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Mais Sobre os Meus Cabelos

Por @meire_md

A minha sorte é ter uma cabeça pequena.

Meus cabelos são finos, em pequena quantidade e naturalmente lisos. Unindo todos os fios tenho a sensação de estar pegando o que equivale a apenas uma mecha dos cabelos de uma pessoa capilarmente bem dotada.

Para que as pontas não fiquem muito ‘ralas’, prefiro deixar os fios na altura do ombro e, quando estão bem longos como agora (tipo no meio das costas), tento produzir umas leves ondas com a finalidade de disfarçar a escassez.

Já já chego às ondas.

Cem escovadas antes de dormir

Há muitos mitos relacionados aos cuidados com os cabelos, então esqueça que sou médica e não procure qualquer tipo de precisão neste post: boa parte do que você lerá pela frente nada mais é do que o resultado dos memes que replicamos desde o tempo das nossas avós.

Quando eu era adolescente alguém afirmou que dar cem escovadas nos cabelos antes de dormir era uma boa ideia – interessante que há livro e filme com esse nome – e até hoje muita gente defende o método. 

Eu fiz isso até me dar conta, o que levou anos, que escovar os cabelos com tanta paixão provavelmente só aumentaria a chance de quebra das hastes.

Falando em escovar os fios… Há mais ou menos dez anos só uso as escovas da Tangle Teezer porque desembaraçam super bem, sem promover tanta quebra, creio, quanto as escovas de cabelo comuns. Tenho cinco modelos.

Atualmente meu modelo favorito é a Tangle Teezer Wet Detangling Hairbrush, que é maravilhosa tanto com os fios molhados quanto secos. Tem excelente performance durante a secagem dos fios com secador*, por isso não tenho curiosidade em testar a Janeke Superbrush, que imagino ser mais interessante para quem tem mais cabelos que eu.

Secagem suave

Mito ou não, acredito que além de usar uma escova de cabelos gentil, secar os cabelos de modo suave também ajuda a prevenir a quebra das hastes capilares.

Prefiro remover o excesso da umidade dos cabelos envolvendo-os com toalha de microfibra. Na época em que comecei a fazer isso as toalhas próprias para secagem de cabelos ou eram finas demais ou eram caríssimas.

Há alguns anos acabei comprando um cobertor de microfibra para fazer toalhas e cortei cada peça mais ou menos do tamanho de uma toalha de rosto. É uma solução super barata porque você encontra um bom cobertor por menos de 50 reais e dependendo do tamanho dá para produzir 08 toalhas ou até fazer fronhas para que seus cabelos durmam na fofura.

Com o tempo fui tirando uma toalha para fazer paninhos de limpeza, tirei outra para fazer paninhos para limpar óculos e telas de computadores, devo ter dado uma ou outra para alguém e quando dei por mim só estava com duas. Aí comprei uma Dry My Hair da Océane, que além de ser super fofinha, tem um tamanho excelente para quem tem cabelos longos.

Não tem segredo, dou umas apertadas nos fios com a toalha de microfibra sem esfregá-los e enrolo os fios delicadamente. Quando o excesso de umidade some, passo a escova, uso secador ou deixo que a secagem finalize naturalmente. 

Além da Dry My Hair tenho também duas toucas de microfibra baratinhas da marca Asa do Brasil. Elas são mais finas do que aparentam ser na foto do anúncio, mas duram bastante (como basicamente tudo que é de microfibra).

Uso essas baratinhas para proteger os cabelos quando não quero que molhem durante o banho, pois estou evitando usar as de plástico — mas elas também funcionam bem para secar os cabelos.

Não corta minha onda

É uma missão quase impossível fazer ondas sustentadas em cabelos muito lisos sem entupi-los de produtos, fixadores etc.

Já usei mousses, sprays, já dormi com coisinhas tipo bob e com ‘papelotes’, mas tudo que consegui foi deixar meus fios parecendo miojo cru. Não uso nem faço mais nada disso.

Produzo ondas apenas para dar algum volume do meio às pontas porque elas vão se desmanchar de todo jeito, deixando para trás apenas um rastro levemente sinuoso.

Quando eu quero porque quero as tais sinuosidades, deixo que os fios sequem completamente, aplico Pantene Creme para Pentear (gosto tanto do Anti-Frizz quanto do Hidratação), passo a escova da Tangle Teezer não só para que o creme fique bem distribuído nos fios como para evitar qualquer embaraço.

Depois passo rapidamente minha escova alisadora ou a chapinha (a minha é a de cerâmica da Taiff)  no topo da cabeça pra deixar mais ou menos arrumado, reparto os cabelos em quatro partes porque não tenho cabelos que permitam mais que isso, ehehe, e uso meu Modelador de Cachos da Lizz, o Curling Cônico.

Esse modelador é bivolt, chega no máximo a 200ºC e, como o próprio nome diz, tem formato cônico. Ele tem 25mm na parte superior e 14mm na parte inferior. 

Quando uso um modelador “babyliss” com diâmetro maior as ondas se sustentam menos ainda, então o cônico é perfeito para mim.

Penteados

O que é isso?

Meus penteados de todos os dias são um rabo de cavalo ou um coque feito de qualquer jeito. 

Nos tempos pré-históricos, quando um certo microrganismo ainda não existia e eu tinha vida social, costumava sair com cabelos soltos ou então fazer um coque com hair donut.

Para trabalhar estou quase sempre de cabelos presos e como expliquei no outro post sobre cabelos, para minimizar a quebra sempre aplico Pantene Creme para Pentear antes de quaisquer amarrações.

Um beijo!


PS – O meu secador de cabelos é um bem velhinho da Revlon. Assim que ele falecer irei comprar o Golden Star de 2000W da Philco ou algum similar a ele porque achei o custo-benefício bom. Não sinto necessidade de comprar um secador mais potente.

 

 

 

 

 

 

 

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As Intermitências da Morte

Por @meire_md

“A morte está orgulhosa do bem que o seu violoncelista tocou. Como se tratasse de uma pessoa da família, a mãe, a irmã, uma noiva, esposa não, porque esse homem nunca se casou”

Saramago (1922-2010) ganhou meu coração há exatos quinze anos. Além do ‘Ensaio Sobre a Cegueira’ – meu livro favorito do autor –  gosto demais de ‘Caim‘, ‘Claraboia‘ e ‘O Conto da Ilha Desconhecida‘.

O pequeno grande livro ‘As intermitências da Morte’ faz parte da fase em que Saramago já ‘saramagueava’ e compõe o grupo de obras onde o escritor não nomina época, local ou pessoas.

A fluidez da escrita, a elegância do humor sutilmente irônico e as sacadas geniais de Saramago me divertem horrores.

Sim, eu sou da tribo de pessoas que dá gargalhadas com Saramago. Quando leio o trecho pro Igor, que sempre fica curioso quando a mulher dele está lendo e rindo,  fico com cara de Monalisa bêbada, porque ele nunca acha engraçado.

As intermitências da Morte

Quando a Morte decide fazer greve, o país se organiza social e politicamente para lidar com esse inusitado e grave problema.

A história versa sobre a adaptação das pessoas diante da crise, bem como as fraudes e conchavos que são cometidos para que a ordem seja mantida.

É impossível não fazer paralelos com problemas sociais que já conhecemos e, para mim e outros amantes de Saramago, é impossível não rir com as alfinetadas do gênio.

Numa segunda fase da história a morte vira o jogo, muda as regras (nada de spoiler, já sei) e no terço final, deixa-se conhecer.

É um livro de leitura rápida – como se fosse uma peça de teatro – por isso o coloquei no primeiro post com a lista de dez livros para ler em menos de um dia.

 

 

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O que um cidadão brasileiro precisa fazer para pegar pena máxima?

Por @meire_md

Embora criticado por alguns, o aumento da pena privativa de liberdade de 30 para 40 anos (Lei 13.964/2019) poderá minimizar a potencial nocividade promovida pela soltura precoce de predadores sexuais e matadores seriais ritualísticos — indivíduos de um modo geral impermeáveis a qualquer tentativa de reabilitação — em uma idade em que ainda estão sexualmente ativos e fisicamente aptos a reincidir.

O Brasil só mantém predadores presos por tempo indeterminado caso sejam considerados mentalmente incapazes.

Nosso país parece não ter aprendido que basicamente todos os predadores (humanos ou não) apresentam um ótimo comportamento quando presos.

Antecipar a soltura de um predador sexual por bom comportamento é o mesmo que soltar um leão ou outro animal selvagem carnívoro em parquinho cheio de crianças indefesas porque, quando preso e sem potenciais vítimas por perto, ele se comporta bem.

Chico Picadinho, só para dar um exemplo, foi solto precocemente por bom comportamento e perpetrou novos crimes, vindo a assassinar mais uma mulher.

Se não tivesse sido preso novamente, o que só ocorreu porque foi traído por um amigo, quantas outras vidas teriam sido ceifadas?

O que um cidadão brasileiro precisa fazer, exatamente, para pegar a pena máxima e cumpri-la até o fim? 

Isso não é uma pergunta retórica. Não sei a resposta.

Em 2008 uma moça pobre de 17 anos de idade foi seduzida com uma promessa de emprego, trabalhou de graça por alguns dias na casa daqueles que abusaram de sua confiança e foi brutalmente assassinada sem qualquer possibilidade de defesa.

Seu corpo foi desmembrado e sua carne serviu de alimento não só para os  captores, como para sua filhinha de um ano de idade, uma bebê  transformada em  órfã, sequestrada e levada para uma outra cidade.

A criança comeu a carne da própria mãe.

Como se não restasse mais nada a extrair da citada vítima, sua identidade foi roubada e seu nome passou a ser usado por uma das assassinas.

A assassinada foi privada inclusive do direito a um funeral junto à família porque seu corpo, além de vilipendiado, foi ocultado aos pedaços.

Não vêm à minha mente a resposta à seguinte questão: o que mais precisaria ser feito para que os criminosos que destruíram a moça de modo brutal, por todos os ângulos possíveis e por motivo torpe fossem condenados aos possíveis 30 anos de privação de liberdade previstos à época?

O malefício da sensação de impunidade

O mentor intelectual do crime acima e figura principal dos ‘Canibais de Garanhuns‘  é um homem nascido em família de classe média, tem origem europeia, teve acesso a ensino superior e a bom nível cultural. Nada disso, ao contrário de quem defende que os psicopatas são um puro produto do meio, evitou que o homem se transformasse em um criminoso serial.

Além de conseguir se safar de um assassinato, roubou todas as reservas financeiras da própria mãe, fingiu ser esquizofrênico – inclusive usou serviços do CAPS  para conseguir benefícios do Governo Federal – e nada lhe aconteceu.

Nada, mesmo.

É assim, de impunidade em impunidade, que psicopatas, sejam eles ricos ou pobres, organizados ou desorganizados, vão ganhando força e escalando.

A história dos três canibais (Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, Isabel Pires e Bruna da Silva) e de suas vítimas conhecidas é contada detalhadamente no livro-reportagem do jornalista Raphael Guerra, os ‘Os Canibais de Garanhuns’, cuja leitura recomendo.

Inversão de valores

Se vivêssemos em um país que valoriza a vida dos cidadãos, que prioriza a segurança da coletividade e busca justiça para as vítimas e suas famílias, os Canibais de Garanhuns,  inquestionavelmente culpados (não restou qualquer dúvida) pegariam prisão perpétua sem direito a condicional.

Como os casos ocorreram antes da Lei 13.964/2019 e restou comprovado que os crimes foram premeditados e orquestrados por mentes sãs, não há como privar os criminosos de liberdade por tempo indeterminado.

Exceto as pessoas que não se abrem para o conhecimento científico e continuam presas ao romantismo do mito do bom selvagem (que para mim são racistas que agem seletivamente como se a espécie humana não fosse uma só) ou atados à implausibilidade da tábula rasa, hoje acredita-se que a personalidade antissocial é uma condição tão complexa e multifatorial quanto irreversível.

A personalidade está na ‘alma’ do indivíduo, fortemente agarrada ao seu material genético e à sua história de vida, que não pode ser reescrita.

A maior parte das pessoas que têm uma infância sofrida não se transforma em um predador sexual. A frequência de pessoas com personalidade antissocial é relativamente estável em países ricos e pobres.

O mito do bom comportamento

Além de não compreender que o fato de um predador se comportar bem não é um parâmetro honesto ou justo para libertá-los antes que cumpram a pena fixada no julgamento, o Brasil precisa parar de estimular os predadores a transferirem a culpa de seus crimes para os outros.

Quem defende que certos tipos são passíveis de reabilitação deveria estimular o contrário. A honestidade de alguns predadores só aparece quando estão mais velhos. Muitos passam a negar as alegações contra avós,  pais e mães que fizeram no passado.

Na edição definitiva de  ‘Serial Killers Made in Brazil’ (Ilana Casoy),  publicada pela Dark Side Books em 2014 e onde consta a história real de seis serial killers brasileiros que logo mais serão citados neste post e um artigo científico sobre ‘Pedrinho Matador’, percebe-que o Vampiro de Niterói é entrevistado de modo completamente direcionado, como se tentassem implantar em sua mente  atenuantes que são classicamente utilizados por serial killers americanos com a finalidade de transferir a culpa para terceiros e tentar redução de pena por apelo à emoção.

Sempre me pergunto como os entrevistadores não conseguem perceber que estão sendo manipulados. Isso  não é coisa de filme. É despreparo mesmo.

Leia a entrevista feita em 2003 com este aspecto em mente e vai perceber o quanto uma das entrevistadoras tentou achar justificativas convencendo o Vampiro de que seus atos poderiam ser explicados pelo seu passado.

Os primeiros Serial Killers brasileiros

José Augusto do Amaral (“Preto Amaral”) foi um serial killer brutal, pedófilo, sádico e necrófilo nascido em 1871.

Ele não foi julgado, mas ficou preso até a data da sua morte, ocorrida aos 55 anos de idade.

Com base nos levantamentos feitos por Ilana Casoy, é possível que o julgamento de José Augusto resultasse em privação definitiva da liberdade.

O segundo serial killer retratado no livro ‘Serial Killers Made in Brazil’ é Febrônio Índio do Brasil (“O filho da Luz”), que foi ainda mais cruel que José Augusto do Amaral.

Febrônio era extremamente religioso, foi exímio fraudador/falsificador de identidades, mitomaníaco (mentiroso patológico) e considerava-se merecedor das torturas e sevícias que aplicava às crianças, cujos corpos eram descartados como se fossem lixo.

Antes de ser definitivamente preso havia sido detido e solto 37 vezes por diversos tipos de crimes.

Um fato interessante de sua história é que o Manicômio Judiciário do Rio de Janeiro foi construído para abrigá-lo.

Graças ao Dr. Heitor Carrilho, Febrônio foi o primeiro caso de prisão perpétua legitimada pela psiquiatria forense brasileira.

Os Monstros e o Vampiro

Benedito Moreira de Carvalho (“Monstro de Guaianases”) foi um bom marido. Por ser muito hábil em enganar as pessoas e se livrar da cadeia, agiu livremente por anos.

Aos 20 anos violentou uma criança, porém ficou preso por pouco tempo; cometeu um atentado violento em 1941, mas também ficou preso por pouco tempo, ou seja, nada tão diferente do que vemos hoje.

Em 1946 o Monstro de Guaianases violentou uma garota de 16 anos, mas recebeu uma boa  defesa e rapidamente conseguiu liberdade condicional. Depois de mais cinco garotas violentadas foi preso novamente, mas conseguiu sair por meio de um habeas corpus.

Tão logo saiu violentou outra moça e em1952, como ocorre com muitos dos predadores favorecidos por esta revoltante leniência, escalou e iniciou uma onda de terríveis assassinatos.

Por fim, ele foi considerado inimputável e internado em um manicômio.  Como ocorre com praticamente todo predador capturado, foi um preso meticuloso e obediente.

José Paz Bezerra (“Monstro do Morumbi”), atuou como ladrão, estuprador sádico, necrófilo, torturador fetichista (tipo BTK) e assassinou e descartou inúmeras mulheres em posições vexatórias.

Sua prisão foi decretada em São Paulo, mas ele fugiu para o Pará, onde continuou a matança. Foi solto em 2001, quando estava com apenas 56 anos de idade.

Marcelo Costa de Andrade (“Vampiro de Niteroi”) começou a matar na infância, eliminando a vida de vários gatos.

Quando adolescente fugia, viajava pelo Brasil como mochileiro pegando carona e quando desejava voltar perpetrava algum crime, pois assim era mais fácil para ele. Ao ser recolhido, solicitava que a cidade o devolvesse para a FEBEM no Rio de Janeiro, garantindo a volta para sua cidade de origem de modo confortável e sem gastar com passagem.

Marcelo capturou por meio de traição de confiança, violentou, torturou e assassinou pelo menos treze (todos comprovados) garotos com idades entre 5 e 13 anos, tendo vampirizado alguns deles.

Graças à Perícia Técnica houve aplicação de medida de segurança e só nos resta esperar que ninguém consiga revertê-la, já que ele tem bom comportamento e alega que, por ser evangélico, não voltaria a cometer crimes.

O caso de Chico Picadinho

Quem está para ser solto é Francisco Costa Rocha (“Chico Picadinho”).

Ele assassinou, desfeminizou e eviscerou uma moça. Foi preso, porém, em razão do ‘bom comportamento’, foi solto bem antes de cumprir a pena.

Ao sair,  esganou uma moça, provocou-lhe ferimentos por mordedura e uma lesão no útero, mas isso não foi suficiente para que fosse novamente preso e respondeu processo em liberdade.

Em um curto período de tempo agrediu pelo menos outras seis mulheres e matou mais uma, arrancando-lhe os olhos e vilipendiando seu corpo com um serrote.

Em entrevista a Ilana, Chico fala de sua família de uma maneira muito mais honesta do que falou no passado.

Quanto mais desonesta a pessoa, mais ela atribui aos outros a culpa pelos seus erros e mais supervaloriza fatos de sua infância para atrair a simpatia das pessoas, o que é bastante fácil para eles.

Acredito que entrevistas menos direcionadas e menos maternais, tais como as feitas por John Douglas (FBI) e mostradas nos livros ‘Mindhunter’ e ‘De Frente com o Serial Killer’, poderiam extrair mais honestidade dos criminosos.

