[Resenha] Mulheres e Médicas | Josette Dall’Ava-Santucci

Por @meire_md


“A mulher não ganha nada estudando, e isso não melhora, no conjunto, a sua condição. Além disso, a mulher não pode igualar o homem na sublimação da sexualidade”

(Freud, em 1907, durante sessão da Sociedade de Psicanálise de Viena. Segundo a autora, ele concorda com um colega que defendeu em um artigo que a mulher que busca estudar é imoral e que aos olhos do outros estudantes é uma “prostituta”)

A professora Josette Dall’Ava-Santucci escreveu Mulheres e Médicas há 31 anos (1989) e ele foi traduzido para o português (por Hortencia Santos Lencastre) em 2005.

Embora eu não tenha gostado da escrita porque espero que livros de história sejam um pouco mais precisos com marcadores temporais e outros elementos objetivos básicos como o nome completo das pessoas, localizações geográficas e citações de eventos históricos correlatos (imagine um texto que diz ‘depois da revolução aconteceu isso ou aquilo’ e você se pergunta, mas que revolução, meu Gezuis? Por aí), este livro me jogou para um lado da história da medicina que eu nunca havia buscado esmiuçar.

O fato é que há pouca literatura sobre a História da Medicina praticada por mulheres, pois elas foram escanteadas no mundo inteiro por pelo menos sete séculos ininterruptos.

Consideradas incapazes, cavaram um longo e penoso caminho até o século XX, quando finalmente pessoas como Freud (o pensamento era arraigado, até Schopenhauer, Nietzsche e humanistas como Erasmo de Roterdam soltavam essas ‘pérolas’) e tantos outros deixaram de influenciar tão pesadamente a opinião pública quanto à capacidade feminina de exercer a profissão médica.

No período anterior ao Cristianismo a coisa até evoluia bem. Plantas medicinais, cuidados paliativos a enfermos, acompanhamento a partos e a ação de pitonisas e sacerdotisas permitiram às mulheres o alcance de alguma notoriedade.

A autora descreve detalhadamente o que ocorreu durante a Idade Média, falou por alto da caça às bruxas promovida pela Igreja, que bem sabemos passou a considerar os tratamentos feitos por mulheres como atos de bruxaria, e descreveu o despertar das Universidades no século XII, que excluíram pesadamente as mulheres.

Grandes mulheres brigaram pelo direito de ao menos aprender a arte médica quando até o diploma de ensino médio lhes era negado. Em determinado momento e com apoio de membros importantes da sociedade (como maridos, pais e patrocinadores), ganhavam o direito a estudar medicina mas não a receber o diploma, ou a receber o diploma mas não a fazer residência, ou a fazer a residência mas não a trabalhar em Hospitais.

As histórias de mulheres que se vestiam de homens para poder trabalhar ou que ganharam prêmios usando pseudônimos me encheram de gratidão.

Quando fui aprovada no vestibular para Medicina em momento algum pensei que seu eu tivesse nascido algumas décadas antes teria sido considerada um ser inválido. Não precisei me preocupar em lutar na Justiça para conseguir trabalhar.

A autora reúne as poucas informações disponíveis de mulheres americanas que conseguiram verbas e criaram sua própria Universidade, das austríacas e alemãs que foram as últimas a conseguir o direito a cursar e exercer a Medicina e daquelas que serviram na I e II Guerra.

Hoje em dia, segundo dados demográficos recentes, as mulheres já predominam entre médicos mais jovens.

Beijo,

Meire

#nãoaoestupro

 

 

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