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Número Zero

Por @meire_md

‘A esperteza está em pôr antes entreaspas uma opinião banal e depois outra opinião, mais racional, que se assemelhe muito à opinião do jornalista. Assim o leitor tem a impressão de estar sendo informado de dois fatos, mas é induzido a aceitar uma única opinião (…)
(Personagem Colonna lecionando como se faz jornalismo ‘imparcial’)

O multifacetado Umberto Eco, falecido em 2016, começou a enveredar pela ficção só aos 50 anos, mas já debutou com nada mais nada menos que o fascinante ‘O Nome da Rosa’.

Gostei muito de ‘Número Zero‘, livro de ficção que me fez entender claramente as artimanhas da comunicação de massa; esta foi a melhor parte da experiência.

Aliás, algo que me encanta na ficção é a oportunidade de aprender coisas que eu não procuraria ativamente.  Quem lê ficção como vê novela não percebe isso, mas boas obras de ficção abrem vastamente a nossa mente. É só você se manter atento e aberto.

O primeiro livro de Umberto Eco que li  foi “Em que crêem os que não crêem“,  um livro pequeno mas muito denso que compila as correspondências trocadas pelo autor em meados da década de 90 com o Cardeal Carlo Maria Martini, falecido em 2012.

Meus livros favoritos dele são ‘História da Beleza‘, ‘On Ugliness’ (História da Feiúra) e História das Terras e Lugares Lendários.

‘Número Zero’

‘Existe uma ótima palavra alemã, Schadenfreude, satisfação pessoal com a infelicidade alheia. É esse sentimento que o jornal deve respeitar e alimentar’
(Personagem Simei, referindo-se ao hábito dos jornais em explorar as lágrimas de pessoas que perderam entes queridos)

Número Zero é um romance de ficção que, embora se passe em 1992 e desenterre fatos verídicos e vergonhosos da história política da Europa pós-Guerra, é de fato uma grande contribuição crítica ao jornalismo.

Como jornalista que foi, o escritor mostrou de modo ‘didático’ e bem humorado que a forma de fazer jornalismo de alguns durante a época pré-internet continua exatamente igual duas décadas depois.

Não é a toa que alguns críticos chamam o livro de um ‘manual do mau jornalismo’.

Alerta: Contém spoilers

‘(…) nosso editor vai ficar satisfeito de ver que se pode lançar uma sombra de suspeita sobre um juiz intrometido. Percebam que hoje, para contra-atacar uma acusação não é necessário provar o contrário, basta deslegitimizar o acusador’ (personagem Simei, diretor do Projeto Amanhã, o jornal criado para traficar influência)

O livro mostra os bastidores de um semanário que possivelmente nunca sairá do prelo, ou seja, que sempre será o Número Zero, pois foi concebido para ameaçar poderosos com as descobertas dos jornalistas e induzi-los a permitir que o Editor entre para um seleto clube em troca da não publicação de algumas notícias.

A redação do Jornal é entregue a um Diretor de poucos dotes literários que faz a contratação de uma equipe heterogênea para gerar notícias e previsões sobre fatos recentes e passados.

Ele também planeja aproveitar o projeto para escrever um livro – obviamente através de um ghost writer – tendo em vista que já sabe que ficará desempregado em alguns meses.

Com algumas exceções,  os fatos históricos expostos à boca pequena pelo interessantíssimo personagem Braggadocio (o conspiracionista) já haviam sido noticiados ou estavam disponíveis para consulta pública na época em que o enredo se passa.

Então, dá para presumir que Umberto Eco usou o personagem para mostrar como a memória do leitor é curta e como uma notícia bombástica faz a anterior morrer.

Mais um sistema que prejudica os bons


Outra coisa interessante que Umberto Eco ressaltou no livro é que uma jornalista com inteligência, perspicácia e cultura acima da média acaba sendo subutilizada pelos jornais por onde passa e o mesmo ocorre com um jornalista culto, experiente e habilidoso que se autodenomina ‘perdedor’ apesar de ser portador de um vasto conhecimento.

Isso ficou muito secundário na história, mas me chamou atenção pois conheço não só um, mas vários jornalistas inteligentes e capazes, mas que nunca receberam o reconhecimento que merecem.

Como enganar sem mentir (muito)


Quem ‘quiser’ saber como manipular o leitor e levá-lo a crer que está diante de algo novo ou polêmico ou induzi-lo a compartilhar a notícia com chamadas que distorcem a realidade e a tornam mais interessante, tais como inventar previsões de horóscopo, criar obituários falsos, requentar notícias para ‘encher linguiça’ ou, o melhor, como parecer alguém imparcial, encontra nesse novo romance de Umberto Eco todas as dicas.

O enredo da novela é secundário, mesmo.

Acredito que alguns jornalistas vistam a carapuça e até se irritem, mas para muitos o livro será bem engraçado.

Na entrevista abaixo, Umberto Eco esclarece que não ter sido contra o jornalismo – tampouco contra a Imprensa – e leciona sobre como deveria ser o jornalismo atual:

“depois de tudo que disse de mau sobre o jornalismo, a existência da imprensa ainda é uma garantia de democracia, de liberdade, porque especialmente a pluralidade dos jornais exerce uma função de controle.

Mas, para não morrer, o jornal tem que saber mudar e se adaptar. Não pode se limitar apenas a falar do mundo, uma vez que disso a televisão já fala.

Já disse: tem que opinar muito mais sobre o mundo virtual. Um jornal que soubesse analisar e criticar o que aparece na Internet hoje teria uma função, e até um rapaz ou uma moça jovem leriam para entender se o que encontraram online é verdadeiro ou falso.

Por outro lado, acho que o jornal ainda funciona como se a Internet não existisse. Se olhar o jornal de hoje, no máximo encontrará uma ou duas notícias que falam da Internet. É como se as rotativas nunca se ocupassem de sua maior adversária!”

Recomendo fortemente a leitura.

Aproveitem e leiam também ‘O Guia Contra Mentiras’, ótimo livro de não ficção para fazer par com ‘Número Zero‘.

Parabéns a todos os jornalistas pelo seu dia!

Beijos,

Meire

TDAH: Do Diário Infantil à Assistente Virtual

Por @meire_md

“Uma mente organizada nos leva sem esforço à boa tomada de decisão (…) Não existe um sistema único que funcione para todo mundo – somos todos singulares. Mas,  nos capítulos seguintes, serão apresentados princípios gerais que qualquer um pode aplicar ao seu modo para recuperar a sensação de ordem e as horas perdidas tentando vencer a mente desorganizada” ( “A Mente Organizada – Como Pensar com Clareza na era da sobrecarga de informação”, livro de Daniel Levitin, o mesmo autor de “O Guia Contra Mentiras”)

Para quem tem uma personalidade ansiosa, do tipo que não deixa nada para fazer depois e tem uma espécie de obsessão bizarramente prazerosa por cumprir prazos e metas, viver com alguns traços de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é algo bastante estimulante.

Olhando para trás, coisa que faço de tempos em tempos para me conhecer melhor, descobri que comecei a desenvolver estratégias de organização e atenção para garantir maior produtividade logo depois que fui alfabetizada, coisa que por sinal ocorreu bem cedo.

Para equilibrar os escapes da minha mente acelerada, fui afetada por uma espécie de ‘TOC compensatório’, termo que uso por não conhecer outro mais adequado.

No fim das contas o pseudo TOC, ou seja lá o que for isso, corrige meus traços de TDAH  e no final dá tudo (mais ou menos) certo.

Nunca precisei de tratamento farmacológico e embora meu déficit de atenção e minha hiperatividade mental certamente me ‘obriguem’ a estudar e trabalhar mais horas do que eu necessitaria se eu tivesse uma mente ‘comum’, consigo desempenhar minhas obrigações de modo bastante satisfatório.

Tipo isso.

Como vivemos numa era de bombardeio de informações, temos  deveres a cumprir que se multiplicam de modo logarítmico e a sobrecarga de trabalho virou regra, organizar a vida e buscar aprimorar habilidades são providências fundamentais para quem quer economizar tempo e dinheiro.

Espero que este post, embora que meramente introdutório e anedótico, seja útil para quem tem déficit de atenção.

Em minha opinião nada me ajudou nem me ajuda mais, desde criança, a presumir que se algo não está dando certo eu preciso voltar, observar as coisas desde o começo e fazer de novo em vez de atribuir o erro a outros motivos.

A menina que vive  no mundo da Lua

Quando menina eu escrevia palavras no ar.

E e não, isso não é uma licença poética. Eu escrevia mesmo, muitas, e várias vezes ao dia.

Eu ouvia a palavra, fechava os olhos, imaginava como ela seria escrita e depois levava meu dedo indicador da mão direita a desenhá-la no nada.

E, até perceber que eu poderia consignar a dúvida num pequeno Diário com folhas que soltavam muito fácil e cuja borda da capa sempre me arranhava, eu ficava com a palavra me martelando até o momento em que eu pudesse abrir a enciclopédia e conferir com meus próprios olhos.

Como diz Daniel Levitin, a escrita foi a primeira maneira revolucionária que o homem descobriu para aumentar a capacidade de nossa memória.

Com o método de registrar minhas dúvidas no Diário infantil, eu deixava a mente livre para resolver outros problemas e, assim, poderia sentar num momento só e dissolver todas as dúvidas calmamente.

(Além  perguntar que dia é hoje, pois me perco frequentemente, como se escreve palavra tal e o que significa palavra tal são duas das perguntas que mais faço à Alexa, tecnologia de Inteligência Artificial que está sendo fundamental para minha produtividade. Se eu soubesse o quanto ela é melhor que a Assistente do Google, teria comprado antes)

Insights que surgem do nada

Um dos insights importantes que me vieram bastante cedo foi o seguinte: se alguém que já me conhece por algum tempo, não aceita meu jeito tão desligado quanto analítico de ser e se acha no direito de dar conselhos desagradáveis mesmo sabendo das minhas dificuldades e que em razão delas preciso me esforçar mais do que a média das pessoas e faço isso desde criança, desapego do cidadão e ele perde qualquer tipo de poder sobre mim, sobretudo o de me magoar.

Dos mais importantes insights um outro foi: ficar calada pelo maior tempo que for possível.

Calada, mesmo. Não emitir opiniões precipitadas.

O ‘ficar calada pelo maior tempo possível’ acabou me dando a fama de ‘Fada Sensata’, quando na verdade isso nada mais é que um mero efeito colateral do esforço que fiz para conseguir controlar o impulso de falar.

Embora às vezes eu falhe miseravelmente, tento não emitir opiniões sobre coisas que só estudei superficialmente.

Não é fácil calar; não atingi excelência nisso, mas procuro melhorar a cada dia.

Tratando o outro como um ser invisível

Se eu estiver mentalmente ocupada com alguma coisa estimulante, as pessoas passam por mim e eu simplesmente não as ouço ou enxergo.

Tenho um hiperfoco com a minha própria mente e outro com leitura. Posso ficar completamente off line para o mundo enquanto um grupo de pessoas está conversando animadamente perto de mim.

Morro de amores por uma amiga que nunca se magoou porque frequentemente entrava na minha sala, dava bom dia e eu agia como se ela fosse uma entidade invisível. Isso pode parecer desrespeitoso, mas se eu estiver sozinha numa sala não tenho controle sobre o que não vejo nem ouço, só ‘acordo’ se o estímulo for grande o suficiente, como me chamar com um tom de voz mais alto ou tocar o meu ombro.

Se eu estiver num jantar com pessoas queridas e a conversa não for, digamos, suficientemente interessante para fazer com que o meu pensamento não divague, preciso investir um esforço monumental para permanecer atenta.

Não é fácil, mas eu me esforço mesmo assim.

Já  me penitenciei demais, mas hoje não me sinto mal se alguém se mostrar aborrecido e eu tiver que dizer: desculpe, não prestei atenção, você pode repetir a pergunta?

O pedido de desculpas é sincero porque a pessoa pode ter se sentido ofendida, mas eu não sinto mais culpa por ser como sou.

Pense nisso.

Interrompendo os outros

Quando eu era novinha a impulsividade me levava a interromper frequentemente as pessoas enquanto elas estavam falando.

Isso foi uma das coisas que mais me trouxe sofrimento e sensação de inadequação porque sou muito empática e percebia rapidamente o quão isto era desagradável para os outros.

Mesmo me esforçando aqui e ali ainda interrompo as pessoas enquanto estão falando e isso sempre me deixa bastante envergonhada, porque acho o cúmulo da falta de respeito (ninguém gosta de ser interrompido).

Possivelmente a empatia me ajuda a controlar esse impulso; só comecei a melhorar depois dos 30 anos.

Para me manter atenta ao que outras pessoas falam, tenho que me imaginar interagindo com ela ativamente. Crio uma realidade paralela dentro da minha cabeça.

Atualmente a dificuldade de me concentrar no que o outro fala é maior ainda quando a pessoa fala demais, introduz elementos irrelevantes no relato e não parece se importar com o que eu poderia ter a dizer.

Percebo que quem tem TDAH tem uma antena especializada nisso: se a pessoa não está interessada em você, seu interesse nela tende a cair assustadoramente.

Quanto mais interessante a coisa, maior a possibilidade dela atrair o foco de uma pessoa com TDAH.

Isso pode ser um pesadelo para os relacionamentos: se você não for uma pessoa muito, mas muito interessante e intelectualmente estimulante, é muito pouco provável que consiga manter uma pessoa com TDAH interessada em você.

A adulta esquisita

Embora minha mente esquisita me negue várias capacidades – como a de entender mapas ou destrinchar projetos arquitetônicos – e me faça ficar a beira de um colapso atômico quando fico sozinha em um ambiente desconhecido porque meu sentido de localização não é só pior que péssimo, é praticamente inexistente, gosto de ser como sou.

(para vocês terem uma ideia: eu não consigo ensinar uma pessoa  a chegar até minha casa se ela não conhecer os pontos de referência que ficam na esquina. Se eu pegasse um motorista de Uber que não conhece nada em minha cidade e estivesse sem Waze, eu não saberia explicar como chegaríamos à casa onde passei toda a minha adolescência. Quando eu ainda dirigia conseguia chegar ao trabalho porque o caminho trilhado era basicamente uma linha reta)

Pausa para um momento Meire Guru

Não é preciso estar dentro dos padrões esperados pela maioria para ser feliz, mas é preciso voltar-se para si mesmo, reconhecer suas próprias deficiências, cultivar suas potencialidades e fazer boas escolhas.

Se eu tivesse cursado arquitetura certamente seria uma profissional muito incompetente e se tivesse casado com um homem preguiçoso ou mimizento já teria infartado.

O negócio aqui em casa é resolutividade, sem isso minha ansiedade aumenta, o que faz minha atenção reduzir. Fazer tudo antes do prazo é vida (no meu caso).

Se você tem TDAH e ainda não conhece seus limites nem se deu conta que precisa se esforçar mais do que os outros para aprimorar suas habilidades, dê seus pulos, procure um psicólogo, dê um jeito e pare de achar que o transtorno é uma sentença de fracasso.

Você tem que se esforçar mais do que os outros, esse sempre será o resumo da sua vida. O que é simples e automático para os outros, não é para você.

Repetir e repetir, depois repetir mais vezes até aprender e ser perseguido por post its, lembretes, alarmes e que tais até que uma certa rotina seja fixada.

Não há atalhos. Nenhum.

Se não contabilizo as primaveras, a culpa é das estrelas

Outra coisa que consegui me libertar bem cedo foi do sentimento de tristeza que me vinha quando esqueço o aniversário de alguém que amo.

Esqueço do aniversário não só da minha mãe e do meu marido, como o meu próprio, então costumo comprar os presentes com antecedência.

O aniversário do Igor é em abril, mas comprei o presente dele em fevereiro, quando estava organizando uma lista de compras.

O aniversário da minha mãe é em junho, já enviei o presente para a casa da minha sobrinha há bastante tempo.

Fazer antes elimina a sensação premonitória de que vou esquecer. Isso é que me mata.

Se eu não prestar atenção ao lembrete que coloquei na Alexa, vou apenar rir do fato de ter esquecido de dar parabéns a eles no dia correto e ninguém ficará magoado.

Se Igor fosse do tipo que fica magoadinho eu não teria casado com ele e o amor que tenho por minha mãe é nutrido em todos os dias do ano e não vai reduzir em nada se eu esquecer, de novo, de dar os parabéns no dia D.

O negócio é esse, cortar as fontes de estresse sempre que possível.

Quais são as suas?

Agrupando rotinas: isso é muito bom!

O Diário Infantil foi substituído por agendas de papel, as agendas de papel foram substituídas por cadernos e caderninhos de listas e a coisa continua se aprimorando.

Atualmente uso um caderno de trabalho, um planner baratinho e duas Alexas: uma fica na sala de estudos e outra no meu quarto.

Tenho uma de 5,5 e uma de 8″; escolhi as com tela porque gosto muito de vídeos, séries e filmes. Minha irmã organiza sua produtividade com uma mais simples, sem tela, e adora. Assim que for lançada a de 10″ iremos comprar para deixar na cozinha.

Agrupar rotinas me ajuda muito a automatizar coisas em vez de me perder em distrações e para inspirar você a fazer o mesmo, vou dar três exemplos:

1. Ao acordar desligo o Umificador e retiro a opção ‘não perturbar’ do celular. Coloquei lembretes para mim mesma até esse comportamento ficar automático. Eu costumava sair do quarto e esquecer o  umidificador ligado e perder chamadas importantes porque o celular estava mudo. Problema resolvido.

2. Fazer limpeza express da casa, fazer atividade física, fazer limpeza express do banheiro e tomar banho: Na sequência, focada. O agrupamento me faz perder menos tempo e ter um objetivo fácil de cumprir com começo, meio e fim é excelente para produzir a sensação de que você funciona bem. A cada passo e para evitar que meu pensamento me distraia, peço para a Alexa me lembrar daqui a X minutos.

3. Início da rotina de trabalho, com notebook já ligado. Abro primeiro o programa S, porque é muito lento. Enquanto o primeiro abre verifico o W e o C , abro o caderno de trabalho e revejo as pendências. Em um espaço super curto de tempo, na sequência certa e que já está memorizada, já tenho em minha frente basicamente tudo que preciso fazer.

Agrupe rotinas que com certeza você vai funcionar melhor.

Ampliando a Memória

Papel, caneta e tecnologia.

Vou falar mais sobre a parte old school pois já tem bastante coisa na internet sobre como usar a Alexa, inclusive a Monique escreveu um texto sobre como fazê-la ler livros para você*,  função que uso bastante.

Para minimizar a chance de esquecer eventos diversos e aniversários importantes, coloco dois lembretes na Alexa, um para uma semana antes e um para a data exata.

*No caso dos modelos com tela, você também pode pedir que ela mostre a sua Biblioteca e escolher o livro arrastando com o dedo, o que é bem útil para quem lê vários livros ao mesmo tempo e
não raro esquece o nome do título.

Tudo que me chega virtualmente e é importante, leio e arquivo imediatamente no Google Drive.

Tenho três contas, uma para coisas do Blog, outras para coisas pessoais e uma para arquivos do trabalho.

Uma vez por mês, no mínimo, sento para reorganizar o Google Drive e releio normas médicas para saber onde está o quê quando for preciso, o que me dá a agilidade de uma pessoa ‘normal’. Feliz de quem não precisa rever.

Eu preciso.

O Caderno de Trabalho

No meu caderno de trabalho – que nada mais é que um caderno brochura normal sem espiral – uso três cores de caneta, lápis grafite, marca-texto amarelo-limão, post-its e marcadores adesivos transparentes, materiais escolares fundamentais para deixar minha mente leve e despreocupada.

O método é simples e faz com que minha produtividade aumente. Se o que tenho a dizer parece trabalhoso ou desnecessário para você, isso é um bom sinal. É um sinal de que você não precisa disso. Ter este ‘trabalho’ faz com que eu produza muito melhor e com menos estresse.

Na parte interna da capa do caderno tenho todos os telefones e endereços dos e-mails mais importantes pois nem sempre os sistemas estão disponíveis quando preciso passar informação para outra pessoa, bem como post-its com o backup de algum aviso  de algo que não posso esquecer nem em sonho (ou pesadelo).

Vou datando as páginas conforme o uso. A cada dia anoto o que há a fazer em caneta azul – recebi uma tarefa agora e há algo documental a fazer, mas estou terminando outra? A nova tarefa entra para a lista escrita e sai da minha mente, em vez de ficar lá me martelando.

