Meu Querido Diário: Onde comer e beber em Natal?

kitty pensativo

Oi gente!

Quem tem Alergia ao Trigo, Doenca_Celíaca ou Sensibilidade ao Glúten sempre corre bastante risco de adoecer quando come ‘na rua’.

Em pizzarias ou padarias não especializadas pratos supostamente sem glúten podem facilmente sofrer contaminação cruzada com a farinha de trigo que predomina no ambiente, então são locais que, com algumas exeções, não são seguros para intolerantes ao glúten.

Em boa parte dos self services de Natal, inclusive os mais caros como o Mangai,  se usa temperos industrializados populares tipo Maggi, Knorr, Fondor e ‘Meu Tempero’ (quase todos com glúten), há compartilhamento do óleo de frituras normais com frituras empanadas e a comida exposta para consumo é manipulada por várias pessoas, muitas das quais infelizmente nunca receberam educação em higiene de alimentos para entender que cada talher servidor deve ser usado só dentro do prato em que foi colocado e que não se deve encostar o talher servidor em seu próprio prato.

Tem gente que ‘apalpa’ e arruma a comida em seu prato usando o talher servidor e o devolve para o prato de origem melecado com o que já estava no seu próprio prato. Quem que faz isso pode até matar uma pessoa que tem alergia a camarão ou a amendoim, por exemplo. É assim que muita gente acaba no pronto-socorro com edema de glote ou passa a acreditar que tem uma nova alergia quando de fato a colher com a qual retirou o seu arroz da bancada do self service estava contaminada com o molho de camarão do prato de outra pessoa. Se você frequenta self service e não foi orientado quanto a isso, dissemine a educação.

A contaminação cruzada que por motivos até admissíveis pode ocorrer em self services, pizzarias ou padarias é completamente condenável em restaurantes à la carte em que os pratos com glúten sejam exceção e sobretudo onde há gastrônomos e/ou nutricionistas chefiando equipes, mas mesmo assim enfrentei e enfrento alguns problemas aqui em Natal.

Problemas

Por mais incrível que pareça muita gente que trabalha com alimentos confunde glúten com lactose, não sabe exatamente do que se trata o glúten ou imputa pouca importância à contaminação cruzada, mas por outro lado todos os trabalhadores dos locais que procuro tem sido receptivos e hoje o panorama já está diferente. Ocorre que celíacos acabam se privando de comer fora porque é complicado,  mas acho que precisamos sair do armário. Cada celíaco que se aventura em um grupo de restaurantes acaba facilitando a vida de pessoas com o mesmo problema ou com outras intolerâncias.

O Outback, que está para chegar em Natal, possivelmente será de grande influência para o setor já que conta com equipe treinada e com cardápio que especifica como você pode pedir seu prato sem glúten ou sem lactose e por isso é um dos locais onde me sinto mais segura e que sempre frequento quando viajo.

Aqui em Natal me sinto mais confiante porque já testei e conheço os locais onde posso comer mas quando viajamos é um sacrifício.

Das cidades por onde passei nos últimos meses Porto Alegre foi a mais acolhedora neste sentido. No restaurante da PUC tem até plaquinha acusando a presença de glúten em pratos específicos e até em um fast food de shopping a garota que veio  nos atender realmente conhecia todos os itens do cardápio, soube me orientar perfeitamente e ainda foi pessoalmente à cozinha prestar orientações adicionais para evitar contaminação cruzada, inclusive achei uma fofura ela não me deixar pedir batatas fritas. E a cidade mais complicada foi o Rio de Janeiro, onde me senti extremamente perdida. No Rio acabamos comendo basicamente em shoppings onde encontrávamos franquias já conhecidas.

Já falei aqui sobre acidentes que ocorreram comigo. Dois deles foram relacionados a informações erradas prestadas por um restaurante gourmet e por uma grife de chocolates o que me deixou chocada e assustada. Uma quantidade insignificante de glúten pode me levar ao pronto-socorro. Da última vez fiquei sem conseguir andar, com febre e muita fadiga, e desde então todos os cuidados estão redobrados.

Em Natal há muitos celíacos porque no Estado houve maior colonização europeia do que negra. O Estado do Rio Grande do Norte é basicamente formado por descendentes de índios com europeus.  Já na década de 90, quando nem se falava em intolerância a glúten e mesmo com todas as barreiras para acesso a exames especializados, o Departamento de Pediatria da UFRN já publicava relatos de casos e alertava sobre o subdiagnóstico da doença.

