Ser ou Não Ser Irrelevante, Eis a Questão

Por @meire_md

‘É muito mais difícil lutar contra a irrelevância do que contra a exploração’

 

No finalzinho de dezembro testei o aplicativo Alexa para avaliar se eu me adaptaria a ouvir livros e, assim, decidir se compraria o dispositivo* ou não.

Durante a experiência percebi que ouvir livros seria uma ótima forma de cumprir as releituras que planejo para 2021.

O primeiro livro que escolhi para reler ouvindo foi Sapiens, o que me deu a ideia de fechar o blog em 2020 e abri-lo em 2021 com um dos meus autores favoritos,  Yuval Noah Harari (1976 – ), escritor Ph.D em História pela Universidade de Oxford.

‘21 Lições para o Século 21’ foi um dos livros mais importantes que li em 2020.

Não foi o livro que mais gostei de ler porque ele me deixou bastante desconfortada, mas certamente foi um dos mais significativos.

Ficção X Realidade

A experiência de leitura foi estranha  porque em alguns momentos tive a impressão de que partes do que li saíram dos momentos estapafúrdios em que imagino histórias de ficção científica que descambam em mundos apocalípticos.

Um dia desses pensei em um roteiro no qual o contraconhecimento, praga que já ocupa boa parte do tempo das pessoas, passa a dominar toda a Internet e os fios de eventos que se seguem  findam no colapso da ciência e da tecnologia, de forma que só pessoas que desenvolveram múltiplas habilidades conseguem sobreviver.

Venho pensando há muito tempo que as pessoas resistentes às mudanças e pessoas impermeáveis ao aprendizado contínuo serão ‘descartáveis’ no futuro, mas ler uma pessoa como Yuval dizendo isso tornou o meu devaneio algo mais palpável.

O fantasma de se sentir ultrapassado não é nada assustador perto do fantasma de se tornar irrelevante para o mundo.

Confesso que foi ruim. Pensei nos meus sobrinhos,  nos filhos de amigas e em nós mesmos. Daqui a cinco anos ainda seremos úteis ou teremos que, a despeito da idade, aprender um novo ofício?

Em abril do ano passado escrevi um post que começava assim: ‘Três dos maiores investimentos que podemos fazer são desenvolver novas habilidades, manter a mente aberta a inovação tecnológica (sim, há pessoas que resistem muito a tudo que é novo) e procurar formas de adaptação às mudanças do ambiente’, justamente por pensar que o futuro que eu temia já chegou.

Perguntar o quê você vai ser quando crescer nunca foi tão tolo como hoje

Pensar num futuro instável é algo assustador, pelo menos para mim, que sempre fui extremamente planejadora. Se eu fosse mãe estaria fortemente preocupada com isso.

É fato que o mundo de hoje é melhor que o de ontem, então não é absurdo esperar que o amanhã seja melhor, mas para se vislumbrar o futuro é preciso incluir uma dose de pessimismo.

Quem tem filhos jovens entregou-os a um mundo que vem sendo redesenhado numa velocidade nunca antes vista.

Ninguém está adaptado. Ninguém.

Não vejo melhor comparação do que a que um colega fez recentemente: estamos trocando os pneus com o carro em movimento.

21 Lições para o Século 21: desmontando e remontando fatos e especulações

Não é uma obra para pessoas que gostam de se enganar.

21 Lições é um livro para pessoas que saem de sua zona de conforto, para pessoas estrategistas, planejadoras e maduras.

Yuval comunica-se com perfeição.

Ele tem o poder de pegar um tema, reduzi-lo às suas menores partes e reconstruí-lo, quebrando todas as preconcepções possíveis durante o intrincado processo, permitindo ao leitor questionar-se enquanto participa. É uma leitura muito ativa.

21 Ensaios

“Depois veio o momento de Hitler, nos anos 1930 e início dos 1940, quando o fascismo pareceu, por um instante,  invencível. A vitória sobre essa ameaça apenas levou à seguinte. Durante o momento de Che Guevara, entre as  décadas de 1950 e 1970, pareceu novamente que o liberalismo estava nas últimas, e que o futuro pertencia ao  comunismo. No fim, foi o comunismo que entrou em colapso.”

O livro contém vinte e um ensaios organizados em cinco partes:

O desafio tecnológico (quatro ensaios): Destaque para o ensaio Liberdade, onde são colocados temas importantes apontados por Seth Stephens-Davidowitz em ‘Todo Mundo Mente’, livro que versa sobre estudos a partir de Big Data.

O desafio político (cinco ensaios): Um ponto alto para mim foi o ensaio de número 7, sobre Nacionalismo. Compreendi aqui muita coisa que até então me era bem nebulosa.

Desespero e Esperança (cinco ensaios): Tive uma explosão mental nesta parte. Obrigada, Yuval.

Verdade (quatro ensaios): Hora de alguns tapas na cara, sempre bom.

Resiliência (três ensaios): O último ensaio foi um presente  inesperado.

Se você está passando por algum momento sensível talvez não seja a hora de ler ‘21 Lições para o Século 21’ , que deve ser lido do modo mais objetivo possível.

Sempre me sinto bem satisfeita quando leio um livro que respeita o tempo do leitor e sua inteligência.

Os ensaios são cuidadosamente escritos; percebe-se que o autor evita ativamente uso de falácias de discurso, ajuda o leitor a raciocinar de modo elegante e ‘arborizado’ e  mantém honestidade intelectual o que proporciona uma grande  experiência, mesmo que você discorde, em partes, do que ele defende.

Beijos e um Feliz 2021!

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6 comentários em “Ser ou Não Ser Irrelevante, Eis a Questão”

  1. Tô muito muito curiosa! Tava na dúvida de qual ordem dos livros do autor seria melhor, mas com esses dois últimos posts já decidi que será primeiro Sapiens e depois o 21 lições. O Homo Deus você recomenda ler depois desses dois ou não faz diferença a ordem?

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  2. Mais uma vez nos encontramos na literatura. O livro aqui comentado também foi leitura igualmente importante é desconfortável para mim. Sem.dúvida, a “honestidade intelectual” é uma marca do autor. Parabéns pelo seu trabalho é pela generosidade com que vc o faz.
    Bjs

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