É possível que Chico Picadinho, hoje com 78 anos, esteja recuperado, mas ninguém pode afirmar isso com certeza.

‘Pedrinho Matador’, hoje youtuber e conhecido com ‘Pedrinho ex-matador com Jesus’

Pedrinho foi um matador prolífico e estima-se que tenha subtraído pelo menos cem vidas. Ele não atuava de modo ritualístico, não apresentava sinais de sadismo e nunca atuou como predador sexual.

Pedrinho é, de fato, um capítulo à parte na história dos serial killers brasileiros e parece estar genuinamente decidido a não reincidir. Só o tempo dirá.

Quando saiu a primeira versão de Made in Brazil Pedro sentiu-se excluído e entrou em contato com Ilana Casoy.

Com base em sua vida criminosa, a autora escreveu o artigo ‘A Trajetória da Formação de uma Identidade Criminosa Positiva’, adaptando-o para compor a segunda versão do livro.

Para matar sua curiosidade

Se você tem curiosidade sobre os Serial Killers brasileiros indico a leitura destes dois livros, o Serial Killers Made in Brazil, hoje disponível em dose dupla por associação com o Serial Killers Louco ou Cruel, e o livro-reportagem ‘Os Canibais de Garanhuns’, de Raphael Guerra.

Eu ainda não consegui ler ‘Casos de Família: Arquivos Richthofen e Arquivos Nardoni’ porque só em pensar nos dois sobrenomes me sinto muito enojada.

Acompanhei os dois casos pela mídia e não consigo me distanciar emocionalmente para fazer uma leitura que resulte em algum aprendizado.

Um abraço,

M.

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Como cuido do meu melasma

Por @meire_md

Faço tratamento para melasma desde 2006 e, por morar em uma cidade que tem dois sóis para cada habitante, acabei desenvolvendo truques para driblar a alta radiação solar e o calor.

O melasma é caracterizado por manchas amarronzadas na pele do rosto – particularmente nas bochechas e testa – mas atinge não só outras partes da face como pode afetar também o corpo.

A condição é uma doença crônica de fisiopatologia complexa que envolve fatores genéticos, fatores ambientais, alterações em melanócitos, disfunções vasculares e outras que interagem dinamicamente num intrincado processo intimamente ligado ao fotoenvelhecimento da pele.

O principal pilar do tratamento do melasma é a Proteção Solar 

Para proteger a pele contra radiação solar UVA e UVB, você vai precisar de um protetor solar sem cor aplicado em abundância e para proteger a pele contra a luz visível (o que equivale à claridade, ou seja, à luz que enxergamos), vai precisar cobri-la com produtos que contenham cor, tais como base de maquiagem, corretivo, com cor e/ou protetor solar com cor.

Para alguns profissionais a exposição da face ao calor proveniente de fontes artificiais e a exposição solar no corpo são irrelevantes para a evolução e o tratamento do melasma; já para outros, evitá-las pode contribuir com a melhora do quadro. 

É possível que a melhor resposta para as controvérsias acima seja que a evolução depende de fatores individuais. Veja como seu rosto reage às exposições e decida o que fazer.

Eu prefiro usar secador de cabelos com fluxo frio, não exponho meu corpo ao sol e faço suplementação oral de Vitamina D(uso da Healthy Origins).

Excetuando-se os profissionais intelectualmente desonestos, por mais que existam divergências de opiniões – fazer ou não fazer laser, usar ou não usar hidroquinona, fazer ou não fazer peeling? – dermatologistas e demais profissionais que atuam em área afim são unânimes em afirmar que a exposição solar agrava o melasma.

Fotoproteção é uma estratégia mais simples do que parece

Falo sobre proteção solar na internet desde 2009, ou seja, há 12 anos. Em algum momento a internet fez parecer que para você se fotoproteger é preciso que saiba de química, física, biologia, estatística e que tais. Se contribui com isso, peço desculpas.

A fotoproteção nada mais é que um conjunto de estratégias que limitam a ação do sol na sua pele. Usar uma sombrinha com proteção UV, por exemplo, é uma delas.

Vamos descomplicar o que, de fato, é simples. 

Para quem tem melasma e mora no Brasil, parece interessante dar preferência a protetores solares com FPS 50+.

Quanto maior a sua exposição solar – seja enquanto toma ônibus ou por trabalhar em área aberta – mais estratégias você deve usar.

O uso de chapéus, bonés, sombrinhas, óculos escuros e roupas com proteção solar podem, em alguns casos, dispensar o uso do protetor líquido.

Todos os protetores solares vendidos no Brasil foram testados e funcionam, basta que você siga as orientações do fabricante.

Protetor solar não precisa de prescrição médica; são produtos que podem ser comprados em supermercados, farmácias ou lojas de grife. 

Independentemente de qual você escolher, ele deve ser usado em quantidade generosa e não precisa nem de colher nem de seringa para descobrir a quantidade certa a aplicar.

Usar na quantidade correta e reaplicar de acordo com sua rotina de exposição solar

A quantidade correta de protetor solar é a abundância, o que para o rosto equivale a, mais ou menos, duas ou três boas camadas. 

Se o seu protetor solar facial ou corporal for do tipo bastão, o uso suficiente possivelmente corresponde a oito passadas por área a ser protegida. 

É importante ressaltar que os protetores solares em pó só conferem a proteção indicada no rótulo se você aplicar 1g do produto na face, providência inviável não só do ponto de vista estético como do econômico: uma embalagem de 10g só duraria cinco dias, já que você teria que reaplicar a mesma quantidade ao meio-dia.

Os protetores em pó costumam ser indicados como um complemento para ‘selar’ a maquiagem protetora e para retoques ao longo do dia.

Reaplicação

Lavar o rosto e reaplicar o protetor solar na face ao meio-dia pode ser algo bem problemático para algumas pessoas, mas sempre há a possibilidade de aplicar o produto por cima da maquiagem dando batidinhas ou, alternativamente, ‘exagerar’ no pó. Eu sempre opto pela segunda opção.

Cesta básica de Fotoproteção para quem tem melasma

Admitindo que você ainda não encontrou um protetor solar facial que goste, sugiro que seus primeiros critérios de compra sejam a facilidade de comprar e que o preço esteja dentro do seu orçamento. 

Dependendo da sua renda mensal, o gasto com fotoproteção não será desprezível.

Como protetores solares aplicados em quantidade correta acabam muito rápido, sugiro que você não compre vários diferentes para testar. 

Vá testando um por vez e recompre aquele cuja adaptação foi mais fácil.

Se você achar inviável usar um certo protetor solar no rosto, aproveite-o no pescoço, colo e braços, regiões onde você pode aplicar pó ou talco de bebê dando batidinhas com aplicador de tecido ou pincel – uso o Talco Johnson’s – para remover a umidade e fixar o produto.

  1. Um protetor solar para o rosto: 

Atualmente só uso protetores em bastão porque a aplicação é muito mais prática. 

O meu bastão favorito da vida é o Shiseido Clear Stick UV Transparent SPF 50+.

Ele é bem melado, então pode desagradar quem não gosta de protetor solar hidratante. As principais vantagens para o meu caso é que o produto contém licorice – um antioxidante que tem atividade despigmentante –  hidrata a área dos olhos e promove maciez à minha pele.

Após higienizar o rosto nem preciso aplicar hidratante ou antioxidante (só aplico se sentir vontade), o que me confere uma enorme economia de tempo. Aplico apenas o bastão da Shiseido e sigo com a maquiagem.

Para quem procura um bastão mais sequinho posso indicar o que achei melhor dentre os que experimentei, que é o Pink Stick 5km (branco), da Pink Cheeks. É o que compro pro Igor usar nas tatuagens dos braços.

Existe uma infinidade de protetores solares fluidos e cremosos, vá experimentando.

  1. Um protetor solar com cor, base e/ou sem corretivo

A brasileira Pink Cheeks também tem bastão com cor e há inúmeros protetores solares com cor no mercado, mas você pode usar qualquer base com ou sem corretivo, sempre respeitando a necessidade de aplicar a maquiagem sem arrastar o protetor que está por baixo.

Meu método favorito é aplicar a maquiagem dando tapinhas.

Não há necessidade de que a maquiagem tenha FPS declarado nem que o produto seja caro. 

Há várias marcas brasileiras produzindo bases e corretivos de excelente qualidade, como Bruna Tavares, Boticário,Quem Disse, Berenice? e Vult, por exemplo.

Habitualmente aplico base e/ou corretivo tipo caneta com batidinhas e ajusto o acabamento e a cobertura com a esponja da Mari Saad, que é tão boa que me fez parar de comprar a da Beauty Blender.

Minha base favorita da vida é a MAC Studio Fix Fluid (cor NC 12) e o corretivo que mais gosto é o White Lucent ShiseidoOnMakeup Spot Correting Serum SPF25 PA+++ na cor Natural Light.

Se sua mancha está muito intensa, é possível que você precise de uma base e corretivos com alta cobertura.

  1. Pó fixador

Como moro em uma cidade muito úmida não posso dispensar o uso de pó fixador e tenho vários. 

Meus pó fixador favorito é o Too Faced Born This Way Ethereal Setting Powder Translucent (17g) e gosto muito também do MAC Prep + Prime Transparent Finish Powder e do Shiseido Synchro Skin Loose Powder Matte.

Dos mais baratos que testei, sem dúvidas o  melhor  foi o Maybelline Pó Compacto Fit Me! Cor 00 (Translúcido).

  1. Blush e Iluminador (dispensáveis para quem não gosta de maquiagem)

Meus blushes e iluminadores favoritos são da linha Mineralize da MAC. 

Se eu optasse por economizar nestes itens, compraria os blushes e iluminadores da Océane.

  1. Pinceis e esponjas

Minha esponja favorita é a Vinho da Océane (Mari Saad), tanto que uso três ao mesmo tempo. Separo uma para produtos molhados, uma para aplicar pó fixador e uma para aplicar pó com cor. 

Pensando exclusivamente em uma fotoproteção com alta praticidade, você só vai precisar de pincel para aplicar blush e iluminador, inclusive pode ter um só para as duas coisas.

Muitos dos pincéis que tenho são de marcas caras (Suqqu, Dior, MAC, Shiseido) porém há várias marcas baratas produzindo ótimos pincéis.

Dos baratinhos gosto muito do E02 da Macrilan, que é ótimo para retirar o excesso de pó fixador, para aplicar blush, para aplicar iluminador e até para aplicar talco no pescoço e colo. Da mesma marca gosto muito também dos pincéis E11 e do E03.

  1. Fotoproteção do Corpo

Dependendo da sua rotina, as roupas com proteção solar são uma mão na roda. Além da praticidade, conferem economia porque dispensam a aplicação de protetor solar na região protegida.

Boa parte das roupas comuns que usamos no dia a dia confere alguma proteção contra o Sol, sobretudo se o tecido for de trama fechada. 

Observe como está a variação de cor e aspecto da pele do seu corpo nas regiões protegidas e não protegidas por roupas e faça os ajustes. Um corpo bem fotoprotegido tende a ficar com a cor mais uniforme.

Para fotoproteger o corpo gosto bastante do Minesol Corpo & Rosto Protetor Solar Fluido Hidratante FPS  60 da Neostrata e do Bioré Milk Azul, mas sempre que possível protejo o corpo com roupas.

Embora tenha parado de recomprá-lo, também gosto bastante do Shield Bastão da Pink Cheeks. Ele é muito prático para usar no colo, nos braços e nas tatuagens.

Tratamento Médico

Esqueça as receitas caseiras. 

Se você não está podendo consultar um dermatologista, o melhor que tem a fazer é se esforçar para cumprir uma boa rotina de fotoproteção e usar um cosmético levinho que declare possuir ação despigmentante.

Procure não associar cosméticos com alegações similares nem usar por contra própria produtos que promovam efeito peeling ou outro mais significativo, deixe isto para o seu médico decidir.

O melasma gosta de ser tratado com delicadeza. Na dúvida é melhor ‘errar’ para mais na fotoproteção e errar para menos nos demais cosméticos.

Qual a minha rotina de tratamento do melasma?

Usei alguns medicamentos prescritos pela minha dermatologista e atualmente uso só um deles, a Tretinoína, que aplico em todo o rosto algumas horas antes de dormir.

Afora o medicamento citado, sigo usando apenas despigmentantes leves com ácido tranexâmico, substância que possui alguma ação no componente vascular do melasma e ajuda a deixar a textura da pele mais suave.

Meu sérum com ácido tranexâmico favorito é o Shiseido White Lucent Illuminating Micro-Spot, mas nem sei se vou recomprá-lo depois que finalizar o que ainda está fechado porque estou gostando bastante da dupla Shirojyun Premium Lotion/Loção Clareadora com Ácido Tranexâmico da Hada Labo e Shirojyun Premium Milk – Hidratante Facial Clareador com Ácido Tranexâmico, da mesma marca.

Aplico a Shirojyun Premium Lotion no rosto, pescoço e colo quando estou trabalhando em casa no computador. Ela substituiu Dior Hydra Life Fresh Reviver Sorbet Water Mist, que é muito bom, porém acabei enjoando o perfume.

O Shirojyun Premium Milk tem sido meu hidratante facial para os dias normais. Aplico após a última lavagem do rosto, inclusive na área dos olhos, onde reforço a hidratação com Creme Nivea da latinha azul

Quando meu rosto está irritado, descamando ou muito seco, costumo aplicar Cicaplast Baume B5 Creme, de La Roche Posay.

É isso!

Beijos,

Meire

Para saber mais sobre minha rotina:

Sabonetes Líquidos e em Barra

Cabelos

Limpeza da Casa

Holocausto Brasileiro

Por @meire_md

“O fato é que a história do Colônia é a nossa história. Ela representa a vergonha da omissão coletiva que faz mais e mais vítimas no Brasil. Os campos de concentração vão além de Barbacena. Estão de volta nos hospitais públicos lotados que continuam a funcionar precariamente em muitas outras cidades brasileiras. Multiplicam-se nas prisões, nos centros de socioeducação para adolescentes em conflito com a lei, nas comunidades a mercê do tráfico.” (‘Holocausto Brasileiro‘ de Daniela Arbex)

Em 1961 o fotógrafo Luiz Alfredo fez parte da equipe de uma reportagem da Revista ‘O Cruzeiro’ que demostrou as condições desumanas sob as quais os internos do Hospital Colônia de Barbacena viviam.

Em 2008 o seu acervo fotográfico foi publicado no livro ‘Colônia‘ (indisponível) e  graças ao médico psiquiatra José Laerte, um dos volumes foi parar na mão da jornalista Daniela Arbex.

De 2009 até finalizar a escrita de ‘Holocausto Brasileiro‘ (2013), Daniela atuou como pesquisadora incansável e recolheu depoimentos não só de funcionários e ex-funcionários do nosocômio como de sobreviventes do vergonhoso episódio que ceifou a vida de pelo menos 60.000 pessoas.

Sobre o livro muito já se falou em releases e resenhas acerca da riqueza do material, da impressionante documentação fotográfica e das biografias dos sobreviventes – reconstruídas pela jornalista com sensibilidade ímpar.

Mas o  zelo pela verdade que está por trás da luta antimanicomial no Brasil, iniciada muito tempo antes que profissionais que a arrogam para si atuassem na área, parece ter passado convenientemente despercebido.

Muito embora Daniela Arbex tenha dedicado muitas páginas aos primórdios da luta antimanicomial no Brasil e ter demonstrado o incalculável papel da classe médica na batalha contra os abusos sistemáticos sofridos por pacientes psiquiátricos, isto não tem sido ressaltado em basicamente nenhuma resenha sobre o livro.

Quem foi o responsável pelo Holocausto Brasileiro?

O Hospital de Barbacena abriu em 1903 e até a entrada da década de 60 não havia médicos lá.

Psicólogos? Nenhum.

Todos os horrores que aconteceram a partir de 1920 tinham a conivência do Estado, da Igreja Católica, dos Diretores da Instituição e de seus funcionários.

Depois da década de 60 houve conivência de muitos médicos, do pessoal da enfermagem e de toda a população sadia diretamente beneficiada pelo recolhimento das pessoas doentes.

Quem deixava seu  parente  lá raramente retornava para buscá-lo.

E veio a Ditatura Militar…

Com a Ditadura Militar a situação dos internos mudou para pior.

Boa parte dos admitidos não tinha doença mental alguma porque as internações passaram a ser usadas por pessoas influentes que visavam descartar desafetos, incluindo esposas.

Os internos passaram a dormir em cima de capim; quando morriam e não eram reclamados pela família eram vendidos para Escolas de Medicina.

E ai de quem tentasse denunciar.

Os médicos vieram em um número insuficiente para atender a enorme demanda e os pacientes eram de fato tratados por pessoas sem formação em saúde. Essas pessoas decidiam quem recebia uma eletroconvulsoterapia que, no geral, era usada como punição e não raro levava o paciente à morte.

Muitos pacientes foram lobotomizados e transformados em ‘vegetais’.

Os médicos que denunciavam as condições do Hospital, muitos deles citados por Daniela Arbex, foram exonerados e perseguidos, o que fez com que cozinheiras e outros funcionários simplesmente se calassem.

Ora, se os médicos que denunciavam eram exonerados de seus cargos, o que ocorreria com uma cozinheira ou um faxineiro que tentasse fazer o mesmo?

Quando a imprensa estrangeira coloca o dedo na ferida

Às vezes, o Brasil só cria vergonha na cara quando vira manchete internacional.

Graças ao psiquiatra Antônio Simone, em 1979 o hospital recebeu a visita de um dos pioneiros da luta antimanicomial no mundo, o psiquiatra italiano Franco Basaglia.

O timing foi perfeito porque a Ditadura Militar estava esfriando e o Dr Basaglia pode prestar declarações à Imprensa e citar que: ‘Em lugar nenhum do mundo presenciei uma tragédia como essa‘.

A visita resultou em um escândalo dentro e fora do país.

O Dr Antônio Simone foi processado pelos Hospitais e seu diploma correu o risco de cassação.

