[Resenha] Social Killers | R.J. Parker e J.J. Slate

Por @meire_md | Twitter

 

📍 Aviso: Conteúdo Violento | Livro proibido para menores de 18 anos.

“Ashleigh Hall, de 17 anos, foi arrancada do seio familiar depois de conhecer um homem no Facebook que se passava por um adolescente”

(Peter Chapman começou a estuprar aos 15 anos de idade; antes de matar Ashleigh já havia sido preso duas vezes e embora reincidente, havia sido solto por bom comportamento).


 

‘Social Killers’ foi primorosamente editado no Brasil pela Dark Side Books.

Facebook, grupos de discussão, salas de bate-papo online e páginas de anúncios virtuais são sítios muito úteis para fraudadores, perseguidores virtuais (‘haters’) e até para assassinos em série.

A internet está tão carimbada nas nossas vidas que raramente nos damos conta de todo risco que passamos diariamente.

O livro é uma apresentação interessantíssima de casos de 33 criminosos que se utilizaram da internet para atrair potenciais vítimas ou usaram ferramentas virtuais como um meio de alimentar suas fantasias.

É um livro necessário e assustador. Não é fácil pensar o quanto estamos expostos a psicopatas nas redes sociais, mas precisamos fazer isso.

“Anthony postou uma série de vídeos com declarações agressivas contra ateus e mulheres negras, taxando-as de promíscuas”.

(Sobre o youtuber cristão e fanático Anthony Powell, que perseguiu virtualmente uma garota ateia, Asia McGowan, localizou-a e a assassinou , suicidando-se em seguida).

Todas as histórias citadas no livro tiveram grande repercussão à época em que ocorreram.

Se fossem consideradas também histórias de pessoas que ‘apenas’ foram enganadas ou perseguidas e não violentadas ou mortas, seria impossível reunir detalhadamente todos os casos em um livro só.

“A defesa de Michael alegou que o acusado sofria de síndrome de Asperger, uma forma de autismo”.

(Tentativa desonesta de um advogado para manipular o Juri e atenuar a pena de Michael Jonh Anderson, que planejou a morte de uma moça se passando por mulher em um anúncio).

Como os casos são recentes, o que me espantou foi perceber que muitos dos assassinos ainda são beneficiados lá fora pelo mesmo erro injustificado que vemos no Brasil: a tal ‘liberdade por bom comportamento’.

É esperado que este tipo de ser humano sem empatia/incurável sempre volte a perpetrar crimes, mas a Justiça ainda não alcançou que é bastante normal e esperado que o antissocial tenha um comportamento exemplar ou atípico quando está longe de suas vítimas.

Eles são um risco quando soltos, não quando presos.

Outra coisa triste que podemos captar com muitas histórias é que vários assassinos cruéis também são beneficiados por manipulações de bons advogados e escapam de penas que de fato seriam justas.

A boa notícia é que isto vem melhorando e que aos poucos a interface entre o direito e a medicina se aproximam mais de modo a beneficiar toda a sociedade.

“(…), o colega de trabalho de Ann Marie foi obrigado a entrar com um pedido liminar de medidas protetivas depois que ela começou a persegui-lo” .

(Ann Marie tem histórico de stalkear homens que diz amar*. Ela foi presa em 2009 depois de atentar contra a vida da esposa de um deles).

 

O escalonamento dos crimes, a persistência do padrão criminoso pela vida adulta e a existência de antissociais na família (pai, principalmente, o maior fornecedor desta carga genética aos filhos) bem como a existência de criminosos com transtornos típicos de personalidade são fatos já conhecidos e que se traduzem muito bem nas histórias dos Social Killers.

Ter sofrido abuso sexual na infância nem justifica nem deve ser um atenuante para aquele que mata alguém só pelo prazer de matar ou por outro propósito fútil, e nem de longe tem verdadeira correlação direta com impulso de perseguir pessoas ou grupos na internet, tampouco de vir a matá-las.

 

O triste fim do bebê Garrett

Um dos piores monstros apresentados no livro é Lacey Spears. Seu blog ainda ficou no ar por bastante tempo.

