A Riqueza da Vida Simples

Por @meire_md

“Experimente mais, idealize menos. As pessoas sofrem desnecessariamente por não ter a vida idealizada pelo marketing e retratada nas novelas, e isso faz com que não deem atenção à riqueza que está no seu alcance” (Gustavo Cerbasi, em ‘A Riqueza da Vida Simples‘)

A crise sanitária iniciada no mundo em idos de 2019 e que asfixia o nosso país desde o Carnaval de 2020 me trouxe uma boa dose de autoconhecimento.

Adentrei janeiro de 2021 diferente. Sinto-me mais adulta, mais forte, menos ansiosa e menos desatenta.

Enfronhar-me nos meus pensamentos, aprender a meditar, usar menos as redes sociais e retomar o ritmo habitual de leitura para além da Medicina que por pouco – dada minha tendência horrorosa de me dedicar exageradamente ao trabalho – não se esfacela, foram mudanças muito positivas.

Há alguns anos venho numa vibe bem minimalista e durante o ano de 2020 percebi o quanto pessoas que tem um padrão econômico similar ou maior que o da minha casa estão trilhando pelo mesmo caminho.

Sonhar com uma vida simples e buscá-la ativamente enquanto faz seu dinheiro se multiplicar soa paradoxal para quem não está vivendo isso.

Para o senso comum quem trabalha com foco no futuro e sempre foi um investidor regrado só pensa em dinheiro ou busca, a todo tempo, acumular mais.

Dissonância Cognitiva?

O que está por trás daquilo que parece ser uma dissonância cognitiva é o fato de que nem todas as pessoas trabalham, planejam-se e investem com foco em alto padrão de vida e excesso de sobras.

As pessoas minimalistas se organizam com foco em obter tempo livre, ter menos coisas, ter menos obrigações, ter mais leveza e ter mais liberdade; as sobras são apenas mais uma das boas consequências do grau de esforço empenhado.

Pessoas minimalistas não buscam sacrificar a própria vida tampouco tendem a se tornar mesquinhas e amargas por causa de dinheiro.

Quando determinei a quantia em dinheiro que doaríamos todo mês achei que meu marido fosse achar muito, mas ele só disse: “que ótimo”, e não pude deixar de perceber o quanto ele se sentiu  bem com isso.

Os anos se passaram, a gente continua com o mesmo hábito, o dinheiro doado portanto faz parte das nossas despesas básicas e nunca nos fez falta.

Impulso minimalista

Muitas pessoas planejam sua vida financeira copiando os anseios, os sonhos e até os ativos escolhidos pelos outros.

O que você quer, de fato, para sua vida e até onde você está disposto (desde que licitamente) a ir?

Quando comecei a planejar os rumos que desejava para a minha vida eu sabia que não estava disposta a continuar dando plantões. Nós poderíamos ter acelerado em anos os nossos objetivos financeiros – estabilidade e segurança – se trabalhássemos em dois ou três vínculos.

Mas como ficaria a nossa vida, que é aquilo que estamos vivendo hoje?

Teria valido a pena abrir mão de tudo que a gente gosta em troca de mais dinheiro investido? Dos nossos hobbies e de tantas experiências que compartilhamos juntos? Eu acho que não.

Quando parei de fazer consultório, decisão que foi tomada na plenitude de minha carreira, uma amiga disse: ‘mas o que você vai ficar fazendo à tarde’?

O rosto dela denotava uma incredulidade, um espanto e uma confusão que nunca esqueci. A Meire de 2009 estava apenas colhendo os frutos da Meire de 1999.

O impulso minimalista certamente infiltrou-se na minha mente muito antes que eu me desse conta e foi por causa dele e de outros planos feitos com meu marido, que li e recomendo ‘A riqueza da vida simples’, de Gustavo Cerbasi.

Eu achava que só leria o capítulo sobre a casa do Cerbasi, mas acabei lendo o livro todo.