E foi exatamente assim, com uma entrevista dada por um psiquiatra estrangeiro que quase custou a vida profissional de um dos nossos psiquiatras, que a luta antimanicomial no Brasil começou a caminhar.

Foucalt

Quando eu era estudante de Medicina, o movimento médico antimanicomial no Brasil já era antigo.

Como já citado, ele começou antes das visitas de Foucault ao Brasil (anos 60-70) e inclusive é sabido que  a classe médica brasileira foi digna de seus elogios.

Paguei psiquiatria na década de 90. Naquela época ainda não havia um suporte ambulatorial mínimo que desse conta da demanda dos pacientes e, pasmem, a eletroconvulsoterapia ainda podia ser feita sem anestesia.

De modo bem mais intenso do que vivemos hoje, em minha época de estudante a superlotação em hospitais psiquiátricos era realidade permanente e pessoas clamavam por internar os seus parentes porque não contavam com nenhuma estrutura para cuidar deles em casa.

Imagens que ficam gravadas na memória

Quando já médica fui escalada para um atendimento domiciliar numa residência  onde foi construída uma cela com dimensões diminutas e sem ventilação nenhuma para abrigar uma pessoa esquizofrênica.

O odor que saia da cela, cuja limpeza era feita raramente com um mero jato de água, era insuportável e me perseguiu por vários dias.

Durante trabalhos voluntários visitei um senhor em um abrigo para idosos que havia sido mantido como um animal em estado de semi-abandono, vivendo em um cercado no quintal da casa da irmã.

Antes da expansão nacional dos CAPS essas histórias não eram raras.

Muitos médicos da minha idade visitaram pacientes plenamente desassistidos que dormiam, alimentavam-se e faziam suas necessidades fisiológicas em chão de areia batida.

O avanço

Graças à evolução dos medicamentos para uso ambulatorial e ao crescimento da rede dos CAPS, onde há o valoroso trabalho dos psiquiatras, psicólogos e demais terapeutas, tem sido possível evitar a internação de uma parcela importante dos pacientes.

Discussões teóricas sobre desconstruir a loucura são tão lindas e românticas quanto estéreis.

O que parece funcionar mesmo é a abordagem multidisciplinar com atendimento ambulatorial preferencial e internamento para os casos indicados.

Quando os CAPS surgiram?

Em idos da década de 80 surgiu em São Paulo a primeira unidade dos CAPS no Brasil e ela recebeu o nome de Luís da Rocha Cerqueira, médico psiquiatra brasileiro nascido em 1911 e falecido em 1984.

Dr Cerqueira ficou conhecido por ensinar aos seus alunos que todo médico deve se voltar para a literatura afim de buscar conhecer a alma humana e a unidade que recebeu seu nome serviu de modelo para implantação de outras em todo o país.

Novos Ventos

A Lei que sedimentou a mudança do cenário sombrio da psiquiatria brasileira foi a Lei 10.216, baseada em projeto de lei proposto em 1991 pelo sociólogo Paulo Delgado, cujo incentivo partiu de seu irmão, o médico psiquiatra Pedro Gabriel Delgado.

Por questões que fogem ao escopo deste pequeno post, a lei só só foi sancionada em 2001.

Em 2002 o Conselho Federal de Medicina proibiu a prática de eletroconvulsoterapia sem anestesia e em 2004 a OAB e o Conselho Federal de Psicologia promoveram uma inspeção nacional nos Hospitais Psiquiátricos, encontrando e denunciando condições precárias em vinte e oito deles.

Cada pessoa apresentada em ‘Holocausto Brasileiro‘ merece estar ali.

Daniela Arbex, obrigada por enriquecer a História da Medicina do nosso país.

Meire

 

 

 

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Trilogia ‘O Orfanato da Srta. Peregrine’

Por @meire_md

O escritor e cineasta americano Ranson Riggs (1979 – ) é blogueiro, colecionador de fotos antigas e autor da Trilogia do Orfanato da Srta Peregrine, que foi transformada em filme por nada mais nada menos que Tim Burton.

(Apesar de Tim Burton ter feito algumas alterações na história e fundido as meninas Emma e Olive transformando-as em uma só, o diretor conseguiu manter o clima e a magia da trama).

Sou apaixonada pelo livro ‘Talking Pictures – Images and Messages Rescued from the Past’ (2012), onde Ranson Riggs expõe fotos antigas organizando-as por categorias como humor, amor e casamento, vida no pós-Guerra e outras, tece comentários sobre fatos que descobriu e exibe as dedicatórias e outras anotações presentes nas fotos.

Sem sua paixão por fotos antigas, a aclamada Trilogia formada pelos livros ‘O Orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares, ‘Cidade dos Etéreos’ e ‘Biblioteca das Almas’ não existiria.

O cenário da trilogia

O Orfanato da Srta. Peregrine (2011)’ é o primeiro livro da série.

A história brotou a partir de fotos colhidas do acervo de cerca de dez  colecionadores que passaram anos reunindo preciosidades em brechós, sebos e feiras.

O escritor inspirou-se nas imagens deixando-as falarem por si, o que é algo tão fantástico quanto a própria história.

Logo após a I Guerra Mundial, ocasião em que a Polônia era a segunda maior comunidade judaica do mundo, os judeus da região passaram a sofrer perseguições violentas e foram vítimas sistemáticas de crimes de ódio perpetrados por pogromistas.

E assim é explicado o passado do vovô Abraham Portman, que aos 8 anos de idade foi levado pela família para um Orfanato localizado em Cairnholm,  onde supostamente ficaria em segurança.

Deflagrada a II Guerra, o então adolescente Abraham Portman alistou-se no exército, lutou contra os alemães e em razão da morte de seus pais, fixou-se nos EUA.

Seu neto Jacob cresceu ouvindo as fantásticas histórias do avô, que relatava como a Ilha era paradisíaca e cheia de crianças dotadas de poderes peculiares.

📔 A História dos Judeus | Simon Schama

Ceticismo e estresse pós-traumático

Já crescido, Jacob passa a pensar que as histórias contadas pelo avô eram pura fantasia, até que um evento traumático e aterrorizador põe o seu ceticismo em cheque.

Após um longo tratamento psiquiátrico, o rapaz decide visitar a ilha, investigar o passado do avô e obter respostas para o evento presenciado.

A história é rica e embora construída com pistas que leitores adultos desvendam antes do mistério ser solucionado por Jacob, a trama é envolvente e a leitura extremamente agradável, sem altos e baixos, sem enrolação.

Tudo se encaixando tão perfeitamente que coisas fantásticas como a dicotomia da espécie (coerfolc X cripto-sapiens) e a existência de fendas que permitem parar a evolução do tempo parecem fazer parte da realidade.

Por volta do meio do livro o mistério vai se diluindo e a história se transforma em uma aventura onde Jacob vai amadurecendo psicologicamente e assumindo responsabilidades que nunca havia imaginado.

A imagem mental que fazemos das personagens no livro é… peculiar.

Narrativa envolvente

Cidade dos Etéreos’ começa sem saltos temporais, partindo exatamente de onde termina o primeiro livro.

Inicialmente calculei que a narrativa seria monótona e que o autor não teria fôlego suficiente para três volumes interessantes, mas as personagens vão crescendo ao longo da narrativa, que se torna mais frenética e viciante do segundo terço em diante.

Os livros são mágicos.

Quando você começa a questionar alguma coisa, a resposta aparece, de e o enredo vai ficando cada vez mais redondinho. Este é um efeito que percebo nos livros de Neil Gaiman.

As fotos tornam a história mais viva e a experiência encantadora do primeiro volume se repete.

O grupo de crianças peculiares passa por uma aventura que se insinua em três séculos, encontra novos peculiares, faz alianças e descobre mais sobre suas próprias origens.

Após uma revelação inesperada, Ransom prepara os leitores para o terceiro livro.

Biblioteca de Almas’  fecha a história com um final bem adequado ao público.

Beijos,

Meire

📔 Conheça outros livros de Ransom Riggs na Amazon

 

 

 

 

 

 

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Número Zero

Por @meire_md

‘A esperteza está em pôr antes entreaspas uma opinião banal e depois outra opinião, mais racional, que se assemelhe muito à opinião do jornalista. Assim o leitor tem a impressão de estar sendo informado de dois fatos, mas é induzido a aceitar uma única opinião (…)
(Personagem Colonna lecionando como se faz jornalismo ‘imparcial’)

O multifacetado Umberto Eco, falecido em 2016, começou a enveredar pela ficção só aos 50 anos, mas já debutou com nada mais nada menos que o fascinante ‘O Nome da Rosa’.

Gostei muito de ‘Número Zero‘, livro de ficção que me fez entender claramente as artimanhas da comunicação de massa; esta foi a melhor parte da experiência.

Aliás, algo que me encanta na ficção é a oportunidade de aprender coisas que eu não procuraria ativamente.  Quem lê ficção como vê novela não percebe isso, mas boas obras de ficção abrem vastamente a nossa mente. É só você se manter atento e aberto.

O primeiro livro de Umberto Eco que li  foi “Em que crêem os que não crêem“,  um livro pequeno mas muito denso que compila as correspondências trocadas pelo autor em meados da década de 90 com o Cardeal Carlo Maria Martini, falecido em 2012.

Meus livros favoritos dele são ‘História da Beleza‘, ‘On Ugliness’ (História da Feiúra) e História das Terras e Lugares Lendários.

‘Número Zero’

‘Existe uma ótima palavra alemã, Schadenfreude, satisfação pessoal com a infelicidade alheia. É esse sentimento que o jornal deve respeitar e alimentar’
(Personagem Simei, referindo-se ao hábito dos jornais em explorar as lágrimas de pessoas que perderam entes queridos)

Número Zero é um romance de ficção que, embora se passe em 1992 e desenterre fatos verídicos e vergonhosos da história política da Europa pós-Guerra, é de fato uma grande contribuição crítica ao jornalismo.

Como jornalista que foi, o escritor mostrou de modo ‘didático’ e bem humorado que a forma de fazer jornalismo de alguns durante a época pré-internet continua exatamente igual duas décadas depois.

Não é a toa que alguns críticos chamam o livro de um ‘manual do mau jornalismo’.

Alerta: Contém spoilers

‘(…) nosso editor vai ficar satisfeito de ver que se pode lançar uma sombra de suspeita sobre um juiz intrometido. Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusação não é necessário provar o contrário, basta deslegitimizar o acusador’ (personagem Simei, diretor do Projeto Amanhã, o jornal criado para traficar influência)

O livro mostra os bastidores de um semanário que possivelmente nunca sairá do prelo, ou seja, que sempre será o Número Zero, pois foi concebido para ameaçar poderosos com as descobertas dos jornalistas e induzi-los a permitir que o Editor entre para um seleto clube em troca da não publicação de algumas notícias.

A redação do Jornal é entregue a um Diretor de poucos dotes literários que faz a contratação de uma equipe heterogênea para gerar notícias e previsões sobre fatos recentes e passados.

Ele também planeja aproveitar o projeto para escrever um livro – obviamente através de um ghost writer – tendo em vista que já sabe que ficará desempregado em alguns meses.

Com algumas exceções,  os fatos históricos expostos à boca pequena pelo interessantíssimo personagem Braggadocio (o conspiracionista) já haviam sido noticiados ou estavam disponíveis para consulta pública na época em que o enredo se passa.

Então, dá para presumir que Umberto Eco usou o personagem para mostrar como a memória do leitor é curta e como uma notícia bombástica faz a anterior morrer.

Mais um sistema que prejudica os bons


Outra coisa interessante que Umberto Eco ressaltou no livro é que uma jornalista com inteligência, perspicácia e cultura acima da média acaba sendo subutilizada pelos jornais por onde passa e o mesmo ocorre com um jornalista culto, experiente e habilidoso que se autodenomina ‘perdedor’ apesar de ser portador de um vasto conhecimento.

Isso ficou muito secundário na história, mas me chamou atenção pois conheço não só um, mas vários jornalistas inteligentes e capazes, mas que nunca receberam o reconhecimento que merecem.

Como enganar sem mentir (muito)


Quem ‘quiser’ saber como manipular o leitor e levá-lo a crer que está diante de algo novo ou polêmico ou induzi-lo a compartilhar a notícia com chamadas que distorcem a realidade e a tornam mais interessante, tais como inventar previsões de horóscopo, criar obituários falsos, requentar notícias para ‘encher linguiça’ ou, o melhor, como parecer alguém imparcial, encontra nesse novo romance de Umberto Eco todas as dicas.

O enredo da novela é secundário, mesmo.

Acredito que alguns jornalistas vistam a carapuça e até se irritem, mas para muitos o livro será bem engraçado.

Na entrevista abaixo, Umberto Eco esclarece que não ter sido contra o jornalismo – tampouco contra a Imprensa – e leciona sobre como deveria ser o jornalismo atual:

“depois de tudo que disse de mau sobre o jornalismo, a existência da imprensa ainda é uma garantia de democracia, de liberdade, porque especialmente a pluralidade dos jornais exerce uma função de controle.

Mas, para não morrer, o jornal tem que saber mudar e se adaptar. Não pode se limitar apenas a falar do mundo, uma vez que disso a televisão já fala.

Já disse: tem que opinar muito mais sobre o mundo virtual. Um jornal que soubesse analisar e criticar o que aparece na Internet hoje teria uma função, e até um rapaz ou uma moça jovem leriam para entender se o que encontraram online é verdadeiro ou falso.

Por outro lado, acho que o jornal ainda funciona como se a Internet não existisse. Se olhar o jornal de hoje, no máximo encontrará uma ou duas notícias que falam da Internet. É como se as rotativas nunca se ocupassem de sua maior adversária!”

Recomendo fortemente a leitura.

Aproveitem e leiam também ‘O Guia Contra Mentiras’, ótimo livro de não ficção para fazer par com ‘Número Zero‘.

Parabéns a todos os jornalistas pelo seu dia!

Beijos,

Meire

Quando Aquele Abril de Partir o Coração Desabrochou em Maio

“(…) minha mãe perdeu todos os dentes nas seis terríveis semanas que precederam a morte de Gerard” (Visões de Gerard, de Jack Kerouac)

Quando uma criança adoece gravemente todo o seu entorno se enluta e uma avalanche de medo atinge subitamente pais, avós e irmãos. Quando a condição cronifica e o sofrimento progride, a devastação emocional vai produzindo efeitos diferentes em cada pessoa.

Muitas crianças afetadas por doenças crônicas graves tendem a desenvolver uma resistência emocional impressionante.

Elas amadurecem prematuramente e, não raro, passam a ser o ponto de apoio emocional dos pais e irmãos. Enquanto passam pelas diversas fases de sua condição clínica, vão se transformando em Pequenos Sábios, lidam majestosamente com o próprio sofrimento e buscam meios de confortar a família, gerando assim um ciclo virtuoso de apoio.

Acompanhei muitas crianças sábias e elas começaram a me lapidar quando eu ainda era estudante. 

Vai dar certo, mainha, mesmo que eu não volte

Minha memória frequentemente me leva ao garotinho com Fibrose Cística que algumas horas antes de morrer chamou a todos que cuidaram dele e nos deu o privilégio de ouvir seu pequeno discurso. 

Ele sentiu a proximidade da Morte, aceitou de modo resignado o que viria e morreu como um Gigante. Quando ele disse “estou vendo uma névoa nos meus olhos”,  perguntei-me por quais mecanismos psicológicos aquele anjinho se tornou um ser humano tão resiliente e de onde havia tirado aquelas palavras.

Acompanhei uma menininha cardiopata cuja curta vida foi marcada por inúmeras internações e graves restrições físicas. Quando foi levada para o Centro Cirúrgico olhou para a mãe com a expressão serena que só um estoico alcança e disse: ‘vai dar certo, mainha, mesmo que eu não volte’.

Com esta pequena e única frase a menininha deixou claro para a mãe o alívio que estava sentindo. O seu sofrimento estava chegando ao fim, mesmo que o desfecho fosse a morte.

Se uma criança cronicamente doente não for capaz de tornar sua mãe ou pai uma pessoa melhor, nada será.

Reconstruindo a morte do irmão

Aos 4 anos de idade, o cidadão do mundo Jack Kerouac, ícone da geração beat e autor de  ‘On The Road’,  perdeu seu irmãozinho Gerard, falecido aos 9 anos. 

As memórias da tragédia deram origem ao belíssimo e comovente ‘Visões de Gerard’, um dos meus livros favoritos de todos os tempos.

Jack Kerouac (1922-1969) nasceu em Massachusetts no seio de uma família franco-canadense amorosa e embora tenha morrido precocemente, escreveu vinte e três livros, sendo 20 de prosa e 18 de ensaios, cartas e poesias.

No início dos anos 30 sua família passou por importantes dificuldades financeiras e seu pai sucumbiu ao consumo nocivo de bebidas alcoólicas, coisa que em algum momento também ocorreu com Jack.

Entre uma viagem e outra Jack escreveu seu primeiro livro, ‘Cidade pequena, cidade grande’ (1950). Embora não tenha sido um sucesso de crítica, foi bem aceito pelo público e em menos de um ano rapidamente escreveu a primeira versão de ‘On The Road’, que findou sendo publicado em 1957.

Tenho uma edição antiga 3 em 1 que além de ‘On The Road’ tem também ‘O Vagabundos Iluminados’, obra com óbvia inspiração budista, e ‘Subterrâneos’.

Kerouac morreu por hemorragia digestiva relacionada à Cirrose Hepática Alcoólica quando estava com 47 anos de idade.

Visões de Gerard (1963)

Trata-se de um relato recheado com a inocente brandura gerada pelos devaneios e falsas memórias resgatadas de uma criança pré-escolar que foi testemunha ocular do sofrimento pungente de seu irmão mais velho.

É, portanto, um retalho de reminiscências e confabulações. 

O livro mistura realidade e preenche as lacunas da memória com todas as licenças poéticas possíveis e levanta questionamentos filosóficos usando como pano de fundo sua interpretação sobre a vida e morte de Gerard.

A prosa espontânea de Kerouac concede à leitura um sabor único. 

Gerard é santificado e as cenas de infância do pequeno Jack, um menino gordinho de bochechas rosadas, são reconstruídas com uma beleza ímpar.