Lacey engravidou e logo inventou para os amigos que o pai, o amor da sua vida, seria um policial que morreu tragicamente num acidente. A partir daí começou a colecionar curtidas nas redes sociais e cultivar seguidores no seu blog.

Tão logo o bebê Garrett nasceu começou o calvário da criança, que só acabaria com a morte do pequeno, cinco anos depois.

Lacey provocava doenças no menino e o levava a internações repetidas para poder postar nas redes sociais o quão dedicada era com o filho. Foi assim que a mulher fez um Blog para mostrar a jornada de ‘Garnett, o grande’.

Embora ela tenha sido denunciada por duas vezes, ninguém fez nada, e a criminosa seguia torturando a criança para mostrá-la doente nas redes sociais.

Em razão das suas alegações a criança acabou sendo alimentada por sonda e assim foi ainda mais facilmente intoxicada e assassinada pela própria mãe.

Infelizmente ela, que é muito mais monstruosa até do que quem estupra e mata um desconhecido, foi condenada a apenas vinte anos de prisão.

Lacey é tão mentalmente capaz, inteligente, organizada e meticulosa que foi capaz de esconder seus métodos por cinco anos.

Os médicos só desconfiaram dos abusos quando encontraram no sangue da criança um nível de sódio incompatível com qualquer doença médica conhecida**. A criança entrou em coma e morreu.

A Internet facilitou o ‘trabalho’ deles


Na introdução de ‘Social Killers’ os autores mostram três criminosos da era pré-internet, quando os assassinos se valiam dos classificados dos jornais para facilitar a caçada.

No final do livro há um capítulo de como as autoridades usam as redes sociais para capturar criminosos e um sobre segurança na internet.

Uma das angústias de hoje é que as crianças já nascem conectadas e muito antes de atingirem maturidade para reconhecer riscos já são expostas pelos próprios pais aos olhares de pedófilos e outros criminosos.

O que é pior, com imagens acompanhadas de informações importantes, como uma foto com a roupinha do colégio onde estudam, do shopping ou dos restaurantes que frequentam. 

Também são expostas de modo indireto, através de dados extraídos em visitas dos perfis de seus amiguinhos e suas famílias, pois muita gente realmente não se preocupa.

Se policiais encontram pelas redes sociais até quem tenta se esconder, imagine o quão fácil é encontrar alguém que nem tenta.

Cuidem-se.

Meire

BÔNUS:

Sabemos muito mais sobre homens psicopatas. Sobre as mulheres psicopatas, algumas observações:


Elas tendem a ser ciumentas, possessivas, apegadas demais, manipuladoras, superficiais, agressivas, intolerantes à frustração e tendem a colocar a culpa pelo seu fracasso nos outros ou em circunstâncias específicas. No geral não superam separações. Elas costumam agredir ou perseguir outras mulheres por ciúme ou inveja e podem ser muito perigosas. Muitas se comportam na internet como haters.

Embriões delas podem ser vistos diariamente entre comentaristas adolescentes ou adultas jovens no YouTube e outras redes sociais, que destilam ódio contra pessoas populares e fazem comentários maldosos, muitos dos quais fazendo referências contra a moral ou a aparência física das influencers.

Há versões mais ‘leves’ de mães que usam filhos como um objeto para angariar likes e admiração. Muitas mulheres emocionalmente instáveis inventam que as crianças estão doentes apenas para chamar a atenção do ex-marido ou da família mas nunca fariam mal à criança.

Sobre os autores:

  • R. J. Parker é um ex-funcionário público que se especializou em serial killers e passou a trabalhar como escritor após ser acometido por espondilite anquilosante. Ele doa livros e de cede parte do seu lucro para uma ONG de vítimas de crimes violentos.
  • J. J. Slate é blogueira e escreve sobre crimes verídicos com foco em pessoas desaparecidas e crimes não solucionados. O blog dela é muito interessante e pode ser acessado aqui.

 

 

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Uma consideração sobre “[Resenha] Social Killers | R.J. Parker e J.J. Slate”

  1. Acho imprescindível a leitura sobre social killers e também sobre co dependência. Em geral, os killers buscam pessoas com características de co dependência pois são mais manipuláveis.

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