Além da imaginação

Por @meire_md

“Contra qual outra superstição travaram uma guerra tão longa e obstinada do que contra a crença em aparições? No entanto, que outra superstição se manteve nas mentes humanas por tanto tempo, com tanta constância?” (em ‘O Coche Fantasma’, conto da egiptóloga Amelia B. Edwards, presente na antologia ‘Vitorianas Macabras‘)

Quando criança/adolescente uma das minhas escritoras favoritas era Agatha Christie, cujo primeiro romance recém completou 100 anos.

Para matar a saudade dela comprei “Três ratos cegos e outros contos“.

Aprecio muitas obras literárias produzidas no Reino Unido nos séculos XIX e XX, sobretudo as de protoficção científica e as que se ambientam no clima mórbido que caracterizou a Era Vitoriana, período que testemunhou uma efervescência cultural catapultada pelas aberrações da época, como roubos de cadáveres, os crimes de Jack, o Estripador, as Baby Farm e outros marcadores históricos bastante sinistros.

Para superar as notícias do mundo real Vitoriano, que de tão fantásticas rendem roteiros de filmes e séries até hoje, a ficção da época precisou ir além da imaginação.

Além, mesmo.

Sem açúcar

Se você também não é da turma de romances ‘água com açúcar’ mas ainda não leu minhas resenhas sobre a Tríade do Horror Clássico, dê uma olhada nos posts sobre Frankestein, O Médico e o Monstro e Drácula (e para não pensar que só gosto das coisas mórbidas da época, leia também a resenha sobre Alice no País das Maravilhas).

Graças à leitura da coletânea de contos ‘Vitorianas Macabras, recém conheci a ousada Srta. Rhoda Broughton (1840-1920), uma galesa de humor refinado e que em razão da suas habilidades literárias fez grandes nomes como Oscar Wilde  e Lewis Carroll sentirem-se intimidados.

O livro apresenta também mulheres incríveis como Henrietta Dorothy Everett (1851-1923), que foi elogiada por nada mais nada menos que H. P. Lovecraft, a May Sinclair (1863-1946), uma das escritoras favoritas de Agatha Christie, nove outras escritoras que eu não havia tido a chance de degustar antes e me deu a oportunidade de ler um conto de Charlote Brontë, escritora bastante conhecida no Brasil por ‘Jane Eyre‘, obra lançada em 1847 e que em meados do século XX doou seu nome a uma das minhas tias.

(Para quem não se recorda, Charlote era irmã de Emily Brontë, autora de ‘O Morro dos Ventos Uivantes‘)

Penny Dreadful

Além de conter aqui e ali anúncios possivelmente retirados das Penny Dreadful, a partir da página 302 Vitorianas Macabras reúne informações biográficas da Rainha Vitória (a primeira monarca a publicar um livro), um Guia Vitoriano de Londres, dicas para cinéfilos e um álbum de fotografias.

Vitorianas homenageadas

1. Charlotte Riddell (1832-1906), com a ‘A Porta Sinistra’

2. Louisa Baldwin (1845-1925), com ‘O Mistério do Elevador’

3. Edith Nesbit (1858-1924), com ‘Mortos em Mármore’

4. Violet Hunt (1862-1942), com ‘A Prece’

5. Amelia B Edwards (1831-1892), com ‘O Coche Fantasma’

6. Charlote Brontë (1816-1855), com ‘Napoleão e o Espectro’

7. Elizabeth Gaskell (1810-1865), com ‘O Conto da Velha Ama’

8. Mary Elizabeth Braddon (1835-1915), com ‘A Sombra da Morte’

9. Margareth Oliphant (1828-1897), com ‘A Janela da Biblioteca’

10. Rhoda Broughton (1840-1920), com ‘A verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade’

11. H.D Everett aka Theo Douglas (1851-1923), com ‘A maldição da morta’

12. Violet Page aka Vernon Lee (1856-1935), com ‘Amor Dure’

13. May Sinclair (1863-1946), com ‘Onde o Fogo não se Apaga’

Que elas nunca sejam esquecidas

Algo que mais me impressionou é que a maioria delas não se sentiu impulsionada a adotar um pseudônimo masculino para começar a publicar seus livros e todas demonstraram habilidade em criar narradores masculinos.

De todas elas a minha pessoa favorita e que espero ver largamente traduzida para o português é Rhoda Broughton, porém fiquei mesmerizada com o conto de Violet Page e sua capacidade de criar uma serial killer com poderes sobrenaturais.

Terminei a leitura do livro na véspera do Dia Internacional da Mulher ligeiramente emocionada e bastante grata à Dark Side e à Dra Márcia Helena, pesquisadora de literatura de horror, pelo resgate destas grandes escritoras vitorianas e pela produção de uma Edição tão bela.

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Leia também:

Mulheres e Médicas

Luxo Democrático, ou um post para Ana

Um beijo,

Meire

 

 

 

 

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2 comentários em “Além da imaginação”

  1. Eu sou apaixonada por Agatha Christie… acho que já li todos Meire… eu passava minha tardes lendo… minha escritora favorita… amo suspense…🥰

    Só não leio e nem assisto o gênero terror… morro de medo😅🤣🙈

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