A Doença Celíaca já tinha um espectro considerado grande há algumas décadas e este espectro vem se somando às descrições de intolerâncias não-celíacas ao glúten, então o número de pessoas que melhoram de seus sintomas gastro-intestinais e extra-intestinais quando cumprem uma dieta adequada tem sido cada vez mais digno de nota.

Prevejo que os casos ainda não diagnosticados emergirão quando os médicos se atualizarem mais, já que a sensibilidade não-celíaca ao glúten é uma entidade relativamente nova e ainda meio nebulosa porque se comporta clinicamente de maneira algo similar à Doença Celíaca mas por mecanismos diferentes, o que implica em critérios diagnósticos diferentes. Os restaurantes que não se adaptarem perderão muitos clientes, já que a pessoa com intolerâncias alimentares é fiel aos estabelecimentos seguros e consequentemente toda sua família passa a frequentá-los.

Natal recebe muitos turistas, dentre eles, vários celíacos. Então vou aproveitar o alcance do Blog para citar onde me sinto segura e sempre sou bem atendida.

Prometo atualizar a lista sempre que houver novidades ;)

 

1. TAKAMI JAPANESE RESTAURANT, resenha sobre ele aqui

Há muita opção para quem tem intolerância ao glúten e há dois pratos quentes que não precisam de adaptação: o camarão com bifum (contém lactose mas o chef faz substituições) e o salmão grelhado. Eles não contam com sobremesas sem glúten, então sempre levo na bolsa meu chocolatinho amargo. Tudo sempre muito perfeito, os donos são um amor, os garçons são ótimos.

2. RESTAURANTE ABADE, aqui

Um dos que frequentamos mais porque nossa família ama, foi o restaurante que escolhi para comemorar meu último aniversário. Os maitres são super atenciosos e criaram um molho para acompanhar a minha carne preferida. Há risotos sem glúten (eba!) e eles adaptam a receita do bacalhau que mais gosto.

3. FAROL BAR

Este fica na Praia do Meio, tem comida realmente tradicional do Nordeste com direito a todos os pecados da gula como manteiga de garrafa, aipim e peixinho frito, picanha no espeto com muita gordura, camarão no alho e óleo. Ambiente bem simples, sem ar condicionado, sem maitre, sem gastrônomos (o dono é quem assa as carnes) e com vista para a praia. Conta com garçons com poderes telepáticos porque a gente faz o pedido e o pedido aparece como por encanto, hehe. Ninguém sabe o que é glúten por lá mas isso não faz a menor diferença. Eles não usam glúten em quase nada, não há temperos industrializados e todos os empanados são feitos com farinha de mandioca ou de milho, porque é assim que é feito no sertão e não com farinha de rosca como os restaurantes para turistas fazem. De tudo que fucei por lá só encontrei algumas sobremesas com glúten (são terceirizadas e ficam separadas) e um prato que vai banana empanada com farinha de rosca mas que quase ninguém pede.  A batata frita é 100% segura porque eles não compartilham o óleo da batata com o da banana. Adoro comer feijão verde!

4. FOGO & CHAMA Steak House

Churrascaria de alto padrão com buffet quente e frio, loja de vinhos, vista privilegiada da Ponta do Morcego, é de chorar de tão lindo. Tem que ir disposto para comer muito, geralmente aportamos por lá nas quintas ou sextas-feiras sem pressa para sair.  Para agravar mais a gordice, a Fogo & Chama tem pudim sem glúten, torta de chocolate sem glúten, drinks com leite condensado (ui ui) e doces de frutas tropicais também sem glúten.

Para se servir no buffet basta chamar o cozinheiro que é extremamente desenrolado e solícito, ele é um fofo, ou a moça que reabastece o buffet porque ela conhece bem o cardápio e não dá respostas do que não sabe, vai conferir. Há poucos itens com tempero industrializado, recomendo que vocês sempre chequem prato por prato porque há saladas que contém glúten bem como alguns molhos.

Eles preparam uma salada separada sempre que me sinto insegura e há várias opções de pratos quentes sem glúten. Não recomendo a batata portuguesa para quem é intolerante ao glúten porque o óleo também é usado para fritar bolinhos com farinha de rosca, mas o Igor adora, diz que a batata é no ponto e super sequinha.

