“Muito Além do Peso”, um documentário da Maria Farinha Filmes

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“Seu filho vai viver dez anos a menos do que você”
Jamier Olivier

Oi gente!

Este senhor tem menos de 50 anos. Ele tem 152 kg para 1,60m de altura e na nossa avaliação de hoje respondeu que tinha 110kg em última tomada de peso, realizada no ano passado.

Antes de pesá-lo perguntei quanto ele calculava que estaria pesando e ele respondeu: ‘cento e vinte’. Já sofre pressão alta de difícil controle, diabetes, insuficiência venosa com ulcerações crônicas nos membros inferiores e seus joelhos já não suportam adequadamente o peso do corpo, causando-lhe dores e alterações na marcha.

O abdome muito volumoso prejudica seu sono o que faz com que sua pressão fique ainda mais descontrolada. Ele vive muito cansado e necessita com urgência de apoio de equipe multidisciplinar para perda de peso, reabilitação física e tratamento das comorbidades.

Como aconteceu com ele, quando o paciente chega a um determinado ponto de obesidade ele pode ganhar vinte quilos ou mais sem se dar conta e se este processo não for interrompido finda havendo grave déficit de mobilidade. A imobilidade  piora ainda mais o prognóstico, já que a queima de calorias cai mais ainda, a ansiedade aumenta, a autoestima cai e o paciente come ainda mais. A família, sem poder fazer nada e se sentindo impotente, tende a consolar o parente com mais comida.

De quem é a culpa? Difícil saber, a obesidade é uma condição crônica e multifatorial.  Ela aumentou nas últimas décadas em boa parte do mundo mesmo sem que tenhamos sofrido alterações evolutivas neste sentido. A mudança foi ambiental. O que houve foi uma explosão de expressão de uma predisposição latente. Podemos considerar a obesidade em geral uma das consequências da vida moderna, temos um acesso hipertrofiado a alimentos com alto índice calórico e paulatinamente temos feito menos atividade física. Antigamente se andava a pé, hoje de transporte público ou particular, então quem tem genética desfavorável neste sentido finda desenvolvendo obesidade.

Na época em que eu fazia consultório já atendia crianças com colesterol alto e com resistência à insulina. Uma das coisas mais difíceis era convencer a família a ingressar em uma dieta junto com a criança pois em boa parte dos casos as crianças obesas eram filhas de pais no mínimo com sobrepeso. A reeducação deve ser de toda a família e continuada pois do contrário não funciona. Se a criança só come hamburger isso ocorre porque alguém está permitindo. Quem tem família com tendência à obesidade precisa se esforçar muito para nadar contra esta maré, e não é fácil. 

A Carol me enviou este vídeo fantástico de produção executiva de Marcos Nisti e direção de Estela Renner. Convido todos a ver o filme, principalmente quem tem filhos.

Um beijo,

Meire

@meire_g

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19 comentários sobre ““Muito Além do Peso”, um documentário da Maria Farinha Filmes

  1. Meire, assisti a esse filme com a minha priminha de 10 anos e ela achou interessantíssimo. Recomendei pros meus alunos e um deles ficou impressionado com o tanto de porcaria que as pessoas ingerem sem se dar conta. Um tempo antes de vc publicar esse post eu recomendei o filme em duas ocasiões no fb e não me lembro de ter ganhado nenhuma curtida. Lá, o povo só curte as abobrinhas. :(
    Seria muito bom se todos assistissem, até mesmo quem não tem problemas de obesidade porque conheço gente que é magrinha mas tem colesterol alto.
    Um beijo, linda!

    • Lidi,
      Eu acabo nem postando nada no FB, que só uso para falar com a família basicamente. O pessoal gosta mais de temas polêmicos e como você diz, das abobrinhas. Uma pena mesmo! Beijo ;)

  2. Esse documentário é mesmo muito bom, Meire. Eu não tenho filhos, mas tento buscar uma alimentação saudável desde que me entendo por gente, graças à minha mãe. Vi o vídeo duas vezes, pois as informações contidas são impressionantes. Compartilhei com quem pude, mas sei que quase (ou talvez ninguém) se moveu para assistir, principalmente os que deveriam ver, seja porque têm obesos na família, seja porque têm filhos pequenos e os filhos são viciados em porcarias. Minha parte eu fiz. O pior cego é aquele que não quer ver…
    Muito bom você ter trazido esse assunto ao blog, pena ter tido poucos comentários.
    Bjs.

