Meire, como o seu melasma clareou?

Por @meire_md

Tenho melasma há quinze anos e há doze compartilho minhas experiências com vocês, principalmente as relacionadas a cosméticos e protetores solares.

Na Classificação Internacional de Doenças, o Melasma figura como Cloasma e seu CID é L81.1. Trata-se de um transtorno de pigmentação da pele muito comum no Brasil cuja causa é  multifatorial e envolve questões genéticas e ambientais.

O melasma ou cloasma tem um subtipo especial, que é o gravídico, condição que, em uma parcela considerável das mulheres, pode desaparecer completamente mesmo que nenhum tratamento seja efetuado.

As mulheres com esse tipo de melasma são muito usadas em fotos de antes e depois por profissionais mal intencionados e que assim esperam comprovar que seu método revolucionário cura o melasma.

Como boa parte dos melasmas, o meu é recalcitrante. Isso significa dizer que não tem cura, tem apenas controle. O meu segue sem recaídas importantes há anos mas eventualmente há algum escurecimento.

Minha rotina atual de tratamento está bem simples; caso você queira ler ou reler o post, ele está aqui.

O medicamento que uso é a Tretinoína.

Sempre escolho associar o medicamento a cosméticos que contenham agentes antioxidantes com efeito despigmentante e ação anti-inflamatória, então sigo bem satisfeita com a dupla Ácido Tranexâmico da Hadalabo e Vitamina C da Bisyou.

Toda vez que alguém  me pergunta como meu melasma clareou penso em escrever este post, então vem comigo.

Não há atalhos nem milagres.

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A História do meu Melasma

Até os 21 anos tive uma exposição solar pesada, com direito ao  choro e ranger de dentes durante o verões natalenses e suas esperadas bolhas por queimaduras solares sempre tratadas com gel de aloe vera ou alguma outra pastinha fitoterápica.

Quando paguei Dermatologia parei de me expor fortemente ao sol, mas a fotoproteção do dia a dia era bem xexelenta.

Por orientação do meu querido professor Dr. Pedro Trindade, comecei a usar retinol associado ao ácido glicólico por volta dos 22 anos de idade.  Obrigada, professor.

Alguns anos antes do diagnóstico do Melasma — não sei precisar — a minha fotoproteção se resumia a um tico da base Teint Idole da Lâncome (disponível tb na Sephora) selada com outro tico das bases em pó da Shiseido ( disponível na Sephora) ou da Dior e blush chinelada.

Aliás, acho que parte do bom aspecto da minha pele pode ser atribuída ao blush chinelada, pois os pigmentos protegem a pele contra a luz solar. Os meus favoritos são os da linha Mineralize da MAC.

Em 2005  comecei a usar a tretinoína, alternando-a com retinol e eventualmente ácido glicólico. Naquela época eu tinha a pele tipicamente oleosa, amava rotinas lotadas de produtos e usava tudo ao mesmo tempo.

Em 2006 comecei a  me expor mais ao sol porque viajava três vezes por semana para o interior. Não deu outra, a conta chegou.

O melasma eclodiu e ao exame o meu então dermatologista percebeu o componente vascular e indicou tratamento com LIP (luz intensa pulsada).

Fiz o procedimento em 2007.

O meu rosto piorou de um jeito inacreditável. As manchas ficaram pretas e aumentaram em extensão, pegando toda a testa, as bochechas e as regiões mandibulares.

A costumeira maquiagem leve foi substituída pela camuflagem médica, que aprendi a fazer com a  base Dermablend e o pó fixador Dermablend (o pó uso até hoje).

O lado bom é que achei muito divertido testar dezenas de cosméticos, bases, corretivos, blushes e pós.  Virou hobby.

Por volta de 2007 ou 2008 consegui criar uma rotina menos pior de fotoproteção. Lembro bem do Minesol da ROC, de um protetor cremoso da Melora e das roupas de fotoproteção largadas no carro.

Até 2009 as manchas clarearam um pouco, o preto foi substituído por um marrom acastanhado a vinhoso (por causa da rede de vasos) e o quadro ficou estabilizado no topo da testa + ponto mais alto das bochechas.

