Pequeníssimo Dicionário de Termos Médicos Populares

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Post dedicado aos médicos brasileiros ou estrangeiros que responderão ao Edital de interiorização e àqueles que buscam melhor comunicação com seus pacientes que vivem nos rincões do nosso belo país.

“Meu caderno foi a terra e minha caneta, a enxada”

Resposta que alguns agricultores me emitem como justificativa  para sua não-alfabetização.  Ouvi esta reposta pela primeira vez há cerca de 8 anos, e ela me soou extremamente poética. Eles acreditam que não estudam porque precisam trabalhar e não porque o Poder Público há décadas é inerte a esta demanda. Os poucos agricultores alfabetizados que existem no meu Estado receberam ensino de forma tão precária que em sua maioria são incapazes de escrever um bilhete ou ler e compreender uma notícia simples. A nossa obrigação como médico é traduzir o sofrimento do povo e não esperar que eles forneçam uma história organizada e lógica, bem como precisamos desenvolver a arte de  desfazer as falsas correlações da sabedoria popular.

Oi colegas,

Em razão da interiorização que levará médicos brasileiros às áreas mais longínquas e possível vinda de colegas estrangeiros [espero que nos termos que atualmente o Ministro declara, com médicos avaliados e treinados por nós] resolvi rascunhar uma lista de termos médicos populares que continuam usados no nordeste, onde certamente muitos de vocês virão trabalhar.

Possivelmente muitos destes termos sejam usados também em outras regiões do país. Vou listar aleatoriamente o que conseguir lembrar e se qualquer pessoa quiser complementar a lista, agradeço ;)

Com a ampliação dos serviços médicos os pacientes vêm criando novas palavras de acordo com o termo técnico que escutam. Vou citar algumas que na verdade parecem mais uma abreviatura. Mesmo que seja fácil para os nossos ouvidos captar o significado da neologia, para um estrangeiro uma palavra truncada ou não emitida na íntegra aumenta a dificuldade de compreensão, pois parece outra língua.

Pensei em escrever este post depois de um ataque de riso que tive no meu gabinete esta semana ao ouvir minha colega do lado (que também é paulista  mas não se transformou na nordestina arretada que me transformei ) falando: “o senhor não deve ficar aperrÊado, quando nós nos apÊrreamos (…)” . Isso fez para ser melhor entendida e o mais engraçado foi a conjugação perfeita do verbo aperrear, hehe. Um bom médico precisa passar a mensagem para seu paciente e para isto é preciso que compreenda o que ele fala e muitas vezes que fale como ele fala.

Com os programas de alfabetização e com a influência da televisão muitos termos vem se perdendo,  mas mesmo os mais jovens que residem em zonas muito distantes continuam com um dialeto próprio.

Há algum tempo comecei a registrar termos populares em meus pareceres porque acho que dão uma dimensão maior à frieza da linguagem técnica e também porque acho bonito e até emocionante.  Quem presta atenção como eu acaba colecionando muitos termos e cada dia aprendo palavras novas.

Vou apelar para a memória porque infelizmente nunca havia feito uma lista. Hoje me arrependo por não ter feito um registro por escrito antes, mas tentei espremer a memória ao máximo.

Aqui um pequeno trecho de um dos meus pareceres recentes:

Queixa-se de ‘aresia, fraquecimento no lado direito e friviado’. (…) Queixa-se ainda de ‘veia triada que deu perna dura’.

Esta paciente descreveu muito bonitinha um quadro de hemiparesia à direita causado por acidente vascular encefálico, que popularmente é chamado de AVC ou de trombose. A fala mostra que por vezes ela se sente desorientada no espaço, tem disestesia no dimídio afetado e relata a espasticidade, que é maior no membro inferior. No decorrer do exame ela também diz que não ‘esburreceu’, referindo-se ao fato de achar que sua memória não foi afetada. É realmente uma outra língua dentro da língua portuguesa.

Tenho o livro ‘Ingrisia’, do Dr Iaperi Araújo. Se vocês encontrarem este livro, comprem porque é bem bacana.

