O Salada apoia a PEC 478/10

Oi gente,

Fiz este vídeo hoje pela manhã, espero que vocês gostem.

Quando cheguei em casa alguém tuitou um post lindo de uma moça filha de uma empregada doméstica e achei interessante que muita coisa do que ela disse confirma exatamente a experiência que extraio dos trabalhadores que atendo em meu gabinete todos os dias.

Se você não quiser ver o meu vídeo peço que leia o post da Ohanna, aqui. E se você resolver assistir ao vídeo leia o post da Ohanna também ;)

Um beijo,

Meire

@meire_g

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27 thoughts on “O Salada apoia a PEC 478/10

  1. Assino embaixo de tudo o que as pessoas escreveram sobre o seu video. Sinto-me feliz por ouvir/ler gente que não perde a capacidade de se indignar com atitudes desumanas, ainda mais qdo são pessoas inteligentes como vc.Adorei!

  2. Oi Meire. Até o momento só tinha ouvido opiniões contra a equiparação dos trabalhadores domésticos. Me posicionei a favor desde o início, usando como fundamento os princípios da igualdade e da dignidade humana. Ao ver o vídeo me lembrei de um professor dé direito do trabalho que dizia que o trabalhador doméstico não deveria fazer jus aos direitos dos trabalhadores comuns, porque sua forma de trabalho envolvia prestação de serviço no âmbito do lar, cuja demanda é contínua. Ou seja, mesmo com amparo constitucional e talvez inconscientemente, este professor tinha/tem uma cultura escravagista bem arraigada. Gostei do seu vídeo porque pude desmistificar esta questão. Obrigada por me “abrir os horizontes” Meire! Super beijo!

    • Aninha,
      Na época de libertar os escravos as pessoas também achavam que não daria certo e todo mundo passou a viver sem precisar de escravos. A sociedade se organiza, né? Beijo!

  3. Como não apoiar esta lei? É questão de direito e igualdade.
    Sobre o que você comenta no vídeo a respeito do trato com empregadas no nordeste: morei no nordeste por =/- 8 anos e confesso que fiquei horrorizada (desculpe se a palavra é pesada, mas é isso) com o tratamentos das patroas. Morei em um condomínio onde apenas eu não tinha empregada. Depois passei a ter uma diarista 2Xsemana e depois uma mensalista. Fui duramente criticada por tratar bem, assinar a carteira e pagar o salário mínimo. Diziam que eu estava acostumando mal a funcionária. Minha filha, na época com 7 anos, tinha a moça como uma companhia pra brincar. Algumas vezes paguei ou presentiei
    por isso e a própria empregada disse que fazia parte do seu trabalho bem remunerado. Quando voltei para o sudeste, ela queria vir morar comigo (?). Eu a aconselhei a estudar e procurar um trabalho com carteira assinada. Fazem 2 anos que voltei na cidade e ainda me disseram que colaborei para que perdessem uma ótima empregada. Adorei isso!

    Beijo

    • Adriana,
      O que me deixa impressionada aqui é o valor irrisório pago às meninas que migram do interior em busca de trabalho. Boa parte é menor de idade, com escolaridade precária e as famílias contratantes ainda acham que estão fazendo um grande favor àquela menina que passa dia e noite trabalhando. Ventos novos muito bem-vindos estes. Parabéns pela sua história! Que existam mais Adrianas. Beijo!

  4. MEIRE APOIADÍSSIMA !!!! ONDE ESTAVAM OS DIREITOS HUMANOS ATÉ AGORA !!!

  5. Oi Meire
    Você foi bem direta rsrs,por incrível que pareça ainda tem, eu pelo menos conheço, pessoas que não tem condições mas gostam de ostentar uma vida a qual o salário não comporta e tentam economizar na hora de pagar o empregado.Tá cheio de exploradores por aí,eu mesma já passei por isso olhando filhos desses entre meus 9 e 13 anos, nunca vi cor de dinheiro, essas madames não tinham um pingo de vergonha de aproveitar da gente.Que as coisas mudem pq o tempo da escravidão já passou..Bjs!

  6. Meire , que palavras impecáveis,querida!!!!! na casa da minha mãe a empregada era tratada com uma indiferença e isso sempre me incomodou muito, êh minha mãe não quero de forma alguma desrespeitar , mas como vc disse êh um comportamento cultural, mas essas situações me doíam desde pequena…hj já tenho minha casa e aqui a minha ajudante êh muito respeitada, e mais êh minha grande amiga do peito!!! Elas merecem sim td o que essa lei vai trazer de bom !!!! Beijo grande

    Glaucia

    • Pois é Gláucia, muitas vezes não é por mal. As pessoas aprendem assim e vão reproduzindo o comportamento. Mas este ciclo precisa ser quebrado. Beijo e parabéns!

  7. Oi Meire!! que saudades do salada, fiquei sem ler por muitos dias por conta dos acontecimento na vizinha POA, mas tudo está melhor agora.
    Amei a cara nova do blog, passei só para deixar um beijo e semana que vem depois das minhas provas eu volto para ler todos os postes e deixar meus comentários em tudo.

