Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo – Christiane e Sonja Vukovic

Por @meire_md

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Eu, Christiane F. , 13 anos, drogada e prostituída’ foi um dos livros que marcaram minha adolescência e acho que sua leitura continua sendo muito importante para pessoas jovens, cuja susceptibilidade ao uso e abuso de drogas psicotrópicas lícitas e ilícitas é infelizmente muito alta.

Christiane Vera Felscherinow (1962 – ) prometeu não voltar a usar drogas. O final do primeiro livro trouxe grande esperança, porém ela sofreu inúmeras recaídas, algo típico de boa parte dos dependentes químicos.

Não muito antes de escrever ‘Eu, Christiane F.,a vida apesar de tudo’  ela foi pega com mais de 2g heroína e quase 5g de haxixe.

O preâmbulo da autobiografia contém um resumo do primeiro livro e a história dos bastidores do filme, que é bem interessante e eu desconhecia.

Qualidade de vida comprometida


Esse segundo relato autobiográfico, publicado no Brasil em 2013,  demorou três anos para ser concluído.

Acredito que tenha sido bem complicado para a jornalista Sonja Vukovic organizar os fatos com base na memória de uma pessoa que passou boa parte de sua vida sob efeito de psicotrópicos e evolui com comportamento paranoico, bem caracterizado no livro.

No alto de seus 58 anos de idade sofre por hepatopatia crônica e, pelo menos até onde pude apurar, a despeito do quadro faz ou fazia consumo de bebidas alcoólicas de modo abusivo.

Saga típica


Christiane chegou a ser presa, não usava contraceptivos por acreditar que fazer sexo sem pílula era um sinal de liberdade, provocou alguns abortos e em 2008 perdeu a guarda do filho nascido em 1996.

A autobiografia revela uma Christiane às vezes contraditória e às vezes narcisista, mas no geral uma pessoa surpreendentemente capaz de apontar, dentre os fatores geradores e mantenedores de sua dependência química, sua própria culpa e assumir certas irresponsabilidades cometidas.

A saga de sua vida é uma triste cópia da de pessoas dependentes, boa parte delas com histórico familiar de problemas relacionados ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas e/ou transtornos de personalidade.

Como para muitas pessoas a porta de entrada para a sua destruição foram as ‘drogas’ socialmente aceitas – como o álcool e os ansiolíticos. O uso daquelas consideradas pesadas se iniciou de forma tipicamente recreacional.

Como muitos dependentes químicos, ela também desperdiçou – se é que é justo usar este termo, porque a condição é uma doença grave – todas as oportunidades que teve para ficar ‘limpa’, e não foram poucas.

Tão logo se recuperou da primeira crise de abstinência voltou a usar Heroína, mesmo sendo plenamente consciente do poder devastador e letal da substância.

Sua mãe tentou todas as possibilidades disponíveis para prestar-lhe apoio e cura, e o mesmo ocorreu várias vezes nas décadas seguintes.

A história relacionada à perda da guarda do filho é deprimente mas eivada de contradições e traduz o momento no qual ela aparentemente se arrepende do estilo de vida que escolheu levar.

Sequestrar o próprio filho mas deixá-lo em estado de abandono para encontrar-se com um namorado delinquente ou deixar a criança sozinha enquanto perambulava em busca de maconha e haxixe foram algumas das coisas que Christiane julgava não justificar a perda da guarda da criança. 

Apesar de ter conseguido acumular alguma cultura, a memória de Christiane não resgatou basicamente nada do que ocorria no entorno de sua vida miserável. Apenas algumas raras anotações históricas, como o acidente nuclear de Chernobyl e a Queda do Muro de Berlim, foram registradas.

Inocência Perdida

Toda aquela esperança romântica que me foi gerada pelo primeiro livro – que termina com ela ainda menor de idade, desintoxicada e residindo em um ambiente bucólico e familiar- foi cruelmente trucidada com o segundo livro.

A leitura me deixou bastante triste, porém fez coro com a triste e típica evolução de muitos dos dependentes químicos que atendo.

A história de Christiane F é uma desgraça, não há outra palavra. Não existe redenção. 



Para quem recomendo


O livro é uma aula de dependência química e recomendo que seja lido por profissionais de educação e saúde e por familiares que lidam diretamente com o  problema.

Não acredito que “Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo” seja um livro tão útil para adolescentes quanto foi “Eu, Cristiane F., 13 anos, drogada e prostituída”.

É um livro deprimente que pode deixar uma mensagem potencialmente lesiva e contrária ao senso comum: que se pode viver por décadas mesmo usando drogas pesadas.

Beijos,

M.

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2 comentários em “Eu, Christiane F., A Vida Apesar de Tudo – Christiane e Sonja Vukovic”

  1. Nossa, pesado Meire. Só quem tem um familiar com essa doença ou trabalha em serviços ligados a saúde/educação/social talvez consiga entender de fato a dor dos pacientes e dos familiares. É devastador. É como viver com a foice da morte te seguindo, sempre na expectativa de uma nova recaída e novas dores. É imprescindível auxílio aos familiares. Muitos vivem em um ciclo de autosabotagem e codependência, o que é plenamente compreensível…😢

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