[Bate-Papo] Cor-de-rosa com gotas de sangue

Por @meire_md

Sou uma pessoa tipicamente ansiosa e, embora nunca tenha recebido indicação de medicamentos ou de outro tipo de tratamento especializado, sinto-me super bem quando mergulho em atividades contemplativas.

Eu preciso delas.

Olhando carinhosamente para meu passado, vejo que em algum momento da infância comecei a perceber que executar atividades que não dependem da ação ou da companhia de terceiros me deixa mais resiliente, mais feliz e mais segura.

Considerando que você não é uma pessoa com tendências autodestrutivas, possivelmente já percebeu que também reproduz hábitos que geram felicidade.

Muitas pessoas relatam sensações de paz e tranquilidade com atos  tão simples como correr, jogar paciência, bordar ou rezar, por exemplo.

Eventualmente, cada um acha a tampa da sua panela.

Aprecio bastante o meu trabalho, mas a irregularidade dos horários — não tenho hora certa para almoçar nem para encerrar o segundo expediente, por exemplo — e a necessidade de interagir com várias pessoas (ainda que goste muito delas) me deixam bem cansada.

Por mais que você ame o seu trabalho, é trabalho.

Rx

Quem tem TDAH e/ou TOC ou qualquer outra limitação sabe o quanto precisa se esforçar para funcionar bem.

O “tratamento” diário para o meu cansaço mental começa logo depois do lusco-fusco.

Veja a prescrição.

Trata-se de uma terapia crepuscular (inventei agora, gostei) baseada em ficar sozinha, longe de gente, longe de telas e colada no barulho do silêncio caótico de uma mente que resiste a desacelerar.

Não sofro por pouco saber, nem por esquecer

Minha atividade contemplativa favorita é ler.

Não tenho a menor ideia do que boa parte dos filósofos pensa e certamente não li —nem vou ler— muitos dos clássicos “tem que ler”.

Aliás, se alguém chegar para mim dizendo que eu “tenho que” já pego ranço da pessoa e da indicação.

Não sou intelectual nem dependo das minhas leituras para sobreviver. Não sou obrigada a ler.

Leio pela contemplação, pelo remédio que é, pelo prazer, pela necessidade, para fugir da realidade, para o meu eu que gosta de ficar sozinho.

O melhor da leitura pode ser … o momento da leitura.

Sabe aquele livro que você leu, amou, achou que marcou a sua vida mas, passado algum tempo, você não consegue resumi-lo porque esqueceu o nome da personagem principal ou até como a história termina?

Isso é normal. Quando novinha li muitos livros que certamente contribuíram com muitas das habilidades sociais e do conhecimento sobre a natureza humana que tenho hoje, mas não sou capaz de recontar nenhuma história lida naquela época.

Não lembro. As lembranças podem voltar quando vejo alguma série ou filme e reconheço a referência.

Os livros cujos conteúdos fixo melhor são basicamente os que separo para resenhar. Se eu não tiver vontade de tomar notas, até penso em resenhar, mas a resenha não sai.

Se coloco como meta fixar, faço anotações durante a leitura ou assim que a finalizo, providências que me ajudam a reter o conteúdo e consequentemente a resgatá-lo mais facilmente.

Quando a intenção é ler para viajar, as HQs são quase imbatíveis.

Quem nunca gostou de histórias em quadrinhos?

Crianças alfabetizadas mostram sinais de nerdice muito cedo e entre elas parece haver (fonte: vozes da minha cabeça) um apreço particular pelas histórias em quadrinhos e uma baixa tendência ao tédio, já que se divertem com sua própria imaginação.

Crianças nerds são contemplativas e tendem a ter um raciocínio bem organizado. A infância e a adolescência não voltam, mas a magia das Graphic Novels (histórias em quadrinhos/HQs) nos faz retroceder no tempo.

Penso que a explicação para a existência de histórias em quadrinhos voltadas às pessoas que já passaram da adolescência esteja, pelo menos parcialmente, nesse resgate da contemplação infantil.

Sou fã de histórias em quadrinhos, e meu reencontro com elas tem sido bastante interessante.

Lady Killer (Volumes I e II), de Joële Jones (e coautores)

A DarkSide Books nunca decepciona.

Para quem gosta de histórias que envolvem crimes, a Graphic Novel Lady Killer é um Tupperware cheio.

Josephine Schuller é uma dona de casa gentil que inicialmente mora em Seattle com o marido Eugene Schuller, as adoráveis gêmeas Jane e Jessica, o cachorro Duke e a sogra, uma alemã rabugenta.

Sua vida aparentemente pacata não seria nada diferente da experimentada pelas donas de casa norte-americanas se não fosse por um pequeno detalhe: Josie trabalha como matadora de aluguel.

A história é ambientada no início da década de 60 — a menção à Feira Mundial de Seattle entrega o ano exato dos eventos ocorridos no primeiro volume — o que se reflete nas roupas, nos eletrodomésticos e na decoração das casas.

No segundo volume, tão ricamente editado quanto o primeiro, a família está morando na Flórida.

Os dois volumes são introduzidos por Tori Telfer, a autora dos excelentes não ficcionais ‘Lady Killers’ e ‘Mulheres Confiantes’.

Os dois volumes são ilustrados pela própria Joële e a história do primeiro conta com a colaboração de Jamie S Rich.

Agora nos resta torcer que a história do volume I e do volume II realmente se transforme em filme ou série.

Beijos!

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4 comentários em “[Bate-Papo] Cor-de-rosa com gotas de sangue”

  1. Não me recordo de ler HQs, minha infância e adolescência foi praticamente resumida a livros de Agatha Christie, textos clássicos do teatro e apostilas de escola/cursinho
    Se li além disso não consigo me lembrar de jeito nenhum👀😰

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi, Meire!! Resumiu o que eu sentia e não sabia expressar: “O melhor da leitura pode ser… o momento da leitura”. Obrigada.

    Como uma [ex] leitora voraz, já me senti culpada por não lembrar de vários livros que li (“li rápido demais?” ou “será que não li direito?”), quando, na verdade, eu só lia como lazer mesmo, pelo ~momento da leitura.

    Infelizmente, desde julho, eu meio que perdi a felicidade e a empolgação de ler e tá difícil voltar. 😦 Só consegui terminar um livro (releitura) e uma HQ nesses meses e estou arrastando no quarto (um livro de contos) (abandonei o terceiro, *chorrindo*).

    Gosto demais de HQs, inclusive essa que eu terminei também é da DarkSide (A Menina do Outro Lado), mas tendo onze volumes e o valor que a editora cobra, acho que pararei no primeiro mesmo.
    Eu tive uma época de ler muito mangá (amoooo Junji Ito) e as histórias do Motoqueiro Fantasma (meu preferido). Também li umas do universo de Alien que foram bem legais.

    Curtido por 2 pessoas

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