    • Jussara,
      Os assuntos mais sérios que abordo são pouquíssimo lidos e comentados, sempre fico um pouco decepcionada. NO canal do Youtube tenho vídeos sobre anorexia nervosa e outros temas praticamente sem visualização. Mas é assim mesmo, infelizmente ;) Beijo e obrigada!

  3. Oi Saladinha, adorei este vídeo…… tenho uma sobrinha de quatro anos que está engordando cada vez mais e isso está me deixando muito preocupada, minha irmã não aceita críticas sobre o assunto, mas ela está vendo que a menina está engordando, principalmente quando vai por uma roupa, geralmente fica apertada, enfim, mandei um link sobre o vídeo pra ela assistir, espero que a ajude!!!! Obrigada.

    • Telma,
      E peça para ela ler os comentários deste post também, a hora de cuidar é agora. Bj!

  4. Meire,

    A minha luta contra a obesidade de minha filha me fez enchergar que não basta apenas abandonar a “comida-porcaria” para que se tenha uma vida saudável. Atividade física regular e higiene do sono são hábitos cruciais. Quem come errado normalmente tem uma rotina desregrada que auxilia a má alimentação e isto é um círculo vicioso.
    Os mecanismos de recompensa no mundo moderno não passam apenas pela comida ( no caso das mães e pais muito ausentes pelo trabalho) mas pela permissividade nos horários, acesso indiscriminado aos gadgets….etc
    Hoje busco uma rotina saudável com auxílio de equipe multiprofissional. Tenho uma vida confortável o que me permitiu abandonar a exaustão da vida acadêmica e fazer apenas trabalho voluntário.
    O mais importante nestes dez meses após a morte de minha filha foi a FÉ e esta nem ocupa lugar na necessaire, a gente guarda na alma mesmo…

    Bjos

    • Dolores,
      Desejo muita felicidade e paz. Continue assim, forte. Um beijo!

  5. Meire,

    Não tive coragem de ver o filme por causa da minha experência de dor que quero partilhar com vc e todos os leitores do Salada:
    Minha filha começou a engordar aos sete anos de idade, quando abandonou os alimentos saudáveis introduzidos desde a primeira “papinha”. Durante dezessete anos lutei com o auxílio dos mais variados profissionais de saúde para que ela fizesse a reeducação alimentar e conseguisse perder peso…entregamos os pontos e num último recurso, quando o IMC chegou a 42 recorremos à Cirurgia Bariátrica em Maio de 2012. No oitavo dia da intervenção, após uma endoscopia feita pelo próprio cirurgião definiu-se que ela receberia alta hospitalar. Porém, no retorno da Clínica para o Hospital, dentro da ambulância ela nauseou e aspirou, resultado:Três dias de CTI e eu perdi minha única filha por causa da obesidade
    Choro quase todos os dias de saudade… que isto sirva de alerta-OBESIDADE MATA

    Dolores

    • Dolores,

      Sinto muito, nem há palavras para consolar uma perda assim… Um abraço para você e sua família.

      • Dolores, tb sinto muitíssimo por vc, emocionou-me o seu relato, e tb não estou conseguindo assistir ao vídeo, começo e páro, começo e páro…

        Receio por uma menina de 13 anos que, com 1,48m já pesa 80 quilos, e pelo irmão dela que, com 19 anos sempre foi obeso e hoje, com 19 anos e 1,80m pesa muito mais de 180. São de família mto humilde, aonde a comida-porcaria é tida como recompensa para as frustrações materiais e INCENTIVADA pela mãe, tb obesa.

        Temos mta intimidade com eles e minha mãe a chama de assassina, porque, diferente de vc, ela está sendo uma mãe inconsciente, omissa e até má, visto que o assunto alimentação saudável, reeducação alimentar, cirurgia bariátrica etc são tidos por ela como ofensas pessoais e não são aceitos e nem tampouco colocados em prática.

        O caso é tão grave que a prima desses 2, com medo de ficar como eles, adquiriu anorexia. O menino já teve início de infarto este ano e a menina vai pelo mesmo caminho. E a mãe continua se excusando de tudo apenas indo à missa todo dia e andando com um rosário no pescoço, como se isso a fosse eximir dos seus erros e falhas conscientes. E na volta da missa para casa ela ainda compra mais porcaria para os filhos comerem à noite… É revoltante.