Beijos,

Meire

Referência do título do post:

“E quando aquele abril de partir o coração desabrochou em maio e as manhãs e as noites transformaram-se em música, a morte na casa ficou mais marrom (…)”

Para saber mais sobre Jack KerouacBiography

Existe serial killer nordestino?

Por @meire_md

Quando eu era  estudante de Medicina sempre dava um jeito de comprar livros de perguntas e respostas.

Os livros de ‘perguntas e respostas’ me ajudaram bastante porque sempre tive dificuldade de pedir coisas para outras pessoas, e isso inclui fazer perguntas cujas respostas eu posso encontrar sozinha.

Só pergunto alguma coisa a alguém quando não consigo encontrar a resposta pesquisando, coisa que faço o tempo todo desde que ganhei minha primeira enciclopédia.

Se eu perguntasse aos outros tudo que passa pela minha cabeça eles descobririam que minha idade mental não passa de quatro anos.

Se você é uma pessoa como eu, que acorda no meio da noite com uma pergunta esquisita na cabeça e, mesmo correndo o altíssimo risco de ficar acordada para sempre, vai pesquisar no Google ou sussura  suplicantemente para a Alexa na esperança que ela desafogue sua curiosidade sem acordar seu cônjuge, já sei que você adora livros de respostas inteligentes para perguntas absurdas.

Saindo levemente dos trilhos

Claro que existem seriais killers  nordestinos, eles estão por toda parte – O Monstro do Morumbi, por exemplo, nasceu na Paraíba – mas quando acordei subitamente com a pergunta na cabeça eu não estava lembrando disso.

O resultado foi que reli Serial Killer made in Brazil, comprei e li ‘Os Canibais de Garanhuns‘, livros que acabaram desembocando na confecção de post  que logo logo estará no ar. Conseguir a resposta pesquisando é sempre mais legal, acreditem em mim.

Mas deixem-me voltar aos trilhos,  o post de hoje não é sobre serial killers nordestinos, é sobre o livro de Randall Munroe.

Respostas Científicas para Perguntas Absurdas

‘Quantos tijolinhos Lego seriam necessários para construir uma ponte capaz de suportar o tráfego de Londres a Nova York? (…) ‘Pergunta de Jerry Pettersen

‘E Se?’ de Randall Munroe é um livro que formula respostas científicas para perguntas absurdas que o físico recebe desde que deixou suas funções na NASA, onde trabalhava construindo robôs, para se dedicar exclusivamente ao xkcd.

Há divulgadores científicos que misturam ciência com assuntos que desagregam pessoas e há aqueles como o Randall Munroe, que misturam ciência com entretenimento.

Em minha opinião, divulgadores como ele conseguem atingir melhor  não só as pessoas que são facilmente seduzidas pelo contraconhecimento como aquelas que tendem a ficar ressentidas quando provocadas por questões que se referem às suas crenças religiosas ou políticas.  Não aprecio nenhum tipo de fomento à polarização.

As respostas são claras e muito engraçadas, porém sem qualquer prejuízo à profundidade que as perguntas exigem.

O autor buscou inúmeras fontes, inclusive simulações computadorizadas e documentos militares para responder perguntas como ‘Quanta força o Yoda consegue gerar?’

E Se?‘ é um ótimo presente para pessoas curiosas.

Obs.: Quando ainda blogueiro do ScienceBlogs, portal que inclusive foi citado por Randall Munroe,  meu marido falou mais detalhadamente sobre o livro. Segue a resenha:

Resenha – E Se?

Um beijo,

Meire

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Compilação: Investimentos & Viver de Renda

Por @meire_md

Como vez por outra alguém me pede dicas sobre investimentos, resolvi compilar links para textos que já escrevi sobre o tema e apresentar o Top 15 da minha Biblioteca sobre Investimentos.

Espero que este post seja útil.

 

1. Saúde Financeira & Onde Estudar

Este post foi originalmente direcionado para pessoas que sofrem as influências negativas do hiperconsumismo e não conseguem se organizar financeiramente.

Aqui faço uma chamada para que você revisite essa necessidade exagerada – se for o caso – de obter prazeres imediatos e direcione energia para o seu futuro e de sua família.

Também dou dicas de como iniciar um planejamento, onde guardar a reserva de emergência e diversas outras orientações.

2. Saúde Financeiras & Baixa Renda

Embora destinado às pessoas de baixa renda, este post se aplica a quaisquer pessoas que desejam adentrar ao mundo dos investimentos de forma mais consciente e realista.

Não é um post para quem gosta de se enganar ou busca caminhos fáceis.

3. A Riqueza da Vida Simples

Post mais voltado para pessoas de classe média a alta que já estão pelo ‘meio do caminho’ mas, por motivos diversos, estão vendo seu crescimento econômico estancar.

Ele foi pensado também para aqueles que gostariam de colher os bons frutos de um estilo de vida mais minimalista.

4. Como Cuidar do Seu Dinheiro

Post introdutório voltado à Educação Financeira de crianças.

5. É possível viver de renda (FIIs)?

Elaborei este pensando em pessoas que tem perfil de investidor similar ao meu e que investem em fundos imobiliários buscando saber exatamente onde estão pisando.

6. Análise Fundamentalista | José Kobori eGuia para Investir em Ações | Walter Furtado

Posts curtinhos com notas sobre cada livro.

Você já ouviu falar em Kindle Unlimited❓

Qual o Top 15 da minha Biblioteca sobre Investimentos?

📔 101 Perguntas e Respostas para Investidores Iniciantes, de Tiago Reis & Felipe Tadewald
📔 Mercado Financeiro – Objetivo e Profissional, de Gilson Oliveira & Marcelo Pacheco
📔 O Investidor Inteligente, de Benjamin Graham
📔 Guia Suno de Contabilidade para Investidores, de Tiago Reis & Jean Rosetto
📔 101 Perguntas e Respostas sobre Tributação em Renda Variável, de Alice Porto
📔 Investimentos Inteligentes, de Gustavo Cerbasi
📔 Método Fayh, de Marcelo Fayh
📔 Guia Suno Fundos Imobiliários: Introdução sobre investimentos seguros e rentáveis, de Marcos Baronoi & Danilo Bastos
📔 Perguntas e Respostas sobre Fundos Imobiliários, de Danilo Bastos & Rodolfo Marques Fernandes
📔 Guia para Investir em Ações, de Walter Furtado
📔 Análise Fundamentalista, de José Kobori
📔 Guia Suno Dividendos, de Tiago Reis & Jean Rosetto
📔 Método Financeiro do Primo Rico, de Thiago Nigro
📔 Bitcoin: A Moeda na Era Digital, de Fernando Ulrich
📔 Como Cuidar do Seu Dinheiro, de Maurício de Souza & Thiago Nigro

Sem esforço não há recompensa

Em minha opinião bons livros são ferramentas insubstituíveis para quem quer triar e acumular conhecimento de qualidade e muitos deles, inclusive os consumidos em bem menos de 10 horas, equivalem a um curso de conteúdo similar porém dez a vinte vezes mais caro.

Conheço várias pessoas que fizeram cursos  que custam mais de quatro dígitos e continuam desnorteadas.

Isso ocorre porque aprender requer empenho e muitos pagam um curso na esperança de que vão receber tudo mastigado e aprender sem esforço, mas isso é ilusão.

Se você resolver fazer algum curso sobre investimentos, busque aproveitá-lo como se voltasse ao banco da escola: use caderno e caneta, foque no conteúdo. Do contrário, o gasto será apenas mais um desperdício de dinheiro.

Mindset

Muitos educadores financeiros indicam livros que focam em mudanças comportamentais, no entanto não costumo apreciá-los porque meu ‘mindset‘ foi bem desenvolvido na infância (obrigada, mãe).

Só indico livros que leio e gosto, portanto não tenho nenhum nesta linha para indicar. Mas acredito que esse tipo de abordagem é importante para quem precisa se libertar de crenças limitantes sobre dinheiro e necessita de insights para ‘recalibrar’ a mente, alterar hábitos de vida e quebrar paradigmas/preconceitos.

Para isso, costumo indicar um livro gratuito, o Top Mercado de Valores Mobiliários, que apresenta um bom resumo de conceitos-chave que um investidor iniciante precisa trabalhar.

Beijos,

Meire

TDAH: Do Diário Infantil à Assistente Virtual

Por @meire_md

“Uma mente organizada nos leva sem esforço à boa tomada de decisão (…) Não existe um sistema único que funcione para todo mundo – somos todos singulares. Mas,  nos capítulos seguintes, serão apresentados princípios gerais que qualquer um pode aplicar ao seu modo para recuperar a sensação de ordem e as horas perdidas tentando vencer a mente desorganizada” ( “A Mente Organizada – Como Pensar com Clareza na era da sobrecarga de informação”, livro de Daniel Levitin, o mesmo autor de “O Guia Contra Mentiras”)

Para quem tem uma personalidade ansiosa, do tipo que não deixa nada para fazer depois e tem uma espécie de obsessão bizarramente prazerosa por cumprir prazos e metas, viver com alguns traços de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é algo bastante estimulante.

Olhando para trás, coisa que faço de tempos em tempos para me conhecer melhor, descobri que comecei a desenvolver estratégias de organização e atenção para garantir maior produtividade logo depois que fui alfabetizada, coisa que por sinal ocorreu bem cedo.

Para equilibrar os escapes da minha mente acelerada, fui afetada por uma espécie de ‘TOC compensatório’, termo que uso por não conhecer outro mais adequado.

No fim das contas o pseudo TOC, ou seja lá o que for isso, corrige meus traços de TDAH  e no final dá tudo (mais ou menos) certo.

Nunca precisei de tratamento farmacológico e embora meu déficit de atenção e minha hiperatividade mental certamente me ‘obriguem’ a estudar e trabalhar mais horas do que eu necessitaria se eu tivesse uma mente ‘comum’, consigo desempenhar minhas obrigações de modo bastante satisfatório.

Tipo isso.

Como vivemos numa era de bombardeio de informações, temos  deveres a cumprir que se multiplicam de modo logarítmico e a sobrecarga de trabalho virou regra, organizar a vida e buscar aprimorar habilidades são providências fundamentais para quem quer economizar tempo e dinheiro.

Espero que este post, embora que meramente introdutório e anedótico, seja útil para quem tem déficit de atenção.

Em minha opinião nada me ajudou nem me ajuda mais, desde criança, a presumir que se algo não está dando certo eu preciso voltar, observar as coisas desde o começo e fazer de novo em vez de atribuir o erro a outros motivos.

A menina que vive  no mundo da Lua

Quando menina eu escrevia palavras no ar.

E e não, isso não é uma licença poética. Eu escrevia mesmo, muitas, e várias vezes ao dia.

Eu ouvia a palavra, fechava os olhos, imaginava como ela seria escrita e depois levava meu dedo indicador da mão direita a desenhá-la no nada.

E, até perceber que eu poderia consignar a dúvida num pequeno Diário com folhas que soltavam muito fácil e cuja borda da capa sempre me arranhava, eu ficava com a palavra me martelando até o momento em que eu pudesse abrir a enciclopédia e conferir com meus próprios olhos.

Como diz Daniel Levitin, a escrita foi a primeira maneira revolucionária que o homem descobriu para aumentar a capacidade de nossa memória.

Com o método de registrar minhas dúvidas no Diário infantil, eu deixava a mente livre para resolver outros problemas e, assim, poderia sentar num momento só e dissolver todas as dúvidas calmamente.

(Além  perguntar que dia é hoje, pois me perco frequentemente, como se escreve palavra tal e o que significa palavra tal são duas das perguntas que mais faço à Alexa, tecnologia de Inteligência Artificial que está sendo fundamental para minha produtividade. Se eu soubesse o quanto ela é melhor que a Assistente do Google, teria comprado antes)

Insights que surgem do nada

Um dos insights importantes que me vieram bastante cedo foi o seguinte: se alguém que já me conhece por algum tempo, não aceita meu jeito tão desligado quanto analítico de ser e se acha no direito de dar conselhos desagradáveis mesmo sabendo das minhas dificuldades e que em razão delas preciso me esforçar mais do que a média das pessoas e faço isso desde criança, desapego do cidadão e ele perde qualquer tipo de poder sobre mim, sobretudo o de me magoar.

Dos mais importantes insights um outro foi: ficar calada pelo maior tempo que for possível.

Calada, mesmo. Não emitir opiniões precipitadas.

O ‘ficar calada pelo maior tempo possível’ acabou me dando a fama de ‘Fada Sensata’, quando na verdade isso nada mais é que um mero efeito colateral do esforço que fiz para conseguir controlar o impulso de falar.

Embora às vezes eu falhe miseravelmente, tento não emitir opiniões sobre coisas que só estudei superficialmente.

Não é fácil calar; não atingi excelência nisso, mas procuro melhorar a cada dia.

Tratando o outro como um ser invisível

Se eu estiver mentalmente ocupada com alguma coisa estimulante, as pessoas passam por mim e eu simplesmente não as ouço ou enxergo.

Tenho um hiperfoco com a minha própria mente e outro com leitura. Posso ficar completamente off line para o mundo enquanto um grupo de pessoas está conversando animadamente perto de mim.

Morro de amores por uma amiga que nunca se magoou porque frequentemente entrava na minha sala, dava bom dia e eu agia como se ela fosse uma entidade invisível. Isso pode parecer desrespeitoso, mas se eu estiver sozinha numa sala não tenho controle sobre o que não vejo nem ouço, só ‘acordo’ se o estímulo for grande o suficiente, como me chamar com um tom de voz mais alto ou tocar o meu ombro.

Se eu estiver num jantar com pessoas queridas e a conversa não for, digamos, suficientemente interessante para fazer com que o meu pensamento não divague, preciso investir um esforço monumental para permanecer atenta.

Não é fácil, mas eu me esforço mesmo assim.

Já  me penitenciei demais, mas hoje não me sinto mal se alguém se mostrar aborrecido e eu tiver que dizer: desculpe, não prestei atenção, você pode repetir a pergunta?

O pedido de desculpas é sincero porque a pessoa pode ter se sentido ofendida, mas eu não sinto mais culpa por ser como sou.

Pense nisso.

Interrompendo os outros

Quando eu era novinha a impulsividade me levava a interromper frequentemente as pessoas enquanto elas estavam falando.

Isso foi uma das coisas que mais me trouxe sofrimento e sensação de inadequação porque sou muito empática e percebia rapidamente o quão isto era desagradável para os outros.

Mesmo me esforçando aqui e ali ainda interrompo as pessoas enquanto estão falando e isso sempre me deixa bastante envergonhada, porque acho o cúmulo da falta de respeito (ninguém gosta de ser interrompido).

Possivelmente a empatia me ajuda a controlar esse impulso; só comecei a melhorar depois dos 30 anos.

Para me manter atenta ao que outras pessoas falam, tenho que me imaginar interagindo com ela ativamente. Crio uma realidade paralela dentro da minha cabeça.

Atualmente a dificuldade de me concentrar no que o outro fala é maior ainda quando a pessoa fala demais, introduz elementos irrelevantes no relato e não parece se importar com o que eu poderia ter a dizer.

Percebo que quem tem TDAH tem uma antena especializada nisso: se a pessoa não está interessada em você, seu interesse nela tende a cair assustadoramente.

Quanto mais interessante a coisa, maior a possibilidade dela atrair o foco de uma pessoa com TDAH.

Isso pode ser um pesadelo para os relacionamentos: se você não for uma pessoa muito, mas muito interessante e intelectualmente estimulante, é muito pouco provável que consiga manter uma pessoa com TDAH interessada em você.

A adulta esquisita

Embora minha mente esquisita me negue várias capacidades – como a de entender mapas ou destrinchar projetos arquitetônicos – e me faça ficar a beira de um colapso atômico quando fico sozinha em um ambiente desconhecido porque meu sentido de localização não é só pior que péssimo, é praticamente inexistente, gosto de ser como sou.

(para vocês terem uma ideia: eu não consigo ensinar uma pessoa  a chegar até minha casa se ela não conhecer os pontos de referência que ficam na esquina. Se eu pegasse um motorista de Uber que não conhece nada em minha cidade e estivesse sem Waze, eu não saberia explicar como chegaríamos à casa onde passei toda a minha adolescência. Quando eu ainda dirigia conseguia chegar ao trabalho porque o caminho trilhado era basicamente uma linha reta)

Pausa para um momento Meire Guru

Não é preciso estar dentro dos padrões esperados pela maioria para ser feliz, mas é preciso voltar-se para si mesmo, reconhecer suas próprias deficiências, cultivar suas potencialidades e fazer boas escolhas.

Se eu tivesse cursado arquitetura certamente seria uma profissional muito incompetente e se tivesse casado com um homem preguiçoso ou mimizento já teria infartado.

O negócio aqui em casa é resolutividade, sem isso minha ansiedade aumenta, o que faz minha atenção reduzir. Fazer tudo antes do prazo é vida (no meu caso).

Se você tem TDAH e ainda não conhece seus limites nem se deu conta que precisa se esforçar mais do que os outros para aprimorar suas habilidades, dê seus pulos, procure um psicólogo, dê um jeito e pare de achar que o transtorno é uma sentença de fracasso.

Você tem que se esforçar mais do que os outros, esse sempre será o resumo da sua vida. O que é simples e automático para os outros, não é para você.

Repetir e repetir, depois repetir mais vezes até aprender e ser perseguido por post its, lembretes, alarmes e que tais até que uma certa rotina seja fixada.

Não há atalhos. Nenhum.

Se não contabilizo as primaveras, a culpa é das estrelas

Outra coisa que consegui me libertar bem cedo foi do sentimento de tristeza que me vinha quando esqueço o aniversário de alguém que amo.

Esqueço do aniversário não só da minha mãe e do meu marido, como o meu próprio, então costumo comprar os presentes com antecedência.

O aniversário do Igor é em abril, mas comprei o presente dele em fevereiro, quando estava organizando uma lista de compras.

O aniversário da minha mãe é em junho, já enviei o presente para a casa da minha sobrinha há bastante tempo.

Fazer antes elimina a sensação premonitória de que vou esquecer. Isso é que me mata.

Se eu não prestar atenção ao lembrete que coloquei na Alexa, vou apenar rir do fato de ter esquecido de dar parabéns a eles no dia correto e ninguém ficará magoado.