  8. Quem é contra que os empregados domésticos tenham reconhecimento legal/direitos trabalhistas deveria abdicar dos seus direitos e fazer hora extra voluntariamente e sem receber nada por isto na empresa onde trabalha. Por uma questão de coerência… hehe

    Esta desculpa de que supostamente aumentaria o desemprego visivelmente é bobagem. Aqui tem placas (e até carro de som) em todos os cantos de hotéis e outras empresas desesperadas ofertando vagas a faxineiras… Para trabalhar em casa está até altamente difícil encontrar porque faz tempo que muitas preferem trabalhar em hotéis, já que além de elas receberem mais direitos (pelo menos até então) ainda por cima faturam com gorjetas dos hóspedes…

    Só vejo benefícios neste reconcimento: pode tirar milhões da informalidade, dar segurança jurídica ao empregador etc.

    • Pedro,
      Aqui no nordeste a oferta ainda é importante porque a escolaridade é muito precária mas a demanda já está sendo praticamente equiparada. Minha mãe mora em São Paulo mas passa temporadas em uma serra no interior do Ceará e sempre fala que lá já está difícil encontrar empregadas domésticas. Isso é um bom sinal, sinal de que elas estão migrando também para outras atividades. Talvez com as novas mudanças a atividade seja mais atrativa. Beijo!

  9. Só mais um comentário: minha mãe já foi empregada doméstica, e teve uma patroa bacana que dava condições para ela estudar. Minha mãe depois fez Letras numa universidade pública, e estudou até na França, e virou professora da Aliança Francesa. Para ilustrar, já morei na roça, na favela, e hoje em um ótimo condomínio. Tratar empregados com determinismo social e impedindo-os de crescer é algo cruel.

    • Munique,
      Que coisa maravilhosa na vida de vocês! Isso prova que é a oportunidade que faz a diferença. Parabéns querida. Cada dia gosto mais de você. Um beijo!

  10. Lembrei do filme Histórias Cruzadas: “Como se sente cuidando do filho de outra pessoa enquanto o seu próprio filho está longe de você?”. Tenho amigas que acham normal a babá delas dormir no trabalho a semana toda enquanto deixam seus próprios filhos com a irmã ou a mãe, ou durante o dia numa creche. A babá de uma conhecida coloca sua filha de 6 anos numa creche e vai lá cuidar do filho de 5 anos dessa pessoa (sendo que ela não trabalha). Acho isso uma incoerência tão grande e não entendo como a pessoa não reflete sobre isso. Da mesma forma, fui à casa de campo de um amigo historiador, que sempre admirei por seus discursos, e chegando lá fui servida à mesa por dois empregados de uniforme, e me assustei com ele ordenando que arrumassem a mesa do café, do almoço, etc. Me senti realmente no Brasil Colônia. Como uma pessoa, em sua própria casa, é incapaz de colocar ingredientes de café da manhã sobre ela e precisa de empregados dormindo lá para isso? Para mim, foi uma decepção. Minha casa é a única do meu condomínio que não tem empregados. As outras em geral possuem duas, às vezes três. Não é só a questão de poder ou não pagar… muitos pagam porque realmente podem, mas acho degradante essa dependência de uma babá para adultos. Quase todo dia escuto meu vizinho de 12 anos gritando: “Keeeeellly!! Me traz um copo d’água!!!”. Já repeti essa frase emblemática para várias pessoas de tão absurda que eu acho. Kelly é uma das empregadas da vizinha, e o garoto é INCAPAZ de ir de um cômodo a outro, abrir a geladeira e pegar um copo d’água. Isso é assustador demais.

    • Munique,
      Também acho assustador. Amo mais minha mãe a cada dia que passa.
      Aqui em Natal até dói ver mães que nem tocam nas crianças, mães que não trabalham fora e deixam os filhos o dia e noite com babás. São justamente estas que acham que não devem pagar-lhes hora extra e ainda acham que fazem um favor a elas quando as levam a um restaurante. Triste.

  11. Oi, Meire! Parabéns pelo vídeo! Achei justas as novas regras. Sempre me senti incomodada em ver pessoas abdicarem de suas vidas para cuidar da família alheia. Todos os trabalhadores deveriam ter os mesmo direitos. Entretanto, acho que algumas regras serão de difícil controle, como a carga horária efetiva e a questão do adicional noturno. Espero que a lei seja bem clara, de modo a não prejudicar nenhuma das partes. Por exemplo: algumas empregadas não trabalham à noite, mas dormem no serviço, mesmo assim terão direito ao adicional noturno? Acredito que aqui em Natal muitas famílias optarão por ter apenas diaristas, uma vez que o aumento nos custos é significativo. Concordo com a questão do machismo que você citou e espero que as famílias se reeduquem. Mudando de assunto, gostaria de tirar uma dúvida: fiz recentemente minha primeira compra internacional e ao rastrear apareceu “Em trânsito para RFB – TRIBUTADO-EMISSÃO NOTA TRIBUTACAO/BR”. Isso significa necessariamente que fui taxada?! Abraço, Fernanda.

