[Notas] As Leis da Medicina | Siddharta Mukherjee

Por @meire_md

Um dos meus livros favoritos de História da Medicina é de Siddharta Mukherjee, o genial ‘O Imperador de Todos os Males’, cuja resenha publiquei aqui.

O ‘As Leis da Medicina‘ é um livro pequenino escrito em 2015 e reproduz a forma crítica com o qual o autor buscou encontrar suas Leis e Princípios (ora, a Física não tem Leis, por que não a Medicina?) para minimizar os impasses clínicos causados pela incerteza médica.

A minha edição é para Kindle, aqui, onde há também a versão em papel.

Médicos experientes e estudantes atentos que assistem à série House sofrem a cada episódio com a sensação de que a anamnese foi mal feita, que o exame físico foi ‘meia-boca’ ou o paciente simplesmente mentiu… E a gente sempre acerta.

Na maioria dos episódios a resposta está no detalhe que não foi perguntado, no detalhe que foi omitido ou no exame clínico neurológico que não foi realizado.

Acho que boa parte dos médicos tem leis básicas que os norteiam e que surgiram conforme suas experiências pessoais.

Como médica, sempre me norteei por três leis que me surgiram organicamente:

1. Dedicar tempo ouvindo, questionando, organizando e registrando cronologicamente o que o paciente fala sem desconsiderar perguntas necessárias para a investigação médica em questão só porque o paciente parece rico, ou parece pobre, ou parece isso ou aquilo, e realizar um exame físico bem feito.

Começar do começo, do básico, sempre.

Quem começa um raciocínio diagnóstico por premissas erradas raramente chega a uma conclusão correta.

Até hoje tenho dificuldade de dar o tal ‘palpite’ de corredor, a tal ‘olhadinha’: eu preciso saber de tudo desde o começo, do contrário fico com a sensação de que estou apenas soltando palavras vazias ao ar.

2. Desconfiar de todo e qualquer tratamento que foi instituído recentemente e priorizar os tratamentos reconhecidamente eficazes, já que atestamos segurança e eficácia reais de vários tratamentos apenas depois de algum tempo após sua comercialização.

Tornei-me uma caçadora de vieses de estudos científicos no terceiro ano de Medicina.

3. Casos complexos necessitam de avaliação multidisciplinar porque a medicina não é o repositório de todo conhecimento de saúde.

Agora vamos às Leis de Mukherjee

1. Uma intuição forte é muito mais poderosa que um exame fraco.

Neste capítulo o autor justifica a sua primeira lei utilizando um interessante quadro clínico.

2. Os ‘normais’ nos ensinam regras; os ‘fora da curva’ nos ensinam leis.

Leitura indispensável. Para sustentar seu argumento o autor fez paralelos ricos com a história do autismo e com a dos movimentos dos Planetas.

Se o pressuposto não fizer sentido biológico para explicar os pontos da curva, não pode ser considerado Lei.

3. Para cada experimento médico perfeito, há um viés humano perfeito:

Esse capítulo representa 100% a minha segunda lei.

Algo que nunca tinha passado pela minha cabeça é que existe um viés impossível de ser extraído.

Se você é estudante de Medicina ou um curioso acerca do funcionamento do raciocínio médico, não deixe de ler As Leis da Medicina.

 

* Aviso: Este post contém links afiliados da Amazon e isso não afeta o preço que você pagará no caso de realizar uma compra por meio deles. A administração do Blog poderá receber uma pequena comissão pela venda.