Cuecas no micro-ondas (flopar ou não flopar, eis a questão)

Por @meire_md

 

Pareço uma pessoa bastante empática, certo?

Mas a verdade é que caio na gargalhada vendo vídeos nos quais a pessoa está plena, sentindo-se maravilhosa e no auge do poder, luxo e sedução, mas escorrega e se esborracha no chão.

Tomo esse direito como natural porque quando é comigo sempre acho engraçado – parece que tenho oito cotovelos e eles conseguem se chocar de diferentes formas contra todo tipo de superfície.

Um post que flopa deixa você no lugar da pessoa que se esborracha, porque se você postou é porque achou que estava bom, né?

Quando gosto muito de um post e ele flopa, as consequências são mais ou menos iguais às das múltiplas cacetadas no cotovelo: não dói quase nada, acho engraçado, prometo que vou tomar mais cuidado da próxima vez, mas… acontece de novo, isso tudo faz parte de mim.

Eu nasci pra isso.

Próximo destino: flopar

A forma de expressão que hoje conhecemos como Blog começou a se popularizar há uns 20 anos. Segundo as vozes da minha cabeça, eles nasceram sem nenhuma pretensão muito específica.

Os Blogs primitivos funcionavam como um Diário de Adolescente no qual você escancarava suas ideias sem cogitar minimamente que uma década depois estaria em busca de likes e compartilhamentos pilotados por pessoas que na verdade nem se importam tanto assim com você.

Da mesma forma que ocorre na vida real, as pessoas que nos seguem e se tornam queridas sempre serão minoria.  Boa parte das pessoas esquecerá você (e me esquecerá) na mesma velocidade que você e eu esquecemos de outras pessoas, isso é completamente normal.

Quando tudo aqui era mato, ninguém (ou quase ninguém) buscava compensação numérica.

Não fazia diferença se muita gente lesse ou não, o que a gente queria era ter bons leitores, leitores que parassem de verdade para saborear o texto.

Se eram raros antes, continuam raros hoje.

Essa compensação mais intimista é totalmente diferente da promovida pelos algoritmos de hoje, e está tudo bem.

As coisas mudam mesmo.

Sem invadir o espaço do outro

Eu e meu marido nos conectamos com troca de conteúdo na internet e tenho certeza de que o encontro não teria acontecido se ela não existisse, pois embora sejamos como alma-gêmeas, circulávamos em universos diferentes.

Uma das nossas primeiras conversas foi sobre o risco nada teórico de promover um incêndio doméstico secando roupas íntimas de material sintético em fornos de micro-ondas, leia-se cuecas, e sobre como remover o aspecto oxidado de peças de prata com um método caseiro usando água, fogo e papel alumínio.

Embora eu esteja na contramão do progresso, gosto disso, dessa aleatoriedade  do texto escrito sem programação, sem tentativas de se encaixar no que está fazendo mais sucesso.

O Salada voltou à ativa sabendo que traria posts destinados a flopar.

Não resisto a nada que é novo (pelo contrário), mas quando o assunto é blog, continuo fazendo como fazia lá atrás e muito feliz com as visitas de quem gosta da minha forma vintage de produzir conteúdo.

É como falar para um auditório lotado

Quem está aqui quer saber o que eu penso sobre alguma coisa. Se isso não é suficientemente incrível para alguns, para mim é.

Quando as estatísticas do Blog mostram que basicamente todo mundo que entra para ler um post acaba lendo outros, vejo que não tenho motivos para deixar de publicar algo aparentemente destinado a flopar.

Às vezes acho que vai flopar e não flopa, às vezes que vai ser super apreciado, mas é escanteado sem a menor cerimônia.

A conclusão é que as pessoas que chegam ao Salada são tão aleatórias quanto eu.

Se você quiser saber os posts que despertaram o mais profundo desinteresse nos visitantes do Salada Médica e os que me surpreenderam, vem comigo.

Flopadas Internacionais

Aqui cito os oito posts que saíram da publicação direto para a mais profunda caverna do esquecimento.

Eu me surpreendi com a flopada de Fahrenheit 451 porque foi um dos poucos que sentei umas horinhas para divulgar, porém a surpresa se dissolveu completamente quando percebi um padrão de consumo dos meus leitores.

Ficção científica é um nicho nerd extremamente estimulante para mim, para o Igor, para o Gomú e para poucos gatos pingados.

Se consumidores de livros são minoria, somos uma minoria maior ainda. Minoria maior? É.

Penso que este foi exatamente o mesmo problema de Neuromancer e de Frankestein ou o Prometeu Moderno.

O Salada não tem um número de leitores suficiente para evitar que posts sobre livros clássicos de ficção científica caiam no Buraco Negro.

