TDAH: Do Diário Infantil à Assistente Virtual

Por @meire_md

“Uma mente organizada nos leva sem esforço à boa tomada de decisão (…) Não existe um sistema único que funcione para todo mundo – somos todos singulares. Mas,  nos capítulos seguintes, serão apresentados princípios gerais que qualquer um pode aplicar ao seu modo para recuperar a sensação de ordem e as horas perdidas tentando vencer a mente desorganizada” ( “A Mente Organizada – Como Pensar com Clareza na era da sobrecarga de informação”, livro de Daniel Levitin, o mesmo autor de “O Guia Contra Mentiras”)

Para quem tem uma personalidade ansiosa, do tipo que não deixa nada para fazer depois e tem uma espécie de obsessão bizarramente prazerosa por cumprir prazos e metas, viver com alguns traços de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é algo bastante estimulante.

Olhando para trás, coisa que faço de tempos em tempos para me conhecer melhor, descobri que comecei a desenvolver estratégias de organização e atenção para garantir maior produtividade logo depois que fui alfabetizada, coisa que por sinal ocorreu bem cedo.

Para equilibrar os escapes da minha mente acelerada, fui afetada por uma espécie de ‘TOC compensatório’, termo que uso por não conhecer outro mais adequado.

No fim das contas o pseudo TOC, ou seja lá o que for isso, corrige meus traços de TDAH  e no final dá tudo (mais ou menos) certo.

Nunca precisei de tratamento farmacológico e embora meu déficit de atenção e minha hiperatividade mental certamente me ‘obriguem’ a estudar e trabalhar mais horas do que eu necessitaria se eu tivesse uma mente ‘comum’, consigo desempenhar minhas obrigações de modo bastante satisfatório.

Tipo isso.

Como vivemos numa era de bombardeio de informações, temos  deveres a cumprir que se multiplicam de modo logarítmico e a sobrecarga de trabalho virou regra, organizar a vida e buscar aprimorar habilidades são providências fundamentais para quem quer economizar tempo e dinheiro.

Espero que este post, embora que meramente introdutório e anedótico, seja útil para quem tem déficit de atenção.

Em minha opinião nada me ajudou nem me ajuda mais, desde criança, a presumir que se algo não está dando certo eu preciso voltar, observar as coisas desde o começo e fazer de novo em vez de atribuir o erro a outros motivos.

A menina que vive  no mundo da Lua

Quando menina eu escrevia palavras no ar.

E e não, isso não é uma licença poética. Eu escrevia mesmo, muitas, e várias vezes ao dia.

Eu ouvia a palavra, fechava os olhos, imaginava como ela seria escrita e depois levava meu dedo indicador da mão direita a desenhá-la no nada.

E, até perceber que eu poderia consignar a dúvida num pequeno Diário com folhas que soltavam muito fácil e cuja borda da capa sempre me arranhava, eu ficava com a palavra me martelando até o momento em que eu pudesse abrir a enciclopédia e conferir com meus próprios olhos.

Como diz Daniel Levitin, a escrita foi a primeira maneira revolucionária que o homem descobriu para aumentar a capacidade de nossa memória.

Com o método de registrar minhas dúvidas no Diário infantil, eu deixava a mente livre para resolver outros problemas e, assim, poderia sentar num momento só e dissolver todas as dúvidas calmamente.

(Além  perguntar que dia é hoje, pois me perco frequentemente, como se escreve palavra tal e o que significa palavra tal são duas das perguntas que mais faço à Alexa, tecnologia de Inteligência Artificial que está sendo fundamental para minha produtividade. Se eu soubesse o quanto ela é melhor que a Assistente do Google, teria comprado antes)

Insights que surgem do nada

Um dos insights importantes que me vieram bastante cedo foi o seguinte: se alguém que já me conhece por algum tempo, não aceita meu jeito tão desligado quanto analítico de ser e se acha no direito de dar conselhos desagradáveis mesmo sabendo das minhas dificuldades e que em razão delas preciso me esforçar mais do que a média das pessoas e faço isso desde criança, desapego do cidadão e ele perde qualquer tipo de poder sobre mim, sobretudo o de me magoar.

Dos mais importantes insights um outro foi: ficar calada pelo maior tempo que for possível.

Calada, mesmo. Não emitir opiniões precipitadas.