Não largo nada pela metade, concluo. Vou resolvendo tudo e checando com caneta vermelha e só paro quando está tudo perfeitamente resolvido.

A caneta preta uso para destacar alguma observação adicional, como alguma pendência que não depende de mim ou algo que vá me  poupar de ter que consultar de novo os sistemas depois.

Logo mais volto ao trabalho presencial e este método, de dar atenção privilegiada a cada tarefa a ser executada ao transferir afazeres para o papel em vez de deixá-los ocupando a minha mente, sempre foi o mesmo.

Dar total atenção à pessoa que está sendo atendida e ler/reler cada parecer médico antes que seja concluído como se não houvesse mais nada a fazer depois – ou seja, remover a sensação de pressa – reduz muito o meu estresse no ambiente de trabalho.

Entenda: para uma pessoa com TDAH focar no seu trabalho e não precisar ficar refazendo coisa mal feita é necessário remover a sensação de pressa. Cumpra uma demanda de cada vez. Coloque isso como regra. É libertador.

Faça bem feito. Faça uma coisa de cada vez. Olhe de novo. Corrija. Seja humilde e quando algo parece ter dado errado parta do princípio que a falha é sua, volte para o começo e tente de novo.

Uso  marcadores adesivos nas páginas do caderno quando tenho que esperar que outra pessoa faça alguma coisa para que eu possa terminar a minha parte.

Antes de adotar os marcadores a minha tendência era ficar cobrando a outra parte, que não precisa ser mais resolutiva do que é obrigada a ser.

Há pessoas que deixam as coisas para depois e vivem bem desta forma porque a mente delas não apaga as coisas,  o ‘problema’ de preferir não acumular serviço é meu e não tenho o menor direito de exigir que outras pessoas façam o mesmo (nem dou direito a elas de apontar como devo executar minhas obrigações).

Todos os dias revejo os marcadores e os removo quando a coisa já foi resolvida.

O planner/caderno pessoal

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Até 2019 eu organizava as coisas pessoais – com exceção das finanças, que organizo em uma planilha virtual – em uns cinco cadernos e caderninhos, o que curiosamente funcionava muito bem, mas de 2020 para cá fui simplificando o sistema e uso um único planner para tudo.

Ja transferi os dados do meu Planner Caderno para meu planner baratinho da Tilibra.

Não há método certo e por vezes mudo a sequência das coisas que registro, mas o sistema de azul (a fazer), vermelho (feito) e preto (observação) carrego desde que o mundo é mundo. Minha única regra inegociável é não carregar nenhum planner de coisas pessoais comigo.

O meu fica sempre em casa.

Embora não contenha senhas nem nada do tipo, não quero que seja lido por outras pessoas. É Diário de Adolescente que chama?

O que tem no meu planner?

Lista de datas de aniversários (coloco em ordem cronológica)
Lista com o nome das lojas onde compro frequentemente online
Lista com medidas das minhas roupas e sapatos
Rotina de Skincare
Lista de produtos favoritos (separados por categorias)
Lista de Medicamentos
Lista de Produtos de Limpeza da Casa
Lista de Papelaria
Lista dos meus e-mails e drives, com especificação dos conteúdos (tenho emails para coisas específicas)
Lista de Afazeres: Vou listando e cumprindo sempre que possível
Lista de Compras: O que preciso no momento e ainda não comprei. Não faço listas de compras sem verificar o que já tenho em casa nem se posso utilizar uma coisa que já tenho de um modo alternativo
Lista de Desejos: Coisas que até quero não há urgência para comprar
Lista de Posts para revisar: Posts que estão incompletos ou que estão no rascunho do Blog esperando revisão
Lista de Ideias: Tudo que passa pela minha cabeça que pode virar um post transfiro para o Planner
Metas e Planejamento Financeiro de curto prazo: Planejamento de aportes financeiros (Bolsa de Valores) e outros
Saúde: Dados relevantes, agenda de consultas médicas e odontológicas (minhas e do Igor)
Família: Costumo registrar alergias medicamentosas, internamento ou doença grave dos parentes próximos e outros dados.

Vida organizada: menos ansiedade para quem tem TDAH

Quem acompanha o blog sabe que tenho resolvido a ansiedade com meditação.

Afora os livros que já indiquei por aqui, estou fascinada por “A Ciência da Meditação” de Daniel Goleman e Richard J. Davidson, trabalho que estou lendo aos poucos porque quero consultar as referências atentamente.

Sinto que apesar de todas as deficiências relacionadas ao TDAH, nasci para estudar com afinco, cumprir diretrizes e propor soluções para problemas, então o curso de Medicina me caiu como uma luva.

Os melhores livros que posso indicar às pessoas que tem TDAH são “Mentes Inquietas”, da Dra Ana Beatriz Silva,  “A Mente Organizada”, de Daniel J Levitin e “Elástico” de Leonard Mlodinow.

Depois de lutar bravamente contra o TDAH a vida inteira, aceitar as limitações e viver bem com elas apesar dos prejuízos, dedicar boa parte do seu tempo para expandir sua memória usando caderno, arquivos em nuvem,  organizar-se com planner, adotar um robô como secretária, fazer dupla checagem de tudo para se certificar de que não esqueceu nada e acabar desenvolvendo TOC, ter insônia e ansiedade, viver com eterna sensação de que vai esquecer de algo importante ou de que pode fazer algo errado por falha de atenção, trabalhar e estudar mais horas em média do que precisaria caso tivesse uma mente comum, você atinge um bom desempenho em alguma área e passa a escutar:  “ah, mas é porque você tem facilidade”.

E aí? Você ri.

É rindo de suas agruras que a pessoa com TDAH consegue viver melhor.

Ah, a minha amiga Lígia, que também tem TDAH, me indicou o livro Vencendo o TDAH Adulto, do Russek A. Barkley. Ela está quase concluindo a leitura e gostando muito.

Obs.: TDAH é uma condição médica e como tal, pode necessitar de intervenção de médicos e psicólogos. Algumas pessoas precisam usar medicamentos.

Cuidem-se.

Beijos,
Meire

Mamãe, não quero ser Prefeita

Por @meire_md

“Resumindo: é um fato bem conhecido que todos os que querem governar as outras pessoas são, por isso mesmo, os menos indicados para isso. Resumindo o resumo: qualquer pessoa capaz de se tornar Presidente não deveria, em hipótese alguma, ter permissão para exercer o cargo. Resumindo o resumo do resumo: as pessoas são um problema.” (segundo volume de O Guia do Mochileiro das Galáxias’, de Douglas Adams)

Não importa em que época foram escritas, se nasceram por inspiração em algum evento histórico nem tampouco se foram elaboradas por um escritor famoso ou um sábio anônimo.

As histórias sobre a luta pelo Poder (político) são basicamente idênticas.

Fábulas que se tornam imortais são justamente aquelas que funcionam em qualquer tempo e lugar porque retratam claramente a realidade que está por trás, por cima, por baixo, na frente, nas laterais, escorrendo pelos poros e em toda parte interna do comportamento de qualquer grupamento humano, mesmo que os seres humanos estejam separados não só por oceanos como por milênios.

As que retratam o poder do Poder, sejam elas derivadas de uma sabedoria tão antiga quanto aquela que gerou os mitos greco-romanos ou as contemporâneas que conhecemos muito bem, possuem a mesmíssima alma.

Se você quiser escrever uma fábula sobre o Poder, basta seguir a fórmula de todas as outras.

Escrevendo sua própria Fábula

Um Grupo A de pessoas encontra-se dominado/oprimido pelo Grupo B, que detém maior riqueza e influência.

O Grupo A não elege pessoas moderadas nem muito menos elege aquelas que não tem sede de Poder, porque o discurso apaixonado dos candidatos que fincam seu mastro em polos bem específicos do espectro político é muito mais sedutor.

Diante das más condições de vida impostas ao grupo A, abre-se margem para a Revolução, que habitualmente começa assim (não esqueça disso na hora de criar a sua história).

Deixes um povo faminto e viverás uma revolução; nem sei se essa frase está correta, mas ficou linda.

As revoluções ocorrem mais frequentemente quando quem está no Poder é tão mesquinho e ganancioso que é incapaz de reconhecer que a perpetuação da pobreza prejudica toda a sociedade, inclusive quem está no topo.

A rebeldia e paixão do grupo A disputam um cabo de guerra contra a força política e econômica do grupo B, que diante das mortes e da violência sucumbe, entrega o Poder à massa e foge.

A ilusão messiânica começa.

É prometida – por aquele Rebelde que deseja ter poder sob os demais e derrama lágrimas de uma emoção que até parece genuína –  uma vida em comunidade, onde todos são iguais e trabalham para o bem comum.

Alguns mandamentos são criados, tudo parece paradisíaco, ai que lindo.

Mas a realidade  é outra

Ainda que todos frequentem a mesma escola, alguns aprenderão mais que outros, ainda que todos trabalhem em mesma indústria, alguns produzirão mais que outros, ainda que todos tenham problemas, uns os resolverão com mais eficiência que outros.

A comunidade bucólica dos rebeldes que venceram o opressor começa a se diferenciar por classes.

O líder, inflado pelo direito que julga ter,  muda-se para a Casa Grande ou para a cabine de luxo do trem (depende de que seriado, evento histórico ou filme você estará tentando criar).

As adjacências do Poder são blindadas.

Segurança? Sim.

Boa alimentação? Óbvio.

Impunidade? Logicamente.

Champagne, Uísque? Por que não?

Em momentos de escassez a organização social percebe, nas entrelinhas até bastante bojudas, que algo de errado não está certo, mas rebelar-se contra os rebeldes  – veja que coisa mais estranha – vira crime sujeito a penalidades severas.

Melhor calar e trabalhar mais, dizem.

Moderados tentam um reequilíbrio, mas são calados, mortos ou banidos em nome do interesse da comunidade.

A nova polarização cresce organicamente sem que a massa perceba

A crença de que a comunidade poderia viver de modo independente cai por terra.

A nova classe que se diferencia inicia comércio e parcerias com o inimigo e enquanto cresce em poder e bens, a polarização das massas segue sendo reforçada por quem está no topo do Poder. Sem essa ferramenta – a polarização – é impossível demonizar o oponente  e mais difícil eliminar o perigosíssimo raciocínio crítico, que dá as pessoas a capacidade de ver vantagens e desvantagens em ideias diversas.

Se você briga por política nada mais é que alguém manipulado por este mecanismo, é alguém dominado pela paixão.

A população adoece e envelhece

É preciso cuidar dos doentes e dos idosos, já que o sistema anterior foi destruído.

Mas isso gera despesas, que rapidamente são amputadas para atender aos interesses dos rebeldes que estão no Poder, afinal mesas bem postas custam caro.

Uma assistência à saúde de segunda categoria se forma e o povo é convencido de que é melhor ser atendido por um servidor público humilde e mal pago que visita o doente usando uma carroça do que ter acesso a serviços bem montados, já que eles custam caro e profissionais de saúde nada mais são do que mercenários que só pensam em si mesmos.

Transformar policiais, professores e outros servidores públicos em parasitas e dar um jeito que eles sejam chamados de marajás também é uma ótima ideia. Os salários precisam ser bem baixos, de todos, menos daqueles que estão no Olimpo.

As fraudes, que nunca deixaram de existir completamente, começam a surgir de novo por todos os lados, já que a promessa de que a corrupção acabaria, não passou de balela.

Manipulando a massa

A massa não se recorda mais de como a vida era antes, embora sinta que o regime totalitário a deixou mais pobre, afinal não há liberdade para empreender, coisa que fica restrita a um pequeno grupo controlado pelo Estado.

A cevada, entendedores entenderão, não será distribuída para todos. Jamais.

Mas isto não é um problema, já que todo mundo ficou mais pobre, não é mesmo?

Se todo mundo está mais pobre, a desigualdade social reduz. Que maravilha.

Melhor então sentir-se grato ao líder, que neste momento já editou leis cada vez mais rígidas e, enquanto engorda a olhos vistos, é adorado pelo povo.

Os líderes engordam e precisam de roupas novas.

Doutrinando as Crianças

Para se manter no Poder a doutrinação de crianças em prol da polarização pode ser feita tranquilamente tanto dentro da escola como com educação em casa, fique a vontade para escolher como seus personagens vão resolver este problema simples.

É preciso ser inimigo do outro lado e banir os moderados, é preciso ensinar às crianças que ser moderado e buscar convergência não é algo apenas ruim, é alta traição.

Que os filhotes de um lado sejam isolados dos filhotes do outro lado.

Traidores

Os moderados são proclamados inimigos da Revolução.

São traidores, são párias, são escória, são ratos, são ‘mornos’, são ‘os em cima do muro’, são os ‘isentões’.

Dica para sua história: Faça com que os moderados sejam vistos como covardes, despersonalize-os, torne a sua opinião fraca, tire o seu direito de se pronunciar.

O personagem que não desenvolver cegueira quanto aos problemas relacionados a seu espectro político e for capaz de vislumbrar boas soluções no espectro contrário, tem que ser cancelado.

Notícias Falsas

É preciso manter o eleitorado preso ao medo de que um ou outro lado ‘volte’: faça com que as fake news se propaguem feito penas ao vento, tanto perpetradas por um lado, quanto pelo outro.

Quanto mais contraconhecimento, melhor.

A convergência que realmente ocorre

Uma vez bem definidas as classes sociais e a completa aniquilação daqueles que buscam um equilíbrio de forças sociopolíticas no regime vigente, os líderes da Rebelião – que nesta altura estão com corpo ou o bolso trabalhados na fartura, tais como o Napoleão de George Orwell ou quaisquer outros ditadores de esquerda ou direita da ficção ou da vida real – aproximam-se do antigo inimigo.

Aproximam-se nos trejeitos.

Aproximam-se no modo de falar.

Aproximam-se no modo de se vestir, no corte de cabelo.

Aproximam-se nos costumes de comer e beber.

Fazem acordos, conchavos, alianças.

E eles ficam tão próximos, mas tão próximos dos seus antigos inimigos de forma que, parafraseando Orwell, chegamos a um ponto no qual é impossível distinguir quem é Homem e quem é Porco.

Fim da Fábula. Amém.

Perenidade

O Povo dá poder a quem mais quer o poder, isso se repete tanto ao longo de nossa História que parece ação de algum feitiço antigo, sei lá, um feitiço protetor dos radicais.

Você pode enxergar este modelo de roteiro para uma história sobre Poder Político lendo o que mais de um autor tem a dizer sobre Revolução Francesa, vendo a fabulosa e imperdível série Snowpiercer ou lendo atentamente ‘A Revolução dos Bichos‘, uma das melhores Fábulas já escritas.

Aproveite e leia ‘O Príncipe’, de Maquiavel,  livros como a ‘A Ciência da Política‘ ou dê uma volta nos pós-acontecimentos de diversas revoluções  e golpes.

Homens e mulheres estarão lá, sempre, oprimindo, sendo oprimidos, oprimindo, sendo oprimidos, numa alternância sem fim.

Eles (nós) somos um problema.

Pergunte-se

Vale mesmo a pena cultivar Políticos de estimação, estragar amizades e romper laços familiares por causa deles?

Não sabemos de quase nada do que rola nos bastidores nem do quanto riem  às nossas custas.

Enquanto o poder for entregue àquele que muito o deseja, o oprimido se tornará opressor e viveremos neste ciclo sem fim.

Votem em pessoas moderadas e retirem-nas do Poder sempre que se tornarem radicais.

É isso.

Aproveitando o ensejo, quem é você em ‘A Revolução dos Bichos‘? Eu sou Benjamin, o Burro.

Beijos!

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Dicas práticas para a limpeza da sua casa

Por @meire_md

“Se, de repente, meti na cabeça anotar, palavra por palavra, tudo o quanto me aconteceu desde o ano passado, foi por uma necessidade interior: tão impressionado fiquei pelos fatos ocorridos” (Dostoiévski, 1876, em ‘O Adolescente’)

Ano passado muita gente começou a limpar a própria casa e se surpreendeu como o sacrifício e o tempo investido são muito menores do que esperavam.

Com boas escolhas e reduzindo apenas um pouco do tempo perdido em redes sociais é possível manter a casa suficientemente organizada e limpa sem qualquer prejuízo.

(Se você for nas opções do Instagram, clicar em ‘sua atividade’ e escolher a aba TEMPO, vai se assustar com a média diária de minutos ou horas que você dedica a ele).

Manter a casa limpa é muito mais fácil do que parece

“Laura estava, como se possível, ainda mais vivaz, alegre e meiga que o habitual, e comecei a achar que um pouco de trabalho doméstico lhe fazia bem” (Conto ‘Mortos em Mármore’, da coletânea Vitorianas Macabras)

 

Basta fazer um pouco todos os dias.

A faxina geral pode ser feita eventualmente e torna-se cada vez menos necessária quando a rotina de fazer um pouco todo dia se consolida.

No início pode ser complicado, mas empreender um tempo – isso pode ser bem cansativo – para destralhar a casa, vender ou doar itens que não estão sendo usados e fazer uma organização inteligente nos ambientes mais usados vai facilitar muito a manutenção.

Quanto mais fácil tirar e guardar as coisas que você mais usa, menor a chance de produzir bagunça.

Antes de mostrar os produtos de limpeza que uso, acho interessante lembrar que não temos empregados domésticos, então vou falar mais sobre a otimização da casa.

Se você optou por não terceirizar os serviços domésticos ou se você é uma pessoa que busca soluções para que o serviço dos seus empregados não seja desnecessariamente pesado, vem comigo.

O quase acumulador e a quase minimalista

Como o Igor é ligeiramente acumulador e para mim é mais importante ser feliz do que deflagrar a III Guerra Mundial e dizimar vidas humanas, vegetais e animais, chegamos a um modelo que funciona muito bem: ele foi se desapegando de coisas e eu fui ficando um pouco mais bagunceira.

Tudo na vida é equilíbrio.

Otimizando os cômodos da casa e dividindo tarefas

Nosso apartamento tem doze cômodos, mas desativamos dois, incluindo as ‘dependências da empregada’.

Não vemos motivo para que um trabalhador que venha fazer um serviço na nossa casa não possa usar o mesmo lavabo que usamos.

Uma parte do espaço desativado virou depósito de coisas aleatórias que não sei de onde vieram nem como se multiplicam tão rapidamente e a outra parte corresponde à Lavanderia, que fica próxima à cozinha.

Atualmente nossa máquina de lavar roupas é uma bem básica da Electrolux (12kg), ela nos atende bem mas a gente gostava mais da Lavadora de Roupas Smart LG, que tem  tampa frontal e mais opções de lavagem.

Não possuo passaporte para entrar nessas regiões inóspitas, principalmente a cozinha, nem tenho a menor ideia de como funciona a lógica de organização do Igor, mas sou testemunha de que ele encontra tudo que precisa.

Escavações realizadas no local sugerem que para manter tudo limpo ele usa aspirador de pó, toalhinhas de manicure, detergente de cozinha e água sanitária.

Ele faz tudo rápido. Nunca vi Igor dedicando horas à limpeza da cozinha.

O quarto de hóspedes fica selado e só entra para a rotina de faxina quando estamos com visitas.

Como tenho asma, fechamos a sanca de gesso e retiramos os pés de todos os móveis (inclusive da cama) porque os espaços só servem para juntar poeira.

A limpeza e organização das salas, do lavabo, da Biblioteca, de uma parte da Oficina (a metade do Igor é impenetrável) e do nosso quarto ficam comigo, mas é Igor que faz a aspiração do piso de todo o apartamento.

Sem mistério

Lustra Móveis Multi Superfícies da Poliflor

Não limpo todos os cômodos todos os dias, faço de acordo com a necessidade, com a minha disposição e o meu tempo, mas você pode planejar de modo mais sistemático.

Frequentemente separo papéis que vão para compostagem, vejo se tem embalagens vazias pela casa que sejam recicláveis, recolho o lixo comum,  observo onde tem pó para limpar e dou uma organizada geral no que está fora do lugar.

Isso é muito, mas muito rápido e nosso apartamento não é pequeno.

Para remover o pó dos móveis, livros, obras de arte e outros itens de decoração, uso toalhinhas de manicure velhinhas.