Estes três posts certamente estão entre aqueles que mais gostei de escrever.

Algo de muito errado não deu certo com O Demônio do Meio-Dia & Outros. Minha ideia  foi fazer um guia de leitura para pessoas com depressão e outros transtornos mentais. Acredito que o problema deste post foi a forma que escrevi mesmo e não sei como melhorá-lo.

Se alguém dissesse que ganharia cinco anos de vida se apontasse qual flopada me deixou arrasada, eu exageraria ao máximo o meu sofrimento e arrancaria do fundo do meu ser a sensação  de ver o post  A Divina Comédia  ser esquecido no dia seguinte, mas também entendi.

Quem, pelo amor de Dante, quer ler um post longo sobre A Divina Comédia? Quase ninguém.

Nele fiz um guia turístico para orientar quem deseja ler o livro.

Duas outras flopadas também se referem a resenhas de livros que estão entre os meus favoritos, A Queda e O Que o Cérebro tem para contar. Não acho que estes posts floparam porque versam sobre temas que são preferência de minorias das minorias muito minoritárias. Acho que estão ruins mesmo, estão meio fora do meu estilo de escrever.

E o oitavo é o Malleus Maleficarum, livro que me irritou profundamente e só virou resenha porque eu tinha muita coisa a falar sobre ele.  Essa flopada poderia ter sido evitada porque eu já sabia que aconteceria.

Certamente acontecerá o mesmo se eu resolver postar o que tenho a dizer sobre Cândido, de Voltaire.

Achei que sim, só que não

Neste bloco cito os posts que pari pensando que ou iriam cair no esquecimento nos primeiros segundos após a publicação ou iriam ter performance ruim, mas continuam recebendo muitas visitas.

🎯 Erros Sistemáticos & Falácias de Discurso

Das coisas que vou morrer e não entendo. Este post ficou meses no rascunho porque tinha mais de 20 laudas e fui reduzindo-o aos poucos, até conseguir deixar com umas 11.

Eu tinha quase certeza que ninguém iria ler, mas até hoje recebo no Instagram mensagem de pessoas que dizem que já releram várias vezes, já passaram para colegas da faculdade, que divulgam em grupos no WhatsApp, enfim.

Foi uma boa surpresa.

🎯 Os psicopatas do nosso dia-a-dia

Como falo muito sobre esse tema achei que vocês iriam pensar assim: ah, não… de novo!

🎯 A riqueza da vida simples

Gosto muito desse post.  Eu não esperava que floparia mas também não acreditava que fosse continuar recebendo visitas praticamente diárias. As pessoas do Google gostam bastante dele.

🎯 Mamãe, não quero ser Prefeita

Não sei como as pessoas estão chegando a esse post, mas o fato é que ele continua sendo lido. Obrigada! Gosto muito dele.

🎯 Tô ótimo

Como é um post sobre doença/saúde mais voltado à Medicina Preventiva, achei que ele teria um comportamento parecido com o que ocorreu quando o tema foi levantado no Instagram, mas foi o contrário.

Aqui no Salada ele é bastante apreciado.

Os cinco mais lidos de 2021 (até maio)

Eu já esperava que estes ficariam em algum ponto do topo das preferências porque são temas que vocês me pedem bastante.

Amei escrever, amei publicar, vocês amaram.

São eles:

🍓 TDAH: Do diário infantil à Assistente Virtual

🍓 Como cuido do Meu Melasma

🍓 Dicas práticas para a limpeza da sua casa

🍓 Os dentes também envelhecem

🍓 É possível viver de renda (FIIs)?

Beijos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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5 comentários em “Cuecas no micro-ondas (flopar ou não flopar, eis a questão)”

  1. Aproveitando o tema incêndios com microondas pra compartilhar um causo de um colega do ensino médio, que perguntou pro professor de química porque que sorvete no microondas pegava fogo. O professor ficou ????? e pediu pra explicar como ele fazia. Ele embalava com papel alumínio hehehehe

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  2. Ai, ri muito com o post. Mas fiquei sentida que dois favoritos meus apareceram nos flopados KKKKKKKKKKK

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  3. Ah como eu queria que vc visse a minha cara toda vez que leio: Beijos…

    É um misto de angústia com tristeza… fico sem chão…. sabe quando o livro está no ápice e vc precisa parar a leitura?! Toda vez sinto isso quando acaba um post seu…😅🤣🙈

    Eu ri muito no início, apreciei o meio e me entristeci pq acabou muito rápido…😅🙈

    Esse post é daqueles que vc tira print e relê varias vezes… é quase um manual de como sobrevier nas redes sociais sem ser engolido pelas superficialidades do momento e sem se deixar levar por mais do mesmo em busca de curtidas e afins… amei e lerei mais vezes… quase um mantra❤️

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