O Pequeno Príncipe | Antoine de Saint-Exupéry

Por @meire_md

 

Para alcançar melhor a beleza de O Pequeno Príncipe é indispensável conhecer alguns detalhes da vida do autor.

O escritor francês Antoine de Saint Exupéry – segundo a enciclopédia britânica batizado como Antoine-Marie-Roger e segundo o verbete da wiki francesa como Antoine Marie Jean-Baptiste Roger, nasceu em 1900 e morreu em 1944, quando contava com 44 anos de idade.

Ele foi escritor, poeta, ilustrador, jornalista e aviador.

Exupéry era filho de aristocratas porém o Conde de Saint-Exupéry faleceu deixando cinco órfãos quando o pequeno Antoine tinha apenas quatro anos.

Na adolescência sofreu outra grande perda pois o seu irmãozinho mais novo, um garoto de cabelos loiros e cacheados, faleceu subitamente.

Aos 21 anos Exupéry ingressou no serviço militar enquanto recebia aulas de aviação e embora tenha sido transferido para a Força Aérea Francesa, não chegou a atuar de fato como militar em razão de uma suposta exigência da família de sua noiva.

Ele voltou a pilotar novamente aos 26 anos, quando assumiu um emprego como Aviador da Aéropostale.

“- É claro que eu te amo – disse-lhe a Flor. – Foi minha culpa não perceberes isso. Mas não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Tenta ser feliz… (….)Tu decidiste partir. Então vai!”

Casou-se muito jovem e teve uma relação conturbada com sua esposa, que era conhecida por ter um gênio difícil. Há quem diga, e eu concordo, que a Flor de O Pequeno Príncipe seja a representação de sua esposa.

Foi entregando correspondências que ele viajou muitas vezes para a África, o continente pelo qual era fascinado e onde conheceu o gigantesco e assustador Baobá.

Para executar seu trabalho de aviador postal ele também viajava para a América do Sul e chegou a morar na Argentina por algum tempo.

BaobadoPoeta

Baobá em Natal/RN, onde existe a lenda de que esta árvore centenária tenha servido de inspiração para Exupéry escrever O Pequeno Príncipe; o interessante é que em Recife surgiu lenda similar, de que Exupéry teria se inspirado ao ver o Baobá da Praça da República. Não conheço nenhuma fonte de peso que endosse uma ou outra lenda, e embora seja muito gostoso acreditar que Exupéry inspirou-se no Baobá que fica na cidade onde moro isso é altamente improvável, até porque na década de 30 a região onde a árvore fica era basicamente restinga.

 

Em 1935 o avião que Exupéry pilotava caiu ou pousou de modo emergencial em pleno deserto de Saara. Ele e o mecânico com quem viajava sobreviveram mas contavam com água para no máximo dois dias, daí sofreram desidratação grave e alucinações visuais até serem resgatados e tratados por beduínos.

“Eu… – respondeu o pequeno príncipe – eu não gosto de condenar à morte, e acho que vou mesmo embora”

Exupéry tinha aversão à Guerra. No ápice da II Guerra, entre 1941 e 1943, optou por autoexilar-se e morou nos Estados Unidos. Foi justamente nesta época em que as aquarelas do Pequeno Príncipe, claramente inspiradas no traumático evento de 1935, foram nascendo.

O Pequeno Príncipe foi escrito e ilustrado por Exupéry tanto em inglês quanto em francês e embora tenha sido publicado pela primeira vez em inglês no início do ano de 1943, só foi publicado na França em 1945 ou 1946 (as informações variam nas diversas fontes que consultei), ou seja, após a morte do autor.

Para ser induzido a decidir entrar na II Guerra Exupéry foi injustamente acusado de apoiar os nazistas e em resposta ao boicote de suas obras na Europa (o que foi para ele uma decepção terrível) desenvolveu um quadro depressivo e começou a abusar de bebidas alcoólicas.

Mesmo assim, doente, sem nunca ter desejado se alistar e sem condições psicológicas para voar, em 1944 foi destacado para cinco missões aéreas.