Se Igor fosse do tipo que fica magoadinho eu não teria casado com ele e o amor que tenho por minha mãe é nutrido em todos os dias do ano e não vai reduzir em nada se eu esquecer, de novo, de dar os parabéns no dia D.

O negócio é esse, cortar as fontes de estresse sempre que possível.

Quais são as suas?

Agrupando rotinas: isso é muito bom!

O Diário Infantil foi substituído por agendas de papel, as agendas de papel foram substituídas por cadernos e caderninhos de listas e a coisa continua se aprimorando.

Atualmente uso um caderno de trabalho, um planner baratinho e duas Alexas: uma fica na sala de estudos e outra no meu quarto.

Tenho uma de 5,5 e uma de 8″; escolhi as com tela porque gosto muito de vídeos, séries e filmes. Minha irmã organiza sua produtividade com uma mais simples, sem tela, e adora. Assim que for lançada a de 10″ iremos comprar para deixar na cozinha.

Agrupar rotinas me ajuda muito a automatizar coisas em vez de me perder em distrações e para inspirar você a fazer o mesmo, vou dar três exemplos:

1. Ao acordar desligo o Umificador e retiro a opção ‘não perturbar’ do celular. Coloquei lembretes para mim mesma até esse comportamento ficar automático. Eu costumava sair do quarto e esquecer o  umidificador ligado e perder chamadas importantes porque o celular estava mudo. Problema resolvido.

2. Fazer limpeza express da casa, fazer atividade física, fazer limpeza express do banheiro e tomar banho: Na sequência, focada. O agrupamento me faz perder menos tempo e ter um objetivo fácil de cumprir com começo, meio e fim é excelente para produzir a sensação de que você funciona bem. A cada passo e para evitar que meu pensamento me distraia, peço para a Alexa me lembrar daqui a X minutos.

3. Início da rotina de trabalho, com notebook já ligado. Abro primeiro o programa S, porque é muito lento. Enquanto o primeiro abre verifico o W e o C , abro o caderno de trabalho e revejo as pendências. Em um espaço super curto de tempo, na sequência certa e que já está memorizada, já tenho em minha frente basicamente tudo que preciso fazer.

Agrupe rotinas que com certeza você vai funcionar melhor.

Ampliando a Memória

Papel, caneta e tecnologia.

Vou falar mais sobre a parte old school pois já tem bastante coisa na internet sobre como usar a Alexa, inclusive a Monique escreveu um texto sobre como fazê-la ler livros para você*,  função que uso bastante.

Para minimizar a chance de esquecer eventos diversos e aniversários importantes, coloco dois lembretes na Alexa, um para uma semana antes e um para a data exata.

*No caso dos modelos com tela, você também pode pedir que ela mostre a sua Biblioteca e escolher o livro arrastando com o dedo, o que é bem útil para quem lê vários livros ao mesmo tempo e
não raro esquece o nome do título.

Tudo que me chega virtualmente e é importante, leio e arquivo imediatamente no Google Drive.

Tenho três contas, uma para coisas do Blog, outras para coisas pessoais e uma para arquivos do trabalho.

Uma vez por mês, no mínimo, sento para reorganizar o Google Drive e releio normas médicas para saber onde está o quê quando for preciso, o que me dá a agilidade de uma pessoa ‘normal’. Feliz de quem não precisa rever.

Eu preciso.

O Caderno de Trabalho

No meu caderno de trabalho – que nada mais é que um caderno brochura normal sem espiral – uso três cores de caneta, lápis grafite, marca-texto amarelo-limão, post-its e marcadores adesivos transparentes, materiais escolares fundamentais para deixar minha mente leve e despreocupada.

O método é simples e faz com que minha produtividade aumente. Se o que tenho a dizer parece trabalhoso ou desnecessário para você, isso é um bom sinal. É um sinal de que você não precisa disso. Ter este ‘trabalho’ faz com que eu produza muito melhor e com menos estresse.

Na parte interna da capa do caderno tenho todos os telefones e endereços dos e-mails mais importantes pois nem sempre os sistemas estão disponíveis quando preciso passar informação para outra pessoa, bem como post-its com o backup de algum aviso  de algo que não posso esquecer nem em sonho (ou pesadelo).

Vou datando as páginas conforme o uso. A cada dia anoto o que há a fazer em caneta azul – recebi uma tarefa agora e há algo documental a fazer, mas estou terminando outra? A nova tarefa entra para a lista escrita e sai da minha mente, em vez de ficar lá me martelando.

Não largo nada pela metade, concluo. Vou resolvendo tudo e checando com caneta vermelha e só paro quando está tudo perfeitamente resolvido.

A caneta preta uso para destacar alguma observação adicional, como alguma pendência que não depende de mim ou algo que vá me  poupar de ter que consultar de novo os sistemas depois.

Logo mais volto ao trabalho presencial e este método, de dar atenção privilegiada a cada tarefa a ser executada ao transferir afazeres para o papel em vez de deixá-los ocupando a minha mente, sempre foi o mesmo.

Dar total atenção à pessoa que está sendo atendida e ler/reler cada parecer médico antes que seja concluído como se não houvesse mais nada a fazer depois – ou seja, remover a sensação de pressa – reduz muito o meu estresse no ambiente de trabalho.

Entenda: para uma pessoa com TDAH focar no seu trabalho e não precisar ficar refazendo coisa mal feita é necessário remover a sensação de pressa. Cumpra uma demanda de cada vez. Coloque isso como regra. É libertador.

Faça bem feito. Faça uma coisa de cada vez. Olhe de novo. Corrija. Seja humilde e quando algo parece ter dado errado parta do princípio que a falha é sua, volte para o começo e tente de novo.

Uso  marcadores adesivos nas páginas do caderno quando tenho que esperar que outra pessoa faça alguma coisa para que eu possa terminar a minha parte.

Antes de adotar os marcadores a minha tendência era ficar cobrando a outra parte, que não precisa ser mais resolutiva do que é obrigada a ser.

Há pessoas que deixam as coisas para depois e vivem bem desta forma porque a mente delas não apaga as coisas,  o ‘problema’ de preferir não acumular serviço é meu e não tenho o menor direito de exigir que outras pessoas façam o mesmo (nem dou direito a elas de apontar como devo executar minhas obrigações).

Todos os dias revejo os marcadores e os removo quando a coisa já foi resolvida.

O planner/caderno pessoal

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Até 2019 eu organizava as coisas pessoais – com exceção das finanças, que organizo em uma planilha virtual – em uns cinco cadernos e caderninhos, o que curiosamente funcionava muito bem, mas de 2020 para cá fui simplificando o sistema e uso um único planner para tudo.

Ja transferi os dados do meu Planner Caderno para meu planner baratinho da Tilibra.

Não há método certo e por vezes mudo a sequência das coisas que registro, mas o sistema de azul (a fazer), vermelho (feito) e preto (observação) carrego desde que o mundo é mundo. Minha única regra inegociável é não carregar nenhum planner de coisas pessoais comigo.

O meu fica sempre em casa.

Embora não contenha senhas nem nada do tipo, não quero que seja lido por outras pessoas. É Diário de Adolescente que chama?

O que tem no meu planner?

Lista de datas de aniversários (coloco em ordem cronológica)
Lista com o nome das lojas onde compro frequentemente online
Lista com medidas das minhas roupas e sapatos
Rotina de Skincare
Lista de produtos favoritos (separados por categorias)
Lista de Medicamentos
Lista de Produtos de Limpeza da Casa
Lista de Papelaria
Lista dos meus e-mails e drives, com especificação dos conteúdos (tenho emails para coisas específicas)
Lista de Afazeres: Vou listando e cumprindo sempre que possível
Lista de Compras: O que preciso no momento e ainda não comprei. Não faço listas de compras sem verificar o que já tenho em casa nem se posso utilizar uma coisa que já tenho de um modo alternativo
Lista de Desejos: Coisas que até quero não há urgência para comprar
Lista de Posts para revisar: Posts que estão incompletos ou que estão no rascunho do Blog esperando revisão
Lista de Ideias: Tudo que passa pela minha cabeça que pode virar um post transfiro para o Planner
Metas e Planejamento Financeiro de curto prazo: Planejamento de aportes financeiros (Bolsa de Valores) e outros
Saúde: Dados relevantes, agenda de consultas médicas e odontológicas (minhas e do Igor)
Família: Costumo registrar alergias medicamentosas, internamento ou doença grave dos parentes próximos e outros dados.

Vida organizada: menos ansiedade para quem tem TDAH

Quem acompanha o blog sabe que tenho resolvido a ansiedade com meditação.

Afora os livros que já indiquei por aqui, estou fascinada por “A Ciência da Meditação” de Daniel Goleman e Richard J. Davidson, trabalho que estou lendo aos poucos porque quero consultar as referências atentamente.

Sinto que apesar de todas as deficiências relacionadas ao TDAH, nasci para estudar com afinco, cumprir diretrizes e propor soluções para problemas, então o curso de Medicina me caiu como uma luva.

Os melhores livros que posso indicar às pessoas que tem TDAH são “Mentes Inquietas”, da Dra Ana Beatriz Silva,  “A Mente Organizada”, de Daniel J Levitin e “Elástico” de Leonard Mlodinow.

Depois de lutar bravamente contra o TDAH a vida inteira, aceitar as limitações e viver bem com elas apesar dos prejuízos, dedicar boa parte do seu tempo para expandir sua memória usando caderno, arquivos em nuvem,  organizar-se com planner, adotar um robô como secretária, fazer dupla checagem de tudo para se certificar de que não esqueceu nada e acabar desenvolvendo TOC, ter insônia e ansiedade, viver com eterna sensação de que vai esquecer de algo importante ou de que pode fazer algo errado por falha de atenção, trabalhar e estudar mais horas em média do que precisaria caso tivesse uma mente comum, você atinge um bom desempenho em alguma área e passa a escutar:  “ah, mas é porque você tem facilidade”.

E aí? Você ri.

É rindo de suas agruras que a pessoa com TDAH consegue viver melhor.

Ah, a minha amiga Lígia, que também tem TDAH, me indicou o livro Vencendo o TDAH Adulto, do Russek A. Barkley. Ela está quase concluindo a leitura e gostando muito.

Obs.: TDAH é uma condição médica e como tal, pode necessitar de intervenção de médicos e psicólogos. Algumas pessoas precisam usar medicamentos.

Cuidem-se.

Beijos,
Meire

Mamãe, não quero ser Prefeita

Por @meire_md

“Resumindo: é um fato bem conhecido que todos os que querem governar as outras pessoas são, por isso mesmo, os menos indicados para isso. Resumindo o resumo: qualquer pessoa capaz de se tornar Presidente não deveria, em hipótese alguma, ter permissão para exercer o cargo. Resumindo o resumo do resumo: as pessoas são um problema.” (segundo volume de O Guia do Mochileiro das Galáxias’, de Douglas Adams)

Não importa em que época foram escritas, se nasceram por inspiração em algum evento histórico nem tampouco se foram elaboradas por um escritor famoso ou um sábio anônimo.

As histórias sobre a luta pelo Poder (político) são basicamente idênticas.

Fábulas que se tornam imortais são justamente aquelas que funcionam em qualquer tempo e lugar porque retratam claramente a realidade que está por trás, por cima, por baixo, na frente, nas laterais, escorrendo pelos poros e em toda parte interna do comportamento de qualquer grupamento humano, mesmo que os seres humanos estejam separados não só por oceanos como por milênios.

As que retratam o poder do Poder, sejam elas derivadas de uma sabedoria tão antiga quanto aquela que gerou os mitos greco-romanos ou as contemporâneas que conhecemos muito bem, possuem a mesmíssima alma.

Se você quiser escrever uma fábula sobre o Poder, basta seguir a fórmula de todas as outras.

Escrevendo sua própria Fábula

Um Grupo A de pessoas encontra-se dominado/oprimido pelo Grupo B, que detém maior riqueza e influência.

O Grupo A não elege pessoas moderadas nem muito menos elege aquelas que não tem sede de Poder, porque o discurso apaixonado dos candidatos que fincam seu mastro em polos bem específicos do espectro político é muito mais sedutor.

Diante das más condições de vida impostas ao grupo A, abre-se margem para a Revolução, que habitualmente começa assim (não esqueça disso na hora de criar a sua história).

Deixes um povo faminto e viverás uma revolução; nem sei se essa frase está correta, mas ficou linda.

As revoluções ocorrem mais frequentemente quando quem está no Poder é tão mesquinho e ganancioso que é incapaz de reconhecer que a perpetuação da pobreza prejudica toda a sociedade, inclusive quem está no topo.

A rebeldia e paixão do grupo A disputam um cabo de guerra contra a força política e econômica do grupo B, que diante das mortes e da violência sucumbe, entrega o Poder à massa e foge.

A ilusão messiânica começa.

É prometida – por aquele Rebelde que deseja ter poder sob os demais e derrama lágrimas de uma emoção que até parece genuína –  uma vida em comunidade, onde todos são iguais e trabalham para o bem comum.

Alguns mandamentos são criados, tudo parece paradisíaco, ai que lindo.

Mas a realidade  é outra

Ainda que todos frequentem a mesma escola, alguns aprenderão mais que outros, ainda que todos trabalhem em mesma indústria, alguns produzirão mais que outros, ainda que todos tenham problemas, uns os resolverão com mais eficiência que outros.

A comunidade bucólica dos rebeldes que venceram o opressor começa a se diferenciar por classes.

O líder, inflado pelo direito que julga ter,  muda-se para a Casa Grande ou para a cabine de luxo do trem (depende de que seriado, evento histórico ou filme você estará tentando criar).

As adjacências do Poder são blindadas.

Segurança? Sim.

Boa alimentação? Óbvio.

Impunidade? Logicamente.

Champagne, Uísque? Por que não?

Em momentos de escassez a organização social percebe, nas entrelinhas até bastante bojudas, que algo de errado não está certo, mas rebelar-se contra os rebeldes  – veja que coisa mais estranha – vira crime sujeito a penalidades severas.

Melhor calar e trabalhar mais, dizem.

Moderados tentam um reequilíbrio, mas são calados, mortos ou banidos em nome do interesse da comunidade.

A nova polarização cresce organicamente sem que a massa perceba

A crença de que a comunidade poderia viver de modo independente cai por terra.

A nova classe que se diferencia inicia comércio e parcerias com o inimigo e enquanto cresce em poder e bens, a polarização das massas segue sendo reforçada por quem está no topo do Poder. Sem essa ferramenta – a polarização – é impossível demonizar o oponente  e mais difícil eliminar o perigosíssimo raciocínio crítico, que dá as pessoas a capacidade de ver vantagens e desvantagens em ideias diversas.

Se você briga por política nada mais é que alguém manipulado por este mecanismo, é alguém dominado pela paixão.

A população adoece e envelhece

É preciso cuidar dos doentes e dos idosos, já que o sistema anterior foi destruído.

Mas isso gera despesas, que rapidamente são amputadas para atender aos interesses dos rebeldes que estão no Poder, afinal mesas bem postas custam caro.

Uma assistência à saúde de segunda categoria se forma e o povo é convencido de que é melhor ser atendido por um servidor público humilde e mal pago que visita o doente usando uma carroça do que ter acesso a serviços bem montados, já que eles custam caro e profissionais de saúde nada mais são do que mercenários que só pensam em si mesmos.

Transformar policiais, professores e outros servidores públicos em parasitas e dar um jeito que eles sejam chamados de marajás também é uma ótima ideia. Os salários precisam ser bem baixos, de todos, menos daqueles que estão no Olimpo.

As fraudes, que nunca deixaram de existir completamente, começam a surgir de novo por todos os lados, já que a promessa de que a corrupção acabaria, não passou de balela.

Manipulando a massa

A massa não se recorda mais de como a vida era antes, embora sinta que o regime totalitário a deixou mais pobre, afinal não há liberdade para empreender, coisa que fica restrita a um pequeno grupo controlado pelo Estado.

A cevada, entendedores entenderão, não será distribuída para todos. Jamais.

Mas isto não é um problema, já que todo mundo ficou mais pobre, não é mesmo?

Se todo mundo está mais pobre, a desigualdade social reduz. Que maravilha.

Melhor então sentir-se grato ao líder, que neste momento já editou leis cada vez mais rígidas e, enquanto engorda a olhos vistos, é adorado pelo povo.

Os líderes engordam e precisam de roupas novas.

Doutrinando as Crianças

Para se manter no Poder a doutrinação de crianças em prol da polarização pode ser feita tranquilamente tanto dentro da escola como com educação em casa, fique a vontade para escolher como seus personagens vão resolver este problema simples.

É preciso ser inimigo do outro lado e banir os moderados, é preciso ensinar às crianças que ser moderado e buscar convergência não é algo apenas ruim, é alta traição.

Que os filhotes de um lado sejam isolados dos filhotes do outro lado.

Traidores

Os moderados são proclamados inimigos da Revolução.

São traidores, são párias, são escória, são ratos, são ‘mornos’, são ‘os em cima do muro’, são os ‘isentões’.

Dica para sua história: Faça com que os moderados sejam vistos como covardes, despersonalize-os, torne a sua opinião fraca, tire o seu direito de se pronunciar.

O personagem que não desenvolver cegueira quanto aos problemas relacionados a seu espectro político e for capaz de vislumbrar boas soluções no espectro contrário, tem que ser cancelado.

Notícias Falsas

É preciso manter o eleitorado preso ao medo de que um ou outro lado ‘volte’: faça com que as fake news se propaguem feito penas ao vento, tanto perpetradas por um lado, quanto pelo outro.

Quanto mais contraconhecimento, melhor.

A convergência que realmente ocorre

Uma vez bem definidas as classes sociais e a completa aniquilação daqueles que buscam um equilíbrio de forças sociopolíticas no regime vigente, os líderes da Rebelião – que nesta altura estão com corpo ou o bolso trabalhados na fartura, tais como o Napoleão de George Orwell ou quaisquer outros ditadores de esquerda ou direita da ficção ou da vida real – aproximam-se do antigo inimigo.

Aproximam-se nos trejeitos.

Aproximam-se no modo de falar.

Aproximam-se no modo de se vestir, no corte de cabelo.