Eles não assam pão junto com a carne, o que dá ainda mais segurança. As carnes do churrasco são temperadas no estilo gaúcho (só sal), mas há carnes (como carneiro e faisão, por exemplo) que talvez contenham Fondor, mas é só conferir.

Nunca consumo aves em churrascos por sugestão de um dos Chefs do Camarões, que também me sugeriu nunca confiar em molhos salvo se a informação dos ingredientes for muito bem detalhada, já que muitos molhos recebem cerveja ou farinha de trigo ou temperos industrializados. Os donos são muito atenciosos e costumam circular entre os clientes. Comemoramos o último aniversário do meu marido lá. Na última viagem para Natal minha mãe adorou me ver comendo sem medo de ficar doente, é isso não tem preço.

5. CAMARÕES do Midway

O Camarões tem uma equipe de garçons bem treinada e, com exceção do fato de muitos ainda confundirem lactose com glúten, nunca tive problemas porque eles são bastante prestativos e também não respondem qualquer coisa quando não sabem. Se for preciso você pode sugerir substituições no cardápio ou chamar o Chef para auxiliar você na escolha. Fiquei bem feliz porque um garçom relatou que eles estavam estudando modificar o cardápio registrando informações mais específicas sobre os pratos. Perfeito!

6. REAL DE 14

Sorveteria artesanal de altíssima cremosidade, praticamente um crime. Até o presente a única sorveteria que encontrei em Natal que conta com lista de sorvetes com e sem glúten e com pessoas que sabem dar informações, se há outras ainda não conheço. A filha do dono é nutricionista, os funcionários são super simpáticos e cuidadosos para não levar sorvete de um recipiente para outro e o atendimento é sempre ótimo. Eles têm brownie sem glúten que é aquecido na hora para acompanhar seu sorvete bem como frozen yogurt sem glúten. Um paraíso engordativo.

6. CHINA IN BOX

Para pedir comida em casa nos dias de preguiça. O China tem lista com pratos com e sem glúten que fica na bancada de entrada da loja,  é preciso que você conheça bem o cardápio antes de pedir por telefone porque os funcionários que prestam atendimento direto ao cliente podem se confundir. Nunca me contaminei lá.

7. LUWAK Café, por trás da Têca em Petrópolis, aqui

As meninas que comandam o café são nutricionistas. Há quiche sem glúten, massa super delicada e bolo de chocolate sem glúten (delicioso), fora que tem água saborizada com cardamomo que adoro (e que dizem ser alcalinizada, mas não que isso realmente importe para a saúde). Não conheço outra opção de lanchonete ou café em Natal nos mesmos moldes.

Por enquanto é isso!

Meu muito obrigada com todo amor e carinho aos proprietários destes estabelecimentos e que eles sirvam de exemplo para outros em Natal. Além do maior cuidado com o cliente fazer parte de uma demanda social cada vez mais evidente, isso gera mais credibilidade para a Empresa.

Um beijo,

Meire

@meire_g

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33 comentários sobre “Meu Querido Diário: Onde comer e beber em Natal?

  1. Super me identifiquei com você! Sou celíaca e treino muay thai! Cheguei ao seu blog por acaso, ao procurar shorts de muay thai no google. Seu texto me foi de grande valia, bem como seu vídeo no youtube. Mesmo tendo retirado o glúten da minha dieta, frequentemente ainda tenho alguns sintomas (que, inclusive, não havia corelacionado à doença celíaca, como a fadiga e enxaqueca), principalmente dermatite herpetiforme, devido a contaminações por mim desconhecidas. O exercício de tomar nota, ainda que mental, de alimentos diferenciados consumidos é realmente de extrema importância. Graças a ele é que tenho conseguido identificar o que pode estar com contaminação para evitar reincidências. As dicas de restaurantes foram excelentes, uma vez que em setembro viajarei para Natal para um congresso e, infelizmente, perderei o controle que tenho sobre minha dieta. Já ouvi algumas zombarias sobre minha bolsa térmica que levo todos os dias para a universidade, mas sou obrigada a sair de casa com tudo o que comerei durante o dia (minha situação é ainda agravada pelo fato de ser intolerante a lactose e vegetariana). A UFMG infelizmente não dispõe da identificação da presença do glúten nos pratos de seus restaurantes, exceto no restaurante popular. Piores ainda são as opções para os lanches, que são reduzidas a pão de queijo e salada de frutas. Sua dica para evitar self service foi sensacional! Não havia refletido sobre o uso de recipientes e colheres de servir contaminados, bem como de temperos e farinhas para untar. Por fim, parabéns por sua dedicação ao seu público. Me senti acolhida lendo as respostas dadas aos comentários anteriores! Ótimo trabalho!