“Adonde tem hômi, muié num péga no cabo da enxada”

 Frase de um agricultor robusto que me deu uma aula sobre como funciona o Regime de Economia Doméstica, de como o clã se organiza, como são as atribuições e como ocorre readaptação de função quando um dos membros adoece ou tem limitações. Foi uma das maiores lições de antropologia que a medicina me ensinou e em muito me ajudou a formular pareceres para a Procuradoria Federal Especializada. Nunca encontrei em livros a dinâmica do regime de economia doméstica como a relatada pelos meus examinandos.

TERMOS MÉDICOS POPULARES

Por Meire G (no final há colaborações enviadas por leitores via Twitter e Facebook)

ESPINHELA CAÍDA: Para alguns pacientes parece se tratar de dorsalgia ou pode ser pirose. Segundo o Professor Fernando São Paulo (no primeiro volume do seu belo “Linguagem Médica Popular no Brasil”), é uma síndrome polimórfica, provavelmente um mal estar, um desassossego, uma flatulência.

Na crença popular o melhor tratamento para espinhela caída é a reza de esconjuro, que é um pequeno exorcismo feito por benzedeiras cristãs que usam um galho de arruda e orações ininteligíveis para espantar o mal. O mito vem de Portugal, mas acredito que os médicos de lá não escutam este termo há pelo menos cem anos.

Aqui em Natal, parece-me que na Zona Norte,  ainda há benzedeiras especialistas em curar mau-olhado e espinhela caída, mas elas são mais ativas longe de capital.

Já a crença no mau olhado deriva do período de caça às bruxas durante a Inquisição, quando muitas parteiras e cuidadoras de crianças foram queimadas vivas, já que a mortalidade infantil era alta e as mulheres recebiam a culpa pelo padecimento das crianças, sendo assim sentenciadas à morte.

A inquisição passou, mas a crença no poder de uma pessoa amaldiçoar outra e fazê-la adoecer ainda persiste. Curiosamente os exorcismos para curar doenças ainda ocorrem, porém mais predominantemente dentro de algumas Igrejas Evangélicas. A Igreja Católica aos poucos têm abandonado a prática e as últimas benzedeiras não vêm sendo substituídas porque o mito popular foi ocupado pelo conhecimento científico.

Nota: Escrevi um artigo sobre Exorcismo e Cidadania, veja aqui. Conforme o Pedro colocou nos comentários, em Santa Catarina a enfermidade é chamada de ‘Arca Caída’.

FARTA DE FOGO: Dispneia

DESANUVIADO: Desorientado

TENTAR DESCER: Provocar Aborto

MUQUICE ou MOQUICE: Déficit auditivo, que pode ir de mei-môco, a môco e môco-de-tudo, dependendo do grau de perda auditiva. Quando o paciente já nasce com surdez é chamado de simplesmente de mudo, ou ‘mudinho’. A Muquice, ou moquice, é no geral um termo usado para surdez adquirida.

FEBRIL:  Se o paciente diz que está ‘febril’ na verdade ele está explicando ao médico que de fato não está com febre. Febril signitica estado prodrômico ou quadro  sub-febril, o que às vezes é chamado também de ‘FEBRE INTERNA’. Se há febre, eles usam a palavra febre, ou o termo ‘se queimando em febre’.

FEME: Pessoa do sexo feminino (fêmea). O termo é geralmente usado de maneira redundante: ‘tenho três menina feme’

BUTUCA: Olhos. Esbuticado significa exoftalmia e ‘as butuca apregada’ significa conjuntivite catarral

ÁGUA NO JOELHO: Derrame articular

ÁGUA NA BARRIGA: Ascite

ÁGUA NOS PULMÃO: Derrame Pleural

IMPINGE: Tinea corporis

ENCOSTADO AO MAIS VELHO: Quando se referem ao segundo filho. Os termos primeiro, segundo, terceiro, quarto ou quinto raramente são ditos por pessoas pouco escolarizadas e que residem em locais distantes das capitais. Você precisa ir detalhando ou usando seus dedos para localizar o filho na prole. Se a pessoa tem 5 filhos, o encostado ao do meio pode ser o segundo ou o quarto.