Para evitar consumo desnecessário de toalhas de papel, compro toalhas de manicure (100% algodão) para usarmos como pano de cozinha, como toalhinhas para maquiagem e para limpeza de pinceis, por exemplo, daí quando estão bem velhas são reaproveitadas para limpeza da casa e quando estão imprestáveis são levadas para compostagem.

Nos dias que chamo de faxina geral coloco máscara facial e luvas para limpar o pó das coisas, aplico Lustra Móveis Multi Superfícies da Poliflor nas peças de madeira, limpo telas de LCD com Limpa Telas em spray e as superfícies de vidro com álcool a 90º.

Para me ajudar a não levar muito tempo nessa faxina geral, peço ajuda da Alexa e vou colocando timers, pois do contrário acabo me distraindo.

Banheiro? Cada um cuida do seu

Quando alguém diz o quão  trabalhoso é limpar seu banheiro eu já fico imaginando quanto tempo a pessoa precisou esperar para que o ambiente acumulasse sujeira ao ponto ser difícil limpá-lo.

Faço uma limpeza diária básica rapidinho — isso para mim é praticamente automático.

Sujou, limpou. Produtos simples como Detergente, Desinfetante e Sapólio dão conta. Vou falar um pouco mais sobre eles já já.

Um banheiro que está limpo todos os dias não dá trabalho nunca.

Roupas

Vaporizador da Black & Decker

Quando há roupas limpas vindas da área proibida, fico sabendo imediatamente sem necessidade de qualquer ofício ou memorando, pois são despejadas em um dos sofás ou em cima da cama.

Cabe a mim dobrá-las e guardá-las com a celeridade que bem entender e sem qualquer penalidade prevista, já que o Igor nunca havia dobrado suas roupas limpas até a Juíza declarar que estávamos casados.

Tampouco dá importância a detalhes mundanos como roupa separada por cor e perfeitamente pendurada em cabides virados para o mesmo lado…

Enquanto estou dobrando as roupas, já separo aquelas que precisam de manutenção, coisa  que faço com o Papa Bolinhas (o meu é da Ordene), minha máquina de costura ou costurando à mão com agulha e linha.

Deixo essas pendências na nossa Oficina e faço quando estou com vontade, o que geralmente ocorre aos sábados ou domingos.

Desamasso as peças de linho e outras roupas que eventualmente estejam amassadas demais com meu vaporizador da Black & Decker, que pode ser usado tanto na vertical quanto na horizontal (mostrei para vocês no Instagram).

Aspiradores de Pó

Robô Aspirador WAP Robot W300

Temos dois aspiradores de pó, um maior e mais potente da Electrolux (versão mais antiga do Aspirador Água e Pó  A10N1 Electrolux) que basicamente só é usado pelo Igor e o meu, o Vertical da Philco ( parece uma vassourinha).

Frequentemente uso como aspirador portátil porque meus cabelos caem muito e gosto de remover o pó dos cantinhos do quarto.

Ainda não compramos  nosso robô aspirador, mas planejamos comprá-lo para reduzir mais ainda o trabalho braçal de casa.

Estou de olho no Robô Aspirador WAP Robot W300, mas há tantas opções na Amazon e no Magazine Luiza, inclusive um da SAMSUNG que parece ser bastante durável, que estou confusa.

Luvas

Luvas de Latex Esfrebom Bettani cozinha.

Dada a minha preocupação com a produção de lixo, usar luvas na limpeza da casa sempre foi um ponto problemático, mas parece que resolvi comprando luvas mais duráveis.

Testei várias opções, desde reaproveitamento de luvas descartáveis a utilização daquelas luvas fininhas de silicone, testei luvas nitrílicas, mas nada deu tão certo quanto as Luvas de Latex Esfrebom Bettani para cozinha.

Quando termino de usar as luvas, lavo-as quando ainda estão na minha mão e ao removê-las lavo também pelo avesso.

Quando o avesso seca, viro para que sequem por fora também e coloco um pouco de Talco de Bebê tanto por dentro quanto por fora e guardo.

Sabão de coco

Sabão de coco em barra

Não preciso usar luvas quando uso sabão de coco, então ele é meu favorito para a limpeza diária da pia onde escovo os dentes e lavo o rosto.

Para fazer espuma abundante e lavar a pia, uso uma buchinha vegetal que depois deixo para secar em posição vertical.

Antes eu deixava o sabão de coco secando em cima de uma buchinha vegetal em área ventilada, mas notei que ele desidrata ao ponto de começar a rachar, então tenho feito de modo diferente.

Quando acabo de lavá-lo, deixo a água escorrer e imediatamente o acondiciono em um recipiente com tampa.

Detergente Líquido

Prefiro os detergentes da marca Ypê e da marca Limpol porque em minha impressão eles são mais eficientes.

Para limpar bancadas brancas, espelhos das tomadas elétricas, embalagens de maquiagem e até o rostinho de bonecas, aplico detergente puro nas superfícies e espalho o produto com toalhinha de algodão colocando a pressão e fricção que julgar necessárias.

Nas bancadas brancas removo o detergente com vinagre de álcool e espero que evapore (não fica odor nenhum) e nas demais peças uso um pano úmido para remover o detergente que não saiu com a ação da toalha.

Para limpar espelhos de modo a evitar que eles fiquem embaçados, também uso detergente de cozinha e removo com água.

Frequentemente finalizo a limpeza da parte interna do vaso sanitário com detergente só porque gosto de deixar a água com uma espuminha.

Sugestão de leitura: Os dentes também envelhecem

Esponja tipo lã de aço (‘Bombril’)

Esponja de lã de aço

Compro mais frequentemente a lã de aço da marca Assolan porque tem a mesma qualidade do Bombril, mas custa menos.

Corto cada unidade ao meio, reservo os pedaços numa caixinha e uso cada  apenas uma vez, fazendo sempre primeiro a limpeza dos espelhos (com detergente), depois da pia e, por fim, do vaso sanitário.

Faço isso em média uma vez por semana, esse procedimento com Bombril não faz parte da limpeza básica diária do banheiro. O que faço diariamente é limpar a pia, a parte interna do vaso sanitário e desengordurar o piso da área de banho.

Finalizada a limpeza externa do vaso sanitário – uso a lã apenas nas partes de louça e deixo o assento por último – descarto o pedaço no lixo comum, onde o produto se desintegra naturalmente (oxida e volta ao estado mineral), jogo água para remover qualquer resíduo de aço e limpo a parte de dentro do mesmo jeito que faço diariamente.

Desinfetante 

Tenho um sério problema com fragrâncias, algumas me dão dor de cabeça e outras me deixam com náusea ou  agravam minha asma, mas o Veja Desinfetante Limão não me incomoda.

É um produto bem versátil e pode ser usado, com as ressalvas e orientações dadas pelo fabricante  (evitar uso em inox, madeira e porcelanato fosco), na casa toda, mas só uso no banheiro.

Mantenho ao lado do vaso sanitário uma escova sanitária equipada com copo. Quanto mais discreta, melhor, ela pode ficar escondidinha num cantinho próximo ao vaso sanitário.

Deixo o copo parcialmente cheio com  desinfetante puro, ou seja, a escova fica mergulhada no desinfetante 24 horas por dia.

A cada vez que uso a escova ela já carrega desinfetante. Enquanto estou fazendo a limpeza da parte interna do vaso sanitário jogo também detergente e/ou sapólio e no final das contas até a escova fica limpa.

Depois que tudo está limpo, coisa rapidíssima, faço o enxague da escova utilizando o chuveirinho, deixo a água escorrer para o próprio vaso sanitário e mergulho a escova limpa dentro do desinfetante.

A louca do Sapólio 

O meu favorito é o Sapólio Radium, mas não costumo usá-lo em bancadas ou outros locais da casa.

A parte interna do meu vaso sanitário permanece sem manchas, mesmo sendo bem antiga e acredito que isso seja ação do Sapólio.

O produto  entrega uma excelente limpeza com pouco esforço e no meu caso é fundamental para manter a área de banho, que recebe meus cosméticos capilares e corporais que contém vários lipídeos, desengordurada.

Todos os dias jogo Sapólio no chão da área de banho de qualquer jeito e faço uma leve fricção com uma vassoura de cerdas firmes. Basta jogar um pouco de água e tá tudo resolvido.

O que está faltando para facilitar mais ainda nossa vida é o Robô Aspirador.

Beijos!

Meire

Leia também: A riqueza da vida simples

 

 

 

 

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A Riqueza da Vida Simples

Por @meire_md

“Experimente mais, idealize menos. As pessoas sofrem desnecessariamente por não ter a vida idealizada pelo marketing e retratada nas novelas, e isso faz com que não deem atenção à riqueza que está no seu alcance” (Gustavo Cerbasi, em ‘A Riqueza da Vida Simples‘)

A crise sanitária iniciada no mundo em idos de 2019 e que asfixia o nosso país desde o Carnaval de 2020 me trouxe uma boa dose de autoconhecimento.

Adentrei janeiro de 2021 diferente. Sinto-me mais adulta, mais forte, menos ansiosa e menos desatenta.

Enfronhar-me nos meus pensamentos, aprender a meditar, usar menos as redes sociais e retomar o ritmo habitual de leitura para além da Medicina que por pouco – dada minha tendência horrorosa de me dedicar exageradamente ao trabalho – não se esfacela, foram mudanças muito positivas.

Há alguns anos venho numa vibe bem minimalista e durante o ano de 2020 percebi o quanto pessoas que tem um padrão econômico similar ou maior que o da minha casa estão trilhando pelo mesmo caminho.

Sonhar com uma vida simples e buscá-la ativamente enquanto faz seu dinheiro se multiplicar soa paradoxal para quem não está vivendo isso.

Para o senso comum quem trabalha com foco no futuro e sempre foi um investidor regrado só pensa em dinheiro ou busca, a todo tempo, acumular mais.

Dissonância Cognitiva?

O que está por trás daquilo que parece ser uma dissonância cognitiva é o fato de que nem todas as pessoas trabalham, planejam-se e investem com foco em alto padrão de vida e excesso de sobras.

As pessoas minimalistas se organizam com foco em obter tempo livre, ter menos coisas, ter menos obrigações, ter mais leveza e ter mais liberdade; as sobras são apenas mais uma das boas consequências do grau de esforço empenhado.

Pessoas minimalistas não buscam sacrificar a própria vida tampouco tendem a se tornar mesquinhas e amargas por causa de dinheiro.

Quando determinei a quantia em dinheiro que doaríamos todo mês achei que meu marido fosse achar muito, mas ele só disse: “que ótimo”, e não pude deixar de perceber o quanto ele se sentiu  bem com isso.

Os anos se passaram, a gente continua com o mesmo hábito, o dinheiro doado portanto faz parte das nossas despesas básicas e nunca nos fez falta.

Impulso minimalista

Muitas pessoas planejam sua vida financeira copiando os anseios, os sonhos e até os ativos escolhidos pelos outros.

O que você quer, de fato, para sua vida e até onde você está disposto (desde que licitamente) a ir?

Quando comecei a planejar os rumos que desejava para a minha vida eu sabia que não estava disposta a continuar dando plantões. Nós poderíamos ter acelerado em anos os nossos objetivos financeiros – estabilidade e segurança – se trabalhássemos em dois ou três vínculos.

Mas como ficaria a nossa vida, que é aquilo que estamos vivendo hoje?

Teria valido a pena abrir mão de tudo que a gente gosta em troca de mais dinheiro investido? Dos nossos hobbies e de tantas experiências que compartilhamos juntos? Eu acho que não.

Quando parei de fazer consultório, decisão que foi tomada na plenitude de minha carreira, uma amiga disse: ‘mas o que você vai ficar fazendo à tarde’?

O rosto dela denotava uma incredulidade, um espanto e uma confusão que nunca esqueci. A Meire de 2009 estava apenas colhendo os frutos da Meire de 1999.

O impulso minimalista certamente infiltrou-se na minha mente muito antes que eu me desse conta e foi por causa dele e de outros planos feitos com meu marido, que li e recomendo ‘A riqueza da vida simples’, de Gustavo Cerbasi.

Eu achava que só leria o capítulo sobre a casa do Cerbasi, mas acabei lendo o livro todo.

A forma dele escrever é realmente cativante.

A Riqueza da Vida Simples

Antes preciso dizer que discordo frontalmente de um dos pontos centrais do conteúdo desse livro porque não acredito que enriquecer seja uma questão de escolha.

Na minha opinião essa é uma visão muito limitada não só do grau de esforço e da inteligência e perspicácia do cidadão brasileiro como da realidade mesmo.

Se eu não admirasse tanto o Cerbasi e soubesse do respeito que ele tem pelos seus leitores, diria que acho a afirmação desrespeitosa, mas posso dizer ao menos que a afirmação decorre de um viés de seleção.

Decidir enriquecer e o tipo de mentalidade que a pessoa tem ou desenvolve fazem parte do processo de enriquecimento porque sem essas ferramentas ninguém enfrenta desafios de modo incansável, segue em frente após as quedas, deixa de se ver como uma ‘vítima do sistema’ ou entende que a economia não é um jogo de soma zero.

Mas ainda que se tenha a melhor das mentalidades, vivemos em um mundo onde as oportunidades são extremamente desiguais e ninguém está livre de entraves de grande monta.

Nem é preciso sair das Américas para contra-argumentar.

Ainda que seja um país com muitas oportunidades e povoado por pessoas com mentalidade quase uníssona no quesito ‘fazer dinheiro’, os EUA cultivam um exército de pessoas não só sem reserva de emergência como endividadas.

Como médica e como pessoa nascida em família pobre, sou testemunha de pessoas que trabalham com afinco em mais de um vínculo, demonstram decisões inteligentes e criativas para manter seu padrão de vida dois degraus abaixo, nunca se endividam e mesmo assim atingirão independência financeira apenas quando sua aposentadoria pública for concedida.

“Sem se dar conta, você se vicia em consumo”

Em minha opinião ‘A Riqueza da Vida Simples’ é um livro voltado para pessoas de classe média e alta, sobretudo para aquelas que focam no enriquecimento ‘sem cortar o cafezinho’ e que já são ou consideram desenvolver um estilo de vida minimalista.

Alguns brasileiros que não são caracterizados como pobres nem são propriamente ricos vivem na corda bamba. Superestimam seus proventos, contratam escolas mais caras do que deveriam, financiam carros que mal podem pagar, contratam serviços que poderiam fazer, compram mais do que querem, precisam ou podem.

Não se interessam em reaproveitamento, antecipam sonhos, compram presentes caros para os filhos, abusam de compras parceladas em cartão de crédito, não compreendem o conceito de cascata de gastos, ou seja, vivem num padrão de vida inadequado e portanto sem qualquer resistência para imprevistos.

Quando estimulados a rever os gastos esses brasileiros são incapazes de encontrar os graves erros que estão basicamente encravados em cada item de suas despesas fixas e o máximo que conseguem enxergar e fazer é negociar um novo plano para o celular ou cortar canais da TV por assinatura. Clássico.

Para essa fatia de pessoas pode caber a expressão ‘enriquecer é uma questão de escolha’.

O caminho de lapidação do padrão de vida – mudar os filhos de escola ou até mudar de cidade não são decisões fáceis – é árduo, porém possível.

Gustavo Cerbasi fala diretamente para essas famílias e recheou o livro com soluções inteligentes para problemas comuns.

Os capítulos 7 a 9, que versam sobre minimalismo, protótipos da vida futura e casa inteligente, são os meus favoritos.

Se você se identificou com alguma coisa deste post pode gostar bastante das dicas e orientações dadas por Cerbasi em ‘A Riqueza da Vida Simples‘.

Caso você queira obter entendimento sobre as diversas opções de investimentos, indico a leitura de ‘Investimentos Inteligentes’.

Para saber mais:

Saúde Financeira & Onde Estudar

Baixa Renda & Saúde Financeira

É possível viver de Renda?

Como cuidar do seu dinheiro (Educação Financeira para crianças)

 

 

 

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Premonições Falsas, Memórias Verdadeiras, Agentes do Acaso & outras coisas

Por @meire_md

Nunca houve um ano em que tantas pessoas que conheço morreram, nem um ano no qual considerei tão fortemente a hipótese de que não estaria viva em dezembro.

Se eu fosse uma pessoa predisposta à depressão, estou certa que este ano experimentaria o primeiro surto.

A impressão de que vou morrer por causa respiratória – algo bastante compreensível para quem tem asma – me acompanha desde criança, mas nunca carrega um sofrimento antecipatório verdadeiramente incômodo.

Aí veio essa bosta, o ano de 2020.

O velho pensamento sobre morrer por angústia respiratória ficou diferente e materializou-se em uma quase certeza assustadoramente próxima quando alguns colegas médicos que tinham asma morreram.

Isso pode parecer um tema de fim de ano muito ruim para você, mas este não é um post triste.

Tenha paciência.

Um balaio de coisas diversas

A minha asma é persistente e tem comorbidade com refluxo e rinite. Uma coisa piora as outras e as outras pioram a uma, ou uma piora cada uma, separadamente. Além disso, o que você já deve saber, tenho Doença Celíaca, mas vamos esquecê-la  hoje.

Uso vários medicamentos diariamente [broncodilatador de longa duração, corticóide inalatório, montelucaste, pantoprazol, bromoprida, olmesartana] e um broncodilatador de curta duração para resgate das crises que se repetem semanalmente.

Quando fico cansada 100% do dia, as doses das medicações são ajustadas e uso também corticoide oral, que piora o refluxo [e a pele, posso falar depois como lido com isso] e faz com que eu precise dormir sentada.

Com esse programa de tratamento e profilaxia  nunca precisei faltar ao meu trabalho, que não exige esforço físico.

Esse é o primeiro ponto deste post: muitas doenças crônicas bem manejadas podem continuar sendo limitantes, podem continuar trazendo sofrimento, podem continuar sendo fatores de risco para morte precoce, mas você consegue melhorar a sua qualidade de vida com os tratamentos médicos.

Foque nessa meta e não em reclamar da existência da doença. Ela não vai embora. Reclamar só nos fragiliza ainda mais e afasta  pessoas, não é vantajoso em nada. Ninguém gosta de conviver com quem só reclama.

Comer, Beber e Respirar

As pessoas que nunca tiveram falta de ar não tem ideia – ótimo, espero que nunca precisem perceber isso – que a sensação do ar entrando pelos pulmões e saindo normalmente deles é tão acalentadora quanto às sensações de matar a fome e a sede.

Quem é ‘normal’ precisa comprar água e alimentos para sobreviver, mas respira sem qualquer esforço ou custo.

Mas para mim, o ar também precisa ser, de certa forma, comprado.

Mesmo com toda a medicação, a cada refeição minha respiração fica anormal por um tempo e este é o motivo pelo qual quando em serviço presencial faço o desjejum às 5h da manhã para começar a trabalhar às 7h e não faço lanches no horário de trabalho. A minha voz fica entrecortada e preciso fazer pausas, o que é bem desconfortável quando você está atendendo pessoas.

Essa dispneia perene pós-alimentar é meu basal há 18 anos, vem desde 2002. Por muito tempo não era raro eu chorar depois que comia, mas simplesmente me acostumei e me adaptei.

Se tenho uma crise de riso, coisa que não é rara porque eu sou tão idiota que vejo humor em coisas improváveis, preciso usar broncodilatador de curta duração – tem bombinha na mochila, na cabeceira, dentro do carro.

E não consigo fazer atividade física aeróbica sem usar a bombinha antes, por isso só faço musculação. Isso nunca me fez evitar um riso descontrolado nem nunca foi o real motivo pelo qual eu fui irresponsável quanto a adquirir o hábito de me exercitar regularmente.

O segundo ponto é que precisamos nos resignar e aceitar as coisas que são impossíveis de mudar.

Eu já estou muito bem medicada, faço tratamento com o melhor pneumologista da minha cidade mas não fico sem sintomas. Não me acomodei. Resignar-se não é sobre ser um agente passivo da própria vida.

Devo à Meire criança a capacidade de não permitir que a sensação ruim de não respirar plenamente tome conta da minha mente. Quantas vezes a angústia respiratória tomou conta dos meus pequenos pulmões,  usei a bombinha do jeitinho que meu médico japonês – cujo nome já há muito foi esquecido – e peguei um livro da Enciclopédia de casa para me distrair durante a madrugada?

