Resumão da Nova Ortografia

O Acordo Ortográfico foi assinado em Lisboa em 1990 e homologado no Brasil em 18 de abril de 1995. Apesar de estar valendo desde o ano passado, muitos jornais brasileiros, revistas e blogs de grande circulação permanecem usando as antigas regras.

Lendo um ensaio na Superinteressante semana passada vi que nem o trema, a coisa mais fácil da regra, foi retirado. Dai resolvi fazer um resumo para facilitar minha consulta porque apesar de deslizar frequentemente no português tento primar pela boa escrita.

Resumão das Regras


1. O alfabeto: As letras k, w e y voltaram para o alfabeto, que agora passa a ter 26 letras. O abecedário da Xuxa deverá ser reescrito :)

2. Uso do trema: O trema deve ser retirado de *todas* as palavras, com exceção  de palavras estrangeiras e e derivadas, como Müller e mülleriano.

3. Acentuação: Não se usa mais acentos em palavras PAROXÍTONAS como geleia e paranoia. Onde houver ditongo aberto éi e ói, tirem o acento: alcateia, ideia, geleia, heroico, debiloide, asteroide. O mesmo ocorre com verbos, apoia, apoio.

Obs.: O éi e ói das OXÍTONAS continua recebendo o acento, o que provavelmente só vai cair no próximo acordo. Por que não tiraram logo?? Exemplos: Herói e papéis.

4. De novo nas PAROXÍTONAS: Retirem o acento do i e u tônicos. Exemplos: Baiuca e feiura. EXCEÇÃO chata nesta regra: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem na posição final ou seguidos de s (ai que ódio
dessas regras…) o acento fica. Memorizem as palavras Piauí e Guaíra.

5. As palavras terminadas em êem e ôo perderam o acento: abençoo, creem, enjoo, voo.

6. Os acentos diferenciais de pára/para, péla/pela, pêlo/pelo, pólo/polo e pêra/pera cairam. Ele pára o carro no pólo norte e come uma pêra agora é ele para o carro no polo norte
e come uma pera.

Obs: O acento diferencial de pôde/pode e do singular e plural dos verbos ter e vir CONTINUAM. Exemplo: Vou pôr a pera comprada por mim na geleia. Ela tem um batom e vem de Paris, elas têm mil batons e vêm de Paris. Já o acento circunflexo diferencial de forma/fôrma ficou facultativo. Você pode escrever que comprou uma fôrma de bolo ou que comprou uma forma de bolo.

7. Para o verbo Arguir: Não se usa mais o acento agudo no u no presente do indicativo. Tu arguis, ele argui e eles arguem. Aguenta essa (mas aguenta sem trema).

8. Verbos terminados em guar, quar e quir (enxaguar, obliquar, delinquir) podem ser acentuados conforme a pronúncia de quem escreve. Melhor mudar sua pronúncia e tirartodos os acentos, ou tirar mesmo porque quando estiver escrito não estará errado. Por exemplo: enxágua (enXAgua) e enxagua (enxagUa).

9. Hífen: Sempre foi ruim saber as regras para o uso do hífen :(

9.1 Em palavras compostas nada a ver (eu havia escrito “nada haver” e fui corrigida pelo Dado Carvalho, obrigada ) uma com a outra, o hífen continua: guarda-chuva, arco-íris, segunda-feira, pão-duro, porta-bandeira. EXCEÇÕES: palavras que já se consagraram sem hífen, como girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista.

9.2 Em compostos com palavras iguais ou quase idênticas o hífen continua: reco-reco, vuco-vuco, pingue-pongue, zigue-zague, corre-corre.

9.3 Em palavras com elemento de ligação como de, e, com, que ou a, não se usa mais hífen:

pé de moleque, ponto e vírgula, camisa de força, dia a dia, maria vai com as outras, diz que diz. Mas há exceções idiotas e temos que memorizá-las: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa e palavras que designam seres vivos, como bem-te-vi, peroba-do-campo, cravo-da-índia (pra quê isso ter hífen?), mico-leão-dourado, peixe-espada, pimenta-do-reino.

Obs.: Há uma exceção da exceção. Se a palavra se refere a um ser vivo mas está fora do contexto, o hífen cai. Por exemplo: bico-de-papagaio tem hífen, mas
se for bico de papagaio como diagnóstico médico, não. Olho-de-boi tem hífen, mas se estivermos falando do selo olho de boi, não tem.