DERRADEIRO: Filho caçula

FIM DE RAMA: Filho caçula quando a mãe já tem idade mais avançada

INCARQUIADO: Pessoa com algum sério problema na coluna vertebral

NÓ-NAS-TRIPA: Obstrução intestinal

IR PRO MATO: Ir evacuar

DIREITO: Para o povo do nosso Estado, em alguns contextos populares a palavra direito significa obrigação. Por exemplo: ‘ela tinha o direito de voltar ao doutor, mas não voltou’. Neste caso o acompanhante revela que o paciente foi negligente, não que a pessoa teve o direito à consulta subtraído.

ABRIDURA DE BOCA:  Sonolência

VAZIO:  Espaço que corresponde à fossa ilíaca, normalmente descrito como ‘vazii’.

MORTE MORRIDA: Morte Natural. Já é pouco frequente o uso

MORTE MATADA: Homicídio

UFIÇO: Trabalho, profissão (ofício)

APUSTEMADO: Que supurou

REIMOSO: Alimento que supostamente prejudica a cicatrização e prejudica a recuperação de doenças infecciosas (“Piorei porque comi um peixe reimoso”). Curiosamente há evidências hoje de que alguns alimentos são mais imunogênicos e supostamente podem produzir reações inflamatórias em alguns pacientes.

HERME: Hérnia

SALUÇO, SALUSPO, SAL-LUÇO: Soluço

SICURA: Polidipsia

NEURA: Se refere ao médico neurologista do sexo feminino. “A minha neura é boa”

SUSPIRAMENTO: Dispneia suspirosa

ESTRUPIADO: Muito cansado e dolorido

ZAMBETA: Pessoa com genovarum

PRIVADO: Com constipação intestinal ou com retenção urinária. Quando a privação é urinária, geralmente eles complementam com ‘privado das orina’

REBOLDOSA: Essa ouvi só uma vez, de um motorista de caminhão gaúcho e pouco escolarizado.  Lembrei da Rê Bordosa de Angeli. Ele falou algo como “eu tava bom, aí veio a reboldosa”. A palavra rebordosa aparece em livros muito mais antigos que a personagem de Angeli e significa descontrole de uma situação previamente equilibrada, mas não tenho a menor ideia de sua origem. Não sei se ele aprendeu a palavra a partir do uso contemporâneo de Rê Bordosa  ou da palavra original, da qual possivelmente Angeli retirou no nome de sua personagem.

FORTE: Significa ser gordo, mas só quando o gordo é saudável

ATARRACADO: Forte (gordo) e musculoso (“Ele era atarracadozim, mas esfraquiceu”).  Para ser atarracado não basta ser gordo, tem que ser musculoso e no geral baixinho

NOS PINTEI: Nos pelos pubianos (‘pentelhos’)

LIBLINA NOS ÓIO: Turvação visual (Neblina). Também é comum NEVO NOS ÓIO (Névoa).

FRICÇÃO: Esse vi poucas vezes,  vindo do mesmo povoado de Canguaretama, acho que o nome do lugar é Piquiri. Eles usam para dar descrédito a alguma história, possivelmente o termo vem da palavra ficção. “O Prefeito disse que ia pegar bolsa-família pra nóis, mas acho que é fricção”

ABUSAR: Não tem significado de violar, significa enjoar. Se a pessoa diz ‘eu abusei da minha esposa’ não significa que a violentou, e sim que não gosta mais dela.

CATINGUENTO: Qualquer coisa que exale maus odores. Vem de catinga, que significa mau cheiro.

MULESTA: Não tem o significado de moléstia, e sim que de qualquer coisa ruim. Quando eles dizem ‘doeu que só a mulesta’ não estão comparando a dor com alguma doença, e sim afirmando que foi muito forte

BOCA MOLE: Quando a pessoa está sem fome e mastiga com preguiça

AÇUQUE: Açúcar (‘açuque no sangue’ = diabetes)

ESFRUMIGAMENTE: Parestesia. Provavelmente vem de ‘formigamento’. Este termo também é comum em vilarejos de Canguaretama.