Foi assim, testando dezenas de cosméticos e protetores solares, que o antigo Salada Médica— que funcionou de 2009 a 2013 — nasceu.

O Pedro deixou um comentário, ficamos amigos e no início de 2010 ele me mandou uma caixa com protetores asiáticos de diversas marcas.

Com os protetores asiáticos consegui montar uma rotina de fotoproteção ninja e o tratamento começou a funcionar de uma forma inacreditavelmente rápida.

A cada dia que eu olhava pro meu rosto a pele parecia melhor, mas as recaídas eram frequentes. Lembro que até o secador de cabelos ligado no quente fazia meu melasma escurecer.

Os ciclos de alguma melhora e importante piora se repetiram por pelo menos dois anos. Do nada, o rosto voltava a ficar bastante escuro.

Esse padrão só foi quebrado em 2012 ou 2013, quando comecei a usar os protetores 100% minerais.

As manchas começaram a esmaecer e ficaram em uma pequena parte da testa e bem no topo das bochechas, mas ainda era acastanhadas a vinhosas.

O que aconteceu no décimo ano de tratamento

Até meados de 2016 eu usava a Tretinoína alternada com Retinol e aplicava os despigmentantes da vez — usei praticamente tudo que tinha no mercado —de modo rotineiro.

Por esta época eu já havia assumido, coisa que ocorreu muito naturalmente, um comportamento mais minimalista. Quando dei por mim, já estava criando rotinas mais enxutas.

(Eu não planejo muito as rotinas, elas acontecem. Depois que estão montadas e estou repetindo regularmente os mesmos passos, vou compartilhando com vocês).

Minha dermatologista achou que a textura da minha pele estava muito  boa e era hora de voltar a tentar a Hidroquinona (medicamento) para remover a pigmentação mais profunda.

Ai sim, vi algo mágico acontecer.

Usei o medicamento por cerca de dois anos —fizemos uma dose de ataque seguida por um desmame controlado e posteriormente uma dose de manutenção semanal bem baixa — e permaneço desde então sem recaídas importantes, mesmo com a rotina minimalista.

Dada a resistência do meu melasma — cada caso é um caso — o plano da minha dermatologista era deixar uma aplicação semanal de Hidroquinona por tempo indeterminado (acompanhando sempre), mas, considerando o longo tempo de acalmia e o fato de me fotoproteger corretamente, resolvi arriscar e a exclui da minha rotina.

Substitui a Hidroquinona pelo Shiseido White Lucent Illuminating micro-spot serum  ( disponível também na Sephora Beleza na Web ), usei três frascos e estou com o último aberto, alternando com o clareador da Hadalabo que rende muito, hidrata bem e uniformiza o tom de pele por um valor bem inferior ao produto da Shiseido (a diferença principal deles é que o da Shiseido tem absorção mais rápida e deixa a textura da pele mais aveludada, mas ambos acalmam o melasma e reduzem o aspecto vermelho da pele).

Fotoproteção e tempo, portanto, foram os principais ingredientes.

O que a  hidroquinona fez, afinal? Ela acelerou a depuração do resto do pigmento que estava na parte mais profunda da pele.

Nossa programação é que eu só volte a usar a hidroquinona caso o melasma fique enfurecido e escureça de uma forma que a rotina atual não dê conta.

Vamos agora aos meus conselhos para quem deseja tratar o melasma.

É melhor não tratar do que tratar errado

Se você me pedisse um conselho eu diria que não comece a usar medicamentos para o melasma, sobretudo aqueles com ação esfoliante química ou os despigmentantes mais “fortes”, quando ainda não está habituada à fotoproteção.

A fotoproteção é a base de tudo e ela consiste tanto no uso de protetor solar em quantidade correta como no uso de roupas, chapéus e sombrinhas que sejam feitos de materiais mais opacos, ou seja, que reduzam a passagem da luz solar.

Em tese qualquer roupa que não seja completamente transparente oferece alguma proteção.

Caso você opte por não tratar o Melasma, sugiro considerar a hipótese de estabelecer uma rotina mínima de proteção solar porque é importante prevenir o surgimento de lesões actínicas —além da questão estética podem ser pré-malignas — e câncer de pele.

