,

Meire

 

 

 

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