Uma breve história das mentiras fascistas

Por @blogdamnq

Os líderes fascistas do século XX consideravam mentiras como verdades encarnadas por eles. Esse era o ponto central das noções que tinham do poder e da soberania popular.

Um universo alternativo digno das críticas sociais de Star Wars, só que, aqui, ficção e realidade não podem ser separadas, pois se baseiam na lógica do mito. No fascismo, a verdade mítica substituiu a verdade factual. 

Uma Breve História das Mentiras Fascistas

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Mentir é uma ferramenta muito utilizada em governos totalitários. Alunos do ensino médio em todo o mundo absorvem essa informação por meio das obras de George Orwell

Mas os mentirosos acreditam em suas próprias mentiras? Como as justificam? Qual a relação entre a mentira descarada, a oportunista e a ideológica? Em Uma breve história das mentiras fascistas, o historiador argentino Federico Finchelstein examina essas questões dentro do fascismo. 

O resultado é um exame lúcido de como o fascismo não apenas    abraça as mentiras, mas as coloca em uma estrutura irracional de “verdade” que serve a fins políticos. 

Na essência do livro está a compreensão de Finchelstein de como os fascistas historicamente definiram a verdade. Para eles, o que era “verdade” não era algo verificável. Em vez disso, “o fascismo propôs a noção de verdade que transcendeu a razão e foi encarnada no mito do líder“, como cita o autor.

Ele diz que: “No fascismo, a verdade era considerada real porque estava enraizada nas emanações emocionais da alma, imagens e ações que os fascistas identificavam com a ideologia política”.

Assim, para os fascistas, ‘mentiras’ não eram tanto negações da verdade, mas rejeições do ‘mundo real’ em favor de um idealizado que se encaixava em suas crenças espirituais sobre o que deveria ser. Eram declarações de fé em uma “verdade” mais profunda.

Finchelstein dedica um capítulo à reação fascista à psicanálise. Os fascistas recuaram diante da ideia de examinar racionalmente o subconsciente ou a personalidade; “o fascismo renunciou à autoconsciência e colocou em seu lugar uma verdade divina supostamente emanando de um eu purificado”.

Fascismo X Masculinidade Tóxica

Em entrevista à TV 247, Finchelstein disse que “o fascismo está ligado à masculinidade tóxica. “[O fascismo] é uma forma particular de masculinidade, não é a masculinidade, mas uma masculinidade chauvinista e machista”, afirmou.

Quem é Federico Finchelstein?

Professor de história na New School, em Nova York, doutor pela la Cornell University, lecionou na Brown University. Autor de obras sobre fascismo, populismo, o Holocausto e ditaduras.

Em seu livro anterior, Do Fascismo ao Populismo na História, traçou a transição do primeiro para o último. O fascismo propôs uma ‘verdadeira democracia’ por meio de uma comunhão espiritual entre o povo, o estado e o líder em uma ordem autoritária. 

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2 comentários em “Uma breve história das mentiras fascistas”

  1. Conseguimos fazer um paralelo com a atual situação política no Brasil e também com a série O conto da Aia (que inclusive está revirando minhas entranhas)…😬👀🥺

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    1. Bom demais esse raciocínio que puxa fios de várias meadas. Estava conversando isso com Igor ontem, que as pessoas com as quais a gente mais se dá bem raciocinam assim!

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