    • Oi Sylvia!

      Tem que atentar para tudo, o tempero completo é um dos culpados por nossa contaminação porque muitos restaurantes esquecem de avisar quando estamos pesquisando os ingredientes. Tem que se habituar a perguntar se a forma foi untada, se no molho tem cerveja, se tem tempero completo…
      Uma dica que um chef daqui me deu foi evitar molhos em geral e evitar comidas com frango, que geralmente acabam recebendo caldos industrializados. Um beijo e seja muito bem vinda!

  2. Oi Meire…

    Me identifiquei com os comentários acima da Daniele e também digo aos garçons/cozinheiros: “….tem certeza, pois sou alérgica e posso morrer em seu restaurante…”

    Infelizmente, às vezes preciso falar assim parar entenderem que não é frescura.

    Bjm.

    • Karine,
      A necessidade disto demonstra a falta de preparo, a culpa nem é dos garçons e sim de seus superiores. Quando percebo algo do tipo sempre procuro os proprietários do local ou entro em contato pela internet porque é muito estressante pra gente. Beijo!

  3. Oi Meire!!!

    descobri que sou intolerante não-celíaca ao glúten há dois anos. E quem mais sabota a minha dieta sem glúten sou eu mesma. Acabo caindo na tentação de muita coisa mesmo sabendo que vou passar mal. Acho muito difícil seguir a dieta 100%. Meus sintomas aparecem sempre pelo menos um dia depois e são muitos parecidos com os do celíaco. Quem descobriu a minha intolerância foi a minha nutricionista funcional. A minha gastro, que não é muito informada em relação a esse assunto, não acreditou na intolerância já que nos exames de sangue não acusou a doença celíaca. Mesmo eu explicando os meus sintomas e ausências deles com a retirada do glúten (assim que eu descobri consegui ficar um bom tempo seguindo a dieta direitinho). Então, as orientações que eu tenho relação a intolerância são apenas da nutricionista e não tenho nenhuma orientação médica. Pelo que entendi, apesar dos estudos serem meio incertos ainda, que quem é intolerante não-celíaco não precisa se preocupar com a contaminação cruzada e não tem tando problema escorregar na dieta como pro celíaco já que a intolerância não é uma doença autoimune e não tenho a feriada na mucosa do intestino. Você sabe ou já leu alguma coisa em relação a isso? Ah, moro em Florianópolis e aqui até tem bastante informação a respeito do glúten. Ainda não é um paraíso mas é bem melhor do que em Brasília (cidade onde eu nasci) e os preços dos produtos sem glúten e sem lactose não são tão absurdos. Floripa de um modo geral, na minha opinião, tem muita opção para uma alimentação mais natural e saudável. Minha alimentação melhorou bastante depois que vim morar aqui.

