Notinhas sobre Coraline | Neil Gaiman

Por @meire_md

“Comecei o livro pela Holly. E terminei pela Maddy”

O britânico Neil Gaiman (1960 – ), particularmente conhecido por ‘Deuses Americanos’ e ‘Sandman’, tem uma habilidade incrível de prender os leitores. Vejo nele um perfeccionismo que aprecio bastante.

Neil escreveu o primeiro parágrafo de Coraline em 1992, quando sua filha Holly estava com cinco aninhos de idade, mas por uma série de outros compromissos só finalizou o livro dez anos depois.

O nome ‘Coraline’ nasceu por um erro de digitação, o que foi uma feliz falha, já que a menina tem mais cara de Coraline do que de Caroline, que seria seu nome.

A casa retratada no livro é um retalho de memórias de prédios em que o autor viveu com sua família, incluindo a porta que, quando aberta, dá para uma das paredes que transformaram uma antiga casas em um bloco de apartamentos.

Coraline é um menina em idade escolar, curiosa, inteligente, que se diverte explorando os ambientes de sua casa e arredores, gosta de animais, entedia-se quando não conta com coisas interessantes para fazer e corrige adultos que pronunciam seu nome errado.

No livro a idade da criança não é revelada, mas considerando as brincadeiras sugeridas pelo ocupado pai – como a de organizar uma expedição para localizar o aquecedor da nova casa ou contar o seu número de portas e janelas – certamente está longe da adolescência; no filme que lhe deu vida foi retratada como uma garota americana de 12 anos de idade.

Uma questão sensível tocada no livro de forma sutil é a aparente pouca atenção que Coraline recebe dos pais, sempre atarefados demais para suprirem as demandas da menina e do quanto a criança pode ficar susceptível à sedução de estranhos que lhe oferecem uma dedicação a mais.

É bem importante que isso seja discutido em família.

A aventura se acelera quando um portal se abre na parede de tijolos e leva a pequena Coraline a um mundo sombrio, invertido, cheio de elementos novos a explorar e perigos inesperados relacionados aos seus segundos pais, seres etéreos cujos olhos são botões negros e sem vida.

A minha edição é a de capa dura da Intrínseca, com ilustrações de Chris Riddell e contém uma a nova introdução de Neil Gaiman, escrita em 2012.

Lendo Coraline percebi que Neil Gaiman cita Violetas frequentemente em seus livros.

As Violetas surgem no odor de mulheres idosas tanto em ‘Coraline’ como em ‘Os Filhos de Anansi‘ (minha irmã administra o blog, vai soltar a resenha em novembro) e em ‘Deuses Americanos’ a flor aparece no ramalhete que Audrey Burton leva para o velório de Laura Moon (na série homônima o episódio retratado no livro aparece diferente).

Uma ótima leitura para fazer com as crianças que gostam de histórias felizes, porém assustadoras.

 

 

 

 

 

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