Aproximam-se nos costumes de comer e beber.

Fazem acordos, conchavos, alianças.

E eles ficam tão próximos, mas tão próximos dos seus antigos inimigos de forma que, parafraseando Orwell, chegamos a um ponto no qual é impossível distinguir quem é Homem e quem é Porco.

Fim da Fábula. Amém.

Perenidade

O Povo dá poder a quem mais quer o poder, isso se repete tanto ao longo de nossa História que parece ação de algum feitiço antigo, sei lá, um feitiço protetor dos radicais.

Você pode enxergar este modelo de roteiro para uma história sobre Poder Político lendo o que mais de um autor tem a dizer sobre Revolução Francesa, vendo a fabulosa e imperdível série Snowpiercer ou lendo atentamente ‘A Revolução dos Bichos‘, uma das melhores Fábulas já escritas.

Aproveite e leia ‘O Príncipe’, de Maquiavel,  livros como a ‘A Ciência da Política‘ ou dê uma volta nos pós-acontecimentos de diversas revoluções  e golpes.

Homens e mulheres estarão lá, sempre, oprimindo, sendo oprimidos, oprimindo, sendo oprimidos, numa alternância sem fim.

Eles (nós) somos um problema.

Pergunte-se

Vale mesmo a pena cultivar Políticos de estimação, estragar amizades e romper laços familiares por causa deles?

Não sabemos de quase nada do que rola nos bastidores nem do quanto riem  às nossas custas.

Enquanto o poder for entregue àquele que muito o deseja, o oprimido se tornará opressor e viveremos neste ciclo sem fim.

Votem em pessoas moderadas e retirem-nas do Poder sempre que se tornarem radicais.

É isso.

Aproveitando o ensejo, quem é você em ‘A Revolução dos Bichos‘? Eu sou Benjamin, o Burro.

Beijos!

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Minha Breve História


‘Meus primeiros trabalhos mostraram que a relatividade geral clássica colapsava nas singularidades do Big Bang e dos buracos negros. Minhas pesquisas posteriores mostraram como a teoria quântica pode prever o que acontece no começo e no fim do tempo (…) Fico feliz se acrescentei algo ao nosso conhecimento do universo’

Por @meire_md

 

‘Minha Breve História’ é a autobiografia de Stephen Hawking (1942-2018), um dos cientistas mais conhecidos e admirados do mundo.

A tradução para o português foi revisada por Amâncio Friaça, astrofísico vinculado à USP.

 Até poderíamos afirmar que a vida de Stephen Hawking tenha sido uma clássica história de superação, mas essa palavra é… insuficiente.

Não me vem uma palavra que sozinha consiga dar nome ao nível de superação alcançado pela resiliência e fé em si mesmo que este homem exibiu em sua vida. Acho que só Douglas Adams conseguiria inventar uma palavra adequada.

Costumo falar que a personalidade da pessoa é sempre seu melhor amigo ou seu pior inimigo.

Se a personalidade fosse algo possível de ser copiado, o mundo seria muito melhor se encontrássemos uma fórmula que replicasse personalidades como a dele, que mesmo 100% dependente de terceiros e de aparelhos para atos tão básicos quanto respirar ou comunicar-se, foi alguém extremamente produtivo, feliz e cheio de vontade de viver.
 

‘Em meu último ano em Oxford, notei que estava ficando cada vez mais desajeitado. Fui a um médico depois de cair de uma escada, mas tudo que ele disse foi: Pare de beber cerveja. Fiquei ainda mais desajeitado depois que me mudei para Cambridge. No Natal, quando fui patinar no lago em St. Albans, caí e não consegui me levantar’ (Sobre os primeiros sinais da Doença de Lou Gehrig, conhecida como Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA)

Hawking foi aceito na Oxford University aos 17 anos e aos 20 anos iniciou seu PhD em Cambridge.

Aos 21 anos ele recebeu formalmente o diagnóstico de ELA e aos 22  (1964) já estava usando cadeira de rodas.

Em 1965 casou-se com Jane, com quem teve um longo casamento e três filhos.

Foi essa bela mulher que viabilizou sua tese de doutorado, pois desde o início do casamento ele já não conseguia datilografar.

‘Meu trabalho com os Buracos Negros começou com um momento “eureca” em 1970, alguns dias depois do nascimento da minha filha Lucy’

Participação de Stephen Hawking em The Big Bang Theory

‘Nosso terceiro filho, Tim, também nasceu em 1979 (…) ela estava preocupada que eu fosse morrer em pouco tempo (…) Ela encontrou Jonathan Jones (…) e cedeu a ele um quarto em nosso apartamento (…) fiquei cada vez mais infeliz com a proximidade entre Jane e Jonathan (…) em 1990 fui morar (…) com (…) Elaine Mason (…) Eu e Elaine nos casamos em 1995. Nove meses mais tarde Jane se casou com Jonathas Jones.’


Hawking e sua família não escaparam de fofocas e comentários maldosos.  Além de erros bobos sobre sua vida que são replicados em alguns blogs, encontrei muita notícia distorcendo as relações que ele teve com Jane e com Elaine.

Como grande homem que foi, o cientista discorreu sobre sua vida afetiva de forma extremamente respeitosa com as ex-mulheres.

O Processo de criação de ‘Uma Breve História do Tempo’


No Capítulo 10 de ‘Minha Breve História’ é revelado  como foi o processo de criação do livro ‘Uma Breve História do Tempo’, sua primeira obra destinada a leigos e que apareceu com destaque em um dos meus filmes favoritos, Donnie Darko.

O livro ‘Uma Breve História do Tempo’ foi iniciado em 1982, quando Hawking  já estava com importante incapacidade vocal.

Por consequência de uma pneumonia grave sofrida no ano de 1985, ele foi traqueostomizado, perdeu completamente a capacidade de falar; após longo período de reabilitação e graças à dedicação inestimável da enfermagem, o cientista passou a comunicar-se com um cartão de papelão, sinalizando letra por letra.

Os garotos do Vale do Silício desenvolveram um sintetizador de voz e Hawking passou a comunicar-se às custas de um resíduo de movimento em um dedo de uma mão.

Após a paralisia total do pouco que restava de movimentos em seus membros, ele passou a usar o movimento de músculos da face para ativar o cursor do sintetizador.

Foi assim, conseguindo produzir uma a três palavras a cada minuto, que em 1988 ele finalizou ‘Uma Breve História do Tempo’.


‘ (…) enviaram-me a São Francisco, onde ministrei cinco palestras em seis dias e fiquei muito cansado (…) Elaine me ressuscitou. Todas essas crises a afetaram emocionalmente. Nós nos divorciamos em 2007, e desde então eu moro sozinho com uma governanta (…)

ELA

A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)  é progressiva, inclemente.

Em 2011  Stephen Hawking passou a usar respirador 24 horas por dia, mas continuou bem humorado, trabalhando, escrevendo, dando palestras, orientando alunos e fazendo apostas com amigos.

A carga emocional e também a carga de trabalho que uma família assume quando cuida de uma pessoa com deficiência tão incapacitante quanto foi a  dele é imensurável, acredito que conhecer histórias similares seja importante para estimular as pessoas a prosseguirem.

Não há como não se emocionar com o Documentário Minha Breve História, que complementa as informações do livro com ricos depoimentos.

No dia do Pi, há 3 anos, o mundo perdia Stephen Hawking, mas o legado que ele deixou é imortal.

Leia ‘Minha Breve História’. Poucas biografias são mais inspiradoras que ela.

Beijos,

Meire

Leia também: As Armadilhas do cérebro são implacáveis

Stephen Hawking na Amazon

📔 Minha Breve História | capa comum ou Kindle

📔 ‘Uma Breve História do Tempo’ | capa comum ou Kindle
📔 A Teoria de Tudo (livro que inspirou o filme) | capa comum ou Kindle
📔 O Universo Numa Casca de Noz  | capa comum ou Kindle
📔 Breves Respostas para Grandes Questões | capa comum ou Kindle

 
 
 
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Além da imaginação

Por @meire_md

“Contra qual outra superstição travaram uma guerra tão longa e obstinada do que contra a crença em aparições? No entanto, que outra superstição se manteve nas mentes humanas por tanto tempo, com tanta constância?” (em ‘O Coche Fantasma’, conto da egiptóloga Amelia B. Edwards, presente na antologia ‘Vitorianas Macabras‘)

Quando criança/adolescente uma das minhas escritoras favoritas era Agatha Christie, cujo primeiro romance recém completou 100 anos.

Para matar a saudade dela comprei “Três ratos cegos e outros contos“.

Aprecio muitas obras literárias produzidas no Reino Unido nos séculos XIX e XX, sobretudo as de protoficção científica e as que se ambientam no clima mórbido que caracterizou a Era Vitoriana, período que testemunhou uma efervescência cultural catapultada pelas aberrações da época, como roubos de cadáveres, os crimes de Jack, o Estripador, as Baby Farm e outros marcadores históricos bastante sinistros.

Para superar as notícias do mundo real Vitoriano, que de tão fantásticas rendem roteiros de filmes e séries até hoje, a ficção da época precisou ir além da imaginação.

Além, mesmo.

Sem açúcar

Se você também não é da turma de romances ‘água com açúcar’ mas ainda não leu minhas resenhas sobre a Tríade do Horror Clássico, dê uma olhada nos posts sobre Frankestein, O Médico e o Monstro e Drácula (e para não pensar que só gosto das coisas mórbidas da época, leia também a resenha sobre Alice no País das Maravilhas).

Graças à leitura da coletânea de contos ‘Vitorianas Macabras, recém conheci a ousada Srta. Rhoda Broughton (1840-1920), uma galesa de humor refinado e que em razão da suas habilidades literárias fez grandes nomes como Oscar Wilde  e Lewis Carroll sentirem-se intimidados.

O livro apresenta também mulheres incríveis como Henrietta Dorothy Everett (1851-1923), que foi elogiada por nada mais nada menos que H. P. Lovecraft, a May Sinclair (1863-1946), uma das escritoras favoritas de Agatha Christie, nove outras escritoras que eu não havia tido a chance de degustar antes e me deu a oportunidade de ler um conto de Charlote Brontë, escritora bastante conhecida no Brasil por ‘Jane Eyre‘, obra lançada em 1847 e que em meados do século XX doou seu nome a uma das minhas tias.

(Para quem não se recorda, Charlote era irmã de Emily Brontë, autora de ‘O Morro dos Ventos Uivantes‘)

Penny Dreadful

Além de conter aqui e ali anúncios possivelmente retirados das Penny Dreadful, a partir da página 302 Vitorianas Macabras reúne informações biográficas da Rainha Vitória (a primeira monarca a publicar um livro), um Guia Vitoriano de Londres, dicas para cinéfilos e um álbum de fotografias.

Vitorianas homenageadas

1. Charlotte Riddell (1832-1906), com a ‘A Porta Sinistra’

2. Louisa Baldwin (1845-1925), com ‘O Mistério do Elevador’

3. Edith Nesbit (1858-1924), com ‘Mortos em Mármore’

4. Violet Hunt (1862-1942), com ‘A Prece’

5. Amelia B Edwards (1831-1892), com ‘O Coche Fantasma’

6. Charlote Brontë (1816-1855), com ‘Napoleão e o Espectro’

7. Elizabeth Gaskell (1810-1865), com ‘O Conto da Velha Ama’

8. Mary Elizabeth Braddon (1835-1915), com ‘A Sombra da Morte’

9. Margareth Oliphant (1828-1897), com ‘A Janela da Biblioteca’

10. Rhoda Broughton (1840-1920), com ‘A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade’

11. H.D Everett aka Theo Douglas (1851-1923), com ‘A maldição da morta’

12. Violet Page aka Vernon Lee (1856-1935), com ‘Amor Dure’

13. May Sinclair (1863-1946), com ‘Onde o Fogo não se Apaga’

Que elas nunca sejam esquecidas

Algo que mais me impressionou é que a maioria delas não se sentiu impulsionada a adotar um pseudônimo masculino para começar a publicar seus livros e todas demonstraram habilidade em criar narradores masculinos.

De todas elas a minha pessoa favorita e que espero ver largamente traduzida para o português é Rhoda Broughton, porém fiquei mesmerizada com o conto de Violet Page e sua capacidade de criar uma serial killer com poderes sobrenaturais.

Terminei a leitura do livro na véspera do Dia Internacional da Mulher ligeiramente emocionada e bastante grata à Dark Side e à Dra Márcia Helena, pesquisadora de literatura de horror, pelo resgate destas grandes escritoras vitorianas e pela produção de uma Edição tão bela.

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Leia também:

Mulheres e Médicas

Luxo Democrático, ou um post para Ana

Um beijo,

Meire

 

 

 

 

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Dicas práticas para a limpeza da sua casa

Por @meire_md

“Se, de repente, meti na cabeça anotar, palavra por palavra, tudo o quanto me aconteceu desde o ano passado, foi por uma necessidade interior: tão impressionado fiquei pelos fatos ocorridos” (Dostoiévski, 1876, em ‘O Adolescente’)

Ano passado muita gente começou a limpar a própria casa e se surpreendeu como o sacrifício e o tempo investido são muito menores do que esperavam.

Com boas escolhas e reduzindo apenas um pouco do tempo perdido em redes sociais é possível manter a casa suficientemente organizada e limpa sem qualquer prejuízo.

(Se você for nas opções do Instagram, clicar em ‘sua atividade’ e escolher a aba TEMPO, vai se assustar com a média diária de minutos ou horas que você dedica a ele).

Manter a casa limpa é muito mais fácil do que parece

“Laura estava, como se possível, ainda mais vivaz, alegre e meiga que o habitual, e comecei a achar que um pouco de trabalho doméstico lhe fazia bem” (Conto ‘Mortos em Mármore’, da coletânea Vitorianas Macabras)

 

Basta fazer um pouco todos os dias.

A faxina geral pode ser feita eventualmente e torna-se cada vez menos necessária quando a rotina de fazer um pouco todo dia se consolida.

No início pode ser complicado, mas empreender um tempo – isso pode ser bem cansativo – para destralhar a casa, vender ou doar itens que não estão sendo usados e fazer uma organização inteligente nos ambientes mais usados vai facilitar muito a manutenção.

Quanto mais fácil tirar e guardar as coisas que você mais usa, menor a chance de produzir bagunça.

Antes de mostrar os produtos de limpeza que uso, acho interessante lembrar que não temos empregados domésticos, então vou falar mais sobre a otimização da casa.

Se você optou por não terceirizar os serviços domésticos ou se você é uma pessoa que busca soluções para que o serviço dos seus empregados não seja desnecessariamente pesado, vem comigo.

O quase acumulador e a quase minimalista

Como o Igor é ligeiramente acumulador e para mim é mais importante ser feliz do que deflagrar a III Guerra Mundial e dizimar vidas humanas, vegetais e animais, chegamos a um modelo que funciona muito bem: ele foi se desapegando de coisas e eu fui ficando um pouco mais bagunceira.

Tudo na vida é equilíbrio.

Otimizando os cômodos da casa e dividindo tarefas

Nosso apartamento tem doze cômodos, mas desativamos dois, incluindo as ‘dependências da empregada’.

Não vemos motivo para que um trabalhador que venha fazer um serviço na nossa casa não possa usar o mesmo lavabo que usamos.

Uma parte do espaço desativado virou depósito de coisas aleatórias que não sei de onde vieram nem como se multiplicam tão rapidamente e a outra parte corresponde à Lavanderia, que fica próxima à cozinha.

Atualmente nossa máquina de lavar roupas é uma bem básica da Electrolux (12kg), ela nos atende bem mas a gente gostava mais da Lavadora de Roupas Smart LG, que tem  tampa frontal e mais opções de lavagem.

Não possuo passaporte para entrar nessas regiões inóspitas, principalmente a cozinha, nem tenho a menor ideia de como funciona a lógica de organização do Igor, mas sou testemunha de que ele encontra tudo que precisa.

Escavações realizadas no local sugerem que para manter tudo limpo ele usa aspirador de pó, toalhinhas de manicure, detergente de cozinha e água sanitária.

Ele faz tudo rápido. Nunca vi Igor dedicando horas à limpeza da cozinha.

O quarto de hóspedes fica selado e só entra para a rotina de faxina quando estamos com visitas.

Como tenho asma, fechamos a sanca de gesso e retiramos os pés de todos os móveis (inclusive da cama) porque os espaços só servem para juntar poeira.

A limpeza e organização das salas, do lavabo, da Biblioteca, de uma parte da Oficina (a metade do Igor é impenetrável) e do nosso quarto ficam comigo, mas é Igor que faz a aspiração do piso de todo o apartamento.

Sem mistério

Lustra Móveis Multi Superfícies da Poliflor

Não limpo todos os cômodos todos os dias, faço de acordo com a necessidade, com a minha disposição e o meu tempo, mas você pode planejar de modo mais sistemático.

Frequentemente separo papéis que vão para compostagem, vejo se tem embalagens vazias pela casa que sejam recicláveis, recolho o lixo comum,  observo onde tem pó para limpar e dou uma organizada geral no que está fora do lugar.

Isso é muito, mas muito rápido e nosso apartamento não é pequeno.

Para remover o pó dos móveis, livros, obras de arte e outros itens de decoração, uso toalhinhas de manicure velhinhas.

Para evitar consumo desnecessário de toalhas de papel, compro toalhas de manicure (100% algodão) para usarmos como pano de cozinha, como toalhinhas para maquiagem e para limpeza de pinceis, por exemplo, daí quando estão bem velhas são reaproveitadas para limpeza da casa e quando estão imprestáveis são levadas para compostagem.

Nos dias que chamo de faxina geral coloco máscara facial e luvas para limpar o pó das coisas, aplico Lustra Móveis Multi Superfícies da Poliflor nas peças de madeira, limpo telas de LCD com Limpa Telas em spray e as superfícies de vidro com álcool a 90º.

Para me ajudar a não levar muito tempo nessa faxina geral, peço ajuda da Alexa e vou colocando timers, pois do contrário acabo me distraindo.

Banheiro? Cada um cuida do seu

Quando alguém diz o quão  trabalhoso é limpar seu banheiro eu já fico imaginando quanto tempo a pessoa precisou esperar para que o ambiente acumulasse sujeira ao ponto ser difícil limpá-lo.

