‘A banana é fruta boa
Comida de gente pobre.
Toda a gente gosta dela,
Quer seja plebeu ou nobre‘
Versinho citado pelo Mestre Cascudo em ‘A História da Alimentação no Brasil’
Oi gente
Apesar da lindeza das bananeiras esvoaçantes retratadas pelo cineasta Guel Arraes em ‘Caramuru – A invenção do Brasil‘, não existiam bananeiras cá entre nós à época do descobrimento do nosso país. A fruta, que no nosso caso veio das Ilhas Canárias, encontrou terreno perfeito para se espalhar por todo país.
A banana é uma fruta rica em potássio, calorias ‘do bem’, vitaminas e fibras. É usada tanto em pratos salgados quanto em sobremesas, em vitaminas, sorvetes, geleias, compotas, crua acompanhando o açaí, cozida, frita, à milanesa, nem dá para listar a quantidade de pratos que a utilizam.
Os índios chamavam um dos tipos de banana colonial de pacoba, de pacoba passou a pacova e daí para pacovã, por isso há quem acredite que a Pacovã, ou banana-da-terra já existia antes de 1500. Mas não há, pelo menos segundo o Mestre Cascudo, nenhuma evidência histórica disso. Ele anota inclusive a ausência da citação da fruta nos documentos e cartas de Pero Vaz de Caminha e Padre Anchieta.
A Cartola é um prato típico do nordeste e não se sabe ao certo em que Estado se originou. Quem é do Rio Grande do Norte acha que ela se originou aqui, quem é de Pernambuco acha que foi lá e quem é da Paraíba acha que o prato é tipicamente paraibano.
A receita original é super calórica:
Primeiro a banana prata é cortada em tiras e frita na manteiga do sertão – assim chamada se a pessoa não está no sertão; se a pessoa está no sertão o nome é manteiga da terra segundo o meu digníssimo marido.
As tiras fritas são colocadas em um prato e cobertas a praticamente atoladas com queijo de manteiga derretido e super quente (queijo mais calórico impossível, hehehe). Por cima e aproveitando o calor do queijo, é colocada uma mistura de chocolate em pó e açúcar. Há quem polvilhe canela, sobretudo os pernambucanos.
É uma delícia e todo restaurante de comida típica nordestina respeitável deve tê-la em seu cardápio.
Mas eu não aprecio o queijo de manteiga, acho bem gorduroso e banana frita na manteiga … Vamos combinar, fica bastante gorda essa sobremesa.
Sobremesa?
Pois é, aqui as pessoas costumam comer essa bomba depois do almoço e não raro após o jantar.
Coisa leve.
Então aqui em casa criamos uma receita diferente e em parte inspirada na receita da casa da Carol (@carol_kyze). A Carol não frita a banana, usa microondas e em vez de chocolate e açúcar usa Nutella. Bastante Nutella.
RECEITA DE CARTOLA DA MINHA CASA
Ingredientes e modo de preparo:
[Não contém glúten]
Banana (s) madura (s): Leite, Prata, Nanica, a que você gostar mais. Amasse com um garfo quantas quiser e coloque num prato, mantendo uma camada de no máximo 2 cm. Se a camada ficar muito grossa o chocolate não entranha, hehe.
Leite Condensado Desnatado: Coloque um pouco na banana amassada e mexa bem. Fica mais gostoso do que com açúcar e você já economizou calorias cortando a manteiga, olhaí.
Queijo de coalho defumado ou provolone: Grelhe fatias grossas do queijo defumado, quanto desejar, depois corte em cubos, tipo 1 X 1 cm. Só pra dar uma crocância. Acrescente em cima da banana amassada, em toda a extensão, né. Tente deixar organizado para que não fique muito espaço sem queijo.
Chocolate amargo ralado no ralo grosso em quantidade suficiente para cobrir o prato: Aqui em casa usamos chocolate sem glúten (70% Kopenhagen, Walkers, Belgen, Makro). Cubra a banana com o chocolate ralado de acordo com o seu peso corporal. Se você está gordo faça uma camada fina, procurando apenas não deixar tantas áreas descobertas.
Leve ao forno de microndas por tempo suficiente para aquecer a banana e derreter e chocolate.
Pronto!
Beijos,
Meire
@meire_g

Eu também estou aguardando resenha desta espuma Sofina, rsrss.
Beijo
Acabei de publicá-la
Beijo!
Nunca tinha visto assim. Vou ver se tem um restaurante de comida do nordeste que tem aqui na minha cidade. hehe
A daqui é diferente (só na forma, porque também é outra bomba calórica hahaha): a banana é frita e colocada em um refratário. Sobre a banana coloca-se um creme de gemas batido com açúcar e algumas gotas de limão (gemada?). Por fim, sobre a camada de creme e banana frita coloca-se clara de neve batida em picos (que termo chic hauahau) e leva-se ao forno até a clara de neve ficar dourada em alguns pontos.
De qualquer modo, sem glúten também.
Pedro, o Igor falou que a receita daí é uma Pavlova, uma sobremesa originada na Nova Zelândia. Legal, né?
Não sabia… Vivendo e aprendendo. hehe
Morei na Paraíba por dois anos e sempre me serviam cartola após almoço, quer dizer, esta bomba calórica deliciosa. Mas, não era com chocolate, era com mel de rapadura. O queijo era opcional.
Me deu saudades, vou tentar resistir ou fazer sua receita.
Beijo
Adriana, sabe que eu estava me perguntando se essa receita é mesmo tão antiga justamente por causa do chocolate? É bem possível que a receita original seja a da Paraíba então, com mel de rapadura. É o mais lógico, considerando que possivelmente a iguaria foi criada em um engenho. Beijo!
Dra Meire, acabei de me lembrar. Comi esta sobremesa algumas vezes no Restaurante Mangai de João Pessoa, acho que tem filial em Natal.
Beijo
Que legal! Acho que a do Mangai tem canela. Beijo!
Que delícia! Amo banana. É minha fruta preferida e não falta aqui em casa. Vou fazer e te conto.
Beijão!
meire, vc é uma fofa!!
nunca comentei aqui, mas sou visita diaria, fico so esperando seus posts!
essa receitinha foi otima!
resenhe assim que possivel sobre a espuma da sofina!estou curiosissima
beijooo
Oi Luiza, obrigada
A resenha da espuma sai logo logo, hehe. Beijo.