[Notas sobre dois livros] ‘Prisioneiras’ e ‘Presos Que Menstruam’

Por @meire_md

‘Prisioneiras‘, de Drauzio Varella, é o terceiro livro de uma trilogia iniciada em 1999, quando o autor e médico publicou ‘Estação Carandiru’.

Dráuzio consegue, mais uma vez, transformar uma realidade pesada em uma narrativa leve e divertida: é um contador de histórias mesmo.

Ele não mostra qualquer pretensão de analisar problemas, não romantiza o crime nem cria vilões ou herois, simplesmente leva o leitor para tomar um café no consultório da Penitenciária. Simples assim.

‘Presos que menstruam’, de Nana Queiroz, me incomodou um tanto até que ela, ao consultar alguns documentos probatórios, admitiu que fez julgamentos parciais. Em alguns depoimentos surgem claras contradições; certos trechos parecem ficcionais ou voluntariamente romantizados.

Achei bem honesto de sua parte pontuar esse viés pois quando se apura só um lado de uma história não se deve apontar culpados tampouco tomar conclusões precipitadas, mas o dato é que o livro foi escrito para dar voz às mulheres e não para julgá-las de novo.

Os dois livros convergem claramente num ponto muito triste: quando um homem é preso chovem visitas, familiares vão levar mantimentos e cigarros, mulheres se voluntariam para visitas íntimas… Mas quando uma mulher é presa, rapidamente é abandonada pelo companheiro, a família pouco se importa, as visitas, já raras a princípio, se tornam inexistentes.

Elas, que respondem proporcionalmente por crimes muito menos violentos do que os perpetrados por homens e muitas vezes são motivadas a praticar delitos por desespero ou por dependência emocional, são condenadas também ao abandono e a uma pobreza quadruplicada.

Recomendo ambos, pois embora versem sobre o mesmo tema – mulheres presas – são bem diferentes e por isso se complementam.

 

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