O ‘ficar calada pelo maior tempo possível’ acabou me dando a fama de ‘Fada Sensata’, quando na verdade isso nada mais é que um mero efeito colateral do esforço que fiz para conseguir controlar o impulso de falar.

Embora às vezes eu falhe miseravelmente, tento não emitir opiniões sobre coisas que só estudei superficialmente.

Não é fácil calar; não atingi excelência nisso, mas procuro melhorar a cada dia.

Tratando o outro como um ser invisível

Se eu estiver mentalmente ocupada com alguma coisa estimulante, as pessoas passam por mim e eu simplesmente não as ouço ou enxergo.

Tenho um hiperfoco com a minha própria mente e outro com leitura. Posso ficar completamente off line para o mundo enquanto um grupo de pessoas está conversando animadamente perto de mim.

Morro de amores por uma amiga que nunca se magoou porque frequentemente entrava na minha sala, dava bom dia e eu agia como se ela fosse uma entidade invisível. Isso pode parecer desrespeitoso, mas se eu estiver sozinha numa sala não tenho controle sobre o que não vejo nem ouço, só ‘acordo’ se o estímulo for grande o suficiente, como me chamar com um tom de voz mais alto ou tocar o meu ombro.

Se eu estiver num jantar com pessoas queridas e a conversa não for, digamos, suficientemente interessante para fazer com que o meu pensamento não divague, preciso investir um esforço monumental para permanecer atenta.

Não é fácil, mas eu me esforço mesmo assim.

Já  me penitenciei demais, mas hoje não me sinto mal se alguém se mostrar aborrecido e eu tiver que dizer: desculpe, não prestei atenção, você pode repetir a pergunta?

O pedido de desculpas é sincero porque a pessoa pode ter se sentido ofendida, mas eu não sinto mais culpa por ser como sou.

Pense nisso.

Interrompendo os outros

Quando eu era novinha a impulsividade me levava a interromper frequentemente as pessoas enquanto elas estavam falando.

Isso foi uma das coisas que mais me trouxe sofrimento e sensação de inadequação porque sou muito empática e percebia rapidamente o quão isto era desagradável para os outros.

Mesmo me esforçando aqui e ali ainda interrompo as pessoas enquanto estão falando e isso sempre me deixa bastante envergonhada, porque acho o cúmulo da falta de respeito (ninguém gosta de ser interrompido).

Possivelmente a empatia me ajuda a controlar esse impulso; só comecei a melhorar depois dos 30 anos.

Para me manter atenta ao que outras pessoas falam, tenho que me imaginar interagindo com ela ativamente. Crio uma realidade paralela dentro da minha cabeça.

Atualmente a dificuldade de me concentrar no que o outro fala é maior ainda quando a pessoa fala demais, introduz elementos irrelevantes no relato e não parece se importar com o que eu poderia ter a dizer.

Percebo que quem tem TDAH tem uma antena especializada nisso: se a pessoa não está interessada em você, seu interesse nela tende a cair assustadoramente.

Quanto mais interessante a coisa, maior a possibilidade dela atrair o foco de uma pessoa com TDAH.

Isso pode ser um pesadelo para os relacionamentos: se você não for uma pessoa muito, mas muito interessante e intelectualmente estimulante, é muito pouco provável que consiga manter uma pessoa com TDAH interessada em você.

A adulta esquisita

Embora minha mente esquisita me negue várias capacidades – como a de entender mapas ou destrinchar projetos arquitetônicos – e me faça ficar a beira de um colapso atômico quando fico sozinha em um ambiente desconhecido porque meu sentido de localização não é só pior que péssimo, é praticamente inexistente, gosto de ser como sou.

(para vocês terem uma ideia: eu não consigo ensinar uma pessoa  a chegar até minha casa se ela não conhecer os pontos de referência que ficam na esquina. Se eu pegasse um motorista de Uber que não conhece nada em minha cidade e estivesse sem Waze, eu não saberia explicar como chegaríamos à casa onde passei toda a minha adolescência. Quando eu ainda dirigia conseguia chegar ao trabalho porque o caminho trilhado era basicamente uma linha reta)

Pausa para um momento Meire Guru

Não é preciso estar dentro dos padrões esperados pela maioria para ser feliz, mas é preciso voltar-se para si mesmo, reconhecer suas próprias deficiências, cultivar suas potencialidades e fazer boas escolhas.

Se eu tivesse cursado arquitetura certamente seria uma profissional muito incompetente e se tivesse casado com um homem preguiçoso ou mimizento já teria infartado.