Desde a primeira missão Exupéry nunca mais foi visto e seu corpo nunca foi oficialmente encontrado . Não acho absurda a hipótese de que ele tenha cometido suicídio e embora um certo alemão tenha declarado que abateu seu avião, isso nunca foi de fato comprovado.

Ele desapareceu no dia 31 de Julho de 1944.

“Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e quatro vezes” 

O sobrinho de Exupéry conta que ele acreditava em uma previsão de uma cartoamante (ou de algum outro picareta do tipo) de que morreria aos 44 anos e isso só aumenta meu pesar e reforça mais ainda a hipótese de suicídio, já que profecias autorrealizadas não são raras entre pessoas crédulas.

Explicando: se Exupéry acreditava mesmo que iria morrer aos 44 anos e tinha aversão à Guerra, decidir morrer logo sem ter que passar pelos horrores dela não seria uma decisão tão absurda. Isso também ocorre em quem acredita em signos: a pessoa modula até sua personalidade e desejos de modo a se parecer mais com aquilo que é ‘previsto’.

Exupéry deixou uma obra vasta mas foi imortalizado por este belíssimo livro infantil.

Sobre o Livro

“Não gosto que leiam meu livro superficialmente. Dá-me tanta tristeza narrar estas lembranças (…). Talvez eu seja um pouco como as pessoas grandes. Devo ter envelhecido”

O Pequeno Príncipe conta a história de um aviador que precisou fazer um pouso forçado no Deserto do Saara para tentar reparar o avião e voltar para casa.

Quando desidratado e cansado encontrou o Pequeno Príncipe, um garotinho de cabelos loiros e cacheados que já havia visitado seis outros Planetas. O menino o tomou pela mão e o levou até um poço de água.

Seis anos depois o Aviador narra as histórias do Asteroide B612, dos perigos do Baobá, da problemática Flor, das viagens do Pequeno Príncipe e de seus encontros com os moradores solitários de cada Planeta, como o bêbado, o vaidoso e o escritor.

No Planeta Terra o Pequeno Príncipe é recepcionado por uma serpente, é cativado e cativa uma raposa, faz amizade com o aviador e não é mais visto por nenhum outro ser humano desde que os dois retomam seus percursos.

Muitas frases desse livro se tornaram citações clássicas em concursos de beleza e perfis de redes sociais, mas além de O Pequeno Príncipe não ser um livro de aforismos, é muito mais do que um livro infanto-juvenil: e um livro escrito por um adulto depressivo e atormentado que exorta os adultos a não assassinarem as crianças que estão dentro deles.

Exupéry publicou vários livros e deixou material para mais de 10 obras póstumas.

Sobre O Pequeno Príncipe,  Filme de Mark Osborne (2015)

Lembro que saí do Cinema com um sentimento dúbio.

O filme é uma animação em 3D onde as poucas cenas retiradas do livro são primorosamente animadas em stop motion.

No enredo o livro é lido por uma garotinha que faz amizade com um Exupéry idoso, engraçado, solitário e rejeitado pelos vizinhos.

Achei linda a ideia de que Exupery chegou à velhice no entanto o filme mistura vários elementos para fazer a família brasileira chorar; a criança abandonada pelo pai, sem amigos e vítima de abusos psicológicos por parte da mãe faz amizade com adulto solitário e quase moribundo, etc, etc, porém de forma meio caricata demais para agradar adultos e triste e monótona demais para agradar crianças.

A trilha sonora é derivativa demais e dá muito, mas muito sono.

A primeira metade do filme é boa. É, é boa.

Se o terço final (que é a parte onde a garotinha sofre a iminência da perda de um ente querido e mesmo oprimida, desacreditada e sem recursos se torna a heroína) não existisse o filme teria sido, em minha opinião, bem mais interessante para todas as idades.

 

Um beijo,

Meire.

Para saber mais:

Biography

Britannica

 

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Uma consideração sobre “O Pequeno Príncipe | Antoine de Saint-Exupéry”

  1. Ah, como amo esse livro! Sou encantada com a sensibilidade do autor. Uma narrativa tão rica e profunda. Um livro que me permite viajar em minhas expectativas e sentimentos. Leio e releio e sempre encontro novos contextos. Sou muito, muito apaixonada nele. 😍❤️

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