A forma dele escrever é realmente cativante.

A Riqueza da Vida Simples

Antes preciso dizer que discordo frontalmente de um dos pontos centrais do conteúdo desse livro porque não acredito que enriquecer seja uma questão de escolha.

Na minha opinião essa é uma visão muito limitada não só do grau de esforço e da inteligência e perspicácia do cidadão brasileiro como da realidade mesmo.

Se eu não admirasse tanto o Cerbasi e soubesse do respeito que ele tem pelos seus leitores, diria que acho a afirmação desrespeitosa, mas posso dizer ao menos que a afirmação decorre de um viés de seleção.

Decidir enriquecer e o tipo de mentalidade que a pessoa tem ou desenvolve fazem parte do processo de enriquecimento porque sem essas ferramentas ninguém enfrenta desafios de modo incansável, segue em frente após as quedas, deixa de se ver como uma ‘vítima do sistema’ ou entende que a economia não é um jogo de soma zero.

Mas ainda que se tenha a melhor das mentalidades, vivemos em um mundo onde as oportunidades são extremamente desiguais e ninguém está livre de entraves de grande monta.

Nem é preciso sair das Américas para contra-argumentar.

Ainda que seja um país com muitas oportunidades e povoado por pessoas com mentalidade quase uníssona no quesito ‘fazer dinheiro’, os EUA cultivam um exército de pessoas não só sem reserva de emergência como endividadas.

Como médica e como pessoa nascida em família pobre, sou testemunha de pessoas que trabalham com afinco em mais de um vínculo, demonstram decisões inteligentes e criativas para manter seu padrão de vida dois degraus abaixo, nunca se endividam e mesmo assim atingirão independência financeira apenas quando sua aposentadoria pública for concedida.

“Sem se dar conta, você se vicia em consumo”

Em minha opinião ‘A Riqueza da Vida Simples’ é um livro voltado para pessoas de classe média e alta, sobretudo para aquelas que focam no enriquecimento ‘sem cortar o cafezinho’ e que já são ou consideram desenvolver um estilo de vida minimalista.

Alguns brasileiros que não são caracterizados como pobres nem são propriamente ricos vivem na corda bamba. Superestimam seus proventos, contratam escolas mais caras do que deveriam, financiam carros que mal podem pagar, contratam serviços que poderiam fazer, compram mais do que querem, precisam ou podem.

Não se interessam em reaproveitamento, antecipam sonhos, compram presentes caros para os filhos, abusam de compras parceladas em cartão de crédito, não compreendem o conceito de cascata de gastos, ou seja, vivem num padrão de vida inadequado e portanto sem qualquer resistência para imprevistos.

Quando estimulados a rever os gastos esses brasileiros são incapazes de encontrar os graves erros que estão basicamente encravados em cada item de suas despesas fixas e o máximo que conseguem enxergar e fazer é negociar um novo plano para o celular ou cortar canais da TV por assinatura. Clássico.

Para essa fatia de pessoas pode caber a expressão ‘enriquecer é uma questão de escolha’.

O caminho de lapidação do padrão de vida – mudar os filhos de escola ou até mudar de cidade não são decisões fáceis – é árduo, porém possível.

Gustavo Cerbasi fala diretamente para essas famílias e recheou o livro com soluções inteligentes para problemas comuns.

Os capítulos 7 a 9, que versam sobre minimalismo, protótipos da vida futura e casa inteligente, são os meus favoritos.

Se você se identificou com alguma coisa deste post pode gostar bastante das dicas e orientações dadas por Cerbasi em ‘A Riqueza da Vida Simples‘.

Caso você queira obter entendimento sobre as diversas opções de investimentos, indico a leitura de ‘Investimentos Inteligentes’.

Para saber mais:

Saúde Financeira & Onde Estudar

Baixa Renda & Saúde Financeira

É possível viver de Renda?

Como cuidar do seu dinheiro (Educação Financeira para crianças)

 

 

 

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