O negócio aqui em casa é resolutividade, sem isso minha ansiedade aumenta, o que faz minha atenção reduzir. Fazer tudo antes do prazo é vida (no meu caso).

Se você tem TDAH e ainda não conhece seus limites nem se deu conta que precisa se esforçar mais do que os outros para aprimorar suas habilidades, dê seus pulos, procure um psicólogo, dê um jeito e pare de achar que o transtorno é uma sentença de fracasso.

Você tem que se esforçar mais do que os outros, esse sempre será o resumo da sua vida. O que é simples e automático para os outros, não é para você.

Repetir e repetir, depois repetir mais vezes até aprender e ser perseguido por post its, lembretes, alarmes e que tais até que uma certa rotina seja fixada.

Não há atalhos. Nenhum.

Se não contabilizo as primaveras, a culpa é das estrelas

Outra coisa que consegui me libertar bem cedo foi do sentimento de tristeza que me vinha quando esqueço o aniversário de alguém que amo.

Esqueço do aniversário não só da minha mãe e do meu marido, como o meu próprio, então costumo comprar os presentes com antecedência.

O aniversário do Igor é em abril, mas comprei o presente dele em fevereiro, quando estava organizando uma lista de compras.

O aniversário da minha mãe é em junho, já enviei o presente para a casa da minha sobrinha há bastante tempo.

Fazer antes elimina a sensação premonitória de que vou esquecer. Isso é que me mata.

Se eu não prestar atenção ao lembrete que coloquei na Alexa, vou apenar rir do fato de ter esquecido de dar parabéns a eles no dia correto e ninguém ficará magoado.

Se Igor fosse do tipo que fica magoadinho eu não teria casado com ele e o amor que tenho por minha mãe é nutrido em todos os dias do ano e não vai reduzir em nada se eu esquecer, de novo, de dar os parabéns no dia D.

O negócio é esse, cortar as fontes de estresse sempre que possível.

Quais são as suas?

Agrupando rotinas: isso é muito bom!

O Diário Infantil foi substituído por agendas de papel, as agendas de papel foram substituídas por cadernos e caderninhos de listas e a coisa continua se aprimorando.

Atualmente uso um caderno de trabalho, um planner baratinho e duas Alexas: uma fica na sala de estudos e outra no meu quarto.

Tenho uma de 5,5 e uma de 8″; escolhi as com tela porque gosto muito de vídeos, séries e filmes. Minha irmã organiza sua produtividade com uma mais simples, sem tela, e adora. Assim que for lançada a de 10″ iremos comprar para deixar na cozinha.

Agrupar rotinas me ajuda muito a automatizar coisas em vez de me perder em distrações e para inspirar você a fazer o mesmo, vou dar três exemplos:

1. Ao acordar desligo o Umificador e retiro a opção ‘não perturbar’ do celular. Coloquei lembretes para mim mesma até esse comportamento ficar automático. Eu costumava sair do quarto e esquecer o  umidificador ligado e perder chamadas importantes porque o celular estava mudo. Problema resolvido.

2. Fazer limpeza express da casa, fazer atividade física, fazer limpeza express do banheiro e tomar banho: Na sequência, focada. O agrupamento me faz perder menos tempo e ter um objetivo fácil de cumprir com começo, meio e fim é excelente para produzir a sensação de que você funciona bem. A cada passo e para evitar que meu pensamento me distraia, peço para a Alexa me lembrar daqui a X minutos.

3. Início da rotina de trabalho, com notebook já ligado. Abro primeiro o programa S, porque é muito lento. Enquanto o primeiro abre verifico o W e o C , abro o caderno de trabalho e revejo as pendências. Em um espaço super curto de tempo, na sequência certa e que já está memorizada, já tenho em minha frente basicamente tudo que preciso fazer.

Agrupe rotinas que com certeza você vai funcionar melhor.

Ampliando a Memória

Papel, caneta e tecnologia.

Vou falar mais sobre a parte old school pois já tem bastante coisa na internet sobre como usar a Alexa, inclusive a Monique escreveu um texto sobre como fazê-la ler livros para você*,  função que uso bastante.

Para minimizar a chance de esquecer eventos diversos e aniversários importantes, coloco dois lembretes na Alexa, um para uma semana antes e um para a data exata.

