“Tô ótimo”

Por @meire_md

O amplo histórico de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) da minha família paterna chegou ao meu conhecimento muito cedo.

Quando criança ouvi entristecida a história de um tio-avô que estava acamado em razão de um acidente vascular encefálico e na adolescência vi alguns tios receberem o diagnóstico de hipertensão.

O tempo passou e chegou a vez dos primos.

A HAS até pode caracterizar fortemente um certo clã, mas ela é tão prevalente no Brasil que chega a ser difícil encontrar uma família que não tenha pelo menos um caso.

Além da herdabilidade ser alta, há muitos fatores que contribuem para que um ser humano se torne hipertenso, inclusive o mero fato de sobreviver: um dos principais fatores de risco é a idade.

A doença pode ser tanto deflagrada quanto intensificada por fatores ambientais ordinários, como aumento de peso, estresse, tabagismo, uso de bebidas alcoólicas, condições socioeconômicas desfavoráveis e sedentarismo.

O diagnóstico e o tratamento são quase que invariavelmente bem simples, mas em boa parte dos casos a condição cursa de modo silencioso e dá as caras somente quando órgãos-alvo como o coração, os rins, os membros inferiores, a retina ou o cérebro já estão afetados.

Diagnosticar antes de complicar é muito, mas muito importante.

A fila anda

Até 2008 eu tinha vários empregos, fazia consultório, acompanhava pacientes em hospitais, vivia bem estressada, mas a Hipertensão não veio.

‘Será que vou escapar?’, pensava.

Por volta de 2010, alguns primos mais novos já estavam hipertensos e nessa época eu já desfrutava das estabilidades profissional, financeira e emocional galgadas com muito esforço e às custas de muitas renúncias.

Eu havia finalizado uma segunda pós-graduação e vinha trabalhando num ritmo menor, mas em virtude do histórico familiar  mantive-me atenta para evitar que o diagnóstico passasse batido.

Nesse período eu estava com a doença celíaca controlada e, se não fosse pela Asma, poderia dizer que estava com ótima saúde até que numa manhã de agosto de 2013 meu nariz começou a sangrar subitamente.

Em 48 horas eu já estava com diagnóstico formal de HAS e desde então uso medicação diariamente.

A primeira semana de tratamento foi bem tranquila, mas na segunda comecei a sentir tonturas e perder o equilíbrio, então transferi o medicamento para o horário noturno e todo o desconforto desapareceu.

Sete anos se passaram, continuo com a mesma estratégia medicamentosa e embora eu tenha uma alteração (boba) em uma das válvulas cardíacas e já tenha descompensado algumas vezes, sigo sem complicações.

Como faço o controle?

Para evitar esquecer de tomar o medicamento ou de tomá-lo duas vezes, anoto os dias do mês na parte lisa do blister usando um marcador permanente e peço para a Alexa me lembrar diariamente às 21:00h.

Vou ao cardiologista periodicamente, mas faço a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) com tensiômetro de pulso mais ou menos a cada quinze dias.

A minha pressão não sobe durante o exercício, então não costumo verificar a pressão enquanto estou me exercitando.

Durante o dia escolhido para a MRPA verifico a pressão várias vezes. Se eu detectar algum problema, retorno ao cardiologista.

“Tô ótimo!”

Como vocês sabem, de um modo geral as mulheres se cuidam mais que os homens.

No começo desse mês meu irmão mais novo apresentou uma síndrome gripal e eu quis aproveitar o momento para que ele começasse a fazer um seguimento médico mais regular, visando diagnosticar a Hipertensão o mais precocemente possível.

Felizmente ele melhorou rápido e não precisou de assistência médica, porém ficou claro que não buscaria nenhuma consulta preventiva.

A conversa no WhatsApp foi exatamente assim:

– Mande seu endereço atual que vou comprar um ‘aparelho de pressão’ para você controlar sua pressão também.

– Mas nunca tive problemas com a pressão, não.

– Quando viu a última vez?

– Eu não meço não… Mas a gente sente quando o corpo não está bem.

– Mas a pressão pode ficar alta sem a gente sentir nada… Na família da gente tem muitos casos.

Ele deu um joinha, passou o endereço e mandou um emoji de beijinho.

No dia 18/01/2021 comprei o tensiômetro para uso pessoal, mandei a Amazon entregar no endereço dele e no dia 26/01/2021 fomos surpreendidos pelo que já era, de certa forma, esperado.

Fizemos as medições de controle e elas foram confirmadas junto a um profissional de saúde.

Agora ele está usando dois medicamentos e partiu para controle ambulatorial com cardiologista.

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Monitorização Residencial da Pressão Arterial

O Monitor de Pressão Arterial de Pulso não é o ideal para se fazer a monitorização residencial da pressão arterial, porém é fácil de usar – principalmente se a pessoa mora sozinha – e serve como parâmetro para acompanhar a evolução do tratamento em casa.

Como paciente eu prefiro sua praticidade a usar um esfigmomanômetro profissional que, embora seja muito mais preciso, descalibra facilmente.

Quando o ‘aparelho de pressão caseiro’ é utilizado com a técnica correta tem resultados até bem consistentes com a realidade – às vezes um pouco mais baixos ou um pouco mais altos – e tem a vantagem de estimular a pessoa a buscar assistência médica e melhorar a adesão ao tratamento.

