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Livros

[Notas] O Livro Ilustrado dos Maus Argumentos | Ali Almossawi

Por @meire_md

 O Livro Ilustrado dos Maus Argumentos aborda resumidamente as dezenove falácias de discurso mais frequentemente cometidas em debates. Ali Almossawi direciona o livro para as pessoas que são iniciantes na área de raciocínio lógico, mas acredito que seja também uma ótima opção de leitura para pessoas que estão no ensino médio.

 

É um livro miudinho, de leitura rápida e contém ilustrações de Alejandro Giraldo. A minha edição é para Kindle, aqui (a edição de papel é bem cara).

Seria interessante, considerando o público para o qual se destina, que o autor tivesse fornecido mais exemplos e tivesse apresentado uma lista de livros para quem quisesse se aprofundar no assunto. Mas mesmo assim recomendo a leitura, pois não é fácil achar boa bibliografia específica.

Para consultas sobre falácias de discurso na área de saúde costumo indicar o Catalogue of Bias, que é mantido e alimentado pelo Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford e colaboradores.

Observação: Para quem não tem o aparelho Kindle, é só usar o aplicativo Kindle para Android ou iPhone e logar com mesmo login e senha do seu cadastro na Amazon, adquirir o livro e ler no app.

Beijo 😉

 

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[Resenha] Neuromancer | William Gibson

Por @meire_md


William Gibson, hoje com 72 anos, é um escritor de ficção científica que iniciou sua jornada escrevendo contos.

Estimulado pelo mais puro medo de produzir um livro que não prendesse a atenção do leitor, criou ‘Neuromancer‘, uma história densa e tão revolucionária que é usada hoje como um ícone do cyberpunk, subgênero de ficção científica cujas histórias são ambientadas em um submundo tecnológico distópico – anárquico e não raro pós-apocalíptico – onde as classes dominantes são ligadas a grandes corporações privadas e boa parte da população vive em condição marginal.

A história é tão relevante que criou as ideias de cyberespaço e inteligência artificial, forneceu subsídios para filmes como Matrix, recebeu importantes prêmios e rendeu uma aclamada trilogia. Os outros dois livros são Count Zero (1986) e Mona Lisa Overdrive (1988).

Aproveitando as vantagens da minha edição especial da Aleph (2014), antes de mergulhar na leitura do livro resolvi me ambientar melhor e li ‘Johnny Mnemônico‘ (1981), ‘Queimando Cromo’ (1982) e a longa e detalhada entrevista que William Gibson concedeu a Larry McCaffery em 1986.

Curioso saber que WG imaginou o cyberespaço ao sentir, enquanto observava meninos jogando Fliperama, que eles agiam como se estivessem do lado de dentro da tela. Genial.

Já há excelentes resenhas sobre este livro e como li muitos comentários de pessoas que não conseguem terminá-lo, minha ideia aqui é apenas dar alguns toques para estimular um recomeço.

A história começa começando.

Para entender o livro é preciso quebrar alguns paradigmas: a escrita acompanha a lógica do universo punk.

Você é jogado no meio do caos quando todo mundo se conhece, merdas já aconteceram e estão todos estressados demais para dar atenção ao novato da tribo. O novato é você.

Você não será apresentado a ninguém, você é um mero observador investigativo que terá que fazer suas próprias conexões e dar a cada personagem a atenção devida. É um livro para quem tem mente de detetive.

Quem for importante reaparece e o que for importante em algum momento é elucidado; a história não volta para explicar o que aconteceu offline enquanto você estava acompanhando Case na Matrix e os diálogos podem começar pela metade da mesma forma que acontece quando você sai de uma reunião e volta.

O ambiente cyberpunk é como um ferro-velho gigantesco cheio de figuras fisicamente exóticas, coletores, ladrões, compradores e trapaceiros.

Num ambiente assim você não precisa nem vai entender o que cada gadget é ou significa nem vai conhecer a intimidade ou as razões de todos os personagens, tampouco vai entender o papel de cada um que por acaso passa pelo grupo principal.

Há muitos transeuntes, muita tralha, muito ruído. Em suma, o autor está pouco se lixando para o leitor que busca orientação e sentido; você que lute para formar a história na sua cabeça, e é justamente isso que faz o livro ser tão massa.

Importante saber que há personagens com apelidos/codinomes que se alternam no decorrer da trama, o que requer um pouco de atenção para que você não confunda as pessoas. Os neologismos são praticamente autoexplicativos.

📍Daqui para frente há spoilers, então leia por sua conta e risco.

O país principal da história é o Japão.

Case é um hacker (‘cowboy’) de 20 e poucos anos portador de um cérebro turbinado tecnologicamente que pisou na bola com um contratante e, como represália, foi capturado e infectado com uma micotoxina que impede o seu acesso à Matrix, ou seja, que impede que seu cérebro biotecnológico conecte-se com o cyberespaço.

Impedido de atuar profissionalmente como hacker, vicia-se em drogas e sobrevive fazendo bicos em troca de dinheiro de papel (‘neoiene‘), modalidade de pagamento feita apenas em transações pouco ou nada lícitas.

Após gastar tudo que tinha tentando se livrar da micotoxina, é levado pela própria namorada a um estado paranoico. Ela aproveita a confusão para fugir com dados que julgava valiosos enquanto ele, acreditando ser alvo de uma tentativa de assassinato, é resgatado pela mercenária samurai biotecnologicamente modificada que já tinha aparecido no conto Johnny Mnemônico, a Molly Millions. Amo você, Molly.