9.4 Onde tem apóstrofo, o hífen entra ou fica, sei lá: gota-d’água, pé-d’água

9.5 Em palavras derivadas de lugares, o hífen fica e as palavras não se condensam: rio-grandense-do-norte (polêmica recente no Twitter), norte-rio-grandense, mato-grossense-do-sul, sul-africano.

9.6  Uso do hífen a maior parte dos prefixos e assemelhados (anti, super, ultra, sub, aero, agro, auto, eletro, geo, hidro, macro, mini, multi, neo, etc): se a palavra seguinte começar com H ou com a mesma letra que o prefixo termina, tem hífen, do contrário, não. Exemplos: anti-higiênico e micro-ondas, autoescola e antiaéreo.

EXCEÇÃO: Se o prefixo terminar com uma VOGAL E A OUTRA PALAVRA começar com R ou S, o hífen sai e o R ou o S são dobrados. Por exemplo: minissaia, ultrassom e semirreta. Exceção da exceção: Com sub e sob se a segunda palavra começar com R ele não dobra, tem hífen. Por exemplo: sub-região, sob-roda.

9.7 Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal. Exemplos: circum-murado, circum-navegação, pan-americano

9.8 SEMPRE terá hífen com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, vice: sem-teto, além-túmulo, recém-formado, pós-operatório, vice-presidente.

9.9 NUNCA terá hífen com o prefixo co. Se a segunda palavra começar por H, ele é perdido e se começar com R ou S, estes serão dobrados: coobrigação, cofundador, corresponsável, coeducar, coerdeiro.

9.10 NUNCA terá hífen com os prefixos Pre, Re, não e quase: preexistentes, reescrever, não agressão, quase morte.

9.11 Em palavras formadas com Ab, Ob e Ad haverá hífen quando a segunda palavra começar por B, D ou R: ad-renal, ab-rogar, ad-digital.

9.12 O Mal leva hífen se a segunda palavra começar por vogal, h ou l: mal-entendido, mal-humorado,  mal-limpo (credo…)

No caso de Mal significar doença, se não houve elemento de ligação tem hífen, com elemento, não, por exemplo: mal-francês, Mal de sete dias, Mal de Alzheimer, mal-asmático (notinha: mas este uso da palavra Mal tem caído e ela vem sendo substituída, como por exemplo Doença de Alzheimer ou asma aguda não responsiva ).

9.13 Esqueça de tudo se a palavra for de origem tupi-guarani, porque nestes casos há hífen sem considerar quaisquer regras acima. Exemplos: capim-açu, anajá-mirim.

9.14 Como se não bastasse, um pouco de subjetividade pós-modernista para garantir nossos erros em concursos: se as palavras “ocasionalmente se combinam formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares“, há hífen: Ponte Rio-Niterói.

9.15 Se o hífen fica no final da linha, você terá que repeti-lo na linha seguinte: o inferno vai receber os ex-

-candidatos.

Um abração!

@meire_g

Referências:

Guia Prático da Nova Ortografia, de Douglas Tufano – Ed. Melhoramentos

Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, Editora Abril

Decreto Legislativo número 54, em 18 de abril de 1995

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6 thoughts on “Resumão da Nova Ortografia

  1. Olá, em determinada parte de seu texto pergunta-se porque CRAVO-DA-ÍNDIA tem hífen… basicamente é para mostrar que isso é um tipo específico de cravo, de forma que toda a palavra passa a ser um único substantivo. Se, ao contrário, escrever-se cravo da índia, sem hífen, isso pode significar que o cravo, qualquer que seja, veio do país Índia, o que não necessariamente é verdade pois o cravo do qual se fala pode ter sido plantado no Brasil. Nesse sentido, veja que falta faria o hífen na seguinte frase: “O cravo-da-índia da Índia é mais saboroso que o cravo-da-índia do Brasil, mas, certamente, o cravo do Brasil é mais perfumado que o cravo da Índia.”

    • Dado,

      Muito obrigada pela correção! Não só li o primeiro texto como vou ficar freguesa do blog, que ficará listado nos meus links.

      Um abraço,
      Meire

  2. esse resumo acaba de salvar minha vida amanha na aula de português.
    hehehehhee…
    vlws…..

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