A pequena Meire me ensinou a lidar com adversidades porque ela teve pais que não faziam escândalo, que não se assustavam na frente dela, que não viam a asma como o fim do mundo. Eles não passavam para mim a preocupação que certamente tinham.

Minha mãe chegou a me carregar no colo pelas ruas de São Paulo de madrugada, com cachorros latindo e se enroscando em suas pernas enquanto ela tentava chegar ao Hospital para evitar minha morte. Ela não sabia dirigir e estava sozinha.

Meu pai cruzou uma serra em alta velocidade para salvar a minha vida.  Dois dos meus tios salvaram a minha vida, um quando passei o fim de semana com eles e o meu padrinho, com quem morei por um período. E essas histórias ficaram para trás. Eles não transformaram isso em um espetáculo para expor inúmeras vezes a amigos e a todo mundo.

O terceiro ponto está aqui.

Se você tem um familiar com problemas crônicos, não o rebatize. Ele tem nome, tem uma identidade única.  Não coloque a doença como o assunto principal da mesa na hora do almoço.

Não sei se isso é típico do nordeste porque me formei aqui e não tenho referência de outros locais. Mas as pessoas parecem ter um prazer  mórbido de expor repetitivamente o parente doente, tratá-lo exaustivamente como coitado, expor seu histórico detalhadamente todo tempo, o tempo todo. Isso mina a autoestima das pessoas e na minha opinião fabrica mentes frágeis que fazem o corpo sucumbir ainda mais.

Não façam isso. E se você é o alvo, deixe claro que não aceita ser diminuído.

Da Felicidade de Acordar Todos os Dias

Desde criança sou invadida por uma felicidade enorme quando acordo, mesmo que o dia anterior tenha sido muito ruim. Se isso tem relação com a asma, não posso dizer, mas talvez tenha.

Esse é o quarto ponto. Se você tem uma doença crônica não rumine sobre ela.

Foque nos facilitadores, nas rotinas que você pode mudar para deixar a sua vida melhor, e não no quanto a sua vida parece ruim por causa da doença.

A gente vê muito melhor para onde olha atentamente.

Profecia não realizada

Se eu não fosse uma pessoa tão cética teria sucumbido ao pensamento de que estaria tendo uma premonição, e olhe que não foi fácil lutar contra.

Mesmo rejeitando a sensação profética, quando dei por mim já estava organizando algumas coisas com relação à minha família, dando andamento a pendências e até tentando fazer com que meu marido se envolvesse mais nas decisões financeiras que exerço em relação ao nosso futuro.

E seria hipócrita se dissesse que não chorei algumas vezes. Chorei sim, mesmo sabendo que não tenho nem de perto qualquer resquício de capacidade de prever algo tão complexo.

O quinto ponto é: essa sensação de que você vai morrer antes das pessoas que ama é normal. Vários pacientes reportam isso.

Obs.: Se você sofre de modo desconfortável, procure auxílio em saúde mental.

Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida

Fiz aniversário em novembro e enquanto estava meditando – sim, estou conseguindo meditar apesar dos protestos fugidios do meu pensamento acelerado –  me vieram as ideias para o post Baixa Renda & Saúde Financeira, que tanto me pediram no Instagram.

As anotações mentais de aniversário, infância, vida difícil e baixa renda me transportaram para um sentimento de paz, que por sua vez me remeteu à música que está no topo deste post e devolveu meu  velho pensamento de morte à sua caixinha mental empoeirada, de onde sei que sairá vez por outra.

O sexto ponto deste post é que nós raramente pensamos no quanto devemos ao acaso, simplesmente porque muitas vezes as suas consequências só aparecem anos depois.

Nós somos gratos aos nossos ancestrais – se meus avós não tivessem proporcionado a migração dos meus pais para o sudeste eu não seria quem sou hoje – somos gratos a amigos que nos estenderam a mão em algum momento ou a um chefe que reconhece nossas potencialidades, mas esquecemos da mão invisível do Acaso.

Posso dizer que o Senhor Acaso salvou a minha vida e a sua vida inúmeras vezes.

E os ‘mensageiros’ deste Senhor são pessoas que passam tão rapidamente por nossas vidas que muitas vezes não são percebidas. Perdemos oportunidades que estavam ali, bem perto de nós, ou as recebemos sem ter plena consciência do quão grande são.

Você pode ter sido esse agente na vida de alguém e nem sabe.

Nenhuma biografia pode ser completa sem as reminiscências dos atos do Acaso e de pessoas relacionadas a ele, anônimas ou não.

Você pode chamar o Sr. Acaso de Deus.

O importante é que você tente, depois deste ano tão difícil, lembrar quem foram os agentes que de alguma forma melhoraram a sua vida.

Não sei se era branco, preto, gordo ou magro

Fui alfabetizada quando ainda muito pequena [obrigada, vô] e fazia tantas perguntas que meus pais, mesmo com um orçamento muito apertado, findaram comprando para nossa casa uma Enciclopédia que imitava a Barsa, que foi lançada em 1960 e era bem cara.

A nossa era uma enciclopédia mais ‘barata’ – o que só descobri quando estava na adolescência – porém vinha com dois brindes incríveis, um dicionário de português dividido em vários livrinhos pequenos e um dicionário de sufixos e prefixos. Para mim ela era a melhor enciclopédia do mundo, era gigante e preenchia boa parte da nossa pequena estante (que inclusive tinha as pernas bem bambas).

Pois bem.

A meditação do dia 23/11/2020 me transportou para o vendedor da Enciclopédia e do sentimento de gratidão que eu devia a ele.

Mas ele existiu? Meus pais compraram essa Enciclopédia como? Será que ela não foi presente dos meus padrinhos ou de outros tios? Teria a meditação produzido uma falsa memória?

Não, nada de falsa memória (comum na meditação, pensem nisso). Ele existiu mesmo.

Quantos eventos precisaram acontecer para que aquele senhor (ou jovem, vai saber) passasse na porta dos meus pais exatamente no momento em que eles tinham algum dinheirinho sobrando?

Será que eu estava perto e insisti? Isso não lembro.

Como eu teria tido acesso a tantas coisas que a Escola não ensinava às crianças da minha idade se não fosse a minha Enciclopédia?

Como eu teria me fascinado por ciência sem ter, aos cinco anos, lido sobre a vida de Walt Disney e conhecido a fantástica (e improvável) criogenia?

A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

Em um ano com tantas mortes, nós, que já somos um evento natural raro – você só é você porque um exato espermatozoide encontrou um exato óvulo e você sobreviveu a todas as ameaças à vida – deveríamos ser gratos ao Senhor Acaso ou ao Senhor Deus.

Eu poderia ter sido infectada pelo vírus da vez quando precisei levar minha mãe ao dentista, quando fiz mamografia ou quando recebi minha vacinação anual. Por mais que nós adotemos as medidas de mitigação, não há eliminação do risco biológico. Mas por Acaso não peguei.

E o Acaso também protegeu pessoas que pegaram cepas mais ‘leves’ ou pessoas que poderiam ter uma evolução desfavorável e não pegaram.

Que este ano de 2020, no qual muitas pessoas com doenças crônicas viveram sob medo constante e realizaram tratamentos médicos de modo irregular, termine bem para a maioria de nós e que 2021 traga a todos muita paz, uma melhor qualidade de vida, muita união familiar e aguce a nossa capacidade de perceber os mensageiros de oportunidades que não merecem ser perdidas.

Um beijo a todos e muito obrigada pela companhia em 2020.

Vocês acham que os ajudei com as respostas pelo Direct do Instagram, mas vocês me ajudaram muito mais.

 

Meire

Igor, amo você além do infinito.

 

(Letra de Epitáfio)

“Devia ter amado mais

Ter chorado mais

Ter visto o sol nascer

Devia ter arriscado mais

E até errado mais

Ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado

As pessoas como elas são

Cada um sabe a alegria

E a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar distraído

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar

Devia ter complicado menos

Trabalhado menos

Ter visto o sol se pôr

Devia ter me importado menos

Com problemas pequenos

Ter morrido de amor

Queria ter aceitado

A vida como ela é

A cada um cabe alegrias

E a tristeza que vier”

 

 

 

 

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[Notas] História das Terras e Lugares Lendários | Umberto Eco

Por @meire_md

História das Terras e Lugares Lendários‘ é um dos livros que mais me gera pesquisas paralelas e um dos mais bonitos que tenho em casa.

É o tipo do livro encantador para deixar na cabeceira, ler e reler a conta-gotas e um dos que primeiro vem à mente quando se pensa num presente para uma alma sensível e criativa que ama fantasia, arte, filosofia e mitologia.

O texto é muito rico e mesclado a notas históricas, literárias e artísticas.  De Parmênides, o primeiro cara que considerou a esfericidade do nosso Planeta, às teorias sobre os antípodas e outros mitos, há um pouco de tudo.

O olhar cético sobre as expedições que buscaram localizar o Jardim do Éden – para quem não sabe, em hebraico Eden significa delícias – e a Atlântida é descrito de modo particularmente interessante.

Você viaja por Ilhas utópicas, por terras que só existem em romances e aprende uma infinidade de coisas novas a cada página.

Quem conhece o mito brasileiro da Terra de São Saruê vai se divertir bastante com o conteúdo sobre Preste João: não há como não correlacioná-los.

As ilustrações e reproduções de obras de arte são belíssimas.

Beijos
 

 

 

 

 

 

 

 

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[Resenha] Drácula | Bram Stoker (1897)

Por @meire_md


A vida é repleta de mistérios. Por que Matusalém viveu novecentos anos, o velho Parr cento e sessenta e nove e a pobre Lucy, com sangue de quatro homens nas veias, não sobrevive um único dia?” (Fala do Professor Van Helsing reproduzida no diário do Dr. Seward)



O romancista, contista e matemático Bram Stoker (1847-1912) nasceu na Irlanda mas passou boa parte da vida em Londres, onde construiu uma carreira respeitada na Irving Lyceum e publicou suas principais obras.

Segundo entrevista concedida à British Weekly em 1897, Bram Stoker concebeu Drácula com base em suas observações acerca das lendas medievais do leste europeu, no artigo sobre superstições romenas publicado por Emily Gerard na The Nineteenth Century e em um livro sobre lobisomens escrito pelo Sr. Baring Gold.

De acordo com Dacre Stoker, das 87 resenhas críticas publicadas por diversos jornais entre 1897 e 1913, setenta foram favoráveis. Algumas delas foram reproduzidas na edição especial publicada pela Dark Side Books em 2018, inclusive uma muito engraçada, que atenta para o risco do livro cair nas mãos de mulheres sensíveis, ‘pois poderia ser fatal’.

A tiragem inicial de Drácula, cuja primeira edição tinha capa amarela com letras vermelhas, foi de 3.000 exemplares.

MÃE É MÃE

Charlotte Stoker disse que desde ‘Frankenstein‘ nada se comparava à ‘Drácula‘ em terror e que “Alan Poe não chegou nem perto”.

DRÁCULA GANHA O MUNDO


Dez anos depois da morte de Bram Stocker ocorreu a estreia do filme Nosferatu (1922), cujo nome tem raízes húngaro-romenas (pela minha lembrança a palavra Nosferatu só aparece no livro uma vez) como sinônimo de ‘Vampiro’ e que possivelmente é uma corruptela de outras palavras que significam coisas como ‘repugnante’, ‘espírito imundo’ ou ‘satanás’.

As peças de teatro inspiradas na obra começaram a aparecer em 1924, quando Hamilton Deane reconstruiu a figura do Drácula dando-lhe sofisticação no vestir e educação vitoriana para que se tornasse mais palatável para o público londrino. A história segue inspirando o teatro, cinema, quadrinhos, séries etc.


Para quem gosta de literatura de horror, a leitura da tríade Frankenstein (1818), Drácula, e O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde/ ‘O médico e o Monstro‘ (1886) é indispensável, por isso resenhei os três na sequência em que foram publicados.

Depois da publicação de Drácula (1897) Bram escreveu mais seis livros, três deles após ter sofrido um acidente vascular encefálico.

📍Aviso: Daqui para frente há spoilers 


“O conde é um criminoso e se encaixa no perfil (…) Max Nordau e Cesare Lombroso assim classificariam-no e, enquanto tal, não possui de fato mente perfeitamente formada. Portanto, quando encontra dificuldade, recorre ao hábito.” (Análise feira por Mina Harper)


A saga é contada exclusivamente através de fragmentos dos diários e cartas de Jonathan Harker, Mina, Lucy, Dr. Seward e de registros do Dr. Van Helsing organizados cronologicamente por Mina, moça de boa escolaridade, corajosa, sistemática, delicada e extremamente empática.

A história vai do dia três de maio até o dia seis de novembro do ano fatídico e tudo começa quando o advogado Jonathan Harper se desloca até a Romênia para intermediar uma venda de imóveis sediados em Londres, mas que acaba se envolvendo em uma situação de violência física e psicológica.

Durante o desenrolar da tragédia pessoal de Lucy, amiga de Mina e Jonathan, o experiente e obstinado Dr Van Helsing – médico, filósofo, metafísico e especialista em doenças obscuras – é convidado por Dr Seward a dar um parecer sobre a saúde da moça, que passa a receber atenção também de seu noivo e um amigo do casal.

O mistério dos sequestros de crianças londrinas que fazem referência a uma moça ‘buíta’ (bonita) chama a atenção do Dr Van Helsing e rapidamente um grupo de seis valentes personagens se forma com o objetivo de eliminar o risco da cidade receber novas contaminações.

O caso Lucy é encerrado. Drácula, em represália e sem contar com a a abnegação do grupo, passa a destinar suas investidas contra Mina.

Sete anos depois do ano fatídico, Harper reconsulta os documentos e deixa uma nota prestando contas acerca do destino daqueles que sobreviveram.

Nenhum livro sobrevive tanto tempo à toa.

Drácula de Bram Stocker já inspirou um sem número de obras de teatro, cinema e TV. Recomendo fortemente a imersão, a experiência é inesquecível.

📕 Drácula | Capa simples

📕 Drácula | First Edition: Edição limitada (dourado) capa dura

📕 Drácula | Dark Edition: Edição limitada (preto) capa dura

📕 Drácula | Edição de luxo capa dura

📕 Drácula | Edição bolso de luxo capa dura

📕 Box do Terror | Frankenstein, Drácula e O Médico e o Monstro

 

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[Resenha] Malleus Maleficarum – O Martelo das Feiticeiras | Padre Heinrich Kramer

Por @meire_md

Heinrich Kramer foi o escritor mais intelectualmente desonesto que já consultei em toda minha vida, e olhe que estou incluindo dos acadêmicos que distorcem a Teoria da Evolução aos pseudocientistas vendedores de polivitamínicos.

Até 2015, ano em que li O Martelo das Feiticeiras, não achava que seria possível encontrar tanta desonestidade junta em uma obra só e de lá para cá não encontrei nada pior.

Ele está disponível aqui em vários formatos, inclusive para Kindle e em edição econômica (de bolso).

Até tentei, mas não encontrei nenhuma redenção para o Padre Heinrich e estou certa de que se fosse vivo hoje teria milhões de seguidores no YouTube e seria muito rico, pois a capacidade de distorcer argumentos sempre foi algo bastante lucrativo.

Nem ignorância ou inocência podem ser apontadas como atenuantes, pois ele mesmo citou argumentos contemporâneos contra o que ele defendia para depois refutá-los com um corolário interminável de falácias.

Quase infartei quando ele usou a semiologia de Avicena para defender a existência de bruxaria, sugerindo que era dessa sandice que o estudioso falava quando ensinava seus alunos a observarem o facies e o aspecto do olhar dos doentes para diagnosticá-los.

O livro inteiro pode ser utilizado como fonte de estudo de falhas de discurso e apenas por este motivo tendo a considerá-lo uma preciosidade que deve ser lida.

Quem quiser estudar e treinar lógica pode até fazer um blog só com esse livro, pois ele tem material para inúmeros posts.

Da Falácia do Espantalho ao Declive Escorregadio, passando pela Falácia do Escocês ao apelo para emoção, medo e autoridade, há de tudo. Tudo mesmo. O Padre não deixou escapar nenhuma falácia de discurso, nenhuminha.

Interessante e até apaziguador para mim foi saber que na Idade Média – tanto que lembrei deste livro quando resenhei o ‘Mulheres e Médicas – haviam muitas pessoas que não acreditavam na existência de bruxas, muitas que tentavam influenciar grupos contra a ideia e outras que, embora acreditassem, não defendiam que bruxas tivessem tanto poder ao ponto de criar tempestades, dizimar rebanhos ou fazer pênis desaparecerem.

Antes de ler O Martelo das Feiticeiras eu não sabia que o controverso era tão significativo à época, eu via como generalizada a crença das pessoas em coisas como mau olhado, crença até certo ponto justificada pela privação pedagógica e pela falta de conhecimento científico.

Mas não.

Havia muita coisa produzida e de conhecimento público defendendo que o fato de um evento não ter causa conhecida não autorizava a Igreja a atribui-la ao Demônio, textos comparando crenças religiosas a superstições e outros ligando-as a um sincretismo entre diversas mitologias e o cristianismo.

Sensacional, mas por outro lado desanima ter constatado que muita gente ainda tem um nível de raciocínio lógico bem inferior a algumas pessoas da Idade Média…

Há muitos textos interessantes em língua inglesa sobre o Malleus, de como ele foi utilizado, da real importância que teve à época e de como a proibição não conteve suas reedições ou utilização.

Quem se interessar pode dar uma procurada, mas eu gostaria de mostrar algumas coisas sobre ele.

No British Museum (que já tive o prazer de visitar por longas horas pelo menos quatro vezes) tem seis edições do Malleus sem formalização de uma data correta e de um lugar de publicação claro, então elas foram datadas considerando que uma edição tende a corrigir os erros – sejam ortográficos ou outros – da anterior.

Hoje se defende que o Padre Sprenger foi acrescentado como coautor do livro por desonestidade de Kramer, que queria dar mais autoridade à obra.

Kramer se utilizou de uma Bula Papal que foi escrita ANTES do livro como se tratasse um aval para o mesmo e parece ter forjado um Certificado de Aprovação do Malleus por uma Faculdade de Teologia.

Essas três ações garantiram sucesso de vendas até a Igreja tentar barrar a publicação, mas aí já era tarde demais.

Ele e os assassinos que já seguiam crença similar condenaram à humilhação, tortura e morte um número expressivo de pessoas.

No que se refere à bruxaria, condenaram principalmente mulheres pobres, muitas das quais parteiras ou mulheres que praticavam medicina popular que foram vítimas de inveja, ciúmes, conflitos entre vizinhos ou simplesmente de maridos que queriam se livrar delas.

Uma das coisas que a Inquisição defendia é que enquanto a mulher não confessasse a tortura deveria continuar e que alegar inocência só falava mais contra a acusada.

Era impossível se defender.

A orientação era a de que a mulher fosse torturada nua, com pelos raspados, e que se gozasse de pouca reputação no condado ou fosse pobre, que não recebesse qualquer informação sobre a pessoa que a acusou, ou seja, a coisa parecia um romance de Kafka.

Se a acusada fosse rica poderia ter mais direitos, embora as pessoas ricas raramente fossem a julgamento por Bruxaria pois os letrados, segundo a Igreja, gozavam no geral de imunidade contra o Diabo pois tinham a mente mais forte.

Algumas Igrejas Evangélicas continuam com essa noção de que a susceptibilidade demoníaca varia de acordo com a nossa conta bancária, tanto que nunca se vê um homem milionário ou uma mulher milionária possuídos pelo Demônio e sendo fortemente chacoalhados por um Pastor, no entendimento deles só os pobres são vítimas do Satanás.

O famoso Padre defendia também que o julgamento fosse sumário, que a pessoa não tivesse acesso sequer conteúdo do depoimento dos acusadores e que, preferencialmente não fosse defendida por um advogado, salvo em situações especiais.

Naquela época a Justiça já era baseada no contraditório e defesa (não tão ampla, mas sim), ou seja, não havia justificativa para que o Inquisitor defendesse isso.

E ele defendia que se a pessoa teve acesso a um advogado e conseguiu um Recurso, certamente o fez com ajuda do Diabo, então merece morrer.

Óbvio, né?

Vocês sabem o que significa Herege?

Segundo Padre Agostinho, herege é ‘aquele que dá origem a novas opiniões e as segue’.

Na Idade Média os teólogos defendiam que a Igreja só pode considerar herege aquele que é cristão mas modifica suas crenças ou não aceita seus dogmas, passando a ter novas concepções.

