[Resenha] O Exorcista | William Peter Blatty

Por @meire_md

“O Exorcista” (William Peter Blatty) foi escrito em 1971 e faz jus à fama de ser um dos romances mais macabros já escritos e de ter marcado fortemente a cultura pop.

O filme, cujo roteiro foi escrito pelo mesmo autor, é um dos maiores filmes de terror já concebidos (há quem diga que seja o maior filme de terror de todos os tempos).

Minha edição é da Harper Collins Brasil e foi traduzida pela Carolina Caires Coelho. Acredito que basicamente todo mundo conhece alguma coisa sobre a história, que se passa na mesma época em que o livro foi escrito.

Simplesmente não consegui parar de ler, mesmo morrendo de medo, e finalizei a leitura no segundo dia.

No segundo fim de tarde desenvolvi um medo irracional da capa do livro, mas eu deveria ter sentido também nojo, náuseas, compaixão, empatia, taquicardia, suor frio. E eu deveria ter chorado. Por que nada disso aconteceu?

Achei o livro meio, vamos dizer… com personagens mal elaborados. Os diálogos, embora sem qualquer complexidade, muitas vezes são confusos. Sabe aquela sensação de ler pessoas conversando e não saber quem está falando o quê? Isso é irritante.

Saramago, por exemplo, conseguia escrever um livro inteiro sem dar nome a ninguém e mesmo assim você consegue reconhecer cada uma das pessoas pelo que elas são, fazem e falam.

Com O Exorcista você (eu) não entra no ambiente, você não consegue enxergar as paredes, os tapetes, o chão, a escadaria, nada… Até empatizar com os personagens é difícil porque você não os conhece, eles são estranhos, todos eles. Você não sente cheiros, não vê cores. É como se a história ocorresse em um teatro de fundo escuro, sem personalidade.

Enquanto lia eu tinha a sensação de que alguém estava me contando uma história de assombração enquanto eu, passiva, esperava o que iria acontecer.

A experiência foi essa, de estar ouvindo uma só pessoa contando uma história de terror.