    bjos sua lindinha

    • Aline,
      Eu tive sorte de ir a um gastro ultra atualizado, não tem sido fácil, tem muita gente doente mesmo com a provocações sendo positivas e os testes de laboratório negativos. Atendi uma pessoa com sintomas de artrite nas mãos que melhora sempre que tira o glúten, mas o médico dela manda voltar a consumir alegando que os testes são negativos mesmo ela não tendo outro diagnóstico e se queixando de distensão abdominal e prisão de ventre (fiquei com vontade de chorar com pena dela e não pude fazer nada), isso é um dos problemas de diagnóstico de livro. Infelizmente há profissionais que valorizam mais os exames do que o quadro clínico do paciente, o que é lamentável porque é mais importante a pessoa ficar bem do que ter um rótulo dando um nome para sua doença pois no fundo não importa se você é celíaca ou não. Se você adoece sempre que consome glúten e os sintomas sempre desaparecem quando você cumpre corretamente a dieta, você pode até não ser celíaca, mas pode ser alérgica ao trigo ou ter intolerância não-celíaca ou até outro problema qualquer que ainda nem foi relatado. Aventa-se a possibilidade de efeito placebo mas no seu caso parece bem claro porque mesmo querendo comer glúten e se contaminando voluntariamente você adoece. Dois anos de expectação, adoecimento certo após consumo de glúten, assintomática com dieta, não vejo motivos para voltar a transgredir.
      Já há consenso de que o tratamento para o intolerante não-celíaco, para o alérgico ao trigo e para o celíaco é o mesmo, dieta rigorosa sem glúten. As diferenças são nas vias imunológicas e em algumas comorbidades, mas a clínica tem interseções nebulosas que não permitem liberar uma pessoa para voltar a comer glúten. O não celíaco pode desenvolver por exemplo artrite e outras manifestações, como derrames pleurais e reações tipo doença do soro e desenvolver fadiga crônica, o que acho particularmente grave, pois os sintomas do não-celíaco são frequentemente extra-intestinais e não me parece uma boa ideia continuar agredindo o sistema imunológico. Antes de tirar o glúten eu tinha fadiga crônica, tinha febre à tarde, todos os dias. Em 2007 eu tinha feito exames que foram normais e até hoje tenho essa mágoa, o glúten poderia ter sido retirado naquela época pelo menos para observar por um tempo porque o médico pediu os exames acreditando que eu era celíaca e eu teria me poupado da fadiga crônica que me acometeu por mais quatro anos até eu resolver retirar o glúten por minha conta e depois procurar outro profissional. Alguns casos de fadiga crônica relacionada a casos imunes simplesmente não melhoram. E não se sabe se o não-celíaco vai desenvolver doença celíaca mais tarde ou até se os não celíacos seriam os futuros celíacos refratários (o que é pior) porque a sensibilidade do não celíaco é extremamente alta. Eu sugiro que você não arrisque consumir glúten voluntariamente até evidências científicas em contrário, já que acidentes podem ocorrer e já são suficientes para promover adoecimento. Eu só volto a consumir glúten voluntariamente quando aparecer alguma revisão sistemática muito conclusiva que ateste ausência de riscos, pois o fato de não estar com o intestino atrófico quando tive o diagnóstico não me deixa completamente segura para arriscar desenvolver outra doença em razão das constantes agressões contra o sistema imune. Talvez você não se sinta muito motivada à dieta porque não tinha sintomas muito violentos (ainda bem!) nem fadiga ou febre que fizessem com que você rejeitasse a ideia de comer glúten voluntariamente, mas pense em tudo que falei. Se aparecerem novidades posto no Blog. Sempre pesquiso no banco de dados da Universidade de Stanford. Acho que quando a nossa saúde está em jogo o excesso de cuidado equivale a um tratamento isento de riscos (sem remédios, sem efeitos colaterais, só dieta) não há muito o que se questionar. Um beijo, querida! Boa sorte.

      • Oi Meire! Não sou a Aline, mas lhe agradeço em nome dela esta verdadeira consulta-aula. Vou fazer um resumo, imprimir tudo e levar para os meus médicos, que com certeza não conhecem nada do que vc falou já que nenhum deles nunca nem tocou no assunto comigo tendo em vista a fatiga e outros sintomas dos quais sempre me queixei. Obgada por vc se dispor a ajudar quem vc nem conhece! Bjo, querida!

      • Oi Clara,
        Boa sorte, querida!
        Mas é preciso ter atenção quanto ao efeito placebo. Se os testes de laboratório são negativos é preciso observar um bom tempo, passar a consumir glúten de novo, ver o que acontece e interromper o consumo de novo para ter certeza. A dieta é muito sofrida, há muitas limitações e sacrifícios. Só fique sem o glúten se realmente ficar bem claro que ele é o culpado pelos seus sintomas. Sugiro que faça a dieta e anote todos os dias em um caderninho o que você sente e vá vendo como seu organismo ( e psicológico ) responde. Quando comer fora anote tudo que comeu e onde, veja como você fica nos dias seguintes e se tiver algum problema volte ao local para checar se não consumiu glúten. beijo!