Sem ser consultado, Case é sedado e submetido a um tratamento contra a micotoxina e a transplantes de fígado e pâncreas, que o deixam insensível às drogas que consumia, mas sua capacidade neuronal só poderá ser mantida se ele cumprir uma missão cibernética determinada por Armitage, fantoche de uma IA que aparece mais na frente.

Sete dias depois do procedimento médico ele recupera a capacidade de se conectar à Matrix e, conhecedor do fato de que a recusa em cumprir a missão resultará na devolução da micotoxina à sua circulação, ele se joga no trabalho sem saber direito o que está fazendo, coisa que começa a ser esclarecida lá pelo segundo terço do livro.

O Brasil aparece em pelo menos três momentos, um dos funcionários de Ratz (dono do Bar decorado com um relógio Dalí) é brasileiro e em algum lugar no tempo e espaço aparece um outro transeunte brasileiro. O terceiro ponto onde o Brasil figura é tão importante (e tão chave para a compreensão do todo) que não vou colocar no post, isso você vai descobrir sozinho (a).

Entre viagens físicas e cibernéticas a equipe se completa com Peter Riviera – que tem a capacidade de compartilhar hologramas com quem está por perto, criando ilusões perfeitas – e os computadores, um deles formado pela mente de um tutor morto (Pauley) que aparece tanto como Dixie quanto como Flatline. Aliás, ele não é o único morto da história que tem a inteligência preservada por tecnologia.

Em um certo momento eles se deslocam para fora da Terra em um ônibus espacial e chegam a Zion, onde personagens rasta se juntam ao grupo. A coisa começa a convergir. No terço final do livro a trama vai se fechando dentro da Matrix, o que é quase uma experiência alucinógena.

Se você terminar a leitura de Neuromancer como quem viu um filme inteiro, entendeu tudo mas ficou com a sensação de que dormiu em algumas partes, é sinal que a leitura foi ótima.

O desenrolar é surpreendente.

 

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[Resenha] ‘História da Alimentação no Brasil’ | Câmara Cascudo

Por @meire_md

O grande historiador brasileiro Luís da Câmara Cascudo (nascido em Natal) morreu em julho de 1986, aos 87 anos de idade, deixando uma obra gigante não só em volume como em reconhecimento.

Garimpando em sebos ou contando com a sorte de topar com um relançamento, conseguimos 14 livros (teríamos 16, mas dois foram emprestados e não me devolveram até hoje).

Demorei quase uma década para conseguir o ‘História da Alimentação no Brasil’ (Global Editora, 955 páginas), que foi lançado em dois volumes quando eu nem havia nascido e rapidamente virou item raro, porque tão logo brotava em algum sebo, sumia.

Eventualmente consegui comprar o primeiro volume e fiquei na esperança de que o segundo caísse no meu colo, mas para minha alegria, em 2011 a Global lançou a obra completa em volume único e consegui comprar.

A escrita apaixonante de Cascudo estuda o cardápio indígena (inclusive as bebidas inebriantes feitas pelas mulheres), apresenta as dietas africana e portuguesa, faz inúmeras discussões sociológicas com ricas notas de rodapé e exibe as superstições, mitos e folclores que, juntos, originaram a culinária brasileira.

Em abril a Amazon (Prime) lançou uma série inspirada no livro ‘História da Alimentação no Brasil’e com o mesmo nome: se você é assinante não deixe de assistir, é simplesmente bela.

📍Com o Amazon Prime você aproveita Frete GRÁTIS ilimitado em milhões de produtos elegíveis e acesso a filmes, séries, músicas, eBooks, revistas, jogos e muito mais em uma única assinatura, por apenas R$ 9,90/mês. Saiba mais ou assine agora mesmo!

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[Notas sobre dois livros] ‘Prisioneiras’ e ‘Presos Que Menstruam’

Por @meire_md

‘Prisioneiras‘, de Drauzio Varella, é o terceiro livro de uma trilogia iniciada em 1999, quando o autor e médico publicou ‘Estação Carandiru’.

Dráuzio consegue, mais uma vez, transformar uma realidade pesada em uma narrativa leve e divertida: é um contador de histórias mesmo.

Ele não mostra qualquer pretensão de analisar problemas, não romantiza o crime nem cria vilões ou herois, simplesmente leva o leitor para tomar um café no consultório da Penitenciária. Simples assim.

‘Presos que menstruam’, de Nana Queiroz, me incomodou um tanto até que ela, ao consultar alguns documentos probatórios, admitiu que fez julgamentos parciais. Em alguns depoimentos surgem claras contradições; certos trechos parecem ficcionais ou voluntariamente romantizados.

Achei bem honesto de sua parte pontuar esse viés pois quando se apura só um lado de uma história não se deve apontar culpados tampouco tomar conclusões precipitadas, mas o dato é que o livro foi escrito para dar voz às mulheres e não para julgá-las de novo.

Os dois livros convergem claramente num ponto muito triste: quando um homem é preso chovem visitas, familiares vão levar mantimentos e cigarros, mulheres se voluntariam para visitas íntimas… Mas quando uma mulher é presa, rapidamente é abandonada pelo companheiro, a família pouco se importa, as visitas, já raras a princípio, se tornam inexistentes.

Elas, que respondem proporcionalmente por crimes muito menos violentos do que os perpetrados por homens e muitas vezes são motivadas a praticar delitos por desespero ou por dependência emocional, são condenadas também ao abandono e a uma pobreza quadruplicada.

Recomendo ambos, pois embora versem sobre o mesmo tema – mulheres presas – são bem diferentes e por isso se complementam.

 

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