FUGACHO: Fogacho. Calores da menopausa

ALESADO:  Pessoa com transtornos mentais que prejudicam a motricidade e o juízo crítico, mas pode ser usado também para pessoas com TDAH

ALÍVIO: Pode ser usado tanto com significado de evacuação como com o significado clássico, depende do contexto. ‘Depois que se aliviei, melhorou’

ALMORREIDA, ESMORROIDE, MORROIDE, MORRÓIDA DE BUTÃO: Hemorroidas

FANIQUITO: Impaciência

FIGO: Fígado

GOIPADA: Pode ser só a sensação do refluxo, mas às  vezes significa vômito

OLHO DE PEIXE: Verruga plantar

TÁ CA GOTA: Não significa que o paciente tem Gota, e sim que está agitado, irritado ou violento, gota no geral significa agitação psicomotora

CABEÇA-DE-PREGO: Furúnculo

CABECINHA-DE-PREGO: Foliculite

PAPOCA ROXA: Carbúnculo estafilocóccico

CARNIGÃO ou CARNEGÃO: Porção flutuante de abscesso

FIRIDA DE MININO: Impetigo estreptocóccico

PARDO: Pálido

AMAIGÔ:  Boca amarga

DISTILAR: Rinorreia

ENTREVADO: Habitualmente o termo se refere à rigidez matutina das artrose, mas também é usando para definir como a pessoa ficou durante uma lombalgia aguda

AMUJADA: Esse termo só vi de pacientes provenientes do Ceará e há alguns anos não ouço mais. Significa grávida

PÁ: Escápula

EMPANZINADO: Quando a pessoa come e acha que não digeriu os alimentos

EMPACHO: Plenitude pós-prandial geralmente acrescida de constipação intestinal. “Comi e fiquei empachado”

EMBRULHO: Enjôo

CAROÇO: Qualquer neoplasia ou nódulo

DISTIORADO: Deteriorado

ARRIPUNAR: Nausear

DISMINTIR: Significa luxar uma articulação. “Disminti meu ombro na queda”

LANÇAR: Vomitar

RUINAR: Conjugam este verbo quando a doença agrava ou quando estavam hígidos e adoeceram subitamente

ESFRAQUECER: Muitas vezes significa disfunção erétil. Para astenia usam  mais o termo seguinte.

ESMURECER: Astenia,  Fadiga. Esmuricido, esmurecimento, esmorecido.

ATANAZÁ  O JUÍZO: Tirar a paciência de alguém (possivelmente vem de atazanar)

VIXAME: Algo que fez a pessoa passar vergonha (vexame)

BACULEJO: Hipermeteorismo

BAFO: Halitose

BOCA DO ESTOIM, ESTAMBO, ESTUMA, ESTÔMAGO, ISTOMA : Epigástrio

COBRA: Parasita intestinal (‘O menino tá cheio de cobra’), mesmo que não seja um helminto

PÉ DO BUCHO: Pode ser o meso ou o hipogástrio

NA COSTA: Pode ser o dorso, mas no geral eles se referem à região lombossara

BICHO-DE-PÉ: Tungíase

BICHEIRA: Miíase

BIQUEIRO: Esse aprendi com meu sogro. Pelo que entendi é pessoa que come pouco muitas vezes ao dia.

TOMEI SÓ UMA BICADA:  Quando o paciente está alcoolizado tenta justificar alegando que bebeu pouco

AS PARTE, NAS PARTE: Quando se referem à região genital

ESSE VÍRUS:  Usado pelos pacientes com HIV. Quase nunca dizem HIV, SIDA ou AIDS

AQUELA DOENÇA: É como muitas pessoas ainda se referem ao câncer, para evitar falar a palavra câncer

SÍNDROME: Quase sempre a palavra síndrome dita isoladamente significa Síndrome de Down. “Ele tem síndrome”.

CERBRO: Cérebro

FUNDO: Ânus

BUZINANDO NO PÉ DUVIDO: Quando o paciente é taquilálico e fica falando sem parar (duvido = do ouvido)

FOI PARA A VIDA: Prostituiu-se

CAXINGA: Claudica

ACAMBITOU: Atrofiou a perna

ELE ME USOU: Quando a mulher se refere que manteve relações sexuais com o esposo/companheiro; não se refere a estupro, mas às relações habituais, consensuais. Na primeira vez que ouvi quase chamo a Polícia, então é sempre preciso esclarecer com o paciente reformulando a pergunta

CANO: Canal uretral

VILIDA, VILÍDEA, VILÍDIA: Pterígio. Não consegui a explicação para o termo. Quem souber me diz ;)

PAPEIRA: Parotidite

COCEIRA: Quando usam o termo para nomear uma doença provavelmente portam escabiose. Mas no geral usam para denominar qualquer prurido

CHEIRO CHÔCO: Similar a catinga

XUXADA: Fisgada, pode ser em qualquer parte do corpo

CIPOADA: Sensação de dor aguda e de forte intensidade, geralmente se refere às cólicas intestinais.