É melhor não tratar do que viver frustrada

O segundo conselho que eu dou é: não sacrifique hábitos que para você e sua família sejam importantes.

Adapte-se. É melhor um melasma mais escuro e um novo ciclo de tratamento do que viver frustrada porque deixou de ir para a praia ou parou de fazer um esporte que ama.

Para mim sempre foi fácil, primeiro porque o tratamento acabou virando hobby, segundo que nunca gostei muito de praia. Quando criança e adolescente ia porque todo mundo ia, não questionava muito.

O fato é que não gosto de me expor ao sol. Acho o calor desconfortável, acho dolorido, não gosto da pele pegajosa, enfim.

Não permita que ninguém exija que você sacrifique o que não quer sacrificar. A escolha tem que ser sua.

A Fotoproteção é um conjunto de estratégias

Simplifique-se.

Se você sai para dar um passeio usando uma camisa jeans de mangas longas está protegendo parte do seu corpo de forma muito eficiente, mesmo que o tecido não tenha um tratamento especial contra raios UV.

As roupas de proteção UV tendem a ser mais fresquinhas porque não precisam ter uma trama pesada para bloquear a luz, como  ocorre com uma roupa comum.

Elas são muito úteis para quem faz esportes, trabalha a céu aberto ou se expõe ao sol durante o deslocamento para o trabalho, por exemplo, porque nos fazem economizar tempo (e dinheiro porque o corpo consome muito protetor solar!).

O melhor protetor solar é o que você consegue usar todos os dias e para isso o produto precisa caber no seu orçamento, já que é fundamental usá-lo em abundância.

Não complique o que é simples usando seringas, copos-medida ou outras manobras.

Para os protetores líquidos e considerando o rosto, duas a três boas camadas são suficientes; já para os bastões, orienta-se oito passadas por área a ser protegida — quatro indo e quatro voltando. Fechou, é simples assim mesmo.

Se você está na praia ou local similar,  reaplique em abundância com uma frequência maior, hidrate-se adequadamente e use roupas de proteção solar sempre que possível. A área protegida pelas roupas, desde que de proteção solar ou com tecido de trama fechada, nem precisa receber produto. Economia de tempo e dinheiro, lembrem.

O uso de maquiagem ou a aplicação de um protetor com cor por cima do protetor “branco” parece ser muito importante para quem tem melasma porque os óxidos de ferro que compõem os pigmentos atuam como uma barreira física contra a luz visível, que em tese pode agravar as manchas.

Minha base favorita é a Studio Fix Fluid da MAC (uso a cor NC12). Gosto dela porque é muito versátil, aceita ser diluída tanto com hidratante quanto com óleo facial,  fica boa de qualquer jeito e quanto mais a uso, mais aprendo a lidar com ela. Não é a toa que esta base está na maleta de muitos maquiadores. Costumo produzir uma camada fina em todo rosto e aplicar um reforço nas regiões do melasma.

Além do reforço contra o dano solar, a maquiagem atua como uma camuflagem que melhora a aparência da pele, caso isso seja importante para você.

Dependendo de sua rotina, pode ser preciso lavar o rosto ao meio-dia para reaplicar o produto ou reaplicá-lo por cima da maquiagem ou fazer como eu, que trabalho em local fechado, faço: mantenho a maquiagem íntegra retocando-a com base em pó quando acho necessário.

Uso a base Studio Fix Powder da MAC mas bons pós compactos com cor, como o Fit Me da Maybelline, funcionam muito bem.

Até chegar à rotina de fotoproteção super prática que tenho hoje testei dezenas de produtos. Alguns ficaram em minha rotina por meses mas muitos foram aproveitados no corpo porque eu não conseguia usar no rosto na quantidade correta.

Sugiro que você comece testando protetores solares que sejam fáceis de comprar pela internet ou perto de sua casa. Dos mais baratos acho que vale muito a pena testar o Protetor Solar Facial Toque Seco Nivea Sun, que tem um preço excelente e parece se adaptar a vários tipos de pele.

Caso o protetor da vez funcione para você, aproveite-o no pescoço,  no colo e até no corpo.

Uma pergunta comum é: como sei que a proteção solar está funcionando?