Mas foi justamente a alegação de Heresia que fez muitas pessoas não cristãs serem assassinadas, entre eles judeus e muçulmanos, pois embora tivessem outra religião e não devessem obrigação nenhuma à Igreja Católica, foram condenados e assassinados porque um dos motivos da Inquisição foi expandir a Igreja e aumentar a sua riqueza.

Ao contrário da possessão demoníaca, foi definido que a heresia não era tão comum assim em pobres, daí a Igreja arrumou uma forma de confiscar os bens de ricos que professassem fé distinta.

Só quem estava relativamente protegido contra a Inquisição eram os homens cristãos, principalmente os ricos.

Quando um homem cristão traia sua esposa era bem fácil resolver. Bastava dizer que foi enfeitiçado pela amante. Ela passava por todo processo e poderia ou ficar a pão e água o resto da vida ou morrer queimada, mas com o homem que traia não acontecia nada, bastava ele admitir que agiu de modo contrário às Escrituras que estaria perdoado.

A primeira parte do livro discorre sobre as condições para que a Bruxaria exista, que são o Diabo, a Bruxa e a permissão de Deus. Essa parte parece uma comédia de mau gosto e não se precisa passar da terceira página para perceber as falácias clássicas brotando.

“A que for considerada culpada, mesmo tendo confessado o seu crime, há de ser supliciada, há de sofrer todas as torturas prescritas pela lei (…)”.

Na questão IV desta parte o Padre explica por que a mulher é mais predisposta ao pacto com o Demônio, pois ela tem a natureza perversa e traiçoeira, é fraca, mais carnal e tem menos inteligência.

Aí a gargalhada alta vem quando ele fala que todos os Reinos caíram por culpa da uma mulher e usa Helena de Troia como evidência que comprova sua premissa.

Como pode?

Mesmo se a história fosse real, o que na época já se sabia que não era, Helena de fato era a vítima da história. Fruta que me partiu, a mulher foi sequestrada e mesmo assim o infeliz das costas ocas atribui a culpa do conflito a ela…

Na parte dois ele cita a metodologia das Bruxas, onde fica bastante clara a fixação sexual do religioso. A mulher é a coisa imunda e o homem é o Santo tentado pela mulher, que é inclusive capaz de obstaculizar sua função reprodutora, tanto através de disfunção erétil quanto de esterilidade. O chamado sexo frágil é o homem.

Para o Padre, a disfunção erétil é totalmente culpa da mulher, e por isso ela deve ser, com a permissão de Deus e para a sua Glória, torturada até a morte.

Ele trata também dos Exorcismos.

O interessante é que o Padre comenta que os amuletos são considerados ilícitos pela Igreja (com base nos estudos de Santo Agostinho) mas hoje são muito comuns entre católicos, como aquelas medalhinhas com Santos e correntes para o pescoço que contam com medalhas na frente e atrás. As medalhinhas e outros pequenos amuletos usados na Idade Média para espantar o Demônio viraram presentinho, um tipo de souvenir religioso.

Ele explica também como a pessoa faz o pacto com o Capiroto e como se processam as relações sexuais e toda luxúria com Íncubos e Súcubos, restando claro a nós, aqui do século XXI, que o Demônio foi o pioneiro em fecundação artificial e sabe selecionar bem o sêmen, visto que homens nascidos de relações sexuais mediadas por demônios costumam ser grandes e ‘avantajados’.

E a história ‘real’ da bruxa que guardava os pênis dos homens em um ninho de passarinho?

A cópula com demônios e a confecção de pomadas feitas a partir de ossos de criancinhas batizadas eram, para os Padres Inquisitores da época, comum a todas as bruxas, no entanto ninguém nunca viu a cópula nem viu a confecção das pomadas, já que eram feitas de modo secreto.

Mulher que gosta de sexo? Lascívia diabólica

“Não menos que quarenta e oito foram queimadas em cinco anos”, disse ele acerca de um povoado onde mulheres com vinte anos de idade ou menos foram queimadas vivas.

Imaginem o que é para um povoado pequeno, como eram os povoados à época, ver quarenta e oito de suas mulheres e filhas assassinadas? Se 48 foram condenadas a morte imaginem quantas foram condenadas a diversos suplícios e ou à prisão perpétua…

No Capítulo XIII as parteiras, criaturas nobres que ajudavam mulheres de seu povoado a parir e que garantiam uma melhor sobrevida à mãe a ao filho do que os médicos da época, foram mortas aos montes.

A mortalidade infantil era alta, muitas mães morriam durante o parto ou morriam de febre puerperal. Era assim, seja por más condições de nutrição e higiene ou simplesmente por eclâmpsia, outras doenças maternas ou até doenças congênitas.

Mas a culpa era das Parteiras e não adiantava um médico ou outro estudioso tentar defendê-las. Hoje sabemos que muitos homens letrados que gozavam de respeito junto à Igreja tentaram defender as mulheres da morte certa.

Se a criança tivesse alguma deficiência ou até fosse muito sapeca ou desobediente quando crescesse era tida como criança consagrada ao Demônio pela parteira. Imaginem aí as consequências também para as crianças, que eram ‘disciplinadas pela vara’ ou submetidas a exorcismos.

A terceira parte do livro trata dos trâmites legais propriamente ditos, discorre sobre a competência dos Julgamentos em casos de Heresia e/ou Bruxaria, colocando que a Bruxaria nem sempre se acompanha de Heresia, afinal só crê no Demônio quem também crê em Deus.

Nessa época a Igreja defendia que o Julgamento deveria ser feito na presença de um Inquisitor (Padre) e um Bispo, mas Kramer defendia que não seria necessário, bastaria uma pessoa para julgar e condenar. Aliás, esse foi um dos motivos principais pelo qual ele escreveu o livro, pois tinha desejo de provar ser capaz de julgar sem a presença de um Bispo.

Ele segue discorrendo como era a rotina da época, como as testemunhas eram ouvidas, como a Bruxa deve ser presa, como deve ser condenada, que deve ser torturada nua, interrogada de novo e torturada de novo e de como deve ser enganada com promessas falsas para confessar.

O Padre ensina como dar a entender que a mulher seria exilada quando de fato ficaria a pão e água numa cela escura ou como é lícito um Padre fazer um acordo com ela para manter sua vida mas depois largar o caso, para que outro Padre possa mandar queimá-la. E também como fazer uma espécie de delação premiada mórbida.

Se dentre as testemunhas há um criminoso, o depoimento dele só tem valor se for para condenar a mulher. Se for para defendê-la, ele não pode ser aceito, já que até prova em contrário (quase impossível de se obter) a pessoa pode ser condenada inclusive por rumores do povoado.

Ele descreve que o Julgamento deve ser sumário, mas a tortura não. Orienta que ninguém se apresse na tortura, que se comece de modo mais brando e que um notário vá registrando o que a acusada falou e como estava sendo torturada na hora, porque depois isso vai ser testado novamente para confirmar a veracidade.

O Padre também recomenda que se o torturador sentir prazer na hora da tortura procure não demonstrar.

A mulher que se paralisasse diante dos abusos e do medo e não chorasse, era considerada ainda mais culpada, mesmo se caísse no choro quando a sessão de tortura acabasse. Essa capacidade de se manter quase catatônica durante a tortura só poderia mais uma ação do Demônio e era chamada de poder maléfico de preservar o silêncio.

Gente, poder maléfico de preservar o silêncio…

Isso ocorre com muitas mulheres enquanto estão sendo estupradas, é uma forma que a mente humana encontra para fugir de uma violação intensa à integridade física e mental. Mas se a mulher chorasse enquanto muitas ‘evidências’ apontam para que seja Bruxa, também era considerada mais culpada por ter simulado o choro transferindo sua saliva através da bochecha para os olhos, o que só pode ser feito com ajuda do Demônio.

Não tinha escapatória.

E por fim a obra traz os modelos de sentença para cada tipo de crime e para cada condenação.

Quando uma mulher era considerada inocente eles tinham um cuidado de colocar na sentença que apenas não havia sido provado nada contra ela para que ela pudesse passar por todo processo de novo caso rumores surgissem ou ela fosse acusada pela mesma ou por outra pessoa.

Algumas pessoas condenadas pela Inquisição propunham a realização da Ordália, um tipo de prova mágica usada na Idade Média inspirada na Lei bíblica de Águas da Amargura. Isso mostra que eram pessoas crentes, que tinham esperança que Deus ouvisse seu clamor e concedesse assim a evidência de sua inocência e as livrassem de uma morte terrível.

Mas isso nunca acontecia.

Na Ordália o teste para a prova de inocência ocorria de acordo com a classe social do acusado, poderia ser por imersão de partes do corpo em água fervente ou por queimadura com ferro incandescente.

O procedimento foi proibido em 1.200 e pouco porque se descobriu que alguns Padres pagavam pessoas para andar em ferro supostamente em brasa visando enganar o povo, induzindo-o a acreditar que algumas pessoas não se queimavam por ação de Deus.

Como a verdade era que todo mundo se queimava, a Igreja decidiu que Deus havia escolhido não se pronunciar nos Julgamentos e assim concedeu total autoridade aos Inquisitores.

A Igreja Católica já pediu desculpas por todo esse passado sombrio. O Martelo das Feiticeiras.

[Resenha] As Cavernas de Aço | Isaac Asimov (1954)

Por @meire_md


O bioquímico russo Isaac Asimov [1920-1992] foi um dos escritores mais produtivos do século XX.

Ele escreveu livros de ficção e não ficção envolvendo diversas áreas do conhecimento, como matemática, religião, astronomia e biologia.

O termo ‘robô’ apareceu pela primeira vez no ano de 1921, quando Isaac ainda era bebê.

Nessa época, pouco tempo após o término da I Guerra Mundial, o mundo estava horrorizado com o poder mortífero das máquinas criadas pelo homem e os robôs eram vistos basicamente como potenciais destruidores da humanidade.

Ele começou a se interessar por histórias de robô por volta de 1939. Em idos de 1940 ele e Campbell – um de seus editores – criaram as ‘Três Leis da Robótica’ e elas começaram a figurar em histórias de robô a partir de 1942, período em que se iniciou o boom das revistas de ficção científica.

‘As Cavernas de Aço’ (The Caves of Stell, 1953) é primeiro romance da série de robôs de Asimov e foi seguido por ‘Os Robôs’ ou ‘O Sol Desvelado’ (The Naked Sun, 1955), ‘Os Robôs do Amanhecer‘ ou ‘Os Robôs da Alvorada’ (The Robots of Dawn, 1983) e ‘Os Robôs e o Império’ (Robots and Empire, 1985).

Entre os romances da década de 50 e os da década de 80 muita água rolou em mais de 400 livros, inclusive o Universo independente de ‘A Fundação’, o nosso box é esse aqui.


Isaac Asimov contraiu HIV durante uma transfusão sanguínea e morreu de AIDS aos 72 anos de idade, deixando dois filhos e cerca de 500 livros publicados.

A minha edição do Cavernas é essa aqui da Aleph. A partir desse ponto há spoilers, ok?

Só para localizar vocês – costumo procurar entender o contexto no qual os livros foram escritos e as experiências do escritor – vou começar com algo que parece meio nada a ver, mas que é interessante pontuar para entender o Universo de As Cavernas de Aço.

O economista Thomas Malthus (falecido em 1834) fez vários estudos sobre o impacto do crescimento populacional e sua teoria mais famosa foi adotada nas décadas seguintes por seus seguidores e reforçada por novos teóricos.

Em suma, ela reza que o excesso populacional é um grande obstáculo para o desenvolvimento mundial por induzir o esgotamento de recursos naturais, já que ele previu que a população cresceria proporcionalmente muito mais rápido do que cresceria a produção de alimentos.

Hoje isso pode parecer muito bobo mas a teoria malthusiana surgiu numa época em que todo mundo pensava que ter mais e mais filhos seria muito ótimo.

Graças aos estudos de Malthus e seguidores surgiram propostas de controle populacional como o planejamento familiar e… muitas inspirações para histórias de ficção científica.

Quando a história de ‘As Cavernas de Aço’ começou a ser escrita a população mundial era de 3 bilhões de pessoas. Milhões e milhões de pessoas morriam de fome no mundo (muito mais que hoje, parece que não mas o mundo melhorou). Fácil pensar como um escritor esperaria a situação da Terra quando chegasse a 8 bilhões de habitantes, não é mesmo?

A história se passa num futuro distante onde o Planeta Terra está lidando com escassez de espaço e recursos e albergando 8 bilhões de pessoas mesmo tendo enviado, nos séculos anteriores, missões ao Espaço.

Os descendentes destes humanos que saíram da Terra para povoar outros Planetas são chamados de Siderais, são mais de 5 bilhões de pessoas mas vivem distribuídos em 50 colônias espaçosas, com tecnologia mais avançada e convivendo pacificamente com robôs.

Enquanto isso as cidades da Terra passaram a ser fechadas em alas subterrâneas, a população teme perder seus empregos para os robôs, as casas tem espaços diminutos e as cozinhas e banheiros são comunitários.

A não aceitação terrena dos robôs, que já trabalham como vendedores ou como secretários, por exemplo, incita a formação de grupos conservadores chamados de mediavelistas

Em razão do tempo fora da Terra, os descendentes siderais desenvolveram deficiência imunológica e seu contato com os humanos originais é bastante problemático, então embora sejam da mesma espécie, permanecem com modo de vida distintos e em razão das medidas sanitárias e do avanço técnico-científico contam com uma expectativa de vida de 350 anos.

O objetivo dos siderais é que mais humanos sejam encaminhados a espaços extraterrestres ainda não explorados para que no futuro a humanidade povoe tais mundos e seja servida pelos robôs (esperam um mundo C/Fe, ou seja, carbono e Ferro, orgânico e inorgânico), cada vez mais sofisticados.

Já o objetivo dos medievalistas é deixar as coisas como estão e banir os robôs. Eles são tipo os ‘tiozão de whatsapp’ que vêem conspirações em qualquer tentativa de progresso.

A capacidade imaginativa de Isaac Asimov é tão sensacional que você vai encontrar descrições que equivalem à Netflix, a fechaduras magnéticas com cartão, esteiras elétricas que aumentam a velocidade de deslocamento a pé, bronzeamento artificial, teleconferências, ressonância magnética funcional, uma espécie de Google e coisas que ainda não existem (quem sabe existirão um dia?) como um cosmetokit no qual baforadas de produto fazem uma maquiagem completa em 15 segundos. Não me impressionaria se a ideia de tratar e estocar a água dos oceanos no Espaço para produzir mais terreno habitável na Terra virasse realidade um dia.

Batley é um investigador policial impulsivo, ansioso, atrapalhado e pouco detalhista (tipo um detetive noir) que é recrutado pelo seu chefe Julius Enderly para investigar um assassinato de um cientista sideral, o Dr Sarton.

Surpreendido pela obrigação de trabalhar com Daneel, que de fato é um robô com características físicas idênticas a de um ser humano e turbinado com uma capacidade de raciocínio investigativo, recebe a promessa de subir de categoria e poder gozar de mais privilégios sociais.

A investigação se desenrola tanto na Vila Sideral, onde se pode respirar ar ambiente através de filtros nasais e se tem acesso a comida natural, quanto na Cidade (Nova Iorque, uma das Cavernas de Aço), onde toda a população vive enfurnada, e envolve Jessie, a esposa de Baley, uma suposta conspiração dos medievalistas e os conflitos do comissário Enderly.

Depois de duas teorias patéticas, coisa bem típica dos romances noir, o crime é solucionado e se abre o mote para o segundo livro.

Beijos,

Meire

 

 

 

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[Notas] O Livro Ilustrado dos Maus Argumentos | Ali Almossawi

Por @meire_md

 O Livro Ilustrado dos Maus Argumentos aborda resumidamente as dezenove falácias de discurso mais frequentemente cometidas em debates. Ali Almossawi direciona o livro para as pessoas que são iniciantes na área de raciocínio lógico, mas acredito que seja também uma ótima opção de leitura para pessoas que estão no ensino médio.

 

É um livro miudinho, de leitura rápida e contém ilustrações de Alejandro Giraldo. A minha edição é para Kindle, aqui (a edição de papel é bem cara).

Seria interessante, considerando o público para o qual se destina, que o autor tivesse fornecido mais exemplos e tivesse apresentado uma lista de livros para quem quisesse se aprofundar no assunto. Mas mesmo assim recomendo a leitura, pois não é fácil achar boa bibliografia específica.

Para consultas sobre falácias de discurso na área de saúde costumo indicar o Catalogue of Bias, que é mantido e alimentado pelo Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford e colaboradores.

Observação: Para quem não tem o aparelho Kindle, é só usar o aplicativo Kindle para Android ou iPhone e logar com mesmo login e senha do seu cadastro na Amazon, adquirir o livro e ler no app.

Beijo 😉

 

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[Resenha] Serial Killers Anatomia do Mal | Harold Schechter

Por @meire_md


Harold Schechter é um professor de literatura e cultura americana que construiu seu nome como escritor produzindo obras sobre crimes verídicos.

As críticas negativas que tenho sobre o livro Serial Killers – Anatomia do Mal podem ser minimizadas por duas coisas: em primeiro lugar porque ele foi escrito há 17 anos (2003) e de lá para cá a neurociência modificou bastante nosso aporte de conhecimento sobre o funcionamento cerebral, e em segundo lugar porque o autor não tem formação técnica na área.

O problema é basicamente que, em alguns casos, o livro claramente ‘força’ o leitor a correlacionar de forma simplista um evento da vida do serial killer ao seu sadismo extremo mesmo quando a ocorrência faz parte do cortejo de reações adversas da vida.

Todo mundo tem problemas. Merdas acontecem na vida de todos.

Ah, fulano resolveu sair estuprando e estrangulando idosas, decapitando-as, masturbando-se por cima do seu cadáver e comendo seus restos mortais ao alho e óleo porque os pais se separaram e no seu íntimo ele nutre um ódio pela mãe.

Menos, gente, menos. É claro que é basicamente certo que gatilhos ambientais são parte importantíssima na gênese de um serial killer, mas não vamos dar status de catástrofe a quaisquer ocorrências que se repetem basicamente para todos nem tentar escantear a genética a todo custo.

Tirando preciosismos técnicos, o livro é sensacional e me prendeu do começo ao fim.

Interessantes os questionamentos e argumentações bem dignos de nota contra alguns mitos, como o de que homens brancos são maioria entre os serial killers no mundo, que o problema é mais grave nos EUA que em outros locais, que vídeogame e pornografia tornam as pessoas violentas ou outras afirmações questionáveis, como a de que não existe mulher serial killer.

Um outro problema não é especificamente deste livro, mas me incomoda há algum tempo. Nenhum dos livros com esta temática que já li (li muitos) presta uma ênfase necessária aos conflitos de interesses que estão por trás das entrevistas que estes criminosos concedem a médicos, psicólogos e pesquisadores.

Também não costumo ver descrições mais detalhadas do conteúdo de anamnese/entrevista complementar com familiares, com outras pessoas do círculo íntimo do criminoso ou dos antecedentes patológicos familiares.

Não estou falando que entrevistas com bom suporte técnico não existam ou são parciais de propósito, apenas que o diagnóstico diferencial eventualmente feito não parece ser valorizado nem aparece muito claramente nestes livros.

Excetuando-se registros verídicos de serviços sociais, médicos ou ações judiciais que comprovem que certos indivíduos foram abusados por familiares ou outros cuidadores, muito pouco deveria ser aproveitado como elemento de monta se a fonte da alegação é unicamente o serial killer.

Eles são mestres em simulação e quando isso tudo se junta a um pesquisador que rejeita a biologia ou não pesquisa antecedentes familiares, é criado o caldo perfeito para a criação de mitos.

Há histórias ‘de vida’ tão intensamente floridas que mesmo quem não tem uma certa experiência como pesquisador deveria ter um insight. Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias*.

Histórias muito bizarras, em princípio, sugerem muito mais delírios persistentes, pseudologia fantástica ou simulação pura e simples. O Serial Killer frequentemente cria histórias não só para tentar se safar mas também para se divertir com a empatia do examinador.

Serial Killers – Anatomia do Mal deixa bem claro o quanto a Justiça ainda é muito benevolente com jovens cruéis e com estupradores, e como Juízes soltam criminosos mesmo quando pareceres de médicos e psicólogos forenses são contrários.