      • Meire querida,

        obrigada pela atenção e presteza. Eu realmente não posso continuar agredindo meu sistema imunológico. Agora mesmo estou tendo uma crise de virose com uma dor no corpo intensa que eu tenho quase certeza que está ocorrendo porque me contaminei com o glúten. Antes de descobrir a intolerância tinha viroses constantemente. Quando fiz a dieta certinha nunca mais tive. Mas como é difícil seguir essa dieta né?! Isso que me desanima. Como a de todo mundo, minha vida é super corrida, almoço em restaurantes de buffet todos os dias e não tem como eu voltar pra casa. Então teria que levar uma quentinha pro trabalho e fazer a comida em casa à noite no dia anterior. Sendo que não sou lá essas coisas na cozinha e nada criativa. Mas eu sei que se eu quiser ter uma vida saudável eu tenho que tomar uma atitude na minha vida. Além da intolerância ao glúten eu tenho intolerância a lactose e síndrome do intestino irritável. Então eu realmente tenho que levar a sério.

        obrigada por estar sempre nos alertando e informando,

        bjos

      • Aline,
        Talvez você nem tenha intolerância a lactose nem colon irritável, sabia? Às vezes os sintomas relacionados a intolerância a açúcares ou os similares ao cólon irritável desaparecem quando a dieta sem glúten é bem cumprida. Beijo!

  4. Eu ameeeei esse post, você é realmente maravilhosa! Já estou com água na boca, vou hoje mesmo conferir a churrascaria fogo e chama!!!

  5. Oi Dr.! Pena que ainda tenham tão poucos estabelecimentos que ofereçam uma dieta especial. A Real de 14 é um paraíso mesmo =3 d vez em quado vou lá comer o sorvete de tiramissu e brownie, muito bons!!! Prefiro lá à Tropical pq nesta só tem sorvete de fruta, e eu sou fã de choco.

    • Lu,
      E tem dois sabores de chocolate sem glúten fora o frozen de chocolate ;)

  6. Oi Meire, acompanho seu blog há algum tempo e gosto muito do que você compartilha com a gente (principalmente quando é sobre cosméticos, hehe). Moro em Natal e também sou celíaca. Descobri a doença há quatro anos e de lá para cá já passei por poucas e boas nos restaurantes aqui da cidade, devido ao despreparo dos profissionais. Passei um tempo sem comer fora de casa, pois não confiava nas informações de garçons/cozinheiros. Além disso, tinha preguiça, pois sempre tinha que fazer mil perguntas e dar mil explicações para pessoas que sempre faziam cara feia pro meu lado. Eu sempre pergunto se o prato contém farinha de trigo ou farinha de rosca ou pão ou biscoito etc etc e quando a resposta é negativa eu exagero logo: “Tem certeza? Porque se tiver eu posso morrer aqui no seu restaurante”. Só assim, para levarem a sério. E geralmente quando digo isso eles informam que têm quase certeza, mas que vão confirmar na cozinha. Não é nada fácil comer fora de casa, mas tenho a impressão de que essa situação está começando a mudar, já que, como você citou, já existe estabelecimentos que estão preparados para receber adequadamente pessoas com restrições alimentares como a nossa. Sonho um dia poder sair de casa e ir num restaurante totalmente gluten free, da entrada à sobremesa! Bjs

    • Daniele,
      O problema maior é isso do garçom não dar importância e responder sem saber direito, mas é falta de orientação. A rede em Natal ainda é despreparada para a diversidade, quando estive em Porto Alegre a diferença que percebi foi gritante. Quando a gente explica que pode passar mal e ficar muito doente se eles derem informação errada eles entendem, às vezes eu prefiro dizer que é alergia porque é um termo mais popular. Mesmo nos locais onde vou sempre checo tudo de novo, vejo se mudou alguma coisa, porque às vezes há funcionários novos. Temos que perguntar tudo, se teve forma untada com farinha, se tem cerveja no molho, se a pessoa tem certeza que não tem tempero completo, como é a bancada, se é feito tudo separado… Vou ao Mina Dagua novamente, porque fui uma vez lá e achei tudo muito organizado e muita coisa sem glúten. Beijo e boa sorte!

    • Daniele, mas é isso mesmo; tem que perguntar tudo sempre. No Mangai, por exemplo, a nutricionista disse que os cozinheiros mudam e cada uma tem sua própria forma de fazer as comidas, então não dá para confiar.
      Como Meire disse, é mais fácil dizer que é alergia e citar os possíveis ingredientes e pedir para o garçom conferir com o cozinheiro. Cara feia ou não, é dever dele servir o cliente e ser prestativo dentro da razoabilidade. E se você notar que o garçom está de cara feia, peça para falar direto com o cozinheiro (precisamos fazer isso no Camarões uma vez) e se informe sobre qual prato é o mais seguro.