Quando a cara se aproxima da cor da bunda

A cor natural da nossa pele é exatamente aquela que  sempre esteve protegida por roupas, como a pele das mamas ou a pele da área da calcinha do biquíni.

Se você não costuma tomar sol nua, em algum lugar do seu corpo há pele sem fotodano. Essa é a sua cor natural, em todo resto há dano solar.

Bebês não nascem com a cor do rosto diferente da cor do corpo. Isso é adquirido por dano solar.

Se você tomou muito sol no rosto durante a infância e adolescência (meu caso) é pouco provável que, mesmo desbronzeada, seu rosto fique tão claro quanto a sua bunda ou o seu pescoço, e o mesmo ocorre com qualquer parte do corpo.  A região com fotodano pode assumir um tom mais amarelado ou mais rosado do que a pele sadia.

Tomei muito sol no rosto, no colo e nos braços porque andava muito a pé usando camiseta, então minhas rotinas focam bem nestas regiões.

Mesmo sem tomar sol há anos, os meus braços são levemente mais escuros que minhas coxas e meu rosto é levemente mais escuro que meu pescoço. Vamos repetir? Isso ocorre em razão do fotoenvelhecimento.

Em suma, se sua pele desbronzear e se mantiver desbronzeada até o limite possível — couro curtido não clareia completamente—, a proteção está sendo eficiente.

Conhecer a sua pele e acompanhar a evolução da proteção solar é fundamental.

Meire, quais são os seus protetores solares favoritos?

A louca dos bastões

Para a fotoproteção do rosto tenho usado apenas o Clear Stick UV da Shiseido SPF 50+ (compro também na Sephora ou na Beleza na Web, vou pesquisando o melhor preço) porque ele já hidrata a minha pele e tem Licorice, uma plantinha anti-inflamatória que também ajuda na manutenção do melasma.

Após os passos iniciais da rotina diurna aplico umas dez vezes por área a ser protegida, arrumo com os dedos e pronto, já parto para maquiagem. Ele me faz economizar um tempo enorme pela manhã.

Só não indico esse produto com mais emoção porque muitas pessoas certamente não gostam dele, muito embora eu já venha recebendo muitas mensagens de pessoas que sucumbiram a essa maravilhosidade. Prometo que faço um post mais detalhado explicando exatamente como uso.

Se você quiser testar um bastão facial  mais sequinho, indico o  5km da Pink Cheeks.

Para a fotoproteção do corpo tenho usado o Bioré UV Perfect Milk, mas assim que meu estoque acabar vou voltar para o Bastão Shield da Pink Cheeks, que já recomprei.

Quem tem melasma precisa usar Vitamina D?

Depende.

Se eu não tomar suplemento de Vitamina D eu fico com deficiência porque não tomo sol nem no rosto nem no corpo e em casa usamos cortinas que impedem a entrada de raios solares.

Cada caso é um caso. É possível que boa parte das pessoas que usa protetor solar regularmente não precise de suplementação.

Compro na Amazon. Uso a Vitamina D da Healthy Origins ou da Now.

Então, meninas, quando alguém me perguntar como o meu melasma clareou, já tenho um post de referência.

Beijos,

Meire

 

 

 

 

 

 

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14 comentários em “Meire, como o seu melasma clareou?”

  1. Meire, você é maravilhosa, obrigada por compartilhar tanta informação útil 🙂 Eu tenho melasma pré-Meire (escuro e sem esperança de melhora) e melasma pós-Meire (super controlado, clarinho, nem ligo mais pra ele). Um beijo, Janaína

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Meire! Tu consegues reaplicar o protetor sobre a pele maquiada, ou tem que demaquilar? Sugestão de post: todas as formas de diluir e/ou usar a Studio Fix líquida . Também amo ela , apesar dos meus 45 anos ! Bjs 🥰🥰😂

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  3. Meire querida. Q texto fácil de ler , pratico e eficiente. Obrigada por compartilhar . Adorei as dicas , ja irei por em pratica. O protetor da nivea comprei em promoção para conhecer e gostei muito , recomprarei. Bjs

    Curtido por 1 pessoa

Obrigada pela visita ;)

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