*No caso dos modelos com tela, você também pode pedir que ela mostre a sua Biblioteca e escolher o livro arrastando com o dedo, o que é bem útil para quem lê vários livros ao mesmo tempo e
não raro esquece o nome do título.

Tudo que me chega virtualmente e é importante, leio e arquivo imediatamente no Google Drive.

Tenho três contas, uma para coisas do Blog, outras para coisas pessoais e uma para arquivos do trabalho.

Uma vez por mês, no mínimo, sento para reorganizar o Google Drive e releio normas médicas para saber onde está o quê quando for preciso, o que me dá a agilidade de uma pessoa ‘normal’. Feliz de quem não precisa rever.

Eu preciso.

O Caderno de Trabalho

No meu caderno de trabalho – que nada mais é que um caderno brochura normal sem espiral – uso três cores de caneta, lápis grafite, marca-texto amarelo-limão, post-its e marcadores adesivos transparentes, materiais escolares fundamentais para deixar minha mente leve e despreocupada.

O método é simples e faz com que minha produtividade aumente. Se o que tenho a dizer parece trabalhoso ou desnecessário para você, isso é um bom sinal. É um sinal de que você não precisa disso. Ter este ‘trabalho’ faz com que eu produza muito melhor e com menos estresse.

Na parte interna da capa do caderno tenho todos os telefones e endereços dos e-mails mais importantes pois nem sempre os sistemas estão disponíveis quando preciso passar informação para outra pessoa, bem como post-its com o backup de algum aviso  de algo que não posso esquecer nem em sonho (ou pesadelo).

Vou datando as páginas conforme o uso. A cada dia anoto o que há a fazer em caneta azul – recebi uma tarefa agora e há algo documental a fazer, mas estou terminando outra? A nova tarefa entra para a lista escrita e sai da minha mente, em vez de ficar lá me martelando.

Não largo nada pela metade, concluo. Vou resolvendo tudo e checando com caneta vermelha e só paro quando está tudo perfeitamente resolvido.

A caneta preta uso para destacar alguma observação adicional, como alguma pendência que não depende de mim ou algo que vá me  poupar de ter que consultar de novo os sistemas depois.

Logo mais volto ao trabalho presencial e este método, de dar atenção privilegiada a cada tarefa a ser executada ao transferir afazeres para o papel em vez de deixá-los ocupando a minha mente, sempre foi o mesmo.

Dar total atenção à pessoa que está sendo atendida e ler/reler cada parecer médico antes que seja concluído como se não houvesse mais nada a fazer depois – ou seja, remover a sensação de pressa – reduz muito o meu estresse no ambiente de trabalho.

Entenda: para uma pessoa com TDAH focar no seu trabalho e não precisar ficar refazendo coisa mal feita é necessário remover a sensação de pressa. Cumpra uma demanda de cada vez. Coloque isso como regra. É libertador.

Faça bem feito. Faça uma coisa de cada vez. Olhe de novo. Corrija. Seja humilde e quando algo parece ter dado errado parta do princípio que a falha é sua, volte para o começo e tente de novo.

Uso  marcadores adesivos nas páginas do caderno quando tenho que esperar que outra pessoa faça alguma coisa para que eu possa terminar a minha parte.

Antes de adotar os marcadores a minha tendência era ficar cobrando a outra parte, que não precisa ser mais resolutiva do que é obrigada a ser.

Há pessoas que deixam as coisas para depois e vivem bem desta forma porque a mente delas não apaga as coisas,  o ‘problema’ de preferir não acumular serviço é meu e não tenho o menor direito de exigir que outras pessoas façam o mesmo (nem dou direito a elas de apontar como devo executar minhas obrigações).

Todos os dias revejo os marcadores e os removo quando a coisa já foi resolvida.

O planner/caderno pessoal

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Até 2019 eu organizava as coisas pessoais – com exceção das finanças, que organizo em uma planilha virtual – em uns cinco cadernos e caderninhos, o que curiosamente funcionava muito bem, mas de 2020 para cá fui simplificando o sistema e uso um único planner para tudo.

Ja transferi os dados do meu Planner Caderno para meu planner baratinho da Tilibra.

Não há método certo e por vezes mudo a sequência das coisas que registro, mas o sistema de azul (a fazer), vermelho (feito) e preto (observação) carrego desde que o mundo é mundo. Minha única regra inegociável é não carregar nenhum planner de coisas pessoais comigo.