    • Pedro,
      Adorei tudo em Porto Alegre e já me falaram que em Florianópolis é melhor ainda, possivelmente porque há muitos celíacos (colonização europeia) aí no Sul. Eu ia pra Bahia em maio mas estou desistindo… Quem sabe não vou a Floripa? Hehe. Beijo e obrigada!

  7. Oi, Meire Linda! Vc já deve estar cansada de ler comentário meu, né?! Tentarei me controlar.
    Lendo este seu post eu me lembrei daquele outro do início do ano aonde vc fala da sua meta de emagrecer.

    Então, nessas coincidências lindas da vida eu descobri um site que se chama emagrecer de vez, e a primeira matéria que li lá foi sobre o trigo e num dado momento ela fala da doença celíaca.

    Fazendo o que o artigo recomenda eu já emagreci uns 2 quilos em 10 dias.
    http://emagrecerdevez.com/trigo-uma-droga-que-voce-usa-e-nao-sabe

    Obs: no site, o Rodrigo (escritor do site) está vendendo um livro on line que ele escreveu sobre emagrecimento, e as propagandas desse livro, a princípio, me passaram uma má impressão., porque fica parecendo aquelas propagandas de shoptime. Mas eu entendo que o rapaz precisa trabalhar, e por que não vender um livro que ele mesmo escreveu em seu próprio site cujo acceso é gratuito? De forma que o medo de estar sendo enganada passou; até por que todo o conteúdo do livro está espalhado pelo site. Não li o site todo ainda, só mesmo esse Link acima, mas estou feliz por ter perdido os 2 quilos.

    Não publique esse comentário, por favor, caso vc, como médica, ache o site uma balela, tá?! Eu sou leiga e não entendo dessas coisas como vc! Bjo, querida!

    • Achei o sujeito alarmista e exagerado. O trigo não é uma “droga”, como ele coloca – muito menos sendo semelhante a heroína ou morfina.
      Ele também fala em digestão de carboidratos e parece não entender bem o que isso significa. Se você perdeu peso foi porque diminuiu a ingestão de calorias vazias (sem nutrientes extra) e não porque o trigo é uma droga viciante. Cuidado com esse tipo de alegação.

      • Clara,
        O Igor resumiu bem.
        Quando retiramos o glúten pode haver perda de peso pelo corte geral de calorias. Mas quem tinha desnutrição pela doença Celíaca até engorda. Como já conversamos, acho que vale a pena você manter a dieta sem glúten para observar o que ocorre e depois fazer os testes médicos. Beijo!

      • Oi Igor! Que gracinha vc aparecendo aqui para ajudar seu amor! Vcs são tão lindos! Obrigada tb pelo seu comentário e alerta – eu tb fico meio de pé atrás com alegações mto exageradas, radicais e alarmistas. Aos pouquinhos (mas bem devagar mesmo) eu vou lendo o site, por isso não tenho opinião formada ainda. Só sei que logo após ler esse negócio do trigo (que me deixou pirada!) ouvi a entrevista com um médico postada lá no site (post card 5), e aí que fiquei mais pirada ainda (resumindo, trata-se de uma dieta chamada peleolítica, uma coisa mais ou menos assim). Como minha situação está feia mesmo (sobrepeso + cansaço extremo + depressão acentuada), e como eu sou tb mto curiosa e empírica, resolvi colocar em prática o que li e o que ouvi. Estou comendo carne todo dia (coisa que eu fazia raramente, pois não gosto de carne), comendo vegetais aos quilos (grelhados e em forma de sopa, coisas que eu amo!), e de vez em quando um ovo mexido, sempre que tenho fome, e tirei o pão integral: antes era pão de manhã, no meio da manhã, no almoço, no café da tarde, no jantar e na ceia! Ou seja, como vc falou eu só ingeria calorias vazias. O resultado é o que eu já falei: perdi 2 quilos, intestino funcionando, e estou muito melhor, mas muito mesmo. Eu vou continuar assim, lendo o site dele devagarinho e pinçando uma coisa ou outra. Depois lhes conto o resultado. Um abraço e mto obrigada!