Faço uma limpeza diária básica rapidinho — isso para mim é praticamente automático.

Sujou, limpou. Produtos simples como Detergente, Desinfetante e Sapólio dão conta. Vou falar um pouco mais sobre eles já já.

Um banheiro que está limpo todos os dias não dá trabalho nunca.

Roupas

Vaporizador da Black & Decker

Quando há roupas limpas vindas da área proibida, fico sabendo imediatamente sem necessidade de qualquer ofício ou memorando, pois são despejadas em um dos sofás ou em cima da cama.

Cabe a mim dobrá-las e guardá-las com a celeridade que bem entender e sem qualquer penalidade prevista, já que o Igor nunca havia dobrado suas roupas limpas até a Juíza declarar que estávamos casados.

Tampouco dá importância a detalhes mundanos como roupa separada por cor e perfeitamente pendurada em cabides virados para o mesmo lado…

Enquanto estou dobrando as roupas, já separo aquelas que precisam de manutenção, coisa  que faço com o Papa Bolinhas (o meu é da Ordene), minha máquina de costura ou costurando à mão com agulha e linha.

Deixo essas pendências na nossa Oficina e faço quando estou com vontade, o que geralmente ocorre aos sábados ou domingos.

Desamasso as peças de linho e outras roupas que eventualmente estejam amassadas demais com meu vaporizador da Black & Decker, que pode ser usado tanto na vertical quanto na horizontal (mostrei para vocês no Instagram).

Aspiradores de Pó

Robô Aspirador WAP Robot W300

Temos dois aspiradores de pó, um maior e mais potente da Electrolux (versão mais antiga do Aspirador Água e Pó  A10N1 Electrolux) que basicamente só é usado pelo Igor e o meu, o Vertical da Philco ( parece uma vassourinha).

Frequentemente uso como aspirador portátil porque meus cabelos caem muito e gosto de remover o pó dos cantinhos do quarto.

Ainda não compramos  nosso robô aspirador, mas planejamos comprá-lo para reduzir mais ainda o trabalho braçal de casa.

Estou de olho no Robô Aspirador WAP Robot W300, mas há tantas opções na Amazon e no Magazine Luiza, inclusive um da SAMSUNG que parece ser bastante durável, que estou confusa.

Luvas

Luvas de Latex Esfrebom Bettani cozinha.

Dada a minha preocupação com a produção de lixo, usar luvas na limpeza da casa sempre foi um ponto problemático, mas parece que resolvi comprando luvas mais duráveis.

Testei várias opções, desde reaproveitamento de luvas descartáveis a utilização daquelas luvas fininhas de silicone, testei luvas nitrílicas, mas nada deu tão certo quanto as Luvas de Latex Esfrebom Bettani para cozinha.

Quando termino de usar as luvas, lavo-as quando ainda estão na minha mão e ao removê-las lavo também pelo avesso.

Quando o avesso seca, viro para que sequem por fora também e coloco um pouco de Talco de Bebê tanto por dentro quanto por fora e guardo.

Sabão de coco

Sabão de coco em barra

Não preciso usar luvas quando uso sabão de coco, então ele é meu favorito para a limpeza diária da pia onde escovo os dentes e lavo o rosto.

Para fazer espuma abundante e lavar a pia, uso uma buchinha vegetal que depois deixo para secar em posição vertical.

Antes eu deixava o sabão de coco secando em cima de uma buchinha vegetal em área ventilada, mas notei que ele desidrata ao ponto de começar a rachar, então tenho feito de modo diferente.

Quando acabo de lavá-lo, deixo a água escorrer e imediatamente o acondiciono em um recipiente com tampa.

Detergente Líquido

Prefiro os detergentes da marca Ypê e da marca Limpol porque em minha impressão eles são mais eficientes.

Para limpar bancadas brancas, espelhos das tomadas elétricas, embalagens de maquiagem e até o rostinho de bonecas, aplico detergente puro nas superfícies e espalho o produto com toalhinha de algodão colocando a pressão e fricção que julgar necessárias.

Nas bancadas brancas removo o detergente com vinagre de álcool e espero que evapore (não fica odor nenhum) e nas demais peças uso um pano úmido para remover o detergente que não saiu com a ação da toalha.

Para limpar espelhos de modo a evitar que eles fiquem embaçados, também uso detergente de cozinha e removo com água.

Frequentemente finalizo a limpeza da parte interna do vaso sanitário com detergente só porque gosto de deixar a água com uma espuminha.

Sugestão de leitura: Os dentes também envelhecem

Esponja tipo lã de aço (‘Bombril’)

Esponja de lã de aço

Compro mais frequentemente a lã de aço da marca Assolan porque tem a mesma qualidade do Bombril, mas custa menos.

Corto cada unidade ao meio, reservo os pedaços numa caixinha e uso cada  apenas uma vez, fazendo sempre primeiro a limpeza dos espelhos (com detergente), depois da pia e, por fim, do vaso sanitário.

Faço isso em média uma vez por semana, esse procedimento com Bombril não faz parte da limpeza básica diária do banheiro. O que faço diariamente é limpar a pia, a parte interna do vaso sanitário e desengordurar o piso da área de banho.

Finalizada a limpeza externa do vaso sanitário – uso a lã apenas nas partes de louça e deixo o assento por último – descarto o pedaço no lixo comum, onde o produto se desintegra naturalmente (oxida e volta ao estado mineral), jogo água para remover qualquer resíduo de aço e limpo a parte de dentro do mesmo jeito que faço diariamente.

Desinfetante 

Tenho um sério problema com fragrâncias, algumas me dão dor de cabeça e outras me deixam com náusea ou  agravam minha asma, mas o Veja Desinfetante Limão não me incomoda.

É um produto bem versátil e pode ser usado, com as ressalvas e orientações dadas pelo fabricante  (evitar uso em inox, madeira e porcelanato fosco), na casa toda, mas só uso no banheiro.

Mantenho ao lado do vaso sanitário uma escova sanitária equipada com copo. Quanto mais discreta, melhor, ela pode ficar escondidinha num cantinho próximo ao vaso sanitário.

Deixo o copo parcialmente cheio com  desinfetante puro, ou seja, a escova fica mergulhada no desinfetante 24 horas por dia.

A cada vez que uso a escova ela já carrega desinfetante. Enquanto estou fazendo a limpeza da parte interna do vaso sanitário jogo também detergente e/ou sapólio e no final das contas até a escova fica limpa.

Depois que tudo está limpo, coisa rapidíssima, faço o enxague da escova utilizando o chuveirinho, deixo a água escorrer para o próprio vaso sanitário e mergulho a escova limpa dentro do desinfetante.

A louca do Sapólio 

O meu favorito é o Sapólio Radium, mas não costumo usá-lo em bancadas ou outros locais da casa.

A parte interna do meu vaso sanitário permanece sem manchas, mesmo sendo bem antiga e acredito que isso seja ação do Sapólio.

O produto  entrega uma excelente limpeza com pouco esforço e no meu caso é fundamental para manter a área de banho, que recebe meus cosméticos capilares e corporais que contém vários lipídeos, desengordurada.

Todos os dias jogo Sapólio no chão da área de banho de qualquer jeito e faço uma leve fricção com uma vassoura de cerdas firmes. Basta jogar um pouco de água e tá tudo resolvido.

O que está faltando para facilitar mais ainda nossa vida é o Robô Aspirador.

Beijos!

Meire

Leia também: A riqueza da vida simples

 

 

 

 

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A Riqueza da Vida Simples

Por @meire_md

“Experimente mais, idealize menos. As pessoas sofrem desnecessariamente por não ter a vida idealizada pelo marketing e retratada nas novelas, e isso faz com que não deem atenção à riqueza que está no seu alcance” (Gustavo Cerbasi, em ‘A Riqueza da Vida Simples‘)

A crise sanitária iniciada no mundo em idos de 2019 e que asfixia o nosso país desde o Carnaval de 2020 me trouxe uma boa dose de autoconhecimento.

Adentrei janeiro de 2021 diferente. Sinto-me mais adulta, mais forte, menos ansiosa e menos desatenta.

Enfronhar-me nos meus pensamentos, aprender a meditar, usar menos as redes sociais e retomar o ritmo habitual de leitura para além da Medicina que por pouco – dada minha tendência horrorosa de me dedicar exageradamente ao trabalho – não se esfacela, foram mudanças muito positivas.

Há alguns anos venho numa vibe bem minimalista e durante o ano de 2020 percebi o quanto pessoas que tem um padrão econômico similar ou maior que o da minha casa estão trilhando pelo mesmo caminho.

Sonhar com uma vida simples e buscá-la ativamente enquanto faz seu dinheiro se multiplicar soa paradoxal para quem não está vivendo isso.

Para o senso comum quem trabalha com foco no futuro e sempre foi um investidor regrado só pensa em dinheiro ou busca, a todo tempo, acumular mais.

Dissonância Cognitiva?

O que está por trás daquilo que parece ser uma dissonância cognitiva é o fato de que nem todas as pessoas trabalham, planejam-se e investem com foco em alto padrão de vida e excesso de sobras.

As pessoas minimalistas se organizam com foco em obter tempo livre, ter menos coisas, ter menos obrigações, ter mais leveza e ter mais liberdade; as sobras são apenas mais uma das boas consequências do grau de esforço empenhado.

Pessoas minimalistas não buscam sacrificar a própria vida tampouco tendem a se tornar mesquinhas e amargas por causa de dinheiro.

Quando determinei a quantia em dinheiro que doaríamos todo mês achei que meu marido fosse achar muito, mas ele só disse: “que ótimo”, e não pude deixar de perceber o quanto ele se sentiu  bem com isso.

Os anos se passaram, a gente continua com o mesmo hábito, o dinheiro doado portanto faz parte das nossas despesas básicas e nunca nos fez falta.

Impulso minimalista

Muitas pessoas planejam sua vida financeira copiando os anseios, os sonhos e até os ativos escolhidos pelos outros.

O que você quer, de fato, para sua vida e até onde você está disposto (desde que licitamente) a ir?

Quando comecei a planejar os rumos que desejava para a minha vida eu sabia que não estava disposta a continuar dando plantões. Nós poderíamos ter acelerado em anos os nossos objetivos financeiros – estabilidade e segurança – se trabalhássemos em dois ou três vínculos.

Mas como ficaria a nossa vida, que é aquilo que estamos vivendo hoje?

Teria valido a pena abrir mão de tudo que a gente gosta em troca de mais dinheiro investido? Dos nossos hobbies e de tantas experiências que compartilhamos juntos? Eu acho que não.

Quando parei de fazer consultório, decisão que foi tomada na plenitude de minha carreira, uma amiga disse: ‘mas o que você vai ficar fazendo à tarde’?

O rosto dela denotava uma incredulidade, um espanto e uma confusão que nunca esqueci. A Meire de 2009 estava apenas colhendo os frutos da Meire de 1999.

O impulso minimalista certamente infiltrou-se na minha mente muito antes que eu me desse conta e foi por causa dele e de outros planos feitos com meu marido, que li e recomendo ‘A riqueza da vida simples’, de Gustavo Cerbasi.

Eu achava que só leria o capítulo sobre a casa do Cerbasi, mas acabei lendo o livro todo.

A forma dele escrever é realmente cativante.

A Riqueza da Vida Simples

Antes preciso dizer que discordo frontalmente de um dos pontos centrais do conteúdo desse livro porque não acredito que enriquecer seja uma questão de escolha.

Na minha opinião essa é uma visão muito limitada não só do grau de esforço e da inteligência e perspicácia do cidadão brasileiro como da realidade mesmo.

Se eu não admirasse tanto o Cerbasi e soubesse do respeito que ele tem pelos seus leitores, diria que acho a afirmação desrespeitosa, mas posso dizer ao menos que a afirmação decorre de um viés de seleção.

Decidir enriquecer e o tipo de mentalidade que a pessoa tem ou desenvolve fazem parte do processo de enriquecimento porque sem essas ferramentas ninguém enfrenta desafios de modo incansável, segue em frente após as quedas, deixa de se ver como uma ‘vítima do sistema’ ou entende que a economia não é um jogo de soma zero.

Mas ainda que se tenha a melhor das mentalidades, vivemos em um mundo onde as oportunidades são extremamente desiguais e ninguém está livre de entraves de grande monta.

Nem é preciso sair das Américas para contra-argumentar.

Ainda que seja um país com muitas oportunidades e povoado por pessoas com mentalidade quase uníssona no quesito ‘fazer dinheiro’, os EUA cultivam um exército de pessoas não só sem reserva de emergência como endividadas.

Como médica e como pessoa nascida em família pobre, sou testemunha de pessoas que trabalham com afinco em mais de um vínculo, demonstram decisões inteligentes e criativas para manter seu padrão de vida dois degraus abaixo, nunca se endividam e mesmo assim atingirão independência financeira apenas quando sua aposentadoria pública for concedida.

“Sem se dar conta, você se vicia em consumo”

Em minha opinião ‘A Riqueza da Vida Simples’ é um livro voltado para pessoas de classe média e alta, sobretudo para aquelas que focam no enriquecimento ‘sem cortar o cafezinho’ e que já são ou consideram desenvolver um estilo de vida minimalista.

Alguns brasileiros que não são caracterizados como pobres nem são propriamente ricos vivem na corda bamba. Superestimam seus proventos, contratam escolas mais caras do que deveriam, financiam carros que mal podem pagar, contratam serviços que poderiam fazer, compram mais do que querem, precisam ou podem.

Não se interessam em reaproveitamento, antecipam sonhos, compram presentes caros para os filhos, abusam de compras parceladas em cartão de crédito, não compreendem o conceito de cascata de gastos, ou seja, vivem num padrão de vida inadequado e portanto sem qualquer resistência para imprevistos.

Quando estimulados a rever os gastos esses brasileiros são incapazes de encontrar os graves erros que estão basicamente encravados em cada item de suas despesas fixas e o máximo que conseguem enxergar e fazer é negociar um novo plano para o celular ou cortar canais da TV por assinatura. Clássico.

Para essa fatia de pessoas pode caber a expressão ‘enriquecer é uma questão de escolha’.

O caminho de lapidação do padrão de vida – mudar os filhos de escola ou até mudar de cidade não são decisões fáceis – é árduo, porém possível.

Gustavo Cerbasi fala diretamente para essas famílias e recheou o livro com soluções inteligentes para problemas comuns.

Os capítulos 7 a 9, que versam sobre minimalismo, protótipos da vida futura e casa inteligente, são os meus favoritos.

Se você se identificou com alguma coisa deste post pode gostar bastante das dicas e orientações dadas por Cerbasi em ‘A Riqueza da Vida Simples‘.

Caso você queira obter entendimento sobre as diversas opções de investimentos, indico a leitura de ‘Investimentos Inteligentes’.

Para saber mais:

Saúde Financeira & Onde Estudar

Baixa Renda & Saúde Financeira

É possível viver de Renda?

Como cuidar do seu dinheiro (Educação Financeira para crianças)

 

 

 

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O sobrenome de sua mãe era Holmes

Por @meire_md

“Demorou mais de um século após a rua Morgue’ de Poe e meio século após Sherlock Holmes para que a análise de perfis comportamentais saltasse das páginas da literatura para o mundo real” (John Douglas)

John Douglas, aposentado depois de mais de vinte anos dedicados à análise e confecção de perfis de serial killers, é um aclamado expert em crimes violentos e responsável direto pela criação da Unidade de Ciência Comportamental do FBI, fundada em 1980.

Ele é uma figura tão importante na história da caça aos serial killers americanos que inspirou o Jack Crawford do filme ‘O Silêncio dos Inocentes‘, os personagens David Rossi e Jason Gideon da série ‘Criminal Minds‘ e o conjunto de seus estudos deu origem à impactante série ‘Mindhunter‘.

Se você gosta de criminologia indico fortemente a leitura de ‘MINDHUNTER O primeiro caçador de serial killers americano‘ e ‘DE FRENTE COM O SERIAL KILLER Novos Casos de Mindhunter’ que, na minha opinião, deveriam ser leitura obrigatória não só para Médicos e Psicólogos como para Advogados, Juízes, Procuradores e Promotores.

Mindhunter

O primeiro livro foi escrito em meados da década de 90 e começa com o angustiante relato do período em que Jonh esteve internado em UTI em razão de uma encefalite viral sofrida em 1983.

A história segue introduzindo, em meio aos casos reportados, dados autobiográficos e de sua jornada enquanto Agente Especial e de como sua equipe sistematizou métodos para entrevistar serial killers e extrair deles o conhecimento necessário para entender a mente criminosa.

O Agente descreve como dava suporte técnico à Polícia, fazendo questão de reforçar que ela é a verdadeira responsável por desvendar os tão incompreensíveis quanto inacreditáveis crimes em série que deixam o mundo inteiro perplexo.

Durante a pesquisa John entrevistou nada mais nada menos que monstros como Ed Kemper, Charles Manson, Richard Speck, Jerry Brudos, David Berkowitz, Ed Gein e outros.

Bastante significativa é a merecida crítica voltada a psiquiatras, obviamente não todos, que pelo extremo desleixo que caracteriza aqueles que pouco se esforçam para o bem da coletividade, deixam-se enganar pelo tal ‘bom comportamento’ e formulam pareceres favoráveis aos desejos dos serial killers quando não se debruçaram minimamente nem nos detalhes e circunstâncias que levam os criminosos a matar, tampouco na quantidade de mal que fizeram às vítimas e famílias.

Essa irresponsabilidade que permite que predadores sejam soltos continua ceifando muitas vidas inocentes.

De Frente com o Serial Killer

“Em 1981, John Hinckley Jr planejou impressionar a atriz Jodie Foster com seu amor por ela assassinando o Presidente Ronald Reagan”

O segundo livro é uma continuação do primeiro e foca-se em quatro criminosos, porém é enriquecido com relatos de casos similares a cada um deles e resume as principais conclusões que o Agente acumulou ao longo de sua trajetória.

“Houve vítimas no meio do caminho”

Os casos começam com a história da breve vida da pequena Joan D’Alessandro, que graças ao heroísmo de sua incansável mãe, uma mulher que embora tomada pela Miastenia Gravis nunca desistiu de exigir Justiça, a menina foi transformada em um símbolo na luta contra predadores de crianças.