CULHÃO ou CUNHÃO: Testículo

ESTALICIDO: Resfriado comum

SÓ O BAGAÇO: Quando a doença deixou a pessoa muito mal

ESCURRIMENTO: Leucorreia, ‘corrimento’

QUENGA: Prostituta

VEIA TRIADA: Espasticidade Muscular

AUCHILA: Axila

DICUMÊ: Comida, prato feito.  “Eu que boto o dicumê dela”.

DESCAÍDO: Emagrecendo

IRISIPÉ: Qualquer úlcera ou pioderma nos MMII que demore a cicatrizar. Vem de erisipela.

ARIADO ou AREADO: Desorientado, sobretudo no espaço. “Ele se ariou e não conseguiu voltar para casa”

CAIR ESTATELADO: Desmaiar, perder a consciência e cair no chão sem defender-se

ÚTERO CRESCIDO: Leiomioma

CARNE DE CRIAÇÃO: Carne de bode e de carneiro

ARRUPIAMENTO: Calafrios. Uma vez um agricultor muito bonitinho disse  ‘arrupiamento de pelo’, foi com ele que ouvi pela primeira vez ‘abrimento de boca’.

ABRIMENTO DE BOCA: Bocejo anormal (sonolência por doença)

GARRAFADA: Remédio popular com fórmulas ‘secretas’ supostamente criadas pelos curandeiros mas que no geral envolvem mel, álcool e ervas locais para as quais o povo credita efeitos terapêuticos que vão desde curar unha encravada a câncer. Quando a garrafada é para problemas respiratórios geralmente é chamada de LAMBEDOR e quando combate impotência erétil é chamada de FORTIFICANTE.

CROFENAQUI, DISCROFENAQUI: Diclofenaco

NAVAGINA: Novalgina

PARACITAMÓ: Paracetamol

ISDOCLORO: Hidroclorotiazida

CATOPRI: Captopril

DIPERONHA, DIPIRONHA, DISPIRONA: Dipirona

AQUELA INJEÇÃO ENCARNADA: Dexacitoneurin

PÍULA: Comprimido

PLANTO ROÇA: Aqui no RN quando o lavrador diz que planta roça ele está se referindo ao plantio da macaxeira.

TENHO SISTEMA NERVOSO: Tem ansiedade ou transtorno ansioso-depressivo

Termos enviados por leitores do Salada Médica:

TENHO COORDENAÇÃO MOTORA: Para explicar que tem alteração em coordenação motora  (Via Pedro)

TENHO TIREOIDE: Para explicar que tem hipo ou hipertireoidismo (Via Pedro)

PATICUM: Taquicardia (via @_GiseleOliveira)

URSA: Úlcera  (via @_GiseleOliveira)

AFICA: Afta (via Lis)

ESPORÃO DE GALO: Osteófito no calcâneo (via Lis)

BUCHUDA: Gestante (via Elivânia)

TREIS SOL (‘Terçol’): Hordéolo (via Elivânia)

GOGO: Presença de esputo em infecções respiratórias, geralmente sinusite, o gogo é o gotejamento nasal posterior. (Via @uoleo)

Quando eu for lembrando de mais coisas edito o post ;)

Beijos,

Meire G

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56 thoughts on “Pequeníssimo Dicionário de Termos Médicos Populares

  1. Em Salvador(bahia),nós falamos muito a expressão Re Bordosa.
    Ex: “Ele recebeu uma Re Bordosa daquelas…”expressao muito antiga,minha avó fala bastante..rsrs
    Quando uma coisa ruim aconteceu ou quando realmente as coisas fogem do controle,mais usamos tambem para más noticias(quando eh daquelas pesadas,um “baque”).
    Bj

  2. Oi…sempre leio o que vc escreve, mas nunca comentei.
    Mas hj não aguentei, rs…
    Sou enfermeira num PSF, no interior de SP, e na minha região tem muita gente do norte e nordeste que vieram a trabalho (corte de cana), e já escutei várias dessas palavras, hj aprendi a decifrar algumas…
    Adoro seu blog, parabéns!!!