Para utilizar adequadamente o Monitor de Pressão Arterial de Pulso (nunca compre os que não sejam validados) você deve certificar-se de que não bebeu, comeu nem fumou nos últimos 30 minutos nem se exercitou na última hora, que não está com bexiga cheia ou sentindo dores, e deve repousar por uns 3 a 5 minutos antes de fazer a medição. E uma vez feita, aguarde dois minutos e meça novamente.

Siga corretamente as  instruções do fabricante e remova as pilhas quando o aparelho não estiver em uso.

O meu é da Omron, o do meu irmão é da G-Tech. 

O que é HAS?

Trocando em miúdos e falando de modo muito simplificado, a pressão arterial sistêmica reflete a ‘força’ que o nosso sangue exerce sobre a parede das artérias, que são vasos que entregam o sangue oxigenado ao nosso corpo.

Quando a pressão fica alta de um modo persistente – o processo patológico pode levar anos – ela tende a promover lesões no coração e nas artérias de várias partes do nosso corpo.

A Hipertensão Arterial Sistêmica é caracterizada por um valor persistente da pressão arterial em níveis maiores que 140 X 90 mmHg em duas medições distintas (desde que feitas com a técnica correta e siga os demais parâmetros estabelecidos pela Medicina Especializada).

O diagnóstico formal cabe apenas ao médico: um diagnóstico impreciso pode levar tanto a um tratamento desnecessário quanto ao atraso do tratamento.

Se você é uma pessoa saudável e não tem histórico de hipertensão na família, procure fazer o controle no mínimo uma vez ao ano, bem como a cada vez que precisar ir a um médico por estar se sentindo doente.

Caso você seja  classificado como pré-hipertenso (130 a 139 X 85 a 89 mmHg), será preciso fazer um controle mais rigoroso porque a taxa de progressão para HAS é muito alta.

Os pré-hipertensos têm um risco cardiovascular maior do que o da população com níveis pressóricos de 120 a 129 X 80 a 84 mmHg.

O médico irá estratificar o seu risco e escolher o tipo de abordagem necessária.

Jamais copie receita de parentes ou vizinhos, cada caso é um caso.

Cuidados não medicamentosos #partiuperder5kg

O tratamento da “pressão alta” inclui medidas não medicamentosas e elas são tão impactantes que mudam significativamente o risco da pessoa apresentar complicações futuras.

Essas medidas são:

Controle da Obesidade

Conforme metanálise citada nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão publicadas ano passado, a perda de 5.1 kg pode reduzir significativamente a pressão arterial.

A obesidade é uma condição que exige tratamento multidisciplinar.

Redução do consumo de sódio (‘sal’) e dieta rica em potássio:

Procure um nutricionista, mas se isso não for possível, pesquise sobre a DASH Diet, que é uma dieta voltada a pessoas com doenças cardiovasculares.

Alimentos ricos em potássio:

Damasco, abacate, melão, leite desnatado, iogurte desnatado, folhas verdes, peixes (linguado e atum), feijão, laranja, ervilha, ameixa, espinafre, tomate e uva-passa.

Atividade Física X Exercício Físico

Atividade Física é qualquer coisa que faça seu corpo se mexer, como realizar a faxina da casa, podar o jardim, dançar, caminhar no shopping, trabalhar ou fazer ginástica em casa meio de qualquer jeito.

Já o Exercício Físico é uma atividade sistematizada e cuja execução é controlada por um profissional habilitado.

Tanto a atividade física como o exercício físico trazem mais benefícios à saúde cardiovascular que o sedentarismo.

A atividade física ‘genérica’ pode e deve ser orientada pelo médico, já a prescrição de exercícios físicos é da alçada do Profissional de Educação Física.

O educador físico não está desobrigado de seguir as melhores evidências quando prescreve exercícios para populações não sadias, então escolha bem o profissional antes de contratá-lo.

Ao final do post* reproduzo o Quadro 8.3 das DBHA/2020:  atente para a importância do exercício aeróbico, coisa bem defendida em ‘O Segredo Está nos Telômeros’.

Atenção: É importante saber que se sua pressão estiver acima de 160 X 105 mmHg você não deve iniciar o exercício físico. No caso da prática aeróbica, é indicado reduzir a intensidade se, durante o exercício, sua pressão estiver acima de 180 X 105 mmHg.

Meditação:

Uma revisão sistemática sugeriu que a meditação transcendental – aquela realizada com mantras – reduz tanto a pressão sistólica (‘máxima’) como a diastólica (‘mínima’).

Embora os estudos tenham importantes limitações e consequentemente as evidências não sejam tão fortes, a relação risco-benefício é suficientemente favorável para que a prática seja citada pelas revistas secundárias.

📔 Leia também: Meditação para céticos ansiosos

Casos de Família

Que tal abordar este tema com sua família e fazer um mutirão para diagnosticar a Hipertensão Arterial Sistêmica, cujo tratamento adequado irá prolongar a nossa vida e trazer-lhe melhor qualidade?

Conhecer os antecedentes patológicos da família pode nos poupar muito sofrimento, gerar diagnósticos mais precoces e até salvar vidas.

Um abraço,

Meire

*Recomendações de prática de atividade física e exercício físico das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial Sistêmica/2020:

 

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2 comentários em ““Tô ótimo””

  1. Nunca me atentei a pressão…😳🥺

    Minha medições sempre foram 11×7…

    Tenho 34 anos e histórico familiar… ou seja, pedi meu marido um aparelho….😅🤣🙈

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