A Lei de Joan alterou o Código Penal de Nova Jersey e em 1998 o Presidente Bill Clinton assinou sua versão federal, que determina que nos casos de assassinato de menores de 14 anos com agravante de abuso sexual a pena é de prisão perpétua sem possibilidade de condicional.

O segundo caso relata os crimes do covarde e desleal Joseph Robert Kondro, que perpetrava graves ofensas desde jovem porém foi repetidas vezes solto sob pagamento de fiança.

O terceiro caso é de um típico Anjo da Morte, o auxiliar de enfermagem e homicida de pseudomisericórdia Donald Harvey, que matou mais de 80 pessoas, 15 delas quando ainda não havia completado 19 anos.

O quarto caso é do serial killer Todd Kohlhepp, uma figura bastante complexa e tão contraditória que parece mostrar desejo de se compreender e quebrar o ciclo de destruição. Percebe-se que para Jonh Douglas a evolução de Kohlhepp foi diferente de tudo que ele já havia visto.

A certeza da impunidade é realmente uma forma bastante eficiente de gerar mais e mais vítimas. Meu sonho é que um dia o Brasil aprenda a nos livrar desse tipo de fera.

Meire

*créditos da imagem

📍Curiosidade

O personagem Bufalo Bill de “O Silêncio dos Inocentes” foi construído a partir de características de três serial killers: Ed Gein, Ted Bundy e Gary Heidnick.

 

 

 

 

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As armadilhas do cérebro são implacáveis

Por @meire_md

“As pessoas encontram razões para continuar apoiando os candidatos políticos de sua preferência mesmo quando eles são acusados de graves e comprovados deslizes; mas acreditam em comentários de terceira mão sobre qualquer ilegalidade como prova de que o candidato do outro partido deveria ser banido da política de uma vez para sempre” (Leonard Mlodinow)

Há alguns anos atendi um moço que sofreu uma grave injúria física que resultou em paraplegia (paralisia das duas pernas). Enquanto ele estava no Hospital, foi preso por ter sido apontado como sendo responsável por um certo crime.

Assim, passou imediatamente a ser tratado como se fosse culpado. Foi algemado na maca, conduzido sem delongas e encarcerado em cela comum.

Mesmo negando ser a pessoa que afirmaram, mesmo com os depoimentos de toda sua família, do seu chefe e apesar de estar paraplégico e cheio de escaras, permaneceu preso por quase um ano até ser libertado.

Ele era inocente.

Estudos de psicologia experimental sugerem que quando pessoas são colocadas em frente a um grupo de suspeitos tendem sempre a apontar um, mesmo que o culpado não esteja ali. A imagem de quem a pessoa apontou ocupa em sua mente o lugar do rosto que ela realmente viu ou pensou ver.

O livro Subliminar, de Leonard Mlodinow é um mini tratado sobre armadilhas cerebrais que podem ser tão nocivas ao ponto de criar uma situação como a sofrida por aquele rapaz.

Lapidando o pensamento

Leonard Mlodinow é doutor em Física e vem fazendo um grande trabalho como divulgador científico.

Seu livro mais conhecido é ‘O Andar do Bêbado’, que nos ensina de modo muito estimulante como a aleatoriedade está por toda parte e o quanto interfere em nossas vidas, mas gosto ainda mais de ‘Subliminar‘.

Coloquei ‘Elástico’ em minha lista de leitura porque temo que meu eu do futuro – um dos meus planos é viver na companhia do meu marido por muitos e muitos anos, ehehe – acabe como boa parte das pessoas idosas, com um modo de pensar acomodado, rígido e resistente ao novo.

Planejo manter meu pensamento flexível e certamente consumirei toda literatura neurocientífica que puder me apoiar nessa jornada contra o pensamento engessado.

Sobre Subliminar

Disponível em capa comum, Kindle ou edição de bolso.

Subliminar não traz tanta novidade para quem já tem uma boa base teórica sobre o funcionamento da mente ou para quem entende bastante sobre evolução humana.

Isso porque Leonard não é pesquisador nas áreas, nem criador de nenhum conceito que o livro carrega. O autor tratou de compilar de modo bastante acessível para leigos (nós) boa parte do que a ciência da mente, surgida na década de 90, vem nos mostrando  — e como teorias caducas estão sendo abandonadas graças à psicologia experimental.

O livro conta com muitos exemplos úteis para publicitários e também resume alguns estudos interessantes que ilustram as formas com as quais o inconsciente se manifesta diariamente em nossas vidas.

Uma parte melhor que a outra

Na primeira metade do livro Leonard discorre sobre o novo inconsciente e cita como captamos informações nas entrelinhas, como presumimos informações, como usamos nosso ‘sexto sentido’.

Também dala de como nossa visão e audição preenchem informações ao resgatarmos um evento e reporta de forma bem simples a construção das nossas memórias e a importância que nosso cérebro dá à socialização, sem a qual podemos adoecer física e mentalmente.

Na segunda parte do livro o autor tece explicações sobre a Teoria da Mente, que exercitamos desde a tenra infância sem nos darmos conta.

Como o autor não se aprofunda no tema (não cita os neurônios-espelho nem as grandes variações individuais), sugiro que você complemente a Subliminar com ‘O que o cérebro tem para contar: Desvendando os mistérios da natureza humana’, do Ramachandran.

‘Eu vejo a sua aura’

O escritor segue mostrando como julgamos pessoas por uma ‘aura’ de características diversas que em conjunto nos levam a alguma conclusão que pode ser socialmente útil (ou bem errada em alguns casos) e como e por quais motivos tendemos a rotular as pessoas.

Como costumo falar, ninguém consegue (nem deveria tentar) negar a existência das preconcepções porque elas são tão naturais à espécie humana quanto são os nossos mais primitivos instintos. Nossa mente é basicamente uma máquina de fabricar preconceitos.

O que precisamos entender é que nossas preconcepções, que são praticamente automáticas e generalizadoras, sejam questionadas pela nossa racionalidade e quebradas sempre que se mostram nocivas.

Leonard  fala que  ‘Podemos todos lutar contra os vieses inconscientes, pois as pesquisas tem mostrado que nossa tendência a categorizar as pessoas pode ser influenciada por nossos objetivos inconscientes. Se estivermos cônscios de nossos vieses e motivados para superá-los, conseguiremos fazer isso’.

No capítulo 8 o livro expõe a dinâmica dos grupos sociais que naturalmente se formam desde dentro de uma pré-escola (meninos X meninas) ou no país como um todo (esquerda X direita) e como cada pessoa do grupo se vê, como vê uma pessoa qualquer do mesmo grupo e como vê uma pessoa qualquer do outro grupo.

Os capítulos 9 e 10 se centram nas nossas emoções e na nossa autoimagem, de como nos vemos melhores do que realmente somos e do bom efeito de se acreditar em si mesmo.

Enfim, Subliminar é um livro bastante interessante.

Um beijo,

Meire

 

 

 

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Os dentes também envelhecem

Woo hoo : o tempo ideal para uma escovação dentária saudável

Por @meire_md

Sou acompanhada pela mesma dentista há muito tempo e até encontrá-la, mesmo tendo sido uma criatura que passou parte da vida indo mensalmente a outro dentista para ajustar o aparelho ortodôntico, mantinha o péssimo hábito de escovar os dentes usando muita força.

Eu sabia que não era certo, mas fazia mesmo assim.

Sabe o tipo de gente que escova os dentes na força do ódio? Eu era essa pessoa. Eu me distraia e quando percebia o ato já estava consumado.

As cerdas das minhas escovas de dentes rapidamente assumiam um aspecto de folhas de samambaia, tamanha a violência com a qual eram usadas.

Acredito que eu fazia isso porque a brutalidade dos movimentos parecia ser mais eficiente para manter os dentes livres das placas bacterianas, porém o método mais eficiente e mais seguro envolve justamente o contrário: realizarmos uma escovação demorada – dois minutos em média – e suave.

É possível que se eu tivesse continuado a escovar os dentes como quem lixa concreto já estaria precisando de algum tratamento reparador.

Não há esmalte dentário que aguente.

Envelhecimento Bucal

Com o passar dos anos a nossa produção de saliva tende a reduzir, o esmalte dentário vai acumulando desgaste, nossas gengivas vão afinando e de um modo geral os nossos dentes tendem a ficar mais suscetíveis a cáries.

Não sei o quanto a genética influencia no envelhecimento da boca, mas os fatores ambientais exercem um papel exuberante. É sabido, por exemplo, que o consumo de cigarros agrava todo o prognóstico da boca e está relacionado fortemente ao surgimento de câncer e que o consumo de alimentos doces é bastante deletério para dentes e gengivas.

Além de procurar manter o corpo bem hidratado, evitar alimentos açucarados e realizar uma higiene bucal correta, é importante que as visitas indicadas pelo dentista sejam realmente regulares.

Visitar o dentista vai além da estética, pois a boca pode ser porta de entrada de doenças tão sérias quanto endocardite infecciosa.

Minha rotina de Saúde Bucal

Atualmente prefiro usar Escova de Dentes Elétrica.

A que uso ainda é a primeira que comprei para testar se me habituaria, a Oral-B Pro-Saúde Power. Ela é super simples, barata e funciona com duas pilhas.

A minha próxima, salvo se aparecer outra opção mais interessante, será a Oral-B Vitality 100, que é recarregável, tem um temporizador, não é tão mais cara que a Pro-Saúde Power e é bem mais barata que os modelos mais sofisticados.

Da mesma forma que precisamos trocar a escova de dentes a cada três meses, o fabricante indica que troquemos a cabeça da elétrica quatro vezes por ano, daí prefiro usar um refil mais econômico, o Oral-B Pro-Saúde Precision Clean, que vem com quatro unidades.

Tenho curiosidade de testar também o refil Oral-B Flossaction, que parece ter cerdas que se insinuam melhor entre os dentes, mas vou esperar meu estoque de refil reduzir.

Dentes super juntinhos

Como meus dentes são bem próximos uns dos outros  não posso dispensar o uso de fio dental, mas prefiro usar fita porque tenho a impressão que ela é mais eficiente para o meu caso.

Uso há vários anos a mesma, a Fita Dental Expansion Plus Johnson & Johnson.

Confesso que eu deveria usar a fita pelo menos duas vezes ao dia, mas só uso após a última refeição do dia (inclusive isso me ajuda a não assaltar a geladeira, porque a preguiça de passá-la de novo é sempre maior que a fome).

Em busca do Creme Dental perfeito sem defeitos

Escolher meu creme dental favorito da vida foi uma verdadeira saga porque alguns me davam aftas, outros ressecavam meus lábios, alguns me davam alergia.

Até descobrir que eu tinha Doença Celíaca quase tudo me dava alergia.

Por muitos anos eu só conseguia usar o Creme Dental Philips, o Sensodyne Rápido Alívio ou o Crest Complete, até que percebi que comecei a ficar menos alérgica e resolvi testar os Colgate Total 12 e deu certo.

Hoje meu creme dental favorito ainda é o Sensodyne Rápido Alívio, mas tenho comprado bastante o Colgate Total 12 Professional Gengiva Saudável (porque não tem corante) ou qualquer um que não seja o Whitening.

Flúor em enxaguante bucal? Converse com seu dentista

Após as escovações uso Enxaguante Bucal regularmente, já vou no automático e bochecho por 30 segundos.

O engraçado é que não consigo usar a quantidade recomendada, a boca fica muito cheia. Acho que uso tipo dois terços ou metade.

Gosto tanto do Colgate Plax Soft Mint quanto o Colgate Total 12 Clean Mint e do Colgate Total 12 Anti Tartar, então escolho o mais barato dentre os que estão com marca da Amazon Prime (para não pagar frete).

Um beijo!

Meire

Além de Frete GRÁTIS ilimitado em milhões de produtos elegíveis, ao ser membro Prime você tem acesso a filmes, séries, músicas, eBooks, revistas, jogos e muito mais em uma única assinatura, por apenas R$ 9,90/mês. Assine agora mesmo!

 

 

 

 

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É possível viver de renda (FIIs)?

Por @meire_md

‘Por melhor que seja um FII, nunca valerá a pena pagar qualquer preço por ele’ (Marcelo Fayh)

Muita gente da minha faixa etária passou pela divertidíssima experiência de comprar um imóvel na planta e se ferrar com todas as honras possíveis.

Nós não somos exceção.

Há alguns anos o Igor foi contemplado com um perfeito e belíssimo calote de uma Construtora famosinha.

Hoje estamos, junto com um grupo de vítimas tão esperançosas quanto abnegadas, aguardando estoicamente a Justiça fazer alguma coisa.

No nosso caso o processo está andando, porém para trás. Alguém se apossou do local para explorá-lo comercialmente e já construiu um empreendimento lindo por lá. Belíssimo, lucrativo e agradável.

Se um processo por questões imobiliárias movido pela Princesa Isabel levou 125 anos para ser julgado, como esperar que o de Igor seja resolvido enquanto nossos felizes e roliços corpos habitam (vivos) o Planeta Terra?

Pelos poderes de Grayskull

Dou o caso por morto e enterrado; nossa preocupação atual é um total de vários nadas.

O lado bom é que a patinada serviu de experiência: quem não tem uma história de perda para contar certamente não investiu por tempo suficiente para que a sua apareça.

Não perca dinheiro” é uma regra completamente utópica porque parte de um princípio que temos absoluto controle sobre tudo. Investir é e sempre será uma caixinha de surpresas.

Empresas quebram, gestores de fundos são presos, dinossauros são extintos, ações despencam, prédios pegam fogo, bolhas explodem, sociedades se desfazem, governos aumentam impostos.

Perder algum dinheiro ao longo da nossa trajetória é algo inexorável.

Enquanto estamos em fase de acumulação, que para os pobres mortais como a maioria de nós leva anos, tudo pode acontecer.

Olhar para frente de modo míope e só enxergar ‘a segurança de quem investe para o longo prazo’ é perigoso.

Planeje-se considerando a chance de que as coisas mais lucrativas podem dar erradas, porque isso fará com que você se previna investindo também em coisas que não rendem tanto, mas podem ser menos variáveis e mais seguras.

Tudo tem risco. Tudo, mesmo. Não precisa ir longe, basta ler os regulamentos de qualquer investimento pretendido.

Leia as letras miúdas e seja ligeiramente pessimista que as coisas tendem a dar mais certo.

Chá de sumiço

Quando bem nova tomei calote de uma empresa de Previdência Privada que foi contratada por vários colegas médicos. Ela realmente parecia tão segura quanto parecem seguras várias empresas jovens da atualidade.

Os donos se desintegraram e viraram poeira estelar, o sumiço foi tão completo que nem o nome da empresa lembro mais.

É possível viver de renda?

Fácil não é, mas é possível.

Existem muitos caminhos para se viver de renda de forma lícita, mas nenhum deles elimina o trabalho árduo por anos a fio.

A única coisa que peço a você é que, ao ler algum livro sobre investimentos, ver vídeos, participar de palestras ou fazer cursos, não feche a mente caso um ou outro educador exprima repulsa por algum tipo de investimento ou empreendimento. Varie sempre as fontes de consulta, nunca decida algo de modo impulsivo.

O que é péssimo para mim pode ser exatamente o melhor meio para você e sua família. Há muitas pessoas que formam um bom patrimônio com imóveis, inclusive aquelas que possuem imóveis nos quais nós investimos em formas de cotas.

Se todo mundo resolvesse parar de construir? Se todo mundo resolvesse parar de fazer trade? Se todo mundo resolvesse vender tudo que tem para investir na Bolsa?

Há perfis distintos neste mundo de investimentos. Encontre o seu.

O escritor Marcelo Fayh Paulitsch, autor de ‘Método Fayh: Descubra Como Escolher os Melhores Fundos Imobiliários do Mercado e Viva de Renda’, reporta em seu livro que uma experiência negativa com imóveis na planta o impulsionou para o mundo dos Fundos Imobiliários, uma das formas menos complicadas de gerar renda passiva.

Método Fayh

‘Agora que já sabe bem como são e funcionam as taxas de administração e performance, uma dúvida deve ter surgido: Quais são as taxas ideais em um FII?’

Método Fayh é um compêndio teórico-prático contendo 342 páginas onde você aprende a investir em Fundos Imobiliários conhecendo exatamente em que tipo de terreno você está pisando.

Não é um livro para quem pergunta a quem mal conhece ‘qual o melhor fundo?’ e compra sem pestanejar nem para quem acredita que Buy and Forget é a melhor escolha. Ou melhor, é… Essas pessoas podem ser bastante beneficiadas pela leitura.

Não digo que eu tenha concordado 100% com o autor nem que tenha achado o livro tão elegantemente escrito e primorosamente revisado quanto os do Cerbasi, porém já li muito material sobre Fundos Imobiliários e posso afirmar que ‘Método Fayh: Descubra Como Escolher os Melhores Fundos Imobiliários do Mercado e Viva de Renda’ é de longe o mais generoso.

Não tenho outro adjetivo para dar ao livro.

Ele é generosíssimo. É coloquial e simples como um agradável bate-papo em mesa de bar porém suficientemente detalhado e interessante para prender a atenção de um leitor experiente, exigente e chato como eu.

‘Quando vender um FII de sua carteira?’

O autor demonstra uma preocupação genuína em explicar cada ponto teórico sem cair na pomposidade de descrever irrelevâncias para o público-alvo do livro (nós) ou maquiar o livro com chavões do meio e teatralidades de autoajuda para completar o número de páginas exigidas pelo editor.

O esqueleto do livro é organizado e didático, o que revela bastante respeito pelo leitor e reflete a mente do autor, que parece ser bem sistemática.

O livro não foi, a exemplo de muitos voltados à Educação Financeira, feito para o autor rechear seu currículo registrando que escreveu um livro ou para exibir conhecimento de pouca aplicabilidade prática.

É um livro que ensina do básico ao avançado.

Um abraço,

Meire

Inexperiente com Investimentos e quer saber mais? Leia também:

Saúde Financeira & Onde Estudar

Baixa Renda & Saúde Financeira

Educação Financeira Infantil

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