  3. Grande Meire! Adorei!
    A espinhela caída é uma doença clássica! Quando criança eu vivia na benzedeira por causa disso. E também por causa de vento virado e de quebranto! Tomei muito banho de arruda. kkkkkk. Só não sei te dizer qual o termo cientifico para esses problemas, se é que existe algum!
    Sou do Rio, mas minha família veio da roça de Minas Gerais. Reconheci diversos termos do seu glossário. Muito bacana!
    Ah, lembrei também da nivrosia (nervosismo).
    Bjs
    Claudia

  4. Olá Meire, muito legal o post! Conheço muitos, boa parte da minha familia vem da “roça” moro no interior da Bahia, aquí ainda é comum as benzedeiras rezarem de arca caida ou espinhela caída, rs, aquí é mais frequente em criança e geralmente esse mal vem acompanhado de DESINTERIA = diarréia, então a pessoa fica frequentemente OBRANO (KKKKKKKKKKK,seria o mesmo que defecando, porém, esse termo é usado referir às fezes especificamente da diarréia, ou seja, obrar é defecar fezes em jato)! Nossa, são tantos q p/ contar ficaria aquí um dia inteiro! rs Parabéns.
    Beijo.

    • Ahhh, lembrei de unma agora, CALOR NO FÍGADO, minha mãe usava muito esse expressão para diagnosticar uma alergia que eu tinha, rs, criavam bolinhas secas e brancas nos pés e nas mãos e então descamavam, ela dizia q era pq eu comia muita coisa gordurosa e o fígado reagia assim, hj não tenho mais isso mas, ainda como besteirinhas de vez em quando! E quando tive umas reaçoes alergicas brutais que deixaram meu corpo todo empolado (até couro cabeludo, pápebras, joelhos, palmas da mãos e dos pés) e coçando desesperadamente, porém, não se descobriu a que era a alergia, então o “povo” dizia que era sangue novo (kkkkkk), eu estava no início da adolescência, então dizia que eu estava “trocando de sangue”. Relembrar isso foi muito bom, espero ter ajudado. Novamente parabéns,
      Beijo,

  5. Meire,

    Achei que ja tinha colocado todos os meus comentários neste Post, mas diante da divulgação das medidas anunciadas pela Presidência da República na tarde de ontem eu voltei.
    Reli o seu texto, lembrei do Post do Igor e de tudo que estudei e ensinei na minha vida acadêmica. Também refleti a partir dos valores que me foram transmitidos por meus pais e absorvidos da minha prática religiosa. Para finalizar olhei bem para a capa da revista semanal de maior circulação neste país, que chegou às bancas no final de semana passado e concluí que faltou uma expressão a ser acrescentada no seu elenco: “Tô com vontade de gômita”!!!!!!
    Me dá um Plasil?

    Bjos
    Dolores

  6. BACULEJO: Hipermeteorismo… Aqui onde moro (MG), baculejo é o mesmo que “revista da polícia”. Tipo: Fulano levou baculejo da polícia! Quer dizer que ele foi revistado.

  7. Conheço bem boa parte desses termos porque minha mãe os usava. Ela rezou em mim muuuuitas vezes com galhos de arruda; dizia que era pra mau olhado e espinhela caída (que nunca entendi bem o que era kkk). Mas em mãe a gente sempre acredita, né! Muitas vezes quando minha mãe falava eu tinha que traduzir pras amigas o que ela estava querendo dizer. rsrsrs

  8. Uma cliente uma vez me falou que os dois filhos estavam doentes, um era “aidoso” (aids) e o outro estava com quebrante…e pra descontrair minha filha outro dia falou que estava com uma afta e precisava ir ao aftamologista!!