    • Oi Fernanda,

      Sim, significa que foi taxada.Você pode ir aos Correios quando no código de rastreio aparecer ‘esperando retirada’ ou ir retirar quando o boleto chegar à sua casa. Sempre prefiro ir retirar assim que chega. A gente paga a taxa no Correio mesmo e já pega a encomenda.

      Beijo!

  12. Cada vez mais eu fico encantado com a Meire! Parabéns, te admiro muito! Quanto a experiências pessoais referente ao assunto não tenho, porque sempre fui de família humilde, nunca tivemos uma empregada ou babá e minha mãe nunca trabalhou como tal, não porque não precisava, mas por escolha dela que optou por se dedicar exclusivamente à família, mas tenho certeza pelos valores que recebemos, que se tivessemos uma empregada ela seria tratada com dignidade. Penso que devemos tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados, portanto se vc não gosta de ser humilhado pelo seu chefe, ter seus horários desrespeitados e se sentir lesado (horas extras não pagas por ex) não faça isto com sua empregada, com a babá de seu filho… pra mim é simples assim!

    • Exatamente isso, Diego!
      É a base da mensagem. Direitos iguais a uma jornada digna e pagamento das horas trabalhadas a mais. Abração!

  13. Meire,

    Acho muito justo as mudanças que estão acontecendo, conheço muitas mães de familia que saem de casa as 5 da manha para estar na casa da patroa as 7 para fazer o lanche da familia e só saem a noite, pegam 3 onibus para chegar em casa e chegam quase na hora de voltar de novo, não dá nem tempo de dormir as 8 horas diaria, filhos abondonados, não tem direito a irem a um medico, ficam acumulando doenças durante muitos anos e quando não estão mais precisando dos serviços delas ou acham uma outra empregada que trabalhe mais barato ou que possa dormir no emprego, essas mães de familia saem com uma mão na frente e outra atrás sem direito a nada, agora sim as coisas vão mudar.

    Você parece muito com uma promotora de justiça para quem eu trabalhei cerca de 5 anos como diarista, ele é assim como vc, super humana, tinha lá seus defeitos, não era todos os dias que acordava de bom humor, mas nunca me explorou, foi minha madrinha de casamento e ainda me ajudou a comprar minha casa, até cursos ela pagou para mim porque dizia que eu cresceria profissionalmente e foi o que aconteceu, ela não tinha frescuras, me tratava de iqual para iqual, pessoas assim como voces sabem qual o verdadeiro sentido da vida, que é amar ao próximo.

    • Sílvia,

      Quando tive uma empregada doméstica (eu dava muitos plantões, tinha pouco tempo) fiz questão que ela estudasse. Durante o tempo em que trabalhou para mim terminou o ensino médio e fez curso de inglês. Ela dormia em minha casa porque morava no interior e ficaria complicado ir e voltar todos os dias mas nunca era incomodada em seus horários de repouso e tinha os finais de semana livres. Os patroes precisam se educar, nem que seja por força de uma Emenda. Beijo!

  14. Oi Meire, vc tocou num dos pontos que promovem esse tipo de comportamento “escravagista”, verdade. É o cara que não ajuda a sua esposa ou companheira em casa. Essa é uma realidade aqui no Brasil, sem dúvida. Morei por um tempo nos EUA e tive um namorado americano que custou para entender que aqui no Brasil as pessoas não ganham salários tão altos e mesmo não são ricas para terem empregado (a) trabalhando em nossas casas nos afazeres domesticos e que os homens dificilmente ajudam nessas tarefas a mulher, por essas bandas de cá. Na visão dele, e foi o que realmente vi por lá é que as pessoas se viram para cuidar de suas próprias casas porque contratar mesmo uma faxineira sai caro, é um luxo. Ou então, são pessoas ricas para terem empregados em suas casas (aqui estou me referindo ao empregado permanente). O que assiti lá foi marido americano de amiga minha cuidando do bebe, trocando fralda, dando banho… enquanto ela estava cuidando de outros afazeres domesticos, e, vice-versa. Esse meu namorado morava sozinho (como a grande maioria dos americanos (as)) e a sua casa estava sempre limpa e arrumada, detalhe ele trabalhava aos sábados e domingos, um profissional com PHD. Bem, quanto a alimentação, aí já é outro papo, já que eles tem por hábito comer fora todos os dias da semana e inclusive o café da manhã. Aqui no Rio Já ouvi pessoas pensando em demitir a empregada para recontratar apenas como diarista de no máximo duas vezes na semana, sem comentários essa atitude. Bjus

    • Suzana,

      É mais uma quebra de paradigmas. A sociedade vai se adaptar. Com o aumento da escolarização que há de vir o emprego não qualificado, como o doméstico, tenderá a ficar mais raro ou até será terceirizado, o que deve ocorrer dentro de umas duas décadas. O Brasil está muito atrasado. Duvido que a lei ‘pegue’ tão rápido, mas pelo menos as pessoas que tencionam ficar na legalidade tenderão a cumpri-la.
      Beijo!

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