[Meu Querido Diário] É nóis

Dedicatória: A parte que lhe cabe é toda sua, querida A.P.    

Atenção: Nada neste post se refere a pessoas com transtornos/doenças mentais. As referências/críticas são ligadas a comportamentos e escolhas.

Por @meire_md

Tenho muitos demônios com os quais lidar e desde que me entendo por gente atormentar outras pessoas por causa deles é algo que reprimo ativamente (isso não significa que eu sempre consiga).

Os demônios são meus.

As pessoas costumam dizer que é muito fácil lidar comigo, e talvez isso seja verdade. Ou não.

Não lido bem com pessoas procrastinadoras, tenho um forte senso de respeito por hierarquia, apego ao cumprimento de normas e meus métodos para solucionar um problema sempre colocam a viabilidade e realidade em primeiro plano.

Dentre as características que mais admiro nas pessoas estão a capacidade de se esforçar e a de não transferir a culpa de seus fracassos ou outros problemas para terceiros.

Procuro não reclamar das coisas sem refletir repetidamente. Tento encontrar justificativas para que aquilo tenha ocorrido ou esteja acontecendo porque sei o quanto sou exigente comigo e com os outros e ninguém merece conviver com quem enche o saco.

Às vezes as coisas simplesmente não podem ser do jeito que queremos. 

Como procuro lidar pragmaticamente com as adversidades da vida – atribuo o fato de ser uma pessoa essencialmente feliz em razão disso – por vezes, não consigo compreender bem quando vejo as pessoas complicando ainda mais sua própria existência e tornando a dos outros mais difícil.

Possivelmente todas as dificuldades que passei e passo na vida ou me calibraram para amplificar os bons momentos e mitigar as sensações dos momentos ruins ou escolhi fazer isso. Ou as duas coisas.

Mas os meus maiores demônios não aparecerão neste post. Ainda estou lutando com eles.

This is Us

This is Us’ é uma série da Amazon Prime Video que certamente é uma das minhas favoritas da vida. Gosto muito. Mas ela é rica em personagens com os quais eu não gostaria de conviver. 

Fujo de pessoas que ruminam e insistem em reciclar problemas.

A série mostra gente que se esforça voluntariamente para se manter presa ao passado, que complica relacionamentos por apego a irrelevâncias, que torra a paciência de quem diz amar, que ultrapassa limites e continua discussões quando os ânimos estão exaltados, que não supera adversidades nem é capaz de ver o quanto é privilegiada.

A incapacidade de enxergar os próprios privilégios é algo bastante comum no meio em que vivo.  Esse é o demônio de muita gente, certamente.

Que meus demônios não respinguem em ninguém

Tenho uma personalidade classicamente descrita como ansiosa e, para minimizar isso, organizo minha rotina e antecipo obrigações, o que é ótimo.

Mas, mesmo sendo uma pessoa bastante otimista e conseguindo rebater pensamentos ruins,  frequentemente sofro por antecipação e imagino cenários catastróficos do nada. Quem tem que lidar com isso sou eu.

Se temo que meu marido seja atropelado enquanto está se exercitando ao ar livre ou que se distraia no trânsito o problema é meu, não vou pressioná-lo para que mude de ideia, tampouco exigir que fique me telefonando. 

Tudo que posso fazer é, absolutamente sempre, dar-lhe um beijo, aconselhá-lo a tomar cuidado para que seu senso de atenção seja estimulado diante de um risco e reforçar o sentimento de que vale a pena voltar para casa são e salvo.

Dou meus pulos para relaxar, e relaxo mesmo.

Você conhece os seus demônios? Como os domina?

Certamente você também tem os seus demônios.

Os meus não são pequenos nem suaves como o do exemplo que dei acima. Pareço plena mas não sou (e quem realmente é?).

Por ser muito empática e tender a abarcar o mundo com as pernas tenho que me lembrar constantemente que não devo sofrer por pessoas que não aceitam ajuda.

Ainda assim sofro, mas insistir na lembrança de que não sou responsável por todo mundo que amo tem me ajudado bastante.

A culpa é das Estrelas

Uma colega me deixou uma mensagem que é pura aflição.

Seu pai não aceita receber a imunização contra o microorganismo da vez e, embora seja médica, ela não consegue convencê-lo. E isso tem gerando um conflito familiar desconfortável e saraivadas de microagressões de um lado e outro.

Palavras ditas em momentos de forte emoção podem ferir. As pessoas ficam propensas à irracionalidade. 

É preciso saber a hora de parar. O que começa com amor pode acabar numa ruptura familiar.

Insistir quando tudo já foi dito e o interlocutor, que é inteligente mas tem opinião formada, segue impermeável e está em plenas condições de saúde mental, não rende bons frutos.

Adultos fazem escolhas.

O pai certamente conhece a filha maravilhosa que criou, mas ainda assim optou por não confiar em seu juízo profissional  nem aceitar o seu conselho de filha zelosa.

Colega, você exerceu fortemente sua obrigação como médica, cidadã e filha. Procedeu os esclarecimentos repetidas vezes, orientou, esteve e continua disposta a mitigar quaisquer dúvidas.

Tendemos a tratar nossos pais como crianças. Eles não são. 

Quem não aceita se vacinar está sendo duplamente irresponsável, tanto consigo mesmo quanto com suas obrigações enquanto cidadão.

Se a pessoa em questão não imputa essa má escolha a uma criança ou a outra pessoa que dependa de suas decisões,  não há muito o que fazer.

Não há cadeia para proteger um cidadão do seu desleixo contra si mesmo.

A.P,  caso seu pai seja acometido pela doença e vier a sofrer complicações, a culpa não será sua.

Meire

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