  9. Aqui na minha região piriri é diarréia.
    Quando uma pessoa tem um ataque histério, disse-se que deu piti. Mas me lembro que quando trabalhei no hospital, até mesmo os médicos diziam que paciente estava dando piti quando fingia doença. O desmaio era o mais comum e até engraçado.

    Espero que este post chegue aos médicos estrangeiros.

    Beijo

  10. A minha avó paterna é pernambucana e ela tem uns termos bem engraçados, mas os que eu mais gosto é :
    Sunguela ou sunguelo = pessoa magra e pequena
    Cabra cavalo = pessoa que come muito rsrsrs

  11. Meire, parabéns pela iniciativa maravilhosa! E superútil!
    Vou compartilhar seu post com colegas dicionaristas que com certeza também curtirão muito.
    Alguns termos que você listou estão dicionarizados como regionalismos, como, por exemplo, caxingar, o mesmo que coxear. Vale dar uma olhada no dicionário Houaiss, a edição grande, pode ajudar a esclarecer alguns termos. Abraço!

  12. Meire,

    Achei muito interessante este post, confesso que ri muito com alguns termos! A propósito, o piriri que a Eliane citou é diarreia, “dor de barriga”. E “piti” vc já ouviu falar Meire? Não é um termo utilizado por pacientes, mas muitas das vezes por profissionais da área da saúde.

  13. Meire,

    Adorei os termos. Eu que ja colhi centenas de depoimentos em minhas pesquisas sei o quanto eles estão presentes na linguagem cotidiana. Só senti falta de dois: frieira e perca, este segundo, na verdade, é a quantificação daquilo que se perde.

    Bjos
    Dolores

  14. Um dia minha amiga furou um compromisso por que disse ela estar com piriri! Hãm, perguntei, que isso?Tão comum e eu não conhecia essa expressão, já ouviu falar?Bjs!

  15. Parabéns Meire. Vc é mais do que só uma médica, é humana. Tem compaixão [coisa rara hoje em dia] com pessoas menos favorecidas.

  16. O que também acontece é dizer que tem uma coisa para querer dizer que não tem ou tem algum problema com esta coisa. Explico hehe: já ouvi uma pessoas dizer que a filha dela “tem coordenação motora”. Tentei explicar que o médico deve querer ter dito que a filha dela tem falta de coordenação motora. Mas ela disse que não, que se lembra que o nome da doença era este mesmo: “coordenação motora”.

    Também tem gente que diz que “tem tireóide” e por aí vai…

    • E sobre o “tenho tireóide” (querendo dizer que tem algum probela na tireóide) eu não ouvi só de gente “simples” e sem escolaridade, não. Por incrível que pareça, já ouvi de gente inclusive com curso superior.

      • Aqui também é comum, engraçado como alguns regionalismos se repetem mesmo a gente estando tão distante ;)

    • É mesmo Pedro! Vou acrescentar lá quando editar o post. E muitos dizem ‘tenho sistema nervoso’ quando se referem à ansiedade. Beijo

  17. Meire, com alguns ri muito, quando li aquela doença, ou aquele vírus chorei.
    vou acrescentar alguns:
    Tá buchuda= grávida
    Tô com um Oi de sol, ou treis sol = terçol ou hordeólo.

    • Pedro, que interessante! Pensei que poraí a crença já tivesse morrido. Bj

      • Na verdade, já praticamente morreu. Mas quando eu era criança me lembro dos descendentes de açorainos (o que aqui se chama de “nativos”) mais velhos falando nisto… Beijo.

      • Quando eu era pequena lembro que em uma viagem para o nordeste (morei em São Paulo até a adolescência) eu estava com febre e uma vozinha me benzeu, hehe.Bj

  18. Oi Dra Meire, é interessante que o médico que venha do exterior tenha acesso a um material como esse, parabéns pela iniciativa. Meu avô uma vez que teve afta ele chamava de “afica”. Minha mãe chama esporão do calcâneo (não sei se o nome da enfermidade é essa mas é algo como se o osso ficasse com pontas no calcanhar) de “esporão de galo”. Outra vez que tive infecção renal minha mãe dizia para a médica que era “dor nas urina” e a ultima coisa que eu escutei mas que também não entendi muito bem foi ” tô com um embrui no estombo/estomo rodando” de uma senhora que estava vomitando.

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