O sobrenome de sua mãe era Holmes

Por @meire_md

“Demorou mais de um século após a rua Morgue’ de Poe e meio século após Sherlock Holmes para que a análise de perfis comportamentais saltasse das páginas da literatura para o mundo real” (John Douglas)

John Douglas, aposentado depois de mais de vinte anos dedicados à análise e confecção de perfis de serial killers, é um aclamado expert em crimes violentos e responsável direto pela criação da Unidade de Ciência Comportamental do FBI, fundada em 1980.

Ele é uma figura tão importante na história da caça aos serial killers americanos que inspirou o Jack Crawford do filme ‘O Silêncio dos Inocentes‘, os personagens David Rossi e Jason Gideon da série ‘Criminal Minds‘ e o conjunto de seus estudos deu origem à impactante série ‘Mindhunter‘.

Se você gosta de criminologia indico fortemente a leitura de ‘MINDHUNTER O primeiro caçador de serial killers americano‘ e ‘DE FRENTE COM O SERIAL KILLER Novos Casos de Mindhunter’ que, na minha opinião, deveriam ser leitura obrigatória não só para Médicos e Psicólogos como para Advogados, Juízes, Procuradores e Promotores.

Mindhunter

O primeiro livro foi escrito em meados da década de 90 e começa com o angustiante relato do período em que Jonh esteve internado em UTI em razão de uma encefalite viral sofrida em 1983.

A história segue introduzindo, em meio aos casos reportados, dados autobiográficos e de sua jornada enquanto Agente Especial e de como sua equipe sistematizou métodos para entrevistar serial killers e extrair deles o conhecimento necessário para entender a mente criminosa.

O Agente descreve como dava suporte técnico à Polícia, fazendo questão de reforçar que ela é a verdadeira responsável por desvendar os tão incompreensíveis quanto inacreditáveis crimes em série que deixam o mundo inteiro perplexo.

Durante a pesquisa John entrevistou nada mais nada menos que monstros como Ed Kemper, Charles Manson, Richard Speck, Jerry Brudos, David Berkowitz, Ed Gein e outros.

Bastante significativa é a merecida crítica voltada a psiquiatras, obviamente não todos, que pelo extremo desleixo que caracteriza aqueles que pouco se esforçam para o bem da coletividade, deixam-se enganar pelo tal ‘bom comportamento’ e formulam pareceres favoráveis aos desejos dos serial killers quando não se debruçaram minimamente nem nos detalhes e circunstâncias que levam os criminosos a matar, tampouco na quantidade de mal que fizeram às vítimas e famílias.

Essa irresponsabilidade que permite que predadores sejam soltos continua ceifando muitas vidas inocentes.

De Frente com o Serial Killer

“Em 1981, John Hinckley Jr planejou impressionar a atriz Jodie Foster com seu amor por ela assassinando o Presidente Ronald Reagan”

O segundo livro é uma continuação do primeiro e foca-se em quatro criminosos, porém é enriquecido com relatos de casos similares a cada um deles e resume as principais conclusões que o Agente acumulou ao longo de sua trajetória.

“Houve vítimas no meio do caminho”

Os casos começam com a história da breve vida da pequena Joan D’Alessandro, que graças ao heroísmo de sua incansável mãe, uma mulher que embora tomada pela Miastenia Gravis nunca desistiu de exigir Justiça, a menina foi transformada em um símbolo na luta contra predadores de crianças.

A Lei de Joan alterou o Código Penal de Nova Jersey e em 1998 o Presidente Bill Clinton assinou sua versão federal, que determina que nos casos de assassinato de menores de 14 anos com agravante de abuso sexual a pena é de prisão perpétua sem possibilidade de condicional.

O segundo caso relata os crimes do covarde e desleal Joseph Robert Kondro, que perpetrava graves ofensas desde jovem porém foi repetidas vezes solto sob pagamento de fiança.

O terceiro caso é de um típico Anjo da Morte, o auxiliar de enfermagem e homicida de pseudomisericórdia Donald Harvey, que matou mais de 80 pessoas, 15 delas quando ainda não havia completado 19 anos.

O quarto caso é do serial killer Todd Kohlhepp, uma figura bastante complexa e tão contraditória que parece mostrar desejo de se compreender e quebrar o ciclo de destruição. Percebe-se que para Jonh Douglas a evolução de Kohlhepp foi diferente de tudo que ele já havia visto.

A certeza da impunidade é realmente uma forma bastante eficiente de gerar mais e mais vítimas. Meu sonho é que um dia o Brasil aprenda a nos livrar desse tipo de fera.

Meire

*créditos da imagem

📍Curiosidade

O personagem Bufalo Bill de “O Silêncio dos Inocentes” foi construído a partir de características de três serial killers: Ed Gein, Ted Bundy e Gary Heidnick.

 

 

 

 

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