Estudos retrospectivos (caso a caso) sugerem que um estuprador solto tende a voltar a estuprar com mais agressividade e passando a matar a vítima para não deixar testemunhas, evitando assim que volte a ser preso.

Um estuprador é, basicamente, uma semente de serial killer e acredito que assim que for solto (o Brasil simplesmente solta), o tio recém preso que violentou a sobrinha por quatro anos e a engravidou quando estava com apenas dez anos de idade irá recorrer no crime de forma ainda mais perversa.

Busca por prazer sexual às custas de violência contra outro ou outros seres humanos e assassinato em série são coisas indissociáveis, o livro aborda muito bem esse assunto.

Bom lembrar que o escritor também cita a tríade maldita que, de acordo com alguns estudos tem correlação estatística com personalidade antissocial futura (se há nexo causal não sabemos ao certo); os sintomas e sinais são: enurese noturna, piromania e violência contra animais.

De qualquer forma, crianças que demoram a controlar o esfincter urinário à noite, têm fascínio por queimar coisas e torturam animais merecem vigilância. Torturar animais não é brincadeira de criança, pode ser uma espécie de treino para uma matança futura.

Além de vários estudos de caso, Serial Killers – Anatomia do Mal traz uma boa bibliografia e listas de músicas, filmes e outras obras inspiradas nesse tema tão sombrio.

 

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[Resenha] Mulheres e Médicas | Josette Dall’Ava-Santucci

Por @meire_md


“A mulher não ganha nada estudando, e isso não melhora, no conjunto, a sua condição. Além disso, a mulher não pode igualar o homem na sublimação da sexualidade”

(Freud, em 1907, durante sessão da Sociedade de Psicanálise de Viena. Segundo a autora, ele concorda com um colega que defendeu em um artigo que a mulher que busca estudar é imoral e que aos olhos do outros estudantes é uma “prostituta”)

A professora Josette Dall’Ava-Santucci escreveu Mulheres e Médicas há 31 anos (1989) e ele foi traduzido para o português (por Hortencia Santos Lencastre) em 2005.

Embora eu não tenha gostado da escrita porque espero que livros de história sejam um pouco mais precisos com marcadores temporais e outros elementos objetivos básicos como o nome completo das pessoas, localizações geográficas e citações de eventos históricos correlatos (imagine um texto que diz ‘depois da revolução aconteceu isso ou aquilo’ e você se pergunta, mas que revolução, meu Gezuis? Por aí), este livro me jogou para um lado da história da medicina que eu nunca havia buscado esmiuçar.

O fato é que há pouca literatura sobre a História da Medicina praticada por mulheres, pois elas foram escanteadas no mundo inteiro por pelo menos sete séculos ininterruptos.

Consideradas incapazes, cavaram um longo e penoso caminho até o século XX, quando finalmente pessoas como Freud (o pensamento era arraigado, até Schopenhauer, Nietzsche e humanistas como Erasmo de Roterdam soltavam essas ‘pérolas’) e tantos outros deixaram de influenciar tão pesadamente a opinião pública quanto à capacidade feminina de exercer a profissão médica.

No período anterior ao Cristianismo a coisa até evoluia bem. Plantas medicinais, cuidados paliativos a enfermos, acompanhamento a partos e a ação de pitonisas e sacerdotisas permitiram às mulheres o alcance de alguma notoriedade.

A autora descreve detalhadamente o que ocorreu durante a Idade Média, falou por alto da caça às bruxas promovida pela Igreja, que bem sabemos passou a considerar os tratamentos feitos por mulheres como atos de bruxaria, e descreveu o despertar das Universidades no século XII, que excluíram pesadamente as mulheres.

Grandes mulheres brigaram pelo direito de ao menos aprender a arte médica quando até o diploma de ensino médio lhes era negado. Em determinado momento e com apoio de membros importantes da sociedade (como maridos, pais e patrocinadores), ganhavam o direito a estudar medicina mas não a receber o diploma, ou a receber o diploma mas não a fazer residência, ou a fazer a residência mas não a trabalhar em Hospitais.

As histórias de mulheres que se vestiam de homens para poder trabalhar ou que ganharam prêmios usando pseudônimos me encheram de gratidão.

Quando fui aprovada no vestibular para Medicina em momento algum pensei que seu eu tivesse nascido algumas décadas antes teria sido considerada um ser inválido. Não precisei me preocupar em lutar na Justiça para conseguir trabalhar.

A autora reúne as poucas informações disponíveis de mulheres americanas que conseguiram verbas e criaram sua própria Universidade, das austríacas e alemãs que foram as últimas a conseguir o direito a cursar e exercer a Medicina e daquelas que serviram na I e II Guerra.

Hoje em dia, segundo dados demográficos recentes, as mulheres já predominam entre médicos mais jovens.

Beijo,

Meire

#nãoaoestupro

 

 

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Saúde Financeira & Onde Estudar

Por @meire_md

Obs. : Post originalmente publicado há de seis anos e meio (bem antes do boom de perfis sobre Educação Financeira). Encurtei o conteúdo para facilitar a leitura, dei uma breve atualizada e acrescentei links com cursos gratuitos e perfis de educadores para você começar a estudar.

Antes de tudo vamos a alguns conceitos que eu (nem todo mundo concorda) penso que são válidos para nortear como você pode programar sua vida.

O que é riqueza?

Simplificando muito: é ter mais do que se precisa e viver com algum tipo de abundância.

O que é independência financeira?

É poder viver sem precisar trabalhar.

Agora vamos bugar o seu cérebro:

Você pode ser rico mas não ter independência financeira, pois se você parar de trabalhar, o que está acumulado não vai garantir o seu sustento pelo resto da vida.

Deu para entender a diferença?

E você pode ser independente financeiramente sem ser rico, como por exemplo um pessoa que não vive na abundância da riqueza mas tem uma renda passiva (aposentadoria) que foi garantida pelo seu passado como trabalhador.

Essa pessoa pode ser o seu avô que está aposentado. Ele leva uma vida simples mas é independente financeiramente.

A minha família me ensinou a gerar tranquilidade trabalhando, me organizando, economizando, evitando o desperdício, promovendo o reaproveitamento e pensando no futuro não como algo distante, mas como algo real.

Quanto você pensa no seu futuro?

Durante a faculdade eu precisei gerenciar uma mesada bem abaixo do mínimo necessário e me virei para ter alguma renda extra. Eu pegava livros em bibliotecas, fazia fotocópias, anotava tudo, tirava todas as minhas dúvidas com os professores.

Fui bolsista duas vezes, primeiro passei no concurso para ser monitora de Farmacologia e depois fui selecionada para ajudar uma pesquisadora do CNPq. Hoje em dia (notinha feita em 2020) há incontáveis dicas na internet de como fazer renda durante a faculdade.

Você pode tentar justificar a sua desorganização financeira, seus gastos excessivos e a negligência com o seu futuro porque não foi educado em casa, ok, mas essa justificativa perdeu a validade no momento em que você recebeu qualquer influência contrária. Há material suficiente na internet para que você se eduque.

Gastos em excesso

A compra por impulso pode ser uma compulsão que acompanha transtornos de humor, ou não. Pode ser mera irresponsabilidade.

O ato de comprar gera um prazer e uma euforia que, pelo menos temporariamente, aliviam as pessoas de suas mazelas psíquicas.

Muitas pessoas entram em uma onda terrível de endividamento porque a ansiedade e o sentimento de culpa gerados pelas compras desnecessárias se somam às preocupações com as dívidas.

Aí a compulsão cresce ainda mais pois a mente da pessoa ‘pede’ outra dose do prazer para tentar acalmar-se.

O que isso gera? Mais compras.

Talvez você teve um parente mal humorado como o Harpagão retratado em ‘O Avarento‘ de Molière ou uma tia que adquiria louças, joias e roupas mas que morreu sem usar praticamente nada do que acumulou (por ‘pena de usar’) porque este comportamento não nasceu por estímulo de blogueiras de moda e beleza, é muito mais antigo.

Não terceirize a sua responsabilidade, inclusive a de procurar ajuda psiquiátrica se for este o caso.

As escolhas que você faz com seu dinheiro devem ser suas, se você sente que não são, tome uma atitude.

‘A culpa é dos influencers digitais’

Um dos papéis dos influencers é triar uma enormidade de produtos, testá-los e indicar aqueles que acreditam ser bons e úteis para seu público.

Alguns influencers tem nichos específicos. Escolha o seu.

Selecione os influencers que ajudem você no seu crescimento pessoal e a fazer boas escolhas, ou deixe de segui-los.

Não coloque nos outros a culpa que você sente pelo valor gasto com cartão de crédito. Se você acha que a culpa não é sua é sinal de que você está sendo um agente passivo de sua própria vida. Permitir isso parece certo?

Acho que não…

Liste o que você acha que precisa ser feito para que você seja dono das suas decisões.

Se você acha que não consegue controlar impulsos sozinho (a), busque ajuda psicológica. Isso é um ato de coragem e não de covardia.


Agora vamos conversar mais particularmente com meu dedinho autoritário no seu rostinho

Se você ‘precisou’ comprar um artigo de maquiagem (quando escrevi este post direcionei às meninas que seguiam meu blog de beleza, mas a orientação vale para qualquer item de consumo não essencial) – que é um bem perecível e descartável – parcelando-o em doze vezes significa que você não conta com condições financeiras ou acha que parcelando não irá se prejudicar, o que é normalíssimo quando ocorre uma vez ou outra, ou que não se deu conta que este tipo de compra está te empobrecendo cada vez mais.

Quando você não tem um orçamento folgado não precisa deixar de ter maquiagem, mas pode buscar alternativas muito mais baratas.

Mas eu gosto de colecionar…

Colecionar não é um problema desde que o gasto esteja saudavelmente incorporado ao seu orçamento, ou seja, desde que a coleção não leve a um endividamento (parcelar maquiagem em 12 vezes é um endividamento sim) ou a outros desequilíbrios, nem comprometam prioridades reais, como a sua reserva de segurança, gastos com educação, saúde e com a sua aposentadoria.

Sim, quiança, aposentadoria.

Ninguém vai fazer isso por você.

Se você não tem dinheiro agora, só vai ter amanhã se começar a acumular hoje.

Compra parcelada pode ser reservada, preferencialmente, para bens não perecíveis e duráveis e desde que a parcela esteja dentro de uma cota mensal muito bem planejada.

Mas o problema é o cartão de crédito…

Se você chega perto do limite que a operadora do cartão de crédito calculou, você está gastando muito mais do que deveria. O limite previsto já topa no seu fígado.

Não caia nesta armadilha.

Lembre-se destas três coisas:

  • Se você tem dívidas o seu primeiro objetivo precisa ser reorganizar seu orçamento e quitá-las, o que pode ser feito antes de começar a montar a sua reserva de segurança (hoje chamada reserva de emergência) ou em conjunto com o passo seguinte, tudo vai depender do que parecer mais vantajoso para você.
  • O limite do seu cartão de crédito é calculado para consumir até sua última moeda. Tome cuidado. Evite qualquer coisa que aproxime você de uma dívida de cartão porque os juros são extremamente abusivos.
  • Maquiagem não é ‘investimento’, é um bem de consumo, um bem que se contamina e que deteriora.

Sobre o gerenciamento de suas contas pessoais

Se você está com as contas muito desorganizadas pode demorar meses até conseguir organizá-las, mas não desanime porque com persistência qualquer pessoa consegue.

Os objetivos, que são muito simples e óbvios mas que o brasileiro não dá atenção, são (a) gastar mensalmente sempre menos do que você ganha (ganhar pouco não é desculpa para quem tem acesso à internet e está me lendo, você não é uma pessoa em condição de vida miserável), (b) ter uma estimativa real de seus gastos fixos e (c) absolutamente sempre promover uma antecipação do montante necessário para contas ‘extras’ que se repetem uma vez por ano, como material escolar de crianças ou IPTU, por exemplo.

A prevenção do endividamento é FUNDAMENTAL.

Vamos começar?

Tire um extrato ou monte uma lista com todas as compras e gastos fixos, gastos eventuais e gastos extras que você teve nos últimos quatro a seis meses (quanto mais, melhor) e dê nomes a todos os pagamentos recorrentes, organizando-os em um quadro ou planilha ou aplicativo mês a mês.

Descubra o seu custo médio para cada categoria.

Atualmente uso o aplicativo do meu banco para fazer esse controle, mas há inúmeros aplicativos disponíveis.

Se você não sabe usar uma planilha ou não quer usar algum aplicativo de gerenciamento, uma folha de papel e uma caneta resolvem o problema.

As minhas categorias incluem os gastos do meu marido também e são divididas e subdivididas assim:

  • Despesas Pessoais: Compras (vestuário, cosméticos, presentes, gastos com hobbies e lazer) e doações;
  • Casa: Condomínio, Energia Elétrica, Serviços, Móveis e Utensílios, IPTU, Telefonia Celular, Internet, TV a Cabo e Aplicativos de streaming e atividade física;
  • Alimentação: Supermercado, Feiras Livres, Restaurantes;
  • Educação: Cursos e Livros;
  • Saúde: Planos de Saúde, Dentista, Medicamentos e Vacinas, Protetor Solar e produtos de higiene pessoal;
  • Tarifas e Impostos: Taxa de compra e venda de ações, Taxas da B3, IPVA, IPTU e outras;
  • Transporte: Combustível, Estacionamento, Seguro, IPVA, Revisão do carro, Uber;
  • Viagens;
  • Sem Categoria (Gastos não previstos de verdade).

Relacione as suas contas fixas mensais incluindo alguma prestação que já foi assumida e mantenha essa ‘tabelinha’ com valor estimado para cada gasto, confira se há algum vazamento na previsão e apare os gastos sempre que possível.

As contas que não são mensais, como IPTU e IPVA, por exemplo, são previstas. Elas não são gastos extras e você precisa mantê-las em sua planilha mesmo que seja com um valor 00 de gasto naquele mês. A presença delas em uma categoria é importante para que você não as esqueça.

Calcule a média de gastos que ficaram soltos em cada mês de sua avaliação e coloque inicialmente na sua planilha como gastos extras, mas passe a esmiuçar esse gasto desconhecido.

Não tenho dívidas. E agora, para que lado vou?

Se você já pagou as suas dívidas ou pode ir pagando-as a juros muito baixos – renegociá-las pode ser uma boa opção no momento atual- chegou a hora de montar uma reserva de segurança (hoje chamada de ‘reserva de emergência’), que é um montante de dinheiro que vai ficar rendendo em algum tipo de aplicação que seja segura e que você possa utilizar rapidamente, mesmo que não renda lá muita coisa.

O importante é que o investimento seja SEGURO e que você possa usar o dinheiro na hora que PRECISAR.

Que valor devo ter como reserva de segurança?

Vai depender de muitas coisas: se você é empregado, autônomo ou servidor público, se é casado ou solteiro, se mora ou não com seus pais, se divide as despesas pessoais com alguém e que padrão de vida deseja preservar num momento em que perder sua fonte principal de renda, mas não é só isso.

Essa reserva de segurança/emergência pode servir para sustentar você em caso de desemprego, mas também para custear o tratamento de uma doença séria ou ser a sua salvação em algum momento catastrófico da vida.

Se você ainda não tem esse tipo de reserva precisa começá-la objetivando o principal: cobrir suas despesas básicas de moradia e alimentação durante algum período crítico.

Quanto você precisa por mês para custear o seu básico?

Se você ficar desempregado terá direito ao seguro-desemprego? Você paga algum financiamento que não pode deixar de pagar, pois do contrário perderia o bem para o Banco?

Se você ficar desempregado, em quanto tempo acha que consegue se reempregar? Se você ficar desempregado pode produzir alguma renda de modo autônomo?

Se você acha que ficando desempregado não teria uma alternativa para obter algum tipo de renda extra, comece a estudar opções possíveis. Foque-se em prevenir endividamento.

Pode ser que a sua reserva ideal tenha que cobrir quatro, seis ou doze meses de suas despesas básicas ou que seja suficiente para uma grande despesa que você acredita que venha a ser necessária a qualquer momento (se você tem um filhinho com um problema cardíaco, por exemplo).

Você é a melhor pessoa para definir isso; não há uma fórmula mágica.

Dependendo da sua renda e do quanto seu fixo mensal é estável, você pode ir construindo a reserva de emergência e investindo para o médio prazo ou até para o longo prazo ao mesmo tempo.

Cada caso é um caso.

Mas onde colocar a reserva de emergência?

O Certificado de Depósito Interbancário, o famoso CDI, equivale a um percentual de rendimento anual muito próximo (sempre um pouquinho abaixo) da taxa básica de juros da economia do Brasil, que é a chamada taxa SELIC.

Se um investimento rende 100% do CDI significa que ele rende um tico a menos que a taxa Selic, que atualmente (2020) está bastante baixa porque o país está buscando manter a inflação controlada e estimular a manutenção de empregos e o fomento de novos, coisas que só ocorrem quando as empresas conseguem prosperar.

Muitas delas mantém empregos, por exemplo mas não só por isso, porque as pessoas deixam de manter o dinheiro “parado” (já que investido em renda fixa não rende quase nada) e passam a investir em ações através da Bolsa de Valores, ou seja, na chamada renda variável.

Os investimentos indicados pelos Educadores Financeiros para a reserva de emergência são no geral de renda fixa (você vai aprender mais sobre isso quando começar a estudar) atrelados ou à taxa Selic ou ao CDI, que são os indicadores frequentemente usados em investimentos para o curto prazo.

Hoje (19/08/2020) a taxa Selic está muito baixinha e consequentemente o CDI, também. Para que você entenda melhor, hoje a taxa Selic está em 2% ao ano e o CDI (over) em 1,9%.

Antigamente a Poupança era um bom lugar para deixar a reserva de emergência porque é um investimento seguro, fácil de manejar e não tem incidência de imposto de renda, porém ela rende apenas 70% da Taxa Selic + TR e o montante não rende diariamente.

Mas ainda assim você, que é inexperiente e ainda está inseguro, pode usá-la até se desenrolar melhor. É melhor guardar sua reserva na poupança do que deixar o dinheiro parado na conta-corrente de banco.

Eu deixo a minha reserva de emergência em LCA (não há cobrança de imposto de renda) porque (tô velha, né mores) os títulos ofertados para o meu segmento rendem mais quando comparados a alguns CDBs ou ao Tesouro Selic, cujos rendimentos líquidos ficam menores que os obtidos com meu LCA.

É importante lembrar que o dinheiro aplicado em LCA e LCI (são modalidades de renda fixa atrelados ao CDI) pode ficar preso por três meses ou mais (preste atenção se for optar por eles), então só a partir de data X cada valor aplicado passa a ter liquidez imediata, ou seja, passa a ser resgatável na hora que você quiser.

Essa não é, por isso, uma opção boa para você começar a reserva, mas pode ser uma opção excelente para mantê-la depois que você já atingiu um certo montante.

Como posso juntar minha reserva de emergência se ainda não tenho conta em nenhuma Corretora e não sei por onde começar?

Hoje está muito, mas muito mais fácil.

Muitos bancos digitais (façam suas pesquisas) já fornecem um rendimento automático de 100% do CDI para qualquer valor depositado.

Esses rendimentos não são isentos de imposto de renda, mas mesmo assim o valor líquido deles ultrapassa um pouquinho o rendimento da poupança.

Em caso de falência do Banco alguns investimentos, como CBD, por exemplo, são cobertos pelo FGC, uma associação civil que protege investidores e garante devolução de valores até R$ 250.000,00 mil reais para cada CPF por instituição financeira (há mais regras que você deve estudar para conhecer).

Para começar logo a investir no Tesouro Selic (renda fixa indicada para este curto prazo) você pode usar o seu banco ou uma corretora.

O Tesouro Selic tem dois custos, um é o mesmo de boa parte dos rendimentos, que é o imposto de renda, e o outro é a taxa de 0,25% da B3 (Brasil Bolsa Balcão). A boa notícia é que há isenção dessa taxa para valores em Tesouro Selic abaixo de 10mil reais.

Se você já tem uma corretora, pode escolher um CDB de no mínimo 100% do CDI, por exemplo, ou estudar outras opções de investimentos com as características essenciais da reserva de emergência: segurança e liquidez.

Enquanto você monta sua reserva de emergência já pode começar a estudar sobre investimentos de médio e de longo prazo.