O meu fica sempre em casa.

Embora não contenha senhas nem nada do tipo, não quero que seja lido por outras pessoas. É Diário de Adolescente que chama?

O que tem no meu planner?

Lista de datas de aniversários (coloco em ordem cronológica)
Lista com o nome das lojas onde compro frequentemente online
Lista com medidas das minhas roupas e sapatos
Rotina de Skincare
Lista de produtos favoritos (separados por categorias)
Lista de Medicamentos
Lista de Produtos de Limpeza da Casa
Lista de Papelaria
Lista dos meus e-mails e drives, com especificação dos conteúdos (tenho emails para coisas específicas)
Lista de Afazeres: Vou listando e cumprindo sempre que possível
Lista de Compras: O que preciso no momento e ainda não comprei. Não faço listas de compras sem verificar o que já tenho em casa nem se posso utilizar uma coisa que já tenho de um modo alternativo
Lista de Desejos: Coisas que até quero não há urgência para comprar
Lista de Posts para revisar: Posts que estão incompletos ou que estão no rascunho do Blog esperando revisão
Lista de Ideias: Tudo que passa pela minha cabeça que pode virar um post transfiro para o Planner
Metas e Planejamento Financeiro de curto prazo: Planejamento de aportes financeiros (Bolsa de Valores) e outros
Saúde: Dados relevantes, agenda de consultas médicas e odontológicas (minhas e do Igor)
Família: Costumo registrar alergias medicamentosas, internamento ou doença grave dos parentes próximos e outros dados.

Vida organizada: menos ansiedade para quem tem TDAH

Quem acompanha o blog sabe que tenho resolvido a ansiedade com meditação.

Afora os livros que já indiquei por aqui, estou fascinada por “A Ciência da Meditação” de Daniel Goleman e Richard J. Davidson, trabalho que estou lendo aos poucos porque quero consultar as referências atentamente.

Sinto que apesar de todas as deficiências relacionadas ao TDAH, nasci para estudar com afinco, cumprir diretrizes e propor soluções para problemas, então o curso de Medicina me caiu como uma luva.

Os melhores livros que posso indicar às pessoas que tem TDAH são “Mentes Inquietas”, da Dra Ana Beatriz Silva,  “A Mente Organizada”, de Daniel J Levitin e “Elástico” de Leonard Mlodinow.

Depois de lutar bravamente contra o TDAH a vida inteira, aceitar as limitações e viver bem com elas apesar dos prejuízos, dedicar boa parte do seu tempo para expandir sua memória usando caderno, arquivos em nuvem,  organizar-se com planner, adotar um robô como secretária, fazer dupla checagem de tudo para se certificar de que não esqueceu nada e acabar desenvolvendo TOC, ter insônia e ansiedade, viver com eterna sensação de que vai esquecer de algo importante ou de que pode fazer algo errado por falha de atenção, trabalhar e estudar mais horas em média do que precisaria caso tivesse uma mente comum, você atinge um bom desempenho em alguma área e passa a escutar:  “ah, mas é porque você tem facilidade”.

E aí? Você ri.

É rindo de suas agruras que a pessoa com TDAH consegue viver melhor.

Ah, a minha amiga Lígia, que também tem TDAH, me indicou o livro Vencendo o TDAH Adulto, do Russek A. Barkley. Ela está quase concluindo a leitura e gostando muito.

Obs.: TDAH é uma condição médica e como tal, pode necessitar de intervenção de médicos e psicólogos. Algumas pessoas precisam usar medicamentos.

Cuidem-se.

Beijos,
Meire

4 comentários em “TDAH: Do Diário Infantil à Assistente Virtual”

  1. Ah Meire, quando leio seus escritos é como se estivesse me lendo… me vejo tanto em vc. Chega a ser estranho…😅

    Eu fui lendo e repassando cada etapa da minha vida, muitas situações parecidas, outras nem tanto… mas terminei com a sensação de que tb fiz e faço o meu melhor a cada dia com as fragilidades que tenho e as transformo em algo positivo para mim. Sem culpa. Sem dor emocional. A aceitação veio aos 30 também. Foi libertador. Muitos dos seus aprendizados tb foram os meus. Me senti acolhida e respeitada. Obrigada pelo post❤️

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      1. Eu que sou sua 🥰

        Verdade! A internet nos possibilita tantos bons encontros❤️

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Obrigada pela visita ;)

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