  8. Meire, estive recentemente na Florida e percebi em vários restaurantes a preocupação em alertar dos pratos glutén free (GF do ladinho da descrição dos mesmos). Como médica apesar de ter estudado de uma forma básica a doença celíaca (dra. Jussara e dr. Hélcio Maranhão mandam um beijo…kkkk) já estava atenta a vários sinais atípicos que ela pode apresentar, dentre eles a depressão. Gente, isso é importante. Acredito que certas patologias tipo migrânea também tem uma relação com essas intolerâncias alimentares, incluso o glúten. Como já ouvi falar por aí, “doença celíaca apenas a ponta do iceberg”.

    • Maria Cláudia,

      A Suzana Houzel tem sensibilidade ao glúten e descobriu por causa da enxaqueca. O problema é que alguns médicos ainda ligam o glúten só à doença celíaca, mas este panorama está mudando. Mas também é preciso evitar achar que a dieta seria uma panaceia capaz de curar um monte de coisas, que também não é. Que encontremos o equilíbrio, né? Beijo!

    • Meire e María Cláudia: aonde leio mais sobre depressão e doença celíaca? Tenho 37 anos de vida, e desde os 13 anos sofro de depressão profunda. Somente aos 23 anos comecei a tratá-la e que eu saiba eu já tomei todos os medicamentos para tal, mas sou refratária a todos, nada faz efeito em MIM. Terapia?, já tentei de tudo, mas os próprios psicólogos admitem não poder me ajudar. Já tive 2 namorados médicos e ambos tb não souberam o que fazer comigo, e me sugeriram procurar um neurocientista. Procurei mas não achei! Prá piorar, de 2 anos prá cá tenho hipotiroidismo, o que piora mais minha vida. Como estou há 10 días sem ingerir nada de farinha, de acordo com o Link postado no comentário anterior a este, nos primeiros dias eu fiquei acamada, numa tristeza e cansaço sem fim, agressiva e insuportável. Acho que foi abstinência do pão, base da minha alimentação até então. Passados os primeiros dias de total paranóia, há 3 dias estou bem melhor, menos cansada e escrevendo nos blogs da tríade feito doida, e isso eu faço qdo estou bem. Será que eu tb sou celíaca, gente? Eu queria tanto ficar livre desse peso… Desculpem o desabafo, mas aqui na España eu estou desamparada. Obgda!

      • Clara,
        Primeiro tem que ver se você realmente está sem consumir glúten, pois há glúten em vários alimentos e que sintomas associados (como distensão abdominal e outros), bem como se você mantem a melhora com o passar dos dias da dieta.
        Eu tinha uma fadiga sem fim, sumiu commpletamente.
        Se você ficar bem mesmo com dois meses de dieta rigorosa já é um bom teste porque no começo pode haver melhora só psicológica mesmo. Aí tem que procurar um gastro para discutir o diagnóstico. Se os testes para doença celíaca forem negativos você reintroduz o glúten para ver o que acontece. Se os sintomas voltarem, corte o gluten de novo, espere mais um tempo e faça outro teste. Se ficar muito claro que sem glúten você fica bem e com glúten fica mal você pode até não ser celíaca mas pode ter sensibilidade ao glúten, como por exemplo pessoas com enxaqueca ou com fadiga crônica podem ter. Beijo e boa sorte!

      • Oi, Meire linda! Obrigada, mas mto obrigada mesmo, pelas suas dicas. Daqui uns 3 meses devo regressar ao Brasil e aí procurarei os médicos, já tendo feito essas experiências que vc mencionou e já com novas informações para trocar com eles. Interessante vc ter tocado nesse assunto de distenção abdominal, pq meu abdómen está há um tempo bem inchado, estufado, parecendo barriga de grávida no início da gravidez, mas não é gordura. E eu nunca tive isso antes! Eu até já havia falado disso com o ginecologista e ele falou que não era nada… É o que eu mais ouço dos médicos! Quem dera se tudo o que eu tenho ou sinto não fosse nada mesmo. Obgda por tudo!

  9. Oi Meire, adorei esse post!
    Eu tenho intolerância a lactose e estou indo passar férias aí em Natal. Você sabe se esses lugares indicados também tem esse tipo de controle?
    Beijos,
    Karina

    • Karina,
      Como minha intolerância a lactose é leve só controlo em casa (leite sem lactose, pouco queijo) mas quando saio não me privo. Mas estes restaurantes são ótimos e como o pessoal é bem acessível e lactose é mais fácil de reconhecer entre os ingredientes acredito que você não terá problemas. Seja bem vinda! Beijo

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