        Estou lhe falando isso para que vc fique um pouco confortada ao perceber que vc não foi omissa e nem ausente e nem má. Vc lutou, fez o que uma mãe tem que fazer, foi consciente, tentou ajudar a sua filha, ao invés de empurrá-la ainda mais para a obesidade. Vc fez a sua parte, fez o que podia fazer.

        Use todo o seu conhecimento e experiência e dor para ajudar quem passa pelo mesmo problema que vc. Aqui no salada vc fez isso, ao nos relatar a sua história. Continuando assim, falando e alertando aos quatro ventos sobre esta doença vc exorcizará seu pesadelo (se é que é possivel, né?, mas pelo menos minimizá-lo um tiquinho). A Meire, p.ex., mantém este blog, que vc, como leitora dela, sabe o quanto nos ajuda. Pense em fazer alguma coisa do gênero, escrever, ir em escolas, montar uma ong, conversar com os outros, contando sempre da sua experiência para que a mesma seja vista não como lamentação, mas sim como alerta, exemplo e incentivo para a cura. Vc poderá salvar vidas assim.

        Desculpa-me a intromissão, mas foi uma comunidade de orkut (uma espécie de blog) que me ajudou muito qdo eu tive um grave problema em janeiro de 2011 e passei por uma cirurgia de urgência. O médico que me fez a cirurgia “apenas” me operou, mas não me deu as instruções devidas para o repouso absoluto dos posteriores 6 meses… Sendo assim, depois da cirurgia eu cheguei em casa e comecei a fazer, por ignorância, tudo o que me era proibido fazer, até que, de repente, eu tive um “clic” e olhei na net a respeito, qdo eu descobri uma comunidade do orkut feita por pessoas desesperadas que passavam pelos mesmos problemas que eu e lá eles me alertaram para o devido repouso e etc. Resumindo: se eu não tivesse feito o que as pessoas do orkut me alertaram a fazer eu poderia ter ficado cega.

        Obrigada pelo seu depoimento e, acredite, nós evoluímos nesta vida desidratando: seja pelo suor do trabalho edificante, seja pelas lágrimas do sofrimento. E, acredite também, vc sairá dessa tal como uma fênix, transformada e mais forte. Abençoada seja você!

  6. O filme Hungry for health é muito bom também, li alguns comentários negativos dizendo que ele não traz informações novas e discordo, achei ele um pouco repetitivo, mas bastante útil.

  7. Oi Meire, uma pergunta: a partir de quando pode-se considerar a obesidade como mórbida?

    • Aninha,
      O principal critério é o índice de massa corporal (peso dividido pelo quadrado da altura). A desse senhor da foto é acima de 40. Com um peso tão desproporcional à altura há sobrecarga cardíaca, sobrecarga articular, dificuldades respiratórias e outros problemas inclusive relacionados ao efeito inflamatório proporcionado pelo aumento da gordura abdominal.
      Há pessoas extremamente musculosas que tem índice de massa corporal alto (mas não chega a 40 mesmo com muito músculo) que poderiam ser consideradas obesas mas clinicamente não são, pois a quantidade de gordura corporal não é grande. A morbidade tem relação mais direta com gordura. Quando o índice passa de 40 há muita gordura corporal associada e o risco de adoecimento é bastante alto. Beijo!

  8. Impressionante! E pensar que isso ocorre lentamente e muitos só se dão conta quanto os danos para a saúde são incapacitantes. O vídeo complementa as informações, já que muitos estudos indicam que, entre os fatores envolvidos na obesidade, as práticas e hábitos alimentares obesogênicos, formados desde a infância, ativam mecanismos que determinam o ganho de peso/obesidade, além de desencadear doenças crônicas em todas as fases de vida. Vale o alerta para pais e demais adultos envolvidos, direta ou indiretamente, na educação de crianças… Por isso que eu estou adorando o Salada Médica! Muito além da necessère!

    • Lucimara,
      O ambiente tem sido um fator realmente determinante. Obrigada pela visita! Beijo ;)

  9. Post compartilhado, Meire! O documentário é muito bom. É tão difícil de as pessoas se conscietizarem né?!

    bjos

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