No final do post coloquei três links bem importantes para você estudar.

Os investimentos para médio prazo são como uma segunda reserva, porém para custear coisas que não são básicas mas são essenciais para você, como pagar algum curso ou viagem, comprar um carro ou algo do tipo, ou seja, não são para sua aposentadoria, são para a sua vida ativa e para os seus sonhos.

Já os investimentos de longo prazo, como Previdência Privada, Fundos Imobiliários, Ações, Tesouro IPCA, Previdência Oficial e investimentos no exterior, por exemplo, podem fazer parte da sua carteira previdenciária, ou seja, daquela que irá custear a sua aposentadoria e garantir a sua independência financeira.

Não há uma sequência correta, tudo vai depender do seu perfil. Há pessoas que nunca irão querer investir na Bolsa de Valores e pessoas que irão pular da reserva de emergência direto para ela.

Lembra do que eu disse no começo, que você pode até não ficar rico mas pode atingir sua independência financeira e em algum momento da vida parar de trabalhar para viver do que acumulou?

Neste ponto já deu para perceber que você precisa olhar para o longo prazo e decidir o que você quer fazer da sua vida e como deseja viver o seu hoje, seu depois de amanhã e o seu futuro.

Previdência Oficial?

Conforme o ordenamento jurídico brasileiro todo trabalhador autônomo/individual, avulso, doméstico ou empregado (CLT), por exemplo, é obrigado a contribuir para a Previdência. Sim, isso não é uma escolha.

Se você não contribui para a previdência oficial, você está trabalhando na ilegalidade e poderá acumular uma dívida gigantesca com o Brasil. Pode ter certeza que um dia a conta chega, principalmente agora, que os sistemas informatizados estão cada vez mais eficientes.

Se algum contador ou algum educador financeiro disser que você pode optar por não pagar, ele está sendo desonesto ou demonstrando total despreparo.

Quando os educadores financeiros fazem comparações demonstrando que o valor de aposentadoria percebido com o investimento oficial (que é solidário, coletivo) é muitas vezes menor que o possível valor auferido com um investimento individual eles estão plenamente corretos, porém isso não muda o fato de que a maior parte dos trabalhadores brasileiros é obrigada a contribuir com a Previdência Oficial, incluindo os microempreendedores.

Ok. Não tenho dívidas e se eu ficar desempregado vou ter salário-desemprego, meu orçamento está enxuto e já tenho uma reservinha para emergências. O que faço agora?

Na época em que escrevi o post sugeri que você calculasse o valor de 5 a 20% da sua renda líquida média (de autônomo, empregado ou sua mesada) e solicitasse ao seu Banco uma aplicação automática adequada para que o montante fosse encaminhado todo mês, mas de lá para cá muita coisa mudou.

Em Corretoras há opções mais vantajosas de investimentos para o médio e para o longo prazo que aquelas ofertadas pelos Bancos tradicionais.

O que fica dessa orientação é: Pague-se primeiro. Dinheiro apareceu? Separe primeiro o que você vai guardar. Quanto mais você investir – sempre com calma e estudando certinho na tentativa de fazer melhores escolhas – melhor, mas não esqueça que a vida não precisa nem deve ser feita só de sacrifícios.

Você pode começar com menos e ir aumentando de acordo com as despesas que for conseguindo redimensionar.

Mas onde investir?

Primeiro você precisa descobrir qual o seu perfil de investidor e o quanto você está disposto a arriscar.

Você pode ser um investidor conservador, moderado ou arrojado, o que é relativamente rápido de descobrir com os testes oferecidos pelos bancos, corretoras e também disponíveis na internet.

E em segundo lugar você precisa entender que ninguém vai segurar na sua mão dizendo o que você tem que fazer.

Você precisa estudar, pesar, medir e decidir, o que pode ser suportado por livros, posts, vídeos e cursos gratuitos e pagos que existem aos montes.

Estude, trabalhe, faça renda extra, economize e guarde que mesmo errando (todo mundo patina), no final da muito mais certo do que daria se você continuasse na inércia.

Quanto menor a sua renda mais autocontrole você precisa aprender a adquirir; no começo é complicado, mas com o passar do tempo você percebe que isso lhe dá tranquilidade e tudo fica ótimo porque seus investimentos vão criando vida própria.

Nessa fase de acúmulo em investimentos de médio e longo prazo a tática de viver degraus abaixo do que se pode deve continuar.

Se você começar a gastar desordenadamente só porque fez uma reserva, sinto muito, seu caminho será o empobrecimento.

Só posso economizar evitando comprar coisas caras?

Não.

Aprenda a pensar no longo prazo.

Insira em sua rotina a pesquisa de preços. Isso dá muita satisfação, quando acho algo mais em conta fico feliz porque não permiti que me passassem a perna, ehehe.

Buscar supermercados que vendem em atacado e fazer pesquisas no centro da cidade antes de comprar coisas em supermercados comuns ou shoppings também fez muita diferença. No nosso roteiro de coisas domésticas há dois supermercados atacadistas.

Nunca se esqueça: quem adquire itens de consumo através de dívidas acaba ficando mais pobre ainda.

Não se importe com as flutuações do valor que você economiza porque em alguns meses você pode precisar sacar alguma coisa. Sempre tente colocar de volta o que tirou e se em um mês não foi possível depositar, tente compensar no mês seguinte.

Mas a minha renda é muito baixa…

Se sua renda é muito pequena tente manter pelo menos uma reserva que seja equivalente a dois ou três salários que você recebe e comece a estudar formas de fazer alguma renda extra.

Quando você começa a pagar as coisas sem se endividar o seu montante começa a ir crescendo, mesmo lentamente, porque todo o desfalque vai reduzindo.

Considerações Finais

Não sou economista nem educadora financeira e minha intenção com este post foi apenas dar um puxão de orelha em pessoas que não são previdentes.

Estamos sendo testemunhas de uma geração de adultos que vivem às custas dos pais, marmanjos que se endividam para ter um iPhone novo mas não são capazes de fazer simples contas de somar e subtrair nem tem o menor respeito pelo suor dos seus pais.

Procure aproveitar ao máximo tudo que você já tem, isso não é feio tampouco vergonhoso, é sinal de inteligência, maturidade e responsabilidade com o meio ambiente.

Você sabia que um hidratante para o rosto pode ser usado no restante do corpo, como nas mãos ou nos pés? Aproveite lá. Eu teria condições de descartar tudo que não uso mas mesmo assim acabei de usar nos pés um Ureadin Facial que não funcionou no meu rosto.

Sabia que aquele batom rosado e baratinho que ficou estranho na sua boca pode ser usado como blush? Pois é, pode. Os meus Chubby da Clinique que não gostei na boca foram aproveitados assim.

Sabia que um sabonete íntimo que você comprou mas irritou sua região vaginal pode ser usado na área das axilas ou para desodorizar as mãos na cozinha?

Sabia que o restinho de condicionador que não funciona no seu cabelo pode ser usado para deslizar a lâmina da gilete na hora de depilar as pernas e que pode ser usado até para amolecer as cutículas dos pés?

Sabia que muitos balms sem cor que você não gostou podem ser usados como hidratante para áreas secas do corpo e também para facilitar a retirada das cutículas das mãos? Pois é, fiz isso com meu Rosebud Salve.

Bases de maquiagem que ficaram claras em você podem ser usadas para iluminar sua pálpebra superior e as que ficaram escuras podem ser usadas na bochecha como blush ou bronzer bem como uma base mais pesada pode virar corretivo. E você ainda pode misturar uma clara a uma escura para chegar à sua cor.

E você não precisa ter centenas de batons. Aprenda a fazer suas misturinhas, crie cores novas, seja criativa!

Não tem dinheiro para comprar protetores solares mais sequinhos? Cubra o protetor com pó. Habitue-se a usar também sombrinhas, roupas com mangas e bonés, que são itens muito duráveis. Isto é economia de longo prazo.

E não guarde o que não está tendo utilidade, tente se libertar disso que é um excelente exercício. Repasse para alguém e peça para que esta pessoa repasse para outra caso não goste e que também beneficie você repassando-lhe algo que não pode ser aproveitado, ou quem sabe, você pode organizar um bazar com suas amigas e até transformar aquela coisa encostada no seu primeiro dinheiro para guardar!

Espero que ninguém se aborreça com este post. Se por acaso desagradei alguém já peço imensas desculpas e declaro que estou aberta para qualquer correção, principalmente se generalizei em algum ponto ou se pareci grosseira.

Conselhos de Warren Buffett:

Conselhos de Buffet para poupar

Para você começar a estudar:

Investimentos Inteligentes, de Gustavo Cerbasi | Livro revisado em setembro de 2019. Conteúdo incisivo, bem escrito, focado em educação financeira e, por revelar estratégias inteligentes para boa parte dos produtos disponíveis no mercado, equivale a um bom curso para iniciantes e investidores leigos.

Cursos da ANBIMA (do básico ao avançado – Gratuitos e com Certificado)

Curso Gratuito de Tesouro Direto (Módulos 1, 2 e 3)

Hub de Educação Financeira da B3 (Totalmente gratuito)

Portal do Investidor (CVM)

Livro Top Mercado de Valores Mobiliários (download gratuito)

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Canal EconoMirna, da  Mirna. Ela é economista, tem talento para educar pessoas, escolhe temas e  usa linguagem  bastante acessíveis para quem está começando do zero.  Vale a pena viajar pelo canal buscando os temas do seu interesse.

Jovens de Negócios, do Breno Perrucho. Esse ‘menino’ é estudioso, focado e percebe-se que só abre a boca quando leu muito e estudou muito sobre o tema.

Você Mais Rico, do Bruno Perini, um cara com boa bagagem cultural e bom senso refinado.

Ben Zruel, canal focado em independência financeira com a visão  de um investidor judeu. Basicamente todos os judeus são ‘mestres’ em finanças pessoais desde crianças, focam na segurança do longo prazo, na proteção da família e destinam parte dos seus proventos para doação. Ben é, ele todo, mais do que um educador financeiro. É uma lição de vida para não judeus.

Gustavo Cerbasi, pioneiro na Educação Financeira do brasileiro. Canal imprescindível para quem foca em segurança, longo prazo, proteção do patrimônio e da família. De todos os educadores é o que tem a visão mais ampla dos diferentes tipos investimento.

Investir e Coçar é só Começar, do assessor de investimentos mais Japonês e mais engraçado do Brasil, Denis Miyabara. O foco principal do Canal é a Bolsa de Valores (sobretudo ações de empresas).

Marcos Baroni, especialista em Fundos Imobiliários

Investidor Internacional, de Raphael Monteiro

André Bona

Contadora da Bolsa, de Alice Porto. Tão importante quanto saber investir é conhecer as obrigações tributárias.  Não queira passar de investidor a criminoso. Sonegar impostos: NUNCA. Faça tudo certo, sempre.

Favelado Investidor, do Murilo Duarte, que decidiu que não iria seguir o mesmo destino de seus amigos. Buscou conhecimento, começou a investir e está ensinando e a aprendendo junto aos que querem crescer com ele. Quero que você fique multimilionário, Murilo. Parabéns.

Canal do Holder, do Fábio. Ele entrega muito conteúdo, você sempre aprende algo novo.

Economista Sincero, do Charles Wicz

Vicente Guimarães 

Marcelo Fayh

 

Beijos,

Meire

 

 

 

 

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[Resenha] Neuromancer | William Gibson

Por @meire_md


William Gibson, hoje com 72 anos, é um escritor de ficção científica que iniciou sua jornada escrevendo contos.

Estimulado pelo mais puro medo de produzir um livro que não prendesse a atenção do leitor, criou ‘Neuromancer‘, uma história densa e tão revolucionária que é usada hoje como um ícone do cyberpunk, subgênero de ficção científica cujas histórias são ambientadas em um submundo tecnológico distópico – anárquico e não raro pós-apocalíptico – onde as classes dominantes são ligadas a grandes corporações privadas e boa parte da população vive em condição marginal.

A história é tão relevante que criou as ideias de cyberespaço e inteligência artificial, forneceu subsídios para filmes como Matrix, recebeu importantes prêmios e rendeu uma aclamada trilogia. Os outros dois livros são Count Zero (1986) e Mona Lisa Overdrive (1988).

Aproveitando as vantagens da minha edição especial da Aleph (2014), antes de mergulhar na leitura do livro resolvi me ambientar melhor e li ‘Johnny Mnemônico‘ (1981), ‘Queimando Cromo’ (1982) e a longa e detalhada entrevista que William Gibson concedeu a Larry McCaffery em 1986.

Curioso saber que WG imaginou o cyberespaço ao sentir, enquanto observava meninos jogando Fliperama, que eles agiam como se estivessem do lado de dentro da tela. Genial.

Já há excelentes resenhas sobre este livro e como li muitos comentários de pessoas que não conseguem terminá-lo, minha ideia aqui é apenas dar alguns toques para estimular um recomeço.

A história começa começando.

Para entender o livro é preciso quebrar alguns paradigmas: a escrita acompanha a lógica do universo punk.

Você é jogado no meio do caos quando todo mundo se conhece, merdas já aconteceram e estão todos estressados demais para dar atenção ao novato da tribo. O novato é você.

Você não será apresentado a ninguém, você é um mero observador investigativo que terá que fazer suas próprias conexões e dar a cada personagem a atenção devida. É um livro para quem tem mente de detetive.

Quem for importante reaparece e o que for importante em algum momento é elucidado; a história não volta para explicar o que aconteceu offline enquanto você estava acompanhando Case na Matrix e os diálogos podem começar pela metade da mesma forma que acontece quando você sai de uma reunião e volta.

O ambiente cyberpunk é como um ferro-velho gigantesco cheio de figuras fisicamente exóticas, coletores, ladrões, compradores e trapaceiros.

Num ambiente assim você não precisa nem vai entender o que cada gadget é ou significa nem vai conhecer a intimidade ou as razões de todos os personagens, tampouco vai entender o papel de cada um que por acaso passa pelo grupo principal.

Há muitos transeuntes, muita tralha, muito ruído. Em suma, o autor está pouco se lixando para o leitor que busca orientação e sentido; você que lute para formar a história na sua cabeça, e é justamente isso que faz o livro ser tão massa.

Importante saber que há personagens com apelidos/codinomes que se alternam no decorrer da trama, o que requer um pouco de atenção para que você não confunda as pessoas. Os neologismos são praticamente autoexplicativos.

📍Daqui para frente há spoilers, então leia por sua conta e risco.

O país principal da história é o Japão.

Case é um hacker (‘cowboy’) de 20 e poucos anos portador de um cérebro turbinado tecnologicamente que pisou na bola com um contratante e, como represália, foi capturado e infectado com uma micotoxina que impede o seu acesso à Matrix, ou seja, que impede que seu cérebro biotecnológico conecte-se com o cyberespaço.

Impedido de atuar profissionalmente como hacker, vicia-se em drogas e sobrevive fazendo bicos em troca de dinheiro de papel (‘neoiene‘), modalidade de pagamento feita apenas em transações pouco ou nada lícitas.

Após gastar tudo que tinha tentando se livrar da micotoxina, é levado pela própria namorada a um estado paranoico. Ela aproveita a confusão para fugir com dados que julgava valiosos enquanto ele, acreditando ser alvo de uma tentativa de assassinato, é resgatado pela mercenária samurai biotecnologicamente modificada que já tinha aparecido no conto Johnny Mnemônico, a Molly Millions. Amo você, Molly.

Sem ser consultado, Case é sedado e submetido a um tratamento contra a micotoxina e a transplantes de fígado e pâncreas, que o deixam insensível às drogas que consumia, mas sua capacidade neuronal só poderá ser mantida se ele cumprir uma missão cibernética determinada por Armitage, fantoche de uma IA que aparece mais na frente.

Sete dias depois do procedimento médico ele recupera a capacidade de se conectar à Matrix e, conhecedor do fato de que a recusa em cumprir a missão resultará na devolução da micotoxina à sua circulação, ele se joga no trabalho sem saber direito o que está fazendo, coisa que começa a ser esclarecida lá pelo segundo terço do livro.

O Brasil aparece em pelo menos três momentos, um dos funcionários de Ratz (dono do Bar decorado com um relógio Dalí) é brasileiro e em algum lugar no tempo e espaço aparece um outro transeunte brasileiro. O terceiro ponto onde o Brasil figura é tão importante (e tão chave para a compreensão do todo) que não vou colocar no post, isso você vai descobrir sozinho (a).

Entre viagens físicas e cibernéticas a equipe se completa com Peter Riviera – que tem a capacidade de compartilhar hologramas com quem está por perto, criando ilusões perfeitas – e os computadores, um deles formado pela mente de um tutor morto (Pauley) que aparece tanto como Dixie quanto como Flatline. Aliás, ele não é o único morto da história que tem a inteligência preservada por tecnologia.

Em um certo momento eles se deslocam para fora da Terra em um ônibus espacial e chegam a Zion, onde personagens rasta se juntam ao grupo. A coisa começa a convergir. No terço final do livro a trama vai se fechando dentro da Matrix, o que é quase uma experiência alucinógena.

Se você terminar a leitura de Neuromancer como quem viu um filme inteiro, entendeu tudo mas ficou com a sensação de que dormiu em algumas partes, é sinal que a leitura foi ótima.

O desenrolar é surpreendente.

 

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[Resenha] A Ciência da Política | Adriano Gianturco


Por @meire_md

Resolvi ler este extenso livro antes de ler o igualmente extenso ‘A Mente Moralista e as Origens da Polarização Contemporânea’ (de Jonathan Haidt) pensando em resetar conceitos arraigados e reunir, reorganizar ou modificar o pouco conhecimento sobre Política que fui acumulando de modo fragmentado desde a infância.

Quem leu ‘O Príncipe’ (Maquiavel) tão cedo quanto eu, acredito que aos 11 ou 12 anos de idade, não só amadureceu na compreensão do jogo político dez anos antes do tempo como entendeu que o objetivo primeiro de qualquer político é o de se manter no poder.

O mote central do quanto saber governar reside na habilidade de fazer conchavos/coligações e de manipular ‘súditos’ para que achem que estão sendo beneficiados e permaneçam confiantes e gratos ficou tão carimbado, mas tão carimbado em mim, que quando meu pai se candidatou torci intimamente para que não fosse eleito: ele era bom demais, puro demais e incorruptível demais para conseguir cavar um espaço no qual conseguisse fazer alguma coisa. Meu avô, por exemplo, só exerceu um mandato e saiu da vida pública.

A existência de diversos níveis de cargos políticos eletivos nada mais é, para mim, um mal necessário para que a democracia prevaleça e para podar o autoritarismo que brota em qualquer corpo envolto numa faixa presidencial, seja ele de direita ou de esquerda.

É como diz Yuval Harari quanto ao capitalismo: ainda que recheado de imperfeições é o melhor sistema econômico existente – dentre os males, o menor.

O fato é que o que ocorre nos bastidores NUNCA é de conhecimento público. Sempre votamos com algum grau de cegueira, seja por falta de acesso a documentos ou por vieses do nosso próprio raciocínio diante de assuntos notórios e da esperança (ou fé) que depositamos no que poderá acontecer depois das eleições.

Quando mostrei em meu perfil do Instagram um trecho particularmente neutro de ‘A Ciência da Política’ (para mim não é bom nem ruim um autor de algum livro declarar publicamente as suas ‘crenças’ políticas, foco no conteúdo, não leio nenhum livro esperando concordar 100%, pelo contrário, tudo que leio é no modo ‘peraí, não é bem assim‘ e sempre aberta a formar uma visão mais ampla de tudo e alcançar as minhas próprias conclusões), duas pessoas que sequer leram o livro me repreenderam pelo simples fato do livro ter sido escrito pelo Adriano Gianturco, que é especialista na Escola Austríaca. Só isso.

Como você pode criticar um livro que não leu?

Para mim este livro expõe conteúdo teórico e científico sobre política de modo praticamente impessoal, transferindo para o papel o conteúdo de teorias e pensadores da área como se estivesse escrevendo um dicionário no estilo ‘O Livro das Ideias’ (Rohmann), porém com descrição muito mais minuciosa de cada verbete, de cada ideia.

A obra é dividida em 24 capítulos e quatro partes.

Na primeira parte o autor apresenta as abordagens metodológicas (a Escola Elitista, Teoria dos Jogos, Public Choise e a Escola Austríaca) e na segunda parte fala sobre os fundamentos da política (Poder, Estado, Comando/Obediência/Desobediência, Guerra, Autocracias e Democracia).

Na terceira parte é estudado o Tecnicismo – Governo e divisão de poderes, grupos e facções políticas (como nascem os partidos, por exemplo), como são os diversos sistemas eleitorais, como funcionam as campanhas eleitorais, os paradoxos do voto e como são montados os governos e os processos legislativos. Aqui você pode entender melhor as grandes diferenças que existem nas democracias mundo afora.

Na quarta parte são relacionados e descritos temas importantíssimos como impostos, regulamentação (meu cérebro explodiu aqui), renda política, corrupção e bens públicos.

Não li os capítulos 23 e 24 porque não são do meu interesse – eles tratam de território e federalismo e de relações internacionais.

Recomendo a leitura de ‘A Ciência da Política’, vou acrescentá-lo no meu Peoople e agradeço ao Pedro pela ótima indicação.

 

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Análise Fundamentalista | José Kobori

Por @meire_mdO José Kobori é um consultor financeiro especialista em renda variável. ⁣
⁣⁣
Seu conteúdo sobre Educação Financeira é bem ‘sisudo’ e bastante desgarrado de muitas fórmulas prontas que encontramos pelo YouTube; ele se distancia de alguns aforismos simplistas que se propagam nas redes sociais.

⁣Depois do Corona Day aprendi com o Denis Miyabara que o pensamento automático de “comprar na baixa” é … simplista. Nem nunca, nem sempre. Há vários elementos a se considerar para uma tomada de decisão.
⁣⁣
Pro Kobori você só atinge independência financeira se for completamente livre de influências de terceiros; eu não creio que todas as pessoas leigas consigam investir de modo alheio às análises dos assessores ou às influências dos educadores porque isso iria exigir muita energia e muito, mas muito tempo de estudo e experiência.⁣
⁣⁣
Vejo o livro “Análise Fundamentalista” (2ª Edição, disponível aqui) como uma excelente ferramenta para ajudar o investidor a compreender os relatórios das empresas e buscar – na medida do possível – fazer melhores escolhas, inclusive quanto à qualidade de sua assessoria. ⁣

⁣Super especialização é para poucos, mas acumular todo o conhecimento que você puder me parece ser uma questão de responsabilidade com o fruto do seu trabalho.


A Análise Fundamentalista é uma das vertentes utilizadas pelo Mercado Financeiro e por ser bem mais complexa que a Análise Técnica, é bem menos dominada. ⁣
⁣⁣
Bastante ciente das minhas limitações na área, li o livro sem qualquer intenção de aprender a realizar um análise apurada, mas com o objetivo de entender como interpretar alguns índices.

Gosto de buscar conhecimento em boas fontes, aprender de orelhada é igual a brincadeira do telefone sem fio: a informação já chega à quarta ou quinta orelha bastante trincada. Escutar técnicos realmente experientes em operar no mercado financeiro pode ser bastante inspirador.

Recomendo a leitura para todos os que investem em renda variável e querem entender melhor como as casas de análise estudam cada empresa.

Se alguém souber de algum livro parecido direcionado aos Fundos Imobiliários me conta, quero saber.

 

Abraço,

Meire

 

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[Bate-Papo] Como entender um ateu? | @meire_md

Quem quiser crer, crê e acabou-se.” Saramago

Autor: @meire_md

Em 2009 publiquei um ensaio extenso chamado ‘Acerca da Fé – uma peça em 12 atos‘, objetivando estimular tanto a tolerância entre pessoas com fé e sem fé quanto entre pessoas com credos distintos.

Por algum motivo que agora não me recordo, em 2010 republiquei (lá no Bule Voador) apenas o trecho abaixo, que foi construído com questões recorrentes em debates virtuais e presenciais.

Apesar do ateu ser alvo de um preconceito praticamente generalizado e nada implícito, muitas vezes o crente também é alvo de preconceitos vindos de ateus imaturos ou muito passionais.

Para boa parte dos leitores não haverá nada novo. O FAQ destina-se sobretudo aos crentes e aos ateus que, em vez de tratar o tema com controle emocional, debatem de maneira jocosa ou agressiva e julgam-se intelectualmente ou moralmente superiores.

Como entender um ateu?

(1) Por que eles não acreditam em Deus? E por que eles não acreditam numa mente superior?

Eles não acreditam porque não existem evidências que os convençam de que exista uma força não natural agindo sobre o Universo. Se existisse uma evidência convincente para os ateus, ela seria forte o suficiente para todo o mundo ter uma religião só ou acreditar no mesmo ou nos mesmos deuses.

As evidências das pessoas que creem são tão variadas em seus significados, que geram milhões de entendimentos mundo afora, porque elas não são fatos e sim sensações que as pessoas interpretam à sua maneira.

Da mesma forma que os religiosos merecem respeito pelo valor que dão a essas sensações, os ateus merecem respeito pelo valor que dão ao peso das evidências.

As Leis da Física, a Biologia e as Ciências de uma maneira geral conferem respostas naturais para fenômenos que são tido como sobrenaturais ou miraculosos para muitas pessoas. Quando existem lacunas e ausência de respostas, os ateus não a preenchem com forças fora da natureza: esta é uma das principais diferenças entre ateus e crentes.

Da mesma forma que você está no direito de não crer no deus dos outros, os ateus também têm o mesmo direito. Como você, eles também não compartilham a fé dos outros.

(2) Se Deus não existe, tudo é permitido para os ateus?

Não, da mesma forma que tudo não é permitido para quaisquer outras pessoas.

Se você não rouba, não mata e não estupra só porque tem medo de ir para o inferno, isto não acontece com a maior parte das pessoas, sejam elas ateias ou crentes.

Os atos do homem são passíveis de duas sentenças: os ditames de sua consciência e as normas legais de seu país. Estes dois juízes são universais e existem tenha a pessoa ou não fé em um Deus em particular.

As pessoas em geral não matam, roubam ou estupram porque o homem é um ser adaptado à vida gregária e tem freios morais devidamente selecionados ao longo da evolução da nossa espécie. A consciência é uma ‘ferramenta’ vantajosa para a vida em sociedade presente em pessoas de todas as etnias e culturas.

Pessoas destituídas de consciência, empatia ou arrependimento são os Sociopatas ou Psicopatas, que constituem, para nossa felicidade, parcela menor da população.

Os psicopatas não são apenas os serial killers, são desde pessoas que buscam ganhos ilegítimos, como alguns líderes religiosos e políticos, como aquele ‘amigo’ ou parceiro sexual aproveitador que provoca danos em terceiros e não respeita os sentimentos de ninguém.

Pode existir algum psicopata ateu? Claro que pode, ateus são pessoas como outras quaisquer.

(3) Os ateus são a favor do aborto?

Ateus não são pessoas feitas em série e que concordam entre si em todos os aspectos. Por definição, ateu é todo aquele que não acredita em um ou mais deuses.

Os ateus podem discordar entre si em outros assuntos tanto quanto um crente de uma igreja discorda de outro crente da mesma igreja.

Há ateus favoráveis à legalização do aborto, ateus contrários e ateus sem opinião formada. E o mesmo ocorre com religiosos. Muitos religiosos são favoráveis à legalização do aborto por questões de saúde pública.

(4) Os ateus cultuam o’ satã’?

Não. O Satanás, conforme os crentes, foi criado pelo Deus cristão e seria um anjo caído. Só é possível para alguém cultuar o Satanás se  acredita na existência de Deus, portanto, tal culto é um ato antirreligioso ou herege realizado por uma pessoa crente.

(5) Como os ateus enfrentam momentos de dificuldade e tristeza?

Como quaisquer outras pessoas, buscando o que lhes forneça conforto, como o apoio da família, ou de um ombro amigo. Todas as pessoas precisam de um conforto, a diferença é que ateus não buscam um conforto sobrenatural.

Da mesma forma que uma pessoa que crê em Krishna não busca Allah nos momentos difíceis, uma pessoa que crê em Alah não busca conforto em Jesus Cristo ou você, cristão, não busca conforto na Cientologia, o ateu faz o mesmo. Não busca conforto em Krishna, em Allah, em Jesus Cristo ou na Cientologia.

(6) Como a pessoa se torna ateia?

Como a formalização da crença depende primordialmente de onde a pessoa nasce, do que lhe foi ensinado na infância, das experiências que acumulou ao longo da vida, do que ouviu, viu, estudou etc, com a falta de uma crença pode ocorrer coisa similar. Mas no geral o processamento mental de não crer é mais complexo, porque nosso cérebro é predisposto a crer.

Um exercício para entender: suponhamos que você seja brasileiro e seus pais católicos e que você seja católico praticante. Se você tivesse nascido em Israel e fosse filho de Judeus ortodoxos, acha que mesmo assim seria cristão? Na infância e adolescência precoce certamente não. Mas poderia vir a ser cristão, ateu ou budista no futuro, com base em outras experiências na adultícia e seus questionamentos, ou permanecer muçulmano o resto de sua vida.

Se a pessoa já nasce num lar ateu ou agnóstico e não é ensinada a seguir um credo em particular, poderá ser ateia para o resto da vida, como poderá, em algum momento, passar a crer por influência do meio.

As pessoas adultas se julgam ateias ou crentes através de um questionamento, o que varia entre elas é o grau de satisfação das respostas que obtem. Como há pessoas com pouca ou com muita confiança em Deus, há ateus mais ou menos convictos. A fé de uma pessoa pode sofrer altos e baixos e nada impede que a convicção de um ateu em particular sofra o mesmo.

O que torna mais difícil uma pessoa tipicamente ateia se converter a algum credo em particular, é que na trajetória do ateísmo é comum a pessoa já ter sido crente antes e ter estudado ou observado diversas religiões. É possível que a mente do ateu tenha um processamento lógico diferente da mente do crente, mas isto é tema para outra discussão.

Há também a possibilidade da pessoa se tornar ateia porque perdeu um filho ou se decepcionou com a bondade de Deus. Esse tipo particular de ateísmo, o ateísmo do ‘revoltado’,  é basicamente emocional e pode fazer com que a pessoa mude de opinião se sentir abençoada ou for convencida de que os problemas do mundo são provações para o crescimento espiritual do povo de Deus ou algo similar.

(7) É verdade que na hora da morte muitos ateus se convertem?

Os ateus veem a morte como algo natural e consequência da vida, mas podem ter angústias no leito de morte como quaisquer outras pessoas venham a ter.

Basta irmos a um velório para vermos o quanto as pessoas sofrem com a morte, mesmo quando creem em Deus.

Crer ou não crer não torna a nossa morte mais atraente. Pela lógica, quem acredita em Deus, Paraíso e vida após a morte deveria alegrar-se ao morrer, mas não é isto que se vê em velórios de cristãos. Uma crença autêntica na vida eterna em um mundo paralelo florido e asséptico não é compatível com luto ou medo da morte.

A morte é a demonstração concreta de nossa finitude. Choramos tanto pelo ente perdido quanto por nossa constatação de que poderemos ser o próximo.

Mesmo crendo em vida após a morte e creditando a esta o status de passagem para algo melhor, há pessoas que sofrem por anos ou até durante toda a sua vida quando perdem um filho, por exemplo. Alegar que alguém está sofrendo durante um velório exatamente por ser ateu é um vício de confirmação.

Contrariando o que muitas pessoas pensam, pacientes com longas enfermidades enfrentam a vinda da morte com muita serenidade porque tiveram mais tempo para refletir.

Defender que uma conversão de um ateu deve ocorrer na hora do sofrimento é advogar contra sua própria fé: é preciso estar desesperado para crer?

As pessoas que pensam assim esquecem que ateus são pessoas que também passam por problemas em suas vidas, e nem por isto necessariamente voltam-se para algum tipo de crença, da mesma forma que pessoas que creem necessariamente não deixam de crer porque Deus não teria ouvido suas preces.

Stephen Jay Gould, Carl Sagan e José Saramago, a exemplo de muitos outros ateus, enfrentaram suas moléstias e despediram-se da vida sem conversões religiosas.

Se você passou a vida inteira cristão convicto não se tornará ateu justamente na hora da morte, da mesma forma que um ateu em geral não abraçará algum credo.

Estar com medo ou sob ameaça dificulta um raciocínio adequado, portanto, pensar a morte anos antes dela ocorrer é a forma de se preparar ao menos parcialmente para ela, seja a pessoa crente ou ateia.

A imposição por ameaça – fogo do inferno, por exemplo – ou promessa de cura e prosperidade são  formas comumente usadas por muitos líderes religiosos para forçar conversões de pessoas que de fato já são crentes, mas que estavam ‘desviadas’ da Igreja.

Os mecanismos de conversão muitos ateus conhecem na prática, porque muitos deles já creram em Deus um dia através desses caminhos.

O momento em que a pessoa está mais fragilizada emocionalmente é o mais fértil  para que ela ou perca a sua fé ou se converta e não se constituem situações que especificamente caracterizem uma opção consciente.

(8)  Os ateus são contra Religiões?

Alguns ateus são contra, outros são indiferentes e outros ainda apostam que a paz entre os povos seja possível mesmo com religiões.

Como já foi dito antes, o fato de alguém ser ateu não transforma sua opinião idêntica a de outros ateus em assuntos diversos.

(9) Os ateus são mais inteligentes do que os crentes? Por que há tantos ateus nas universidades e nos meios científicos? E por que praticamente não existem ateus nos presídios?

Não, ateus não são mais inteligentes do que quaisquer outras pessoas.

O que ocorre é que entre as pessoas não alfabetizadas ou com pouca instrução há uma parcela pequena de ateus/humanistas seculares, mas isso ocorre por questões sobretudo culturais.

Entre os ateus há uma parcela importante de pessoas com nível de instrução mais elevado que  podem ser tão inteligentes e produtivas quanto são inteligentes e produtivos muitos crentes com o mesmo nível de instrução. Instrução e inteligência não são a mesma coisa.

O que ocorre de fato é que é mais possível uma pessoa se tornar ateia se tiver acesso à diversidade dos credos, a preceitos filosóficos e científicos, viajar mais e conhecer outras culturas.

Para ficar bem claro e evitar preconceito dos dois lados: não é preciso ser mais inteligente do que os outros para ser ateu, mas pode ser preciso ter mais instrução. E que fique bem claro: um maior nível de instrução não transforma necessariamente uma pessoa em alguém ateu.

Quando se demonstra estatisticamente que o índice de criminalidade entre ateus é menor que entre crentes, não podemos concluir que ateus seriam menos predispostos ao crime do que crentes.

Há menos apenados entre os ateus da mesma forma que há menos apenados entre pessoas que creem em Deus e são economicamente favorecidas. Certamente há muitas explicações para isto, como a facilidade de acesso a bons advogados, condições materiais para o pagamento de fiança ou ação criminosa melhor planejada, como sonegação de impostos, lavagem de dinheiro, estelionato e fraudes de uma maneira geral.

As pessoas privadas das necessidades básicas – sobretudo aquelas que vivem na periferia de grande centros, já quem em zonas rurícolas há acesso à agricultura de subsistência – perpetram crimes como assalto e furtos em maior proporção quando comparadas a pessoas em menor vulnerabilidade social.

Não estou afirmando que o ambiente é a única variável, tampouco que em termos individuais a pobreza transforme alguém em criminoso, mas que as condições sociais perversas como a fome e o endividamento  são variáveis de peso em termos populacionais.

Em suma: Ao atribuirmos a uma correlação estatística o mesmo peso que concedemos às verdadeiras relações de causa e efeito, poderíamos concluir que ser crente é fator de risco para ser bandido porque os presídios estão lotados de cristãos ou que o arroz cause tuberculose porque 95% dos portadores de Tuberculose ingeria arroz diariamente.

(10) Você é ateia porque nunca adoeceu ! Quero ver ser ateia quando estiver num avião caindo! Você é ateia porque nunca teve problemas !

Esses ‘argumentos’ coroam boa parte das discussões. O fato de parte significativa dos ateus ser favorecida pelo menos culturalmente gera o mito de que o ateísmo resulta da bonança, da falta de problemas.

Meu pai morreu nos meus braços, foi uma das maiores dores que tive na vida. Passado o choque inicial, permaneci serena e aceitei. Nada similar a algum tipo de conversão aconteceu.

Em 2006 eu tive suspeita de câncer. Submeti-me a duas cirurgias e em nenhum momento pensei em algum tipo de apoio sobrenatural. De fato, ser ateia me ajudou nas semanas mais difíceis, porque o crente tende a se autoflagelar com questionamentos como: “Meu Deus, por que comigo?” ou “O que eu fiz para merecer?“.

Em 2007 passei por uma turbulência durante um voo, e permitam-me os pis, mas as únicas palavras que sairam da minha boca foram: eita p****, essa m**** vai cair! E isto virou lenda entre meus amigos porque era a última ‘provação’ que faltava.

E a inversão vem ai. Depois que rebato as acusações de que sou ateia por ter ‘vida de princesa‘, o crente tende a fechar sua argumentação invertendo-a cem por cento: “Ahhhh ! Você é ateia porque acha que Deus está contra você!”

***

Não há como construirmos tolerância entre ateus e crentes de uma forma que não envolva combate bilateral ao preconceito e debate racional.

Esta é a nossa Revolução.

[Resenha] “Loucura”…É NÃO Procurar o Psiquiatra | Paula Borba

Por @meire_md

Dra Paula Borba, médica com doutorado em neuropsiquiatria, é uma renomada psiquiatra natalense e tem uma grande facilidade de se comunicar com o público leigo. Ela promove educação em saúde mental a estimula a redução dos estigmas relacionados aos transtornos mentais em entrevistas e artigos publicados em jornais locais.

A primeira edição do seu livro “Loucura…é NÃO procurar o psiquiatra” foi lançada ano passado pela 8 Editora e conta com 214 páginas.

No imaginário popular só se procura o psiquiatra em casos de loucura, nos episódios de depressão grave ou por ocasião de algum transtorno que paralise o indivíduo.

Este livro busca desmistificar essas antigas premissas e foi montado em três partes: histórias de casos reais, depoimentos de pacientes e uma coletânea de artigos que ela publicou na Tribuna do Norte.

Apesar do aparente peso do tema tema, “Loucura…é NÃO procurar o psiquiatra” é um livro de fácil leitura, desprovido de linguagem técnica e bastante acessível para pacientes, suas famílias e pessoas que estão em sofrimento e precisam entender que buscar ajuda profissional não é um problema, é uma solução.

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[Notas sobre dois livros] ‘Prisioneiras’ e ‘Presos Que Menstruam’

Por @meire_md

‘Prisioneiras‘, de Drauzio Varella, é o terceiro livro de uma trilogia iniciada em 1999, quando o autor e médico publicou ‘Estação Carandiru’.

Dráuzio consegue, mais uma vez, transformar uma realidade pesada em uma narrativa leve e divertida: é um contador de histórias mesmo.

Ele não mostra qualquer pretensão de analisar problemas, não romantiza o crime nem cria vilões ou herois, simplesmente leva o leitor para tomar um café no consultório da Penitenciária. Simples assim.

‘Presos que menstruam’, de Nana Queiroz, me incomodou um tanto até que ela, ao consultar alguns documentos probatórios, admitiu que fez julgamentos parciais. Em alguns depoimentos surgem claras contradições; certos trechos parecem ficcionais ou voluntariamente romantizados.

Achei bem honesto de sua parte pontuar esse viés pois quando se apura só um lado de uma história não se deve apontar culpados tampouco tomar conclusões precipitadas, mas o dato é que o livro foi escrito para dar voz às mulheres e não para julgá-las de novo.

Os dois livros convergem claramente num ponto muito triste: quando um homem é preso chovem visitas, familiares vão levar mantimentos e cigarros, mulheres se voluntariam para visitas íntimas… Mas quando uma mulher é presa, rapidamente é abandonada pelo companheiro, a família pouco se importa, as visitas, já raras a princípio, se tornam inexistentes.

Elas, que respondem proporcionalmente por crimes muito menos violentos do que os perpetrados por homens e muitas vezes são motivadas a praticar delitos por desespero ou por dependência emocional, são condenadas também ao abandono e a uma pobreza quadruplicada.

Recomendo ambos, pois embora versem sobre o mesmo tema – mulheres presas – são